Monthly Archives: outubro 2026

Smartphones e câmeras criaram um sistema de vigilância dos cidadãos ostensivo na Rússia – Ilustração: Paulo Silvestre

Rússia transforma conveniência digital em instrumento de vigilância inescapável

By | Tecnologia | No Comments

Não é de hoje que as plataformas digitais nos oferecem comodidade em troca da coleta de nossos dados. Nossos celulares, que tanto nos ajudam, denunciam aspectos de nossa vida a empresas e governos, muitas vezes sem nosso conhecimento. Agora, a Rússia do presidente Vladimir Putin aperfeiçoou essa proposta, transformando equipamentos digitais em ferramentas inescapáveis de rastreamento e manipulação.

A ideia é simples. A sociedade russa passa por uma acelerada digitalização, que facilita mesmo tarefas prosaicas, como pegar o metrô. Usar o rosto serve, por exemplo, para pagar quase tudo. Em alguns casos, fazer a mesma tarefa por “métodos tradicionais” se torna difícil ou até impossível. Assim, mesmo com o fornecimento de dados biométricos sendo voluntário, o mecanismo praticamente inviabiliza que as pessoas não os entreguem.

O problema é que os dados podem ganhar finalidades que vão muito além do serviço utilizado. Os aplicativos usados pelos russos, combinados com centenas de milhares de câmeras nas cidades, permitem ao governo identificar pessoas e reconstruir parte de seus deslocamentos e, em muitos casos, o que estão fazendo e com quem.

A essa altura, o rastreamento digital parece inevitável. Mas nem tudo o que pode ser feito deve ser feito. O governo de Putin tem usado esse recurso para identificar e seguir opositores e dissidentes, não só em manifestações, mas no cotidiano.

Isso faz o controle do Grande Irmão da obra “1984”, de George Orwell, parecer algo limitado e ineficaz. A vigilância digital permanente pode se tornar uma das atitudes mais asfixiantes de um governo autoritário, subjugando o livre-arbítrio e até a liberdade de ir e vir dos cidadãos.


Veja esse artigo em vídeo:


Cerca de 10 milhões dos 145 milhões de russos já usam aplicativos baseados em biometria. Percentualmente, pode não parecer muito, mas a maioria deles se concentra nas grandes cidades, e esse número cresce impulsionado por uma forte campanha publicitária.

As vantagens não se resumem a pagamentos facilitados e acessos automáticos. O governo apresenta o reconhecimento facial como responsável por ganhos de segurança nas cidades russas, que eram sensivelmente mais perigosas há duas décadas. Alega ainda que o sistema oferece benefícios aos cidadãos superiores aos das democracias ocidentais.

Essa comparação ignora o progressivo fechamento do espaço político russo, que acontece há muitos anos. A invasão da Ucrânia deixou isso mais evidente. Em um Estado acusado de enviar jovens presos em manifestações contra o governo para a linha de frente no campo de batalha, qualquer ato de discordância pode tornar a vida muito mais difícil e até perigosa.

Jovens que se recusam a atender ao alistamento para a guerra relatam que não podem mais deixar o país, além de sofrer restrições em serviços básicos. Alguns temem até mesmo ser presos por simplesmente subir em um ônibus.

Cria-se então um dilema insustentável. As pessoas que quiserem escapar das garras governamentais e manter um nível saudável de autonomia e anonimato tornam-se cidadãos de segunda categoria, com restrições severas em suas vidas.

 

A vigilância em outros países

A Rússia não é o primeiro país a usar a tecnologia digital para espionar os próprios cidadãos. Desde 2014, a China vem aperfeiçoando o seu Sistema de Crédito Social, um conjunto de cadastros, listas de restrições e avaliações de pessoas e empresas. Há ainda o acréscimo de experiências locais de pontuação de “boas práticas sociais”, mas os mecanismos mais consolidados punem infrações e descumprimento de decisões judiciais.

Em 2013, o ex-analista de inteligência Edward Snowden revelou que a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) mantinha programas de vigilância em larga escala, capazes de coletar dados telefônicos e acessar comunicações digitais. Ele também expôs a cooperação de empresas de tecnologia com o governo americano e a interceptação de tráfego na infraestrutura global da Internet.

Em grandes cidades europeias, a polícia usa reconhecimento facial para comparar rostos com listas de procurados, o que também gera riscos à privacidade, mas há diferenças nas salvaguardas e finalidades. Lá, a identificação biométrica policial em tempo real em espaços públicos é proibida, salvo exceções. Isso não elimina abusos, mas, em tese, impede o uso do sistema para perseguir opositores.

Durante o apagão de dezembro de 2025, a Prefeitura de São Paulo usou o Smart Sampa para rastrear equipes de manutenção da concessionária Enel, a quem o prefeito Ricardo Nunes atribuía a culpa pelas falhas no fornecimento. O episódio levanta dúvidas sobre a extrapolação da finalidade do sistema de segurança municipal e sobre o seu uso político.

Por caminhos distintos, os sistemas russo e chinês mostram como dados podem ampliar a capacidade de controle do Estado, algo que se tornou real depois de ser explorado pela ficção. No filme “Minority Report” (2002), de Steven Spielberg, câmeras identificavam cidadãos e sistemas gerenciavam abordagens em espaços públicos. O roteiro demonstra como, quando ninguém sabe se está sendo observado, a vigilância deixa de apenas controlar comportamentos e passa a inibir a liberdade, o anonimato e a própria disposição de contestar o poder.

Obviamente, não se propõe aqui abandonar a tecnologia, mas impedir que a conveniência se torne uma forma de coerção. Serviços essenciais devem oferecer alternativas à biometria, sem penalizar quem recusa “entregar o próprio rosto”. A sociedade precisa exigir limites à coleta, fiscalização independente e punição para quem transforma dados em instrumentos de perseguição. Quem deve prestar contas é o poder, não o cidadão que deseja preservar sua privacidade.

Também é preciso inverter a pergunta que sustenta essa vigilância. Em vez de exigir que cada pessoa explique o que tem a esconder, governos e empresas devem demonstrar por que precisam saber tanto sobre nós. Uma cidade inteligente não é aquela que reconhece todos os rostos, mas a que respeita quem não quer ser reconhecido. Se a modernização exige que sejamos permanentemente identificáveis, estamos atualizando ferramentas de autoritarismo, não de cidadania.

 

Zuckerberg (Meta), Huang (Nvidia), Trump e Musk (xAI), em almoço antes do acordo de autorregulação contra riscos da IA - Foto: reprodução

É possível garantir o controle da inteligência artificial?

By | Tecnologia | No Comments

Nesta semana, em um evento do meu doutorado na PUC-SP, alguns colegas me perguntaram quanto de verdadeiro há nos recentes anúncios sobre agentes de inteligência artificial saindo do controle e realizando atividades no mínimo indesejáveis. Além disso, fui questionado se existe, afinal, uma forma de garantir que essas plataformas não executem ações catastróficas para a humanidade.

As perguntas são legítimas. As últimas semanas foram carregadas com notícias de agentes de IA se “rebelando” e invadindo servidores de outras empresas ou de órgãos governamentais, ou pelo menos realizando ações inadequadas. Na maioria dos casos, os sistemas “malandros” são da OpenAI e da Anthropic, mas há relatos também de casos assim em produtos do Google, da Meta e da xAI.

Sobre a primeira pergunta, só a alta cúpula dessas empresas sabe o que realmente está acontecendo, mas nada dirá, pois isso tem sido surpreendentemente bom para os negócios. Como já debati neste espaço, os casos criam um marketing eficaz, pois mostram que seus sistemas são incrivelmente poderosos e que as companhias são “muito éticas”, a ponto de expor o problema e suspender os próprios produtos. Para quem depende umbilicalmente de captação de recursos no mercado, isso é ótimo.

Há muita coisa que não vemos por trás dessa cortina de fumaça, o que nos leva à segunda pergunta. Não compactuo com visões apocalípticas de que as máquinas, em algum momento, decidirão exterminar os seres humanos. Mas, a essa altura, resta pouca dúvida de que algo potencialmente muito ruim pode acontecer se medidas efetivamente seguras de contenção da IA não forem tomadas.

Se, no começo, isso causou espanto e preocupação, agora são tantos casos que o problema parece estar sendo perigosamente normalizado. Se as empresas falham miseravelmente em controlar seus agentes em testes de segurança, fica difícil confiar que elas terão sucesso em qualquer caso, quando a IA se tornar ainda mais poderosa.


Veja esse artigo em vídeo:


O episódio que deu projeção ao problema ocorreu em julho, quando sistemas da OpenAI escaparam do ambiente de testes de segurança e invadiram a infraestrutura da Hugging Face. Apesar de estarem apenas buscando respostas ao que lhes havia sido pedido, o caso demonstrou que agentes de IA podem tomar ações indesejadas para atingir objetivos legítimos com consequências imprevisíveis, justamente por não terem ética ou moral.

De lá para cá, os casos vêm se multiplicando. Como exemplo, logo na sequência, agentes da OpenAI exploraram um portal de saúde australiano e acessaram o Departamento de Educação, o Departamento do Comércio, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA e sites da ONU. Enquanto isso, modelos da Anthropic penetraram sistemas de três empresas e enviaram uma denúncia falsa à polícia da Filadélfia.

Isso vem provocando reações inusitadas, mas importantes. Ainda em agosto, Bill Gates afirmou que a IA pode reduzir desigualdades ou aprofundá-las, dependendo de escolhas feitas agora. Ele alertou para a eliminação brutal de empregos, a ampliação do poder de criminosos e prejuízos ao desenvolvimento infantil pela substituição de relações humanas por companheiros artificiais. Para o cofundador da Microsoft, a sociedade precisa se preparar antes que os impactos da IA se tornem irreversíveis, e confiar esses riscos à autorregulação das empresas é uma aposta perigosa demais.

Mas é exatamente onde estamos. No dia 29 de setembro, OpenAI, Anthropic, Google, Meta, Nvidia e xAI aderiram a um acordo voluntário proposto pelo governo dos EUA para autorregulação contra riscos em seus próprios modelos de IA. A proposta não prevê punição para quem a descumprir, não dá prazo para nada e não obriga a divulgar resultados. Cada empresa escolhe o próprio auditor e paga por ele. Dessa forma, apresentado como “moralmente vinculante”, ele não significa nada na prática.

No dia 12 de setembro, Dario Amodei, CEO da Anthropic, propôs desacelerar o desenvolvimento dos modelos mais avançados de IA, recebendo o apoio de Sam Altman, da OpenAI, e de outros líderes do setor. Mark Zuckerberg, da Meta, ficou de fora, defendendo que cada empresa cuide do que é seu. Porém, novamente, nada mudou, pois uma desaceleração efetiva depende de coordenação entre as big techs americanas e chinesas, algo ainda distante frente à disputa pela liderança tecnológica entre esses dois países.

 

“Constituição” da IA

Nesse cenário de invasões contínuas, declarações tão bem-intencionadas quanto inócuas e respostas insuficientes, a Microsoft decidiu propor um código de conduta para seus sistemas de IA. A minuta estabelece que os modelos não resistam a correções ou ao desligamento, comuniquem-se de forma compreensível e tratem violações de conduta como falhas. Após seis semanas de consulta pública, o documento deverá orientar o treinamento dos futuros modelos da empresa. É um passo na direção do controle humano, mas ainda uma iniciativa voluntária, sem garantias de adesão de toda a indústria.

Enquanto isso, a União Europeia acredita que sua legislação sobre a IA baste para enfrentar esses riscos. No dia 9, Henna Virkkunen, responsável pela área de tecnologia do bloco, defendeu o AI Act, que prevê avaliações de risco, supervisão especializada e monitoramento contínuo dos modelos. Bruxelas também pediu informações sobre segurança a mais de 30 empresas, em uma ofensiva que pode resultar em investigações e multas de até 7% do faturamento anual global de cada empresa.

Não existe garantia absoluta de que sistemas tão complexos jamais sairão do controle. O maior obstáculo ao controle da IA não é tecnológico, e sim econômico. Cada empresa teme perder espaço para concorrentes que avancem mais depressa, e cada país receia ficar atrás na geopolítica. Todos sabem que é preciso frear, mas ninguém quer ser o primeiro. Assim, mesmo quem reconhece os perigos continua acelerando.

A imprevisibilidade de uma tecnologia não elimina a obrigação de controlar seus riscos. Ao contrário, torna essa obrigação ainda maior. Por isso, esperar que todas as empresas concordem em desacelerar o desenvolvimento da IA é uma forma conveniente de adiar decisões difíceis.

A sociedade precisa decidir se está disposta a impor limites a uma indústria que promete transformar tudo. Se empresas e governos só agirem quando houver consenso entre concorrentes ou depois de um acidente de grandes proporções, será tarde demais. A inteligência artificial pode ser uma das ferramentas mais importantes de nosso tempo, mas não pode se tornar o experimento mais perigoso da história.

 

Os professores Rosental Calmon Alves e Tom Rosenstiel, durante o 27º Simpósio Internacional de Jornalismo – Foto: reprodução

Diante da IA, o jornalismo deve vender compreensão do mundo, não notícias

By | Jornalismo, Tecnologia | No Comments

Nunca foi tão barato produzir uma “notícia”. Em segundos, a inteligência artificial escreve, resume, traduz e espalha um conteúdo. Em compensação, o que exige gente e responsabilidade, como apuração, verificação, contextualização e capacidade de separar o que importa do ruído, ficou mais raro e complexo. Hoje, cada informação vale pouco sozinha, mas poder confiar nela vale cada vez mais.

Tal abundância atinge duramente o jornalismo, mas sua crise não se resume à perda de leitores e anunciantes. A imprensa sempre selecionou e hierarquizou assuntos, confrontou versões e ajudou a formar uma agenda comum. A mediação não desapareceu, apenas parte dela mudou de mãos. Há pelo menos uma década, são as plataformas digitais que organizam o que vemos, movidas pela busca de atenção e de engajamento, não por relevância ou interesse público. Com isso, o jornalismo perdeu parcialmente o caminho entre o fato e o cidadão.

Essa transformação deu o tom das discussões do 27º Simpósio Internacional de Jornalismo (ISOJ), que aconteceu nos dias 17 e 18 de setembro, na Universidade do Texas em Austin (EUA). Jornalistas, pesquisadores e executivos de mídia discutiram sustentabilidade, confiança, inteligência artificial, jovens, comunidades e novos modelos de negócio. Apesar dessa variedade, o assunto comum foi como fazer o jornalismo voltar a ser relevante para as pessoas.

Isso não significa que se produza menos jornalismo ou que ele tenha piorado. Há muita investigação, reportagem e análise de qualidade, mas rigor não garante utilidade. Uma apuração impecável pode não explicar ao leitor o que aquilo tem a ver com ele. Muitas redações ainda pensam em matérias e cliques, enquanto as pessoas vivem às voltas com dinheiro, saúde, trabalho e filhos.

Nesse cenário, o dilema da imprensa é o que vender às pessoas, se a informação está em todo lugar e parte do público não enxerga mais utilidade no jornalismo.


Veja esse artigo em vídeo:


O professor da Universidade de Maryland (EUA) Tom Rosenstiel defendeu no ISOJ a passagem do “jornalismo da atenção” para o “jornalismo do valor”. A imprensa capturava leitores e alugava a atenção deles a anunciantes, mas hoje disputa isso com plataformas digitais. “Para ser sustentável, precisamos criar um jornalismo tão útil na vida das pessoas que elas paguem por ele”, afirmou. O produto, portanto, não pode mais ser apenas a notícia, passando a ser a capacidade de compreender a realidade.

Isso significa descobrir e verificar o que aconteceu, mas também contextualizar fatos, organizar informações dispersas, mostrar quem é afetado, explicar consequências e deixar claro o que ainda não se sabe. Essa é a diferença entre informar que algo aconteceu e ajudar as pessoas a entender por que aquilo interessa a elas.

Essa capacidade não importa apenas para a democracia, orientando decisões cotidianas sobre dinheiro, saúde, trabalho e muito mais. Uma informação errada sobre juros pode afetar as finanças de uma família, assim como uma compreensão ruim sobre inteligência artificial pode influenciar escolhas profissionais. Compreender o mundo não é luxo intelectual, e sim uma competência para viver.

O jornal já reuniu política, empregos, classificados, esportes, previsão do tempo, cultura e programação da TV, mas a imprensa não deve querer restaurar esse modelo. “Com muita frequência, estamos tentando recriar o passado em vez de criar um novo futuro”, criticou Richard Gingras, presidente do conselho da Village Media. O que precisa ser recuperado é a utilidade.

As pessoas só compram aquilo em que confiam, e só confiam no que lhes é útil. “Confiança não é algo que se conquista falando sobre confiança ou publicando mais informação”, explicou Jody Chong, diretora-executiva do City Bureau. Esse sentimento não nasce de campanhas, mas de experiências consistentes com informações corretas, apurações transparentes, investigações reveladoras e erros corrigidos.

 

Os impactos da IA

É aqui que a IA expõe uma contradição. Ao baratear resumos, traduções e vídeos, ela aprofunda a desvalorização da informação, mas também facilita o que é difícil, como analisar milhares de documentos, cruzar dados, recuperar arquivos e encontrar padrões. Quanto mais barato fica produzir informação, mais o jornalismo precisa investir no que não se resolve produzindo mais conteúdo.

Com a IA, o acervo de uma publicação pode virar uma base de conhecimento capaz de dizer ao leitor o que um fato significa para ele. Mas, se essa resposta chegar por agentes de outras empresas, o jornalismo repetirá o erro cometido com as redes sociais, produzindo o conhecimento enquanto outros controlam a relação com o público.

Competir com as máquinas na produção de conteúdo em escala é uma batalha perdida. O valor do jornalismo deve estar no que exige julgamento, como investigar, selecionar, contextualizar e assumir responsabilidade. Para que ele seja reconhecido, a reportagem precisa deixar de ser apenas um texto em uma página e se tornar um conhecimento verificável, com fontes, evidências e autoria claras.

Quando alguém pergunta algo à IA, a resposta chega em segundos, muitas vezes sem deixar claro qual reportagem a sustentou, que fontes foram usadas ou quem se responsabiliza por ela. A mesma tecnologia, a serviço do jornalismo, permite ao leitor conversar com arquivos, comparar períodos e explorar investigações, mas alguém precisa responder pelo que é dito.

Então, não basta reinventar o produto jornalístico, sendo necessário mudar a empresa que o produz. A organização deixa de ser uma fábrica de conteúdo e passa a funcionar como uma instituição de conhecimento público, capaz de produzir informação original, verificar fatos, preservar memória, organizar contexto e ajudar a sociedade a entender o mundo. Assim, a empresa jornalística do futuro não venderá notícias, e sim a capacidade de compreender a realidade.

Nunca tivemos tanto conteúdo, e nem por isso compreendemos melhor o mundo. Muitas vezes, ficamos mais confusos, polarizados e cheios de certezas apressadas. O jornalismo não deve ser medido pelo que publica ou alcança, mas pelo quanto amplia essa compreensão. Seu papel mais nobre e o caminho para sair da própria crise passam por tornar a informação mais valiosa para quem vive cercado por ela.