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Como vencer nosso “vício” em tecnologia

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Pouco antes das 9h da segunda passada, vários produtos do Google pararam de funcionar. Gmail, YouTube, Meet, Drive e até a “lojinha de aplicativos” Play Store haviam caído.

Imediatamente começaram a pipocar nas redes sociais mensagens de usuários preocupados com o problema, pois não conseguiam realizar as suas tarefas cotidianas, que dependem de alguns desses produtos.

Alguns demonstravam até mesmo angústia! Afinal, seu cotidiano está intimamente ligado a serviços do Google ou de algumas outras empresas. Os sintomas eram quase de uma síndrome de abstinência, de um usuário viciado em alguma substância, que, de repente, é privado dela!

Será que é para tanto? Estamos mesmo viciados em tecnologia?


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Fiquei pensando em quais são as empresas das quais mais dependo tecnologicamente. E o Google, de fato, lidera essa lista. A começar porque meu smartphone funciona com o Android, o sistema operacional da empresa, que já há alguns anos desbancou o Windows como o sistema operacional mais usado no mundo. Afinal, os celulares se tornaram mais importantes em nosso cotidiano que o PC.

Além disso, tenho conta no Gmail, uso o Meet para mentorias, consultorias, aulas e palestras, armazeno e transfiro arquivos pelo Drive, publico e assisto vídeos no YouTube, fico informado pelo Notícias e armazeno imagens no Fotos. Isso só considerando os serviços que uso todos os dias! Há outros que não uso tão frequentemente, mas que facilitam a minha vida, como o Maps, o Waze, o Tradutor e vários outros. Sem falar, obviamente, no buscador do Google, que uso tanto, que nem saberia dizer quantas vezes por dia recorro a ele.

Logo na sequência, vem a Microsoft. Além do Windows, tem o Office, do qual uso, todos os dias, o Outlook, o Word e o Powerpoint. Tenho e-mail e agenda no Outlook, e armazeno arquivos no OneDrive. Sem falar do LinkedIn, onde sou TopVoice e é a minha principal rede social.

Tem também o Facebook e, em menor escala, a Adobe.

Esses são apenas os produtos dessas empresas que eu uso todos os dias! Qualquer uma delas que fique indisponível, gerará um baita transtorno!

Para algumas, eu pago regularmente assinaturas. Nas outras, o pagamento se dá com o compartilhamento de minhas “pegadas digitais”, que são usadas pelas empresas para nos entregar a seus verdadeiros clientes: os anunciantes. A maioria das pessoas “paga” essas empresas assim, com os seus dados.

Você já pensou o quanto depende delas? Faça esse mesmo exercício e o resultado pode ser surpreendente.

Isso explica por que, quando o Google sai do ar ou quando o WhatsApp é bloqueado por determinação de algum juiz inconsequente (como já aconteceu algumas vezes aqui no Brasil(, as pessoas enlouquecem!

Imagine quem depende umbilicalmente do WhatsApp para trabalhar ou vender, e subitamente o sistema para de funcionar. É uma sensação de completo desamparo, pois não há a quem recorrer!

 

Falta de alternativas

Isso acontece porque colocamos todos os nossos ovos em uma única cesta!

Na nossa vida, temos que ter alternativas para tudo –ou quase. Especialmente para as coisas mais importantes.

No caso da tecnologia, ela se tornou algo absolutamente central. Essas empresas ficaram tão eficientes e tão poderosas, que é quase impossível não dependermos delas em algum momento.

É interessante que nem sempre foi assim. Até o início dos anos 1990, a indústria digital era muito mais pulverizada. Muitas empresas nem eram tão grandes, mas conseguiam um relativo sucesso.

Só que, à medida que algumas foram obtendo mais sucesso, começaram a engolir as menores. Por exemplo, eu me lembro, quando estava no primeiro ano de Engenharia, na Escola Politécnica da USP, que havia um debate entre meus amigos sobre qual plataforma era a melhor: o Windows 3.0 ou o Desqview.

Nunca ouviu falar do Desqview?

Era uma plataforma que permitia rodar mais de um programa ao mesmo tempo, alternando entre eles. Isso parece a coisa mais ridícula, mas, no início dos anos 1990, quando não existia celulares e os computadores ainda eram dominados pelo MS-DOS, isso era um grande feito!

Onde está o Desqview hoje? Sua produtora, a Quarterdeck, foi engolida pela Symantec em 1998.

Alguns poderiam dizer que as coisas são assim mesmo, que esse é o jeito de funcionar do Capitalismo, em que empresas mais bem sucedidas acabam comprando as menores. O problema é quando algumas se tornam realmente grandes demais, e seus tentáculos nos envolvem de uma maneira que não conseguimos escapar. Mais que isso: nós nem queremos escapar!

O segredo do sucesso dessas empresas, de uma década para cá, é seu modelo de negócios. Justamente esse em que podemos usar quase tudo aparentemente de graça, apenas entregando graciosamente as nossas informações e aceitando receber anúncios.

É difícil resistir a isso! Essas empresas nos facilitam muito a vida! E o que nos pedem em troca é visto como justo por quase todo mundo!

É por isso que, quando o cidadão não consegue se defender sozinho, precisa dos órgãos reguladores. O governo americano tem o Google, o Facebook, a Apple e a Amazon na berlinda! Nas últimas semanas, os dois primeiros foram alvos de vários processos, que pedem a venda de alguns de seus produtos-chave, para que fiquem menos poderosos.

 

Dependência química

Mas e quanto a nós? Não podemos fazer nada? Somos mesmo viciados em tecnologia?

Somos –isso sim– incrivelmente dependentes dela como ferramenta de produtividade.

No caso de redes sociais, podemos argumentar que acabamos sendo viciados na dopamina que os microprazeres proporcionados por essas plataformas nos oferecem o tempo todo. Isso eu posso até concordar. É difícil se desvencilhar disso, pois há um processo químico envolvido, mas podemos fazer algumas coisas, sim, para minimizar essa dependência.

Primeiramente, quando algo não funciona, “muita calma nessa hora”! O mundo não vai acabar! Precisamos exercitar a resiliência e a paciência, habilidades que andam meio em baixa há muitos anos.

Há que se buscar alternativas! Aliás, devemos ter essas alternativas definidas antes de termos um problema: o famoso “plano B”.

As pessoas precisam entender também que, às vezes, problemas acontecem fora do nosso controle. Por exemplo, imagine o caso de um vendedor que visita regularmente seus clientes e um dia seu carro não liga de manhã.

É preciso que exista também compreensão e colaboração das pessoas com quem nos relacionamos. Se não pudermos entregar algo porque uma ferramenta essencial está indisponível, um novo prazo deve ser negociado.

A diferença é que, ficando no exemplo de um carro que não pega, quando acontece algo como o que houve como Google na segunda passada, é como se todos os carros da Volkswagen do mundo parassem de funcionar ao mesmo tempo!

Mesmo assim, a vida não vai parar se não conseguirmos fazer log in no Google. Essa dependência está em nossa cabeça e em relações de intolerância entre as pessoas e as empresas.

Se dependemos tanto da tecnologia digital hoje –e isso não vai mudar– precisamos alinhar as nossas expectativas, sermos mais resilientes, mais tolerantes e termos sempre uma alternativa na manga.

Mesmo que seja de outra gigante digital.

O digital lhe tornará um gênio ou uma besta: você decide

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A tecnologia está literalmente nos transformando, de maneiras que a maioria das pessoas sequer imagina! Mas nos converte em que: gênios ou bestas?

Incrivelmente, a decisão está em nossas mãos!

Tenho acompanhado o crescimento de desconfiança em relação ao meio digital, especialmente às redes sociais. Sistemas que nos rastreiam e coletam nossos dados continuamente, algoritmos de relevância que nos empurram goela abaixo todo tipo de informação e nos manipulam, incontáveis notificações que nos mantêm continuamente engajados, fake news, deef fake, filtros bolha… Tudo isso existe mesmo e chega a ser assustador!

Entretanto, ninguém deixará de usar as redes sociais, buscadores, smartphones e outros recursos do mundo digital, mesmo sabendo que esses sistemas estão o tempo inteiro nos rastreando e coletando informações de todo tipo sobre nós.


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Não temos como colocar o gênio de volta na lâmpada!

Os meios digitais nos garantem altas doses de dopamina enquanto os usamos! Nossas vidas ficaram muto mais fáceis e divertidas com todos esses sistemas. Pagamos com o nosso tempo e a nossa atenção aos anunciantes dessas plataformas.

Mas o buraco é mais embaixo.

A superexposição aos recursos digitais está nos provocando alterações até mesmo do ponto de vista fisiológico.

Em 2011, a pesquisadora em psicologia Betsy Sparrow realizou um estudo na Universidade Columbia (EUA), que identificou alterações em nosso cérebro pelo uso do Google e de outros buscadores. Ela concluiu que, graças a ele, nós passamos a memorizar muito menos informação.

O Google não quis criar isso. Mas acabou promovendo a mudança.

Responda a si mesmo: de quantas pessoas você sabe o número de telefone de cor? Provavelmente muito poucas, possivelmente menos que dez! Mas se eu lhe fizesse essa pergunta há 15 anos, você provavelmente saberia o telefone de muita gente e até de empresas.

O que aconteceu? Estamos ficando mais burros?

Não é nada disso! Acontece que nosso cérebro tem uma plasticidade incrível! Informações ou habilidades que ficam menos importantes para nossa vida abrem espaço nele para novos recursos, que estamos efetivamente usando.

A pesquisa de Sparrow demonstra que toda a informação que sabemos que pode ser facilmente encontrada (por exemplo na Internet) é eliminada de nossa memória. Em compensação, melhoramos nossa capacidade de encontrar pessoas, objetos e informações com os recursos que tivermos a nossa disposição. Ou seja, refinamos uma habilidade importantíssima, a de encontrar o que procuramos, mas memorizamos menos coisas.

Essa conclusão é muito importante para ajustarmos como levamos nossas vidas e até como aprendemos coisas novas.

A diferença entre informação e conhecimento

Não é de hoje que observo como os alunos já chegam na sala de aula com uma quantidade incrível de dados, que eles encontram na rede.

Como professor, se eu ficasse simplesmente passando informação, como os professores costumavam fazer (e infelizmente muitos ainda fazem), seria um enorme desperdício de tempo! Muito melhor é ajudar os alunos a juntar as informações que todo o grupo traz para o debate e construir um conhecimento novo e útil a partir disso.

Podemos também pensar no varejo, como exemplo. Hoje, quando o cliente vai a uma loja para comprar algo, muito provavelmente já pesquisou sobre aquele produto na Internet e talvez tenha mais informação sobre ele que o próprio vendedor. Se ele tentar convencer o consumidor simplesmente passando esses mesos dados, corre o risco de perder a venda. Precisa trazer algo novo e contextualizado para aquele cliente! E aí a tecnologia pode ser de grande ajuda, pois ele pode receber, em tempo real, muitas informações valiosas sobre a pessoa que estiver a sua frente, para que ele mostre como o produto a ajudará a satisfazer suas necessidades específicas, e não coisas genéricas.

Isso é bom não apenas para o varejista (porque vai aumentar suas vendas), mas também para o consumidor, que levará para casa um produto que realmente atende suas expectativas, e não qualquer outra coisa, resultado de uma compra ruim.

Infelizmente nem todos estão dispostos a usar esses recursos, essa informação, essa transformação de maneira positiva. Muitos, possivelmente a maioria da população, entrará “no modo automático” e se deixará levar pelos infames algoritmos das plataformas digitais.

E aí é para se ter medo mesmo! Pois essas pessoas já se tornaram massa de manobra de grupos políticos, ideológicos e econômicos. Na prática, terceirizaram seu senso crítico, sua habilidade de pensar criativa e construtivamente.

Esse é um dos maiores desafios dessa geração, pois os sistemas dessas plataformas estão cada vez mais eficientes, para que elas se tornem mais sedutoras. Por outro lado, a turma que quer manipular a população para atingir os seus objetivos –muitas vezes condenáveis– domina mais e mais esses recursos.

Temos que recuperar as rédeas de nossa vida, ou esse poder de transformação do meio digital pode nos converter em bestas, quando poderia nos tornar gênios!

No momento, o lado ruim de toda essa entrega tecnológica está ganhando. Você não precisa ir longe para comprovar isso. Basta olhar, nas redes sociais que você usa, o nível das publicações.

É assustador como elas são rasas e de uma mesmice atroz! Parece que, qualquer que seja o assunto, acabamos tendo apenas algo como meia dúzia de opiniões, que são replicadas indefinidamente pela massa.

Somos seres pensantes, e não gado! Aliás, essa é uma das coisas que mais nos diferenciam de todos os outros animais.

Entretanto, bem em linha com as transformações promovidas em nós pelo meio digital, aquela visão medíocre da vida que se vê nos posts nas redes sociais já invadiu o cotidiano das pessoas. Tudo que é profundo, que exige mais pensamento, perde espaço para aquilo que é mais que simples: simplório! As pessoas querem coisas cada vez mais fáceis, mais básicas, mais rápidas, mais baratas, para um consumo desenfreado e descartável, com as mesmas características.

Vejo isso na evolução da pós-graduação, com o crescimento dos cursos de curtíssima duração, com poucas horas, e o encolhimento da procura por cursos com mais de um ano, como especializações e MBAs. Que dizer então de mestrados e doutorados?

Não há nada de errado em se aprender uma habilidade específica para aplicá-la imediatamente no seu cotidiano. Mas, se estamos sempre reclamando que nosso país e o mundo estão ruins, precisamos colocar mais de nós mesmos para mudar essa situação. Temos que sair da zona de conforto! Temos que desafiar o status quo!

Temos que usar os recursos digitais para nos tornarmos pessoas melhores, e não o contrário!

O discurso, o diálogo, as entregas estão muito empobrecidos! As pessoas estão perdendo a sua capacidade de pensar, de criar, de se libertar! Se isso continuar, teremos, em breve, um futuro distópico em que poucos grupos terão ainda mais controle sobre toda a população.

Temos que usar a tecnologia para nos livrar disso, e não para nos levar a isso.

Quais serão os seus próximos passos com ela?

Já dá para voltar às salas de aula?

By | Educação | No Comments

Já dá para voltar para a escola ou é melhor continuar estudando em casa?

Um dos setores que enfrenta mais dúvidas para retomar suas atividades diante da pandemia de Covid-19 é a educação. De um lado, há o alto risco de contaminação de estudantes e de professores, que podem levar a doença para dentro de suas casas. Do outro, os inegáveis prejuízos no aprendizado e até na formação dos alunos, especialmente entre os mais jovens. Há também a pressão de escolas particulares pela reabertura, temendo que ainda mais clientes cancelem suas matrículas.

Em paralelo, corre outra discussão: a tecnologia dá conta de suprir as demandas de aprendizagem, para que as aulas em casa sejam eficientes?


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No meio de toda essa indefinição, muitas cidades reabriram suas escolas públicas e privadas já há várias semanas, enquanto outras ainda resistem. É o caso da maior cidade do país, São Paulo, que autorizou a volta apenas de alunos do Ensino Superior no dia 7 de outubro. Os Ensinos Infantil, Fundamental e Médio voltam nesse dia apenas com atividades extracurriculares opcionais.

Aula mesmo, ainda não se sabe quando. No dia 3 de novembro, será apresentada uma nova posição do município, com base na evolução da pandemia.

E se não voltar?

A tecnologia desponta em um papel central para solucionar esse problema. Mas, como tudo nessa vida, há um jeito certo e um jeito errado de se usar esse recurso.

Algumas coisas precisam ser levadas em consideração, e muitas delas vêm antes da própria tecnologia. A primeira é que a dificuldade de um aluno se concentrar em uma aula online é tão maior, quanto mais jovem ele for.

O ensino à distância pode ser excelente, mas exige muita dedicação do estudante. Por isso, ele tende a funcionar muito bem para o Ensino Superior, e mal para os Ensinos Infantil e Fundamental. As crianças normalmente se dispersam das atividades na tela, o que tem exigido muito de pais e mães para acompanhá-los nas aulas. E, depois de sete meses de distanciamento social, muitos desistiram dessa tarefa.

Além disso, a maioria dos alunos, incluindo muito de escolas particulares, não tem a infraestrutura necessária para estudar em casa. Falta uma boa conexão de Internet, para começar. Ela precisa ter uma boa velocidade e não ser limitada. Mas a maioria dos domicílios brasileiros não tem isso, com a Internet restrita aos planos para smartphones, que são lentos e com uma franquia de dados que acaba rapidamente. Sem falar que muitos simplesmente não têm conexão alguma.

Algumas instituições estão dando chips de celular com plano de dados para estudantes de baixa renda, o que é uma iniciativa muito bem-vinda. Mas infelizmente isso é um privilégio para poucos.

Vale dizer também que a experiência de aprendizagem fica muito melhor em uma tela grande, como a de um tablet e principalmente a de um computador. Só que, segundo o relatório PNAD Contínua do IBGE, apenas 48,1% dos domicílios brasileiros com Internet tinham um computador em 2018. E essa porcentagem vem caindo: em 2017, eram 52,4%. O uso dos tablets também diminuiu: de 15,5% em 2017 para 13,4% em 2018. Já os smartphones crescem, passando de 98,7% dos domicílios em 2017 para 99,2% em 2018. Ou seja, praticamente todos os domicílios brasileiros com Internet têm celulares, sendo que, em 45,5% dos casos, é a única forma de conexão.

Mas calma: nem tudo são notícias ruins!

Quando e como a tecnologia ajuda

Apesar de todas essas dificuldades, coisas muito interessantes surgiram desse processo de transformação digital acelerado.

Sou especializado na criação de conteúdo digital e acompanho a evolução do mercado de educação à distância há 15 anos e de mídia digital desde seu dia zero, há 25 anos. Desde o início da pandemia, em março, ministrei cerca de 350 horas de aulas em salas digitais, e cerca de 30 horas de palestras também online. E os resultados têm sido muito bons!

Por que dá certo para alguns e errado para outros?

Temos que entender que o meio digital pode ser uma ferramenta incrível, mas ela nunca pode substituir os conceitos básicos de uma boa educação e nem o professor. Por exemplo, a aula que eu dou online é a mesma que eu ministro presencialmente: nenhum conteúdo fica de fora!

Por mais que as íntegras das aulas sejam gravadas, elas são dadas ao vivo, e os alunos participam na hora marcada da aula, pois a sua experiência fica muito melhor assim. Os alunos fazem suas perguntas e debatem livremente, por voz, exatamente como em uma sala de aula presencial.

Aliás, a quantidade de alunos por sala também é a mesma de um curso no prédio da escola, limitado a 30, no máximo 40 alunos. Isso me permite conhecer cada um deles! Se tiver mais gente, abre-se uma nova turma, com horário próprio. Como as gravações incluem todas as interações com os alunos, elas só servem para aquela turma, não sendo reaproveitadas para outras.

É a mesma experiência que teríamos se estivéssemos em sala de aula? Claro que não! Eu mesmo sinto falta de estar na sala com meus alunos. Sou uma pessoa cinestésica e sei das perdas.

Por outro lado, sei também que há ganhos, muitos associados à vida moderna. Por exemplo, não é necessário gastar um tempo enorme no trânsito para se chegar à escola. Aliás, se não for possível chegar na hora, não tem problema: a aula não será perdida, pois ela fica gravada.

Além disso, meus alunos agora não ficam restritos a São Paulo. Nesse período, cheguei a ter uma aluna que assistia às aulas ao vivo de Dubai (Emirados Árabes Unidos), mesmo estando cinco horas a nossa frente. Ou seja, ela ficava, por iniciativa própria, acordada de madrugada para participar ao vivo das aulas, que aconteciam das 19h às 22h (hora de Brasília). Sem falar de muitos alunos do interior de São Paulo e de muitos Estados brasileiros, que agora podem se matricular nos cursos.

Posso garantir que todos os objetivos de aprendizagem são atingidos nessas aulas à distância. Os alunos aprendem tudo que aprenderiam presencialmente.

Muitas coisas são necessárias para esse sucesso. Primeiramente, os alunos são todos adultos. Portanto, eles estão assistindo aula porque querem, e estão pagando por isso. Eles têm a disciplina para cumprir as exigências do curso.

Além disso, eu tenho o privilégio de ministrar aulas em instituições sérias que se preocupam com a qualidade do ensino. E aqui cito nominalmente a PUC de São Paulo, a Universidade Presbiteriana Mackenzie e a ESPM, onde estou dando aulas nesse período de pandemia. Todas elas proporcionaram o que eu disse acima. Ofereceram a estrutura necessária para a viabilização dos cursos e respeitaram alunos e professores nesse momento de transformação.

Por outro lado, vejo com muita tristeza outras instituições, que não vou citar seus nomes aqui, fazendo mudanças inaceitáveis! Por exemplo, salas de aula que antes tinham 30 alunos agora passam a ter 500! Elas agrupam todas as turmas de uma mesma disciplina, de diferentes campi, às vezes de diferentes cursos, colocando todo mundo em um “saco” só, com um único professor. E daí dispensaram os professores que “sobraram”.

Que atenção esses professores podem dar aos 500 alunos? Que interação pode acontecer nessas aulas?

Há casos de professores que foram demitidos por um pop-up que apareceu em sua tela, quando tentaram entrar na plataforma da universidade para dar uma aula. Há ainda casos de provas dissertativas sendo corrigidas por robôs. A despeito dos avanços da inteligência artificial, qual a garantia que os alunos têm de uma avaliação justa nesses casos?

Que nível de ensino essas instituições estão oferecendo a seus alunos? E que falta de respeito com seus profissionais é essa? Isso é obsceno, e essas escolas deveriam se envergonhar por se dizer instituições de ensino.

A educação é essencial para que o Brasil avance! Muitos dos problemas de nossa sociedade seriam resolvidos se tivéssemos uma população mais bem educada, no sentido amplo da palavra.

A tecnologia é uma ferramenta magnífica para melhorarmos a educação. Mas ela deve ser usada exatamente para isso: para melhorar a educação, e não para piorar a experiência de alunos e de professoras.

Por isso, escolha bem onde você vai estudar. E estude!

O que mais vem da China?

By | Jornalismo | No Comments

Nunca se falou tanto da China quanto desde o começo do ano!

Por conta da pandemia de Covid-19, o gigante asiático ganhou um destaque global ainda maior que o que naturalmente já tem. É alvo de todo tipo de teorias da conspiração, por ter sido o país onde o novo coronavírus surgiu, e pela guerra particular contra ele do presidente americano, Donald Trump, que busca a reeleição.

A despeito de tudo isso, a China foi um dos primeiros países do mundo a relaxar as medidas de distanciamento social, que lá foram muito mais severas que aqui. Mas, por isso mesmo, duraram menos de um mês.

Hoje o país é um dos que lideram a corrida por uma vacina contra o vírus. Eles também desenvolveram hábitos e tecnologias que podem ser muito úteis no mundo pós-pandemia, inclusive para nós.

O que os chineses estão fazendo que nós podemos copiar?


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A China é o maior parceiro comercial do Brasil no mundo. O país asiático tomou esta posição dos Estados Unidos em 2009, e não perdeu mais. Segundo o Ministério da Economia, em 2018, o comércio entre China e Brasil foi de US$ 98,6 bilhões, com superávit para o Brasil de US$ 29,2 bilhões.

Já foi o tempo em que a China era um mero reprodutor de versões baratas e de baixa qualidade de produtos ocidentais, os chamados “Xing Ling”. Sim, a China ainda exporta todo tipo de quinquilharias para o mundo todo. Mas o país é hoje dono de uma das indústrias tecnológicas mais pujantes do planeta, em todos os segmentos.!

No mundo pós-pandemia -pelo menos para eles- algumas novidades podem indicar caminhos a ser seguidos por outros países.

Um estudo realizado pela consultoria Inovasia entre 2 de abril e 15 de junho identificou várias dessas inovações.

Um deles é o pagamento digital pelos celulares. Em uma época em que o contato se tornou um fator potencial de contágio, até o cartão de crédito nas mãos de um lojista ou de um entregador é visto com receio por alguns. Portanto os meios digitais de pagamento crescem fortemente e os pagamentos por aproximação do celular estão consolidados lá. Aqui no Brasil, isso ainda está começando.

Os superapps chineses, como WeChat e AliPay, concentram o processo, algo que também está engatinhando aqui, com operações locais. Dessa forma, dinheiro em papel é cada vez mais raro na China, o que é muito bem-vindo, pois as notas sempre foram instrumentos de propagação de doenças, e não só de Covid-19.

Nessa mesma linha, empresas que ofereçam produtos que não exijam contato com o público ganham espaço. Até o mundo do trabalho deve ir por esse caminho, com menos reuniões em salas fechadas. Aliás, trabalho remoto, sempre rejeitado por muitos, se tornou uma possibilidade vantajosa! O mesmo se observa com o ensino à distância. Mesmo com as escolas reabrindo, parte do público preferiu continuar com as aulas online.

A tecnologia é essencial nesse ponto, com a adoção de equipamentos que ajudam em atividades como telemedicina, além de realidade virtual e realidade aumentada.

O varejo de agora em diante

O varejo também se beneficiou da tecnologia. Não apenas pelo crescimento explosivo do e-commerce, mas pela consolidação do chamado shopstreaming. Trata-se de lives em que vendedores ou celebridades apresentam produtos ao vivo, para que os consumidores tirem dúvidas e façam compras na hora.

Segundo o instituto iMedia Research, o “comércio ao vivo” movimentou US$ 63 bilhões na China, em 2019. Com a pandemia, este número deve saltar para US$ 135 bilhões em 2020.

A Inovasia aponta uma coisa interessante nisso: o apresentador não deve ser uma celebridade qualquer, paga para só “puxar o saco” da marca! O que realmente funciona é um influenciador que seja um especialista no produto, que pode falar com propriedade sobre ele. A agência de comunicação Dentsu Aegis Network indicou que mais de 90% dos gestores aumentarão seu investimento em influenciadores digitais, e 80% melhorarão sua infraestrutura de e-commerce.

Outra tendência ligada ao varejo é a entrega em menos de uma hora. Isso já existe na China há uns cinco anos, mas ficou muito mais importante agora. A consultoria britânica Real Capital Analytics indica que imóveis em bairros de Pequim, Xangai e Shenzhen que são atendidas por supermercados que entregam em até 30 minutos tiveram valorização média de 10% só por essa facilidade.

Outra tendência chinesa ligada ao varejo que se vê timidamente por aqui é a preferência pelo comércio local. Com um consumo mais consciente, as pessoas procuram comprar de pequenos varejistas do próprio bairro, como uma maneira de ajudá-los. Além disso, a Inovasia identificou um crescimento por marcas nacionais, em detrimento de produtos importados.

A alimentação dos chineses também ficou mais saudável. Alimentos frescos estão sendo mais buscados, em detrimento dos congelados. As pessoas também estão cozinhando mais em casa, outra coisa que se observa no Brasil.

Os chineses também estão se exercitando mais, porém não em academias, por serem locais fechados. Cresceu a compra de produtos para atividades físicas na residência.

Do ponto de vista de mobilidade, assim como no Brasil, a venda de carros desabou por lá durante a pandemia: 89% de queda! Mas, com a retomada das atividades, muitas pessoas voltaram a comprar carros. O motivo é não querer usar o transporte público, um foco de contágio.

Além das onipresentes bicicletas, quando o carro se faz necessário, os chineses estão preferindo os veículos LSV, ou Low Speed Vehicles. São carrinhos parecidos aos de campos de golfe, totalmente elétricos, conectados e que se movem a, no máximo, 40 km/h. A sua autonomia varia entre 40 km e 90 km e seu tempo de carregamento é de apenas três horas.

Assim como aconteceu no Brasil, a China experimentou uma explosão de “fake news” durante a pandemia, disseminadas principalmente por redes sociais. E, assim como aconteceu no Brasil, os veículos de comunicação tradicionais emergiram como fontes confiáveis para combater a desinformação. Os mais jovens tiveram um papel interessante nisso, ajudando parentes e amigos mais velhos a separar as notícias falsas de material produzidos por veículos sérios.

Precisamos melhorar muito nisso aqui no país.

Não tem volta!

É interessante observar que essas mudanças vieram para ficar, mesmo entre os “late adopters”. Segundo a consultoria chinesa ChoZan, esse público é, em geral, formado por homens acima de 50 anos, com pouca intimidade com smartphones e que têm medo de sofrer golpes online. O mesmo raciocínio se aplica a empresas que, por questões culturais, não sentiam a necessidade de oferecerem seus produtos digitalmente.

A pandemia forçou todos a mudar de postura. E o fim da crise sanitária no país não fez o comportamento dos “late adopters” retornar ao estágio pré-Covid. O motivo principal para a mudança de postura é que seus temores não se concretizaram: a coisa “deu certo”! No caso das empresas, houve aumento de receita em 87% dos casos. O consumo, aliás, voltou com força após o isolamento, porém mais consciente, incluindo evitar dívidas de longo prazo.

Como se pode ver, a China pós-pandemia traz caminhos interessantes, que podem nos ajudar também. Cabe a nós aproveitar essas ideias da melhor maneira possível.

Vale lembrar que se trata de um país em que as liberdades individuais são restritas e que a arapongagem é algo comum e até aceita. Por exemplo, todo cidadão é obrigado a informar, em um aplicativo, viagens intermunicipais e sintomas de saúde às autoridades. O sistema, que roda nos superapps WeChat e no AliPay, confere classificações verde, amarelo e vermelho a cada cidadão, determinando seu grau de liberdade de circulação.

Fica a questão se queremos fazer algo assim por aqui. O histórico do governo brasileiro de proteção aos próprios cidadãos não anda muito favorável. Devemos estar atentos para que o governo brasileiro não passe dos limites.

Temos muito que aprender com os chineses! Vamos então adotar as coisas positivas que vêm de lá. E aprender o que não fazer com o que não é legal.

Pedro Bial entrevista Glória Maria, na estréia da temporada 2020 de "Conversa com Bial" - Foto: reprodução

Não adianta você se preparar para o “novo normal”, porque ele já chegou

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Esse não é mais um artigo sobre o tão falado “novo normal”, que surgirá quando as regras de distanciamento social finalmente forem flexibilizadas. Por um motivo simples: ele não existe! Pelo menos ele não está no futuro: já chegou. Tudo já mudou!

A questão é: você já percebeu isso? E mais: você já mudou para não virar carta fora do baralho?

Não é nenhum papo motivacional vazio. É resultado de diversas observações de mercado. Estamos há cerca de dois meses nesse regime de distanciamento social, que, às vezes, parecem dois anos. Para muita gente, parece que a “vida antiga” tivesse ficado para trás definitivamente, sem tem encontrado um novo caminho para substituir o que se perdeu.

Daí vem o vazio e, em alguns casos, a ansiedade, o desespero, a depressão.

Enquanto isso, o “novo normal” já se instalou entre nós.

Por exemplo, nessa segunda, assisti à reestreia do programa “Conversa com Bial”. A Globo chegou a postergar a volta do talk show, talvez na esperança que fosse possível voltar às gravações nos estúdios, com o arrefecimento do Covid-19.

Como isso não aconteceu (e nem se vê isso acontecendo nas próximas semanas), a emissora teve que tomar uma decisão: reinventar o programa para o “novo normal”. No caso, o talk show virou uma videoconferência transmitida pela TV. Bial estava na sua casa e a convidada -na estreia, Glória Maria- estava na dela. Achei curioso que até os músicos de sua banda estavam em seus respectivos lares, e fizeram aparições breves no início e no final do programa.

O apresentador transformou um canto da sua casa em um miniestúdio, com câmeras, captação de áudio e iluminação profissionais, o que garantiu que sua imagem estivesse ótima. Mas a convidada não tinha nada disso. Na verdade, deu par ver que Gloria usou uma transmissão convencional pela Internet, com direito a borrões e leves travadas. Na Globo pré-pandemia, isso dificilmente seria tolerado. O “novo normal” impôs, entretanto, uma nova realidade à emissora: aquilo não era mais possível.

O mais interessante nisso tudo é que, do ponto de vista do público, isso se tornou irrelevante. Nesses dois meses loucos, assistimos a tantas lives, fizemos tantas videoconferências, assistimos a tantas aulas à distância, que aquela nova linguagem e aquela nova qualidade foram totalmente assimiladas em nosso cotidiano.

Então por que resistir ao novo?

Encontre a sua oportunidade

Tudo nessa vida pode mudar, evoluir. Nas últimas semanas, tenho tratado disso continuamente em meus vídeos e em meus posts.

As lojas, por exemplo, que foram colocadas de joelhos pela pandemia, começam a se reencontrar, ainda longe do que eram antes, no e-commerce. Mas o próprio e-commerce também vem mudando, reforçando o papel dos pequenos e microvarejistas em modelos de marketplace e de fulfillment. Sem falar em outras saídas criativas, como drive thru para pegar produtos comprados pelas redes sociais.

Outro assunto que muito se tem falado é o home office, que sempre foi rejeitado por muitas empresas e gestores, e agora, diante da explosão de seu uso, vem sendo revisto. Muitas empresas já decidiram que, quando os escritórios forem reabertos, pelo menos parte da equipe continuará trabalhando à distância, com ganhos para a própria empresa e também para os funcionários.

Infelizmente nem todos podem aderir a essa modalidade, seja pela natureza do seu trabalho, seja porque não têm condições (boa Internet, computador, sistemas). Isso é lastimável, pois cria mais um fator de segregação na nossa sociedade, já bastante desigual. Mas espero que sirva, pelo menos, para que empresas e governos atentem que essa mudança é real e deve ser incentivada a viabilizada, com apoio aos profissionais que possam e queiram aderir ao trabalho em casa.

Essa realidade, tão incômoda para tanta gente, revela, portanto, uma incrível oportunidade de transformação e de aprendizado. Não que isso seja fácil. Aliás, na maioria das vezes, isso tem acontecido com muita dor, tanto do lado do funcionário quanto da empresa, principalmente porque a mudança foi imposta em velocidade alucinante. Esse foi um dos temas da minha conversa com Cristina Palmaka, presidente da SAP Brasil, nesta terça, que pode ser vista abaixo:


Assista à minha entrevista com Cristina Palmaka:


A própria entrevista aconteceu sob a égide do “novo normal”: assim como Bial agora entrevista de casa, tenho feito várias entrevistas do meu pequeno “estúdio doméstico”. Palmaka, quem já tive o prazer de entrevistar em eventos no Brasil e nos EUA, agora estava em sua casa. E isso, nem de longe, comprometeu nossa ótima conversa.

É preciso entender que as mudanças exigem que todos os envolvidos concordem com ela, e isso inclui o cliente. A Globo entendeu que seu público aceitaria de bom grado que parte de sua programação passasse a ser feita no novo formato, como aconteceu com o Bial. E acertou!

Na minha atividade de professor, as aulas têm acontecido, com grande sucesso e trocas riquíssimas, em diferentes plataformas online. Mas, novamente, isso só está sendo possível pela participação ativa dos alunos, que são os clientes, que abraçaram o “novo normal”, mesmo esses cursos sendo originalmente dados em sala de aula.

Portanto, da mesma forma que não adiante ficar resistindo às mudanças, o tempo de ficar se preparando para mudanças que “um dia chegarão” já passou. O “novo normal” está entre nós, impondo as mudanças de um jeito ou de outro. Quem se mexeu já está colhendo frutos. Quem continua parado pode virar carta fora do baralho muito em breve. Todos precisam se reinventar -às vezes profundamente- dentro de sua realidade.

E você, o que está fazendo?


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Artigos relacionados:

Feliz aniversário, Internet: 50 anos!

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Nesta terça, a Internet completa 50 anos!

Pouca gente sabe, mas a “mãe de todas as redes”, lançada no dia 29 de outubro de 1969 por pesquisadores da UCLA (Universidade da California em Los Angeles) e do SRI (Stanford Research Institute), foi uma encomenda dos militares americanos. No auge da Guerra Fria, eles temiam que um ataque nuclear da finada União Soviética destruísse todo o poder computacional dos Estados Unidos.

Isso pode parecer absurdo hoje, mas, naquela época, em que as redes de computadores eram centralizadas em poucos servidores de grande porte –os mainframes– essa era uma tarefa relativamente simples. Os militares solicitaram então o desenvolvimento de uma rede cujo armazenamento e capacidade de processamento fossem totalmente distribuídos.

Essa é justamente a essência da Internet! Hoje até mesmo os nossos celulares, que estão ligados à Grande Rede, são servidores e clientes dela. Todo mundo entende isso agora, ainda que de maneira implícita, Mas, nos anos 1960, a IBM, que foi consultada para o desenvolvimento da Internet, disse que “uma rede como essa jamais poderia ser construída”.

O fato é que ela definitivamente mudou o mundo. Por isso, é um dos maiores inventos da humanidade, ao lado da roda e da prensa de tipos móveis de Gutenberg.

Neste vídeo, conto como a Internet foi criada, o contexto mundial da época, por que ela se tornou onipresente e o que vem por aí.

E você, consegue imaginar uma vida sem a Internet? Conte para nós nos comentários.



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Estamos perdendo a capacidade de nos encantar

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Você está perdendo a sua capacidade de se encantar com o que a vida lhe oferece? Tudo parece muito sem graça e de uma mesmice terrível? Seu único desafio é conseguir dinheiro par pagar os boletos no fim do mês?

Tem muita gente vivendo assim ultimamente! Espero que não seja seu caso, pois a vida fica muito triste assim. E a vida é muito bela! Desde que você a viva dessa forma.

Grande parte dessa visão blasé do mundo se deve aos incríveis e incontáveis avanços tecnológicos que se integram ao nosso cotidiano. É claro que eles são muito bem-vindos, mas não podemos permitir que eles nos tirem a vitalidade e o desejo! Se você achar que, graças a isso, a vida está ganha, que os desafios sumiram, você está muito enganado. Pior: está criando uma terrível armadilha para si mesmo: o desencantamento geral.

Ele é péssimo para você como indivíduo e como profissional, para as empresas e para toda a sociedade. Entenda por que isso acontece e como escapar dele, assistindo ao meu vídeo dessa semana. E depois compartilhe suas percepções sobre o desencantamento das pessoas a sua volta nos comentários.

Vamos ajudar todos a sair disso!



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Foto: Creative Commons

Como a tecnologia pode salvar vidas de quem você ama

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“Se alguém o tivesse escutado, talvez pudesse ter sido salvo.”

Essa frase é comum entre aqueles que tiveram que enfrentar casos de suicídio de pessoas próximas de si. Ela representa uma das faces mais perversas dessa tragédia: a maioria dessas mortes poderia ter sido evitada se as vítimas tivessem recebido o apoio necessário a tempo. Isso não acontece porque as pessoas que convivem com o suicida normalmente não percebem os sinais emitidos por ele. Sinais que são, na verdade, pedidos de ajuda. E, dos que percebem, muitos não sabem como lidar com isso adequadamente.

Felizmente novas tecnologias e novos métodos abrem caminhos que podem ajudar as próprias vítimas e também as pessoas a seu redor a lidar melhor com esse gigantesco problema de saúde pública.


Vídeo relacionado:


No mundo, mais de 1 milhão de pessoas se suicidam todos os anos. Isso dá uma morte a cada 40 segundos. No Brasil, 32 pessoas se matam todos os dias: em 2018, foram 11 mil vidas perdidas assim.

A situação é ainda mais grave entre os jovens, sendo a principal causa de morte nessa faixa etária no planeta, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Segundo o Ministério da Saúde, o suicídio aumentou 20% nos últimos cinco anos entre jovens de 15 a 19 anos. Já é a quarta causa de mortes nessa faixa no nosso país.

O suicídio raramente é uma decisão por impulso. O suicida amadurece a ideia com tempo. Nesse processo, emite vários sinais indicando que pensa em acabar com a própria vida, em um longo pedido de ajuda, muitas vezes inconsciente.

Gramática da Depressão e Algoritmo da Vida

Pesquisadores da University of Reading (na Inglaterra) e da Florida State University (nos EUA) descobriram que pessoas com depressão costumam publicar nas redes sociais mensagens com palavras e construções específicas. Eles catalogaram os resultados desse comportamento e o chamaram de “Gramática da Depressão”. Com ela, afirmam ser capazes de identificar essa terrível doença, mesmo em seus estágios iniciais.



A partir desse estudo, a Agência Africa e a desenvolvedora Bizsys criaram para a revista Rolling Stone Brasil o que eles chamaram de “Algoritmo da Vida”. Trata-se de um sistema que fica varrendo mensagens no Twitter seguindo as regras da “Gramática da Depressão”.

Para evitar falsos positivos, quando algo suspeito é identificado, a mensagem passa por uma checagem cuidadosa, que considera contexto, ironias e a recorrência dos termos. Se o risco for confirmado, um perfil do Twitter criado especificamente para esse serviço, com o auxílio de psiquiatras, entra em contato com o indivíduo por uma mensagem privada. O objetivo é conversar e entender o usuário, para lhe sugerir a melhor forma de tratamento. Indicações para contato com o CVV (Centro de Valorização da Vida, telefone 188) são sempre uma opção.

O “Algoritmo da Vida” está funcionando desde fevereiro, e já verificou cerca de 34 milhões de mensagens, de 1,4 milhão de perfis no Twitter. No meio disso tudo, detectou quase 300 mil riscos potenciais, direcionando cerca de 1.400 pessoas ao CVV.

Pesos-pesados tecnológicos

No último dia 11, a iniciativa ganhou dois apoios de peso: a titã de software alemã SAP e a AWS (Amazon Web Services), serviço de hospedagem na nuvem da empresa de Jeff Bezos.

O anúncio foi feito em São Paulo, durante o SAP Now, maior evento de tecnologia e negócios da América Latina, por Cristina Palmaka, presidente da SAP Brasil, que estava com Sergio Gordilho, copresidente da Agência Africa, e com Cleber Morais, diretor-geral da AWS no Brasil.

Os dois gigantes da tecnologia se uniram à iniciativa, para que ela ganhe escala e eficiência, com a enorme capacidade de processamento da AWS e diferentes tecnologias de ponta da SAP. Assim, o Algoritmo da Vida está sendo recriado dentro de soluções da SAP para aproveitar recursos como inteligência artificial e análises preditivas, que serão capazes de identificar mudanças nos padrões de comportamento dos usuários, que possam indicar, com grande assertividade, qualquer risco. A linguagem natural, ou seja, a tecnologia que permite a máquina entender e se comunicar com frases correntes, como se fosse uma pessoa, tornará esse processo ainda mais eficiente.

A tecnologia digital já dá esse tipo de visão aos negócios há bastante tempo. Mas o Algoritmo da Vida é uma prova que ela pode ser aplicada a qualquer disciplina humana. Na verdade, desde que a medicina se dissociou do curandeirismo místico para se aproximar da ciência, a tecnologia ocupa um espaço crescente nos diagnósticos e nas curas.

É só pensar que, há cem anos, pessoas morriam de gripe pela inexistência de antibióticos, e raio-X era algo ainda experimental. Hoje, pulseiras eletrônicas são capazes de medir o nível de glicose no sangue do paciente pelo seu suor, de maneira automática. Essa informação é passada em tempo real para o computador do hospital, que monitora cada pessoa individualmente.

Outra iniciativa da SAP, essa desenvolvida com a indústria farmacêutica suíça Roche, usa esse tipo de informação para antecipar problemas ligados à diabete, antes mesmo que eles aconteçam. Além de preservar a vida de cada paciente, pode ajudar a identificar problemas de saúde pública pela análise combinada e anônima dos dados de todos os pacientes, propondo até mesmo alterações em políticas públicas.

Em julho, Paul Hutton foi salvo pelo seu Apple Watch. O relógio inteligente identificou alterações em seus batimentos cardíacos e o encaminhou ao médico. O americano de 48 anos passou por cirurgia para corrigir um bigeminia ventricular e foi salvo.

De volta à depressão, o Instagram também oferece, há alguns meses, um recurso que tenta identificar comportamentos entre seus usuários que podem indicar riscos. Quando isso acontece, o sistema mostra telas que tentam conscientizar o usuário que algo pode estar errado e dá sugestões onde pode buscar ajuda.

A empresa americana HarrisLogic, que presta atendimento a pessoas com depressão, também desenvolveu um sistema em plataforma SAP para isso. Seus profissionais oferecem um atendimento mais eficiente a partir indicações oferecidas pela análise de milhões de atendimentos por inteligência artificial e big data.

A importância da humanidade

A tecnologia é realmente uma ferramenta de valor inestimável, muito bem-vinda. Mas ela é isso: uma ferramenta.

Carl Jung, fundador da psicologia analítica, dizia: “conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas, ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”

A tecnologia identifica, avisa, sugere com grande precisão. Mas temos que estar atentos e sermos empáticos com quem está a nossa volta. Às vezes, uma simples palavra amiga pode ser o suficiente para salvar alguém. Se você não se sentir habilitado a prestar a ajuda necessária, sempre encaminhe a pessoa a um psicólogo.

A única coisa que não podemos fazer é nos abster de ajudar.


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Artigos relacionados:

Venda exatamente aquilo que o cliente quer comprar

By | Tecnologia | No Comments

Conhecer o seu cliente, suas demandas, seus gostos, seu comportamento se tornou o Santo Graal de negócios de qualquer segmento e porte. Com isso, podemos melhorar nossas entregas e toda a cadeia de produção e logística. Nesse cenário, uma tecnologia cada vez mais poderosa e acessível a qualquer empresa desempenha um papel crítico.

No caso do varejo, por exemplo, a inteligência artificial permite ao lojista antecipar, com boa precisão, o que, quanto e quando seu consumidor comprará. Essa informação é valiosíssima, pois lhe permite investir apenas em produtos que “giram”, diminuindo o estoque, evitando que seu capital fique “parado” e até reduzindo a perda de produtos (como no caso de perecíveis). Do lado do consumidor, os ganhos também são interessantes, pois se diminui a frustração de procurar um produto e não o encontrar na loja, o que no varejo é conhecido como “ruptura”.

No vídeo abaixo, Bento Ribeiro, CEO da TEVEC, explica como funciona essa tecnologia. Em uma conversa descontraída, ele fala ainda como está o Brasil internacionalmente na adoção desses recursos, como a inteligência artificial impacta os empregos e o que as pessoas devem fazer para garantir a sua empregabilidade.


Lobby pode atrasar a chegada do 5G ao país

By | Tecnologia | No Comments

Enquanto o mundo corre em direção ao 5G, empresas tentam atrasar a chegada dessa tecnologia ao Brasil, para proteger seus investimentos às custas de toda a sociedade.

No centro dessa guerra comercial, estão o leilão das frequências do 5G, que o governo quer realizar no primeiro semestre do ano que vem, e os Projetos de Lei 79 (que disciplina serviços de telecomunicações) e 3.832 (que regula a TV paga).

A chegada do 5G e essas mudanças legais impactam diretamente o modelo de “triple play” (telefonia, TV por assinatura e Internet), oferecido pelas operadoras. Os dois primeiros negócios estão em franca decadência há anos, portanto algumas dessas empresas estão usando de todos os artifícios para atrasar esses avanços.

Até o governo americano está envolvido nesse processo. O PL 3.832 pode favorecer fortemente a empresa AT&T na compra da Oi, o que possivelmente atrapalharia os planos da chinesa Huawei, líder mundial no 5G, que vem sendo combatida por Donald Trump.

No meio do fogo cruzado, estamos nós. Precisamos entender o que está acontecendo para nos posicionarmos contra esse atraso, que faria o Brasil perder enormemente sua competitividade.

Entenda isso tudo no meu vídeo abaixo. E depois deixe sua opinião nos comentários.



Para saber ainda mais sobre isso tudo, recomendo as seguintes leituras externas:

Leilão de 5G coloca em xeque TV por assinatura, e teles tentam ganhar tempo

PLC 79: o que vai mudar com o novo marco das telecomunicações

Senado pode mudar regras para TV paga e online; entenda a polêmica

Senado aprecia PL que acaba com restrição à propriedade cruzada no mercado de TV paga

Presidente da Anatel dispara: “Interesses casuísticos não podem confinar a internet brasileira”

Na CI, presidente da Anatel defende mudanças na Lei de Telecomunicações

Trump, Bolsonaro e Globo: O que está por trás da mudança da Lei da TV paga?

Operadoras discordam quanto à maturidade do ecossistema 5G

Claro: PL que muda lei do SEAC promoverá “destruição total” do audiovisual brasileiro

Claro também vai para o leilão da 5G, “porque não tem saída”, afirma Félix

América Móvil não “morreu de felicidade” com leilão 5G no Brasil, diz Félix

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A tecnologia pode ser uma poderosa ferramenta de inclusão social para meninas

By | Educação | No Comments

A tecnologia também pode ser um poderosa ferramenta de inclusão social!

A organização sem fins lucrativos Women Who Code de Recife realiza um trabalho educacional inspirador para meninas a partir dos 10 anos de idade, usando a programação como meio para que mulheres desenvolvam habilidades e o gosto pela tecnologia. Além de abrirem uma ótima oportunidade profissional para elas, ajuda a equilibrar esse mercado de trabalho, que ainda é majoritariamente masculino.
Conheça seu trabalho e como participar, assistindo abaixo à minha entrevista com Andreza Alencar e Karina Machado, diretoras da ONG. Quer participar? Entre em contato com elas: womenwhocode.com/recife ou @WWCode_Recife


Videodebate: o Facebook mudou o jogo

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Talvez você nem use mais o Facebook tanto. Mas as mudanças que Mark Zuckerberg e a sua turma anunciaram na F8, a convenção anual da empresa, na semana passada, certamente afetarão a sua vida.

Primeiro porque você deve usar outros produtos da empresa, no mínimo o WhatsApp. Depois porque, pelo seu gigantesco tamanho, o que o Facebook faz acaba impactando outras redes sociais.

Além de mudanças que visam melhorar questões de segurança e de privacidade dos usuários, o calcanhar do Aquiles que está derrubando a rede, o Facebook apresentou uma série de alterações na maneira como as pessoas devem se relacionar entre si e com empresas. Na prática, eles querem que as pessoas se preocupem menos com números como “curtidas” e mais em publicar conteúdo de qualidade e construir conversas interessantes a partir disso. Ou, como disse o próprio Zuckerberg, as redes serão menos como “praças públicas”, em que as pessoas vão para saber o que está acontecendo no mundo, e mais como “salas de estar”, onde recebemos pouca gente para conversar melhor.

Quer saber? Acho isso ótimo! As pessoas andam mesmo muito “viciadas em curtidas” e até fazendo algumas coisas questionáveis para isso. O resultado é uma queda dramática na qualidade do que se publica nas redes, mesmo no LinkedIn, que é o melhor lugar para se encontrar conteúdo e conexões de qualidade.

São nessas conversas que encontramos o verdadeiro ouro das redes sociais, onde nos tornamos autoridade no que fazemos, onde conseguimos mais clientes.

E você, concorda? Veja como isso funcionará no vídeo abaixo, e depois vamos debater aqui nos comentários.



Diversidade gera lucros para empresas e satisfação para pessoas

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Você já pensou por que existem tão poucas mulheres no mercado de tecnologia? Longe de ser apenas uma estatística, isso vem de valores arraigados em nossa cultura e da falta de modelos femininos nessa indústria. De alguns anos para cá, várias iniciativas procuram reverter essa situação e promover a diversidade e inclusão nas empresas, não apenas de gênero, mas também étnica, de orientação sexual e de pessoas com necessidades especiais. Além de gerar inestimáveis ganhos sociais, elas também trazem muitos ganhos para as empresas.

Segundo o estudo “A diversidade como alavanca de performance”, publicado pela consultoria americana McKinsey, empresas com mais diversidade de gênero em cargos executivos têm 21% mais chance de ter lucros acima da média que as que apresentam pouca diversidade. No caso de diversidade étnica, isso é ainda mais aparente: 33%.

Há alguns dias, tive uma conversa inspiradora sobre isso com Judith Michelle Williams, líder global de diversidade da SAP, que estava no Brasil. A íntegra da conversa em vídeo (7’ 18’’) pode ser vista abaixo.


Vídeo relacionado:


“Quando uma organização é capaz de ter essa diversidade e essa inclusão, isso aumenta o engajamento de seus funcionários”, explica Williams. “Isso leva a uma maior inovação, pois você tem diferentes fontes de ideias, você tem pessoas com culturas diferentes.”

Ironicamente, o primeiro programa de computador da história foi escrito por uma mulher: Ada Lovelace criou em 1842 o algoritmo para a máquina analítica de Charles Babbage. Mas hoje faltam modelos para que as meninas se inspirem para abraçar essas carreiras.

“Mulheres e meninas continuam extremamente sub-representadas. Os estereótipos de gênero, a falta de modelos visíveis e as políticas e ambientes sem apoio ou mesmo hostis podem impedi-las de seguir essas carreiras”, disse António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, em sua mensagem oficial no dia 11 de fevereiro passado, Dia Internacional para Mulheres e Meninas na Ciência.

“Ter quem mostre que é possível para uma mulher liderar uma companhia de tecnologia, desenvolver software e crescer em uma carreira de tecnologia é muito bom. Precisamos encorajar mais meninas a abraçar as exatas e estudar ciência e tecnologia”, afirma Williams, que, antes de liderar a diversidade na SAP, cuidou desse tema no Dropbox e no Google.

Diversidade e inclusão

Mas a diversidade sozinha não é suficiente. As empresas precisam fazer seus funcionários se sentirem incluídos, podendo demonstrar quem eles são.

“Nós não queremos que nenhum de nossos funcionários LGBT+ sintam como se não pudessem falar sobre sua vida familiar, não pudessem falar sobre seus parceiros”, explica a executiva da SAP. “É muito importante ter essa inclusão: as pessoas sentem que elas podem vir trabalhar e ser o seu melhor.”

As empresas precisam investir no treinamento de suas equipes para chegar lá. Segundo artigo publicado na revista Forbes, as dificuldades de inclusão derivam principalmente da nossa inabilidade de reconhecer e valorizar pontos de vista diferentes. A autora Phyllis Wright, vice-presidente sênior da VRM Mortgage Services, cita estudos que demonstram que 80% do que usamos para nossas conclusões vêm do que já sabemos, e apenas 20% de estímulos externos. Portanto, um treinamento eficiente pode “melhorar” os conceitos em nosso cérebro e treinar nossos olhos para a questão da diversidade a nossa volta.

Lembro-me de ter lido o livro “Círculo da Inovação”, do guru da administração Tom Peters, há uns 30 anos. Mas uma passagem me marcou muito: a que ele dizia que a gerência da maioria das empresas é composta por “homens brancos de meia idade vestindo calças de poliéster”. O problema disso, segundo ele, é que todos aqueles gerentes pensam da mesma forma, o que seria péssimo para o negócio e para seus produtos.

Ele já via a importância da diversidade, tão em moda hoje, há três décadas! Afinal, se você tem dez “chefes” que pensam exatamente igual, você só precisa de um! O que faz um negócio realmente prosperar é ter pessoas diferentes trocando suas experiências para atender clientes que também são diversos.

E então: como está a sua companhia nisso tudo?


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Paulo Silvestre (esquerda) conversa sobre transformação digital com John Allessio (centro) e Nick Hopman – Foto: reprodução

Transformação digital depende de entusiasmo e de apoio

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Você está pronto para a transformação digital?

Um dos termos mais badalados do momento na administração, ela movimenta empresa e profissionais que querem encontrar, com o apoio da tecnologia, novas maneiras de realizar o próprio negócio, para atingir níveis de produtividade inéditos, ou ainda descobrir um grande novo negócio. Mas poucas empresas realmente sabem qual caminho adotar, pois acham que a transformação digital acontece ao escolherem a tecnologia disruptiva certa para seu empreendimento, quando, na verdade, ele deve obrigatoriamente começar transformando a cabeça das pessoas.

Essa necessidade ficou muito clara na conversa que tive com John Allessio, vice-presidente sênior de serviços globais da Red Hat, e com Nick Hopman, vice-presidente de práticas e soluções globais da empresa, nesta terça (16 de abril), na sede da Red Hat em São Paulo. Os dois executivos vieram participar da inauguração do Red Hat Open Innovation Labs. A íntegra da conversa pode ser vista no vídeo abaixo:



Para Allessio, uma empresa que busca a transformação digital deve começar com um projeto pequeno o suficiente para que possa “abraçar”. Dessa forma, evita-se que a mudança crie barreiras instransponíveis logo de cara.

Mas o executivo adverte que o processo só dará certo se contar com dois ingredientes essenciais: o entusiasmo das equipes, e gestores realmente patrocinando as mudanças necessárias. “Você precisa da paixão das equipes -com negócios e TI trabalhando juntos- e você precisa do apoio dos executivos”, explica. “Sem esse apoio é muito difícil fazer isso acontecer.”

“Precisa ser um cliente que busca mudança, que quer prosperar”, explica Hopman. É por isso que a transformação digital começa sempre com uma transformação cultural. Para ele, nenhuma tecnologia resolverá sozinha um problema causado por um modelo de negócios que já não se sustenta.

Ele está certíssimo. Costumo dizer que “transformação digital” é muito mais “transformação” que “digital”. Se as pessoas realmente não acreditarem na mudança e estiverem dispostas a abandonar velhas fórmulas, mesmo as que deram certo por décadas, será, no máximo, coisa velha com um verniz moderninho.

“Quando as pessoas falam em transformação digital, normalmente se preocupam muito com o digital e com os aspectos técnicos, e não se focam em como eles realmente apoiam aquela transformação dentro de sua cultura, dentro de sua organização”, explica Hopman. Com o laboratório que acaba de ser inaugurado em São Paulo, o quarto da Red Hat no mundo (os outros ficam em Boston, Londres e Cingapura), a empresa pretende ajudar seus clientes a desenvolver essa consciência. “Queremos ensinar obviamente a tecnologia, mas também as práticas abertas, como trabalhar em uma cultura aberta de colaboração”, diz.

“É uma oferta de transformação cultural com os produtos da Red Hat”, explica Fabio Pereira, líder do Red Hat Open Innovation Labs Latam. “A gente chama de uma oferta de inovação imersiva, onde a equipe do cliente vai ficar imersa em um ambiente de inovação, fazendo alguma coisa que adicione valor para o cliente, entregando valor em semanas, ao invés de entregar valor por anos.”

Ele explica que, a princípio, qualquer empresa pode ser beneficiar do Labs. Se você ficou interessado, veja como participar assistindo à minha conversa com o líder da operação local no vídeo abaixo:



Os clientes que participarem da iniciativa podem ter suas equipes trabalhando no laboratório, como também em suas próprias instalações. Além disso, apesar de o Labs estar fisicamente em São Paulo, ele pode atender empresas de qualquer lugar do país e até do mundo. As quatro instalações trocam continuamente informações e desenvolvimentos, funcionando como “concentradores regionais”. A escolha de São Paulo se deve ao tamanho do seu mercado, representado cerca de metade da Red Hat na América Latina.

Allessio afirma que companhias de qualquer porte e qualquer indústria podem ser atendidas: “trabalhamos em empresas tão grandes quanto as que tem 10 mil desenvolvedores até companhias que são tão pequenas como uma nova startup.”

Portanto, se a transformação digital faz os seus olhos brilharem, faça os questionamentos necessários antes de embarcar na empreitada. Esteja pronto para realizar verdadeiras mudanças na cultura empresarial, modelos de negócios e até mesmo na maneira como os profissionais se relacionam “É mais que métodos, ferramentas, processos”, diz Allessio. “Queremos ajudar o cliente a realmente casar TI com o negócio, que é o verdadeiro molho mágico.”

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Tecnologia em pequenas empresas não é luxo: é sobrevivência (e as grandes que se cuidem!)

By | Tecnologia | No Comments

Imagem: reprodução

Existem algumas ideias equivocadas sobre o mundo de tecnologia digital. Talvez a mais comum seja que os investimentos nessa área são um custo para a empresa. Outra é que apenas grandes companhias têm capacidade de investir e também de ter ganhos com isso. As duas vêm de tempos em que era necessário criar grandes estruturas de equipamentos, software e pessoal de TI. Mas isso é passado! A realidade atual é completamente oposta: qualquer empresa, mesmo as pequenas, consegue investir em tecnologia de ponta e tirar grande proveito disso. E tem mais: longe de ser um custo, é uma ferramenta de produtividade crítica!

Não é papo de vendedor. A tecnologia está mais acessível que nunca. Ela permite que jovens empreendedores sonhem e executem modelos de negócios inovadores, que posicionam suas empresas como concorrentes ferrenhos de corporações centenárias. E muitos deles já estão levando a melhor sobre os modelos tradicionais em segmentos como varejo, comunicação, indústria eletrônica, finanças, transporte, hospedagem, educação, saúde, entre tantos outros. Assistimos a empresas-bebês colocando concorrentes-dinossauros para fora do mercado.


Vídeo relacionado:


Presenciei isso muito de perto sendo Mentor de Conteúdo do SAP Forum, na terça e na quarta passada. Para se ter uma dimensão desse evento, é o segundo maior da empresa no mundo, perdendo apenas para o Sapphire, que acontece nos EUA. O Forum reuniu mais de 8.000 profissionais, que puderam acompanhar 452 sessões de conteúdo, showcases e workshops. Apesar de tantos números maiúsculos, uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a diversidade nos expositores e especialmente no público: muita gente buscando jeitos criativos de usar a tecnologia em seus negócios, mesmo os pequenos.

Tanto é verdade que Cristina Palmaka, presidente da SAP Brasil, destacou o tema na entrevista que me concedeu, transmitida ao vivo do Forum e que pode ser vista acima (10 minutos): “falar de inovação não é mais uma vantagem ou um luxo das grandes companhias.” Para a executiva, muitas pequenas empresas veem a tecnologia como seu diferencial. “Se as empresas não estiverem olhando todo esse arcabouço tecnológico, elas terão um problema sério de existência”, explica.

Isso não é ficção científica: está totalmente integrado ao nosso cotidiano, graças a empresas que foram criadas seguindo o que Palmaka disse. Por exemplo, usou o Uber nos últimos dias? Navegou pelo Facebook? Fez uma busca no Google? Comprou no Mercado Livre? Hospedou-se pelo Airnnb? Assistiu a algo no Netflix? Pagou pelo Nubank? Todas essas empresas hoje são colossais, mas surgiram de usos criativos da tecnologia para atender a necessidades ou ideias geniais de seus criadores, às vezes com investimentos mínimos. Se tivessem tentado fazer as coisas do jeito “tradicional”, sem aproveitar a tecnologia que tinham a sua disposição, provavelmente nunca teriam progredido.

Mas então é só sair usando a tecnologia digital para se dar bem?

 

Não deixe a zona de conforto matar você

Claro que a tecnologia digital por si só não resolve nada! Se fosse assim, teríamos muito mais empresas geniais por aí. Só que isso não acontece.

Tudo porque ela é apenas uma ferramenta. Um martelo –que também é tecnologia– pode ser usado para bater pregos ou quebrar pedras. Mas, na mão de um artista, serve para esculpir mármore e criar uma obre de arte.

O grande desafio, portanto, está na cabeça do empreendedor. “As resistências internas são culturais”, diz a presidente da SAP. E essa turma que prefere ficar na sua zona de conforto, mesmo sabendo que ela está com os dias contados, normalmente credita sua inércia a supostos altos custos e à dificuldade de se adotar novas tecnologias.

Nada mais equivocado! Elas estão muita mais baratas, graças a inovações como a “computação na nuvem”, que dispensa pesados investimentos em aquisição e manutenção de equipamentos. Do lado do software, a compra de caras licenças vem sendo substituída pelo conceito de “software as a service”, ou seja, agora se aluga o sistema, ao invés de comprá-lo. Até mesmo o uso e implantação foi simplificado. Empresas como a própria SAP e seus concorrentes ajudam nessa tarefa, agilizando todo o processo.

“Talvez, para começar pequeno, controlar em uma planilha está ok”, sugere Palmaka. “Mas, a partir do momento em que você sai da centralização das informações em pessoas e começa a crescer, você precisa ter a garantia de que os sistemas vão te dar essa robustez”, afirma.

Mas então o que escolher nesse vasto cardápio tecnológico?

 

Use tudo –e apenas– o que você precisa

Não é porque nova tecnologia está disponível, que temos que adotá-la, seja ela nova ou já estabelecida. O sucesso desses investimentos passa também por conhecer todas as opções e escolher tudo –e apenas– aquilo que pode agregar valor ao nosso negócio.

“Empresas diferentes vão ter ideias diferentes para avançar seus negócios e para inovar”, explica Luis Cesar Verdi, Chief Customer Officer da SAP na América Latina, e responsável na região pelo SAP Leonardo, a estrela desse Forum. Verdi também me concedeu uma entrevista ao vivo no evento, que pode ser vista logo abaixo:


Vídeo relacionado:


“Inovação significa fazer coisas diferentes agregando valor ao negócio, agregando valor ao cliente”, explica Verdi. “Pequenas empresas também fazem isso; médias também.”

O próprio Leonardo não pode ser caracterizado como um produto convencional. Ele é um conjunto de tecnologias –big data, machine learning, Internet das coisas, blockchain, sistemas analíticos– que funcionam de maneira integrada, mas que podem ser contratadas individualmente, de acordo com as necessidades de cada cliente.

“O cliente não compra, ele assina esses serviços”, diz o executivo. “E ele vai contratar na medida de sua necessidade: empresas pequenas vão contratar menos; empresas maiores vão contratar mais.”

É interessante notar que a SAP ou qualquer outra empresa não produz toda a tecnologia necessária para qualquer cliente. Por exemplo, os equipamentos necessários para o uso do módulo de Internet das coisas do Leonardo necessariamente vêm de outros fabricantes. E isso é uma das belezas dessa nova forma de investir em tecnologia digital: as empresas, qualquer que seja seu porte, não precisam mais ficar atreladas a um único fornecedor. É possível combinar as soluções mais adequadas para cada necessidade.

“O que chegou é justamente a necessidade de inovar e aproveitar as novas tecnologias para criar novas formas de se comunicar com o cliente, novas formas de agregação de valor, desintermediação e comunicação direta com os consumidores”, explica Verdi.

Você pode estar dizendo para si agora: “ah, mas isso não é para mim. Eu sou pequeno demais para qualquer uma dessas coisas!”

É mesmo? Você é menor que os vendedores ambulantes da areia da praia? Pois muitos deles já carregam terminais 4G para aceitar cartões. E assim não perdem mais vendas porque o cliente está sem dinheiro vivo.

E então, qual será a sua postura com relação a investimentos em tecnologia digital?


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