Educação

Feliz Dia do Professor? Temos que falar sobre isso!

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Sempre admirei a profissão dos meus pais. Aos 14 anos, escrevi uma poesia, enaltecendo-a como a mais importante de todas, pois formava os demais profissionais.

Aos 18, ainda na faculdade de Engenharia, fui impactado pelo Mr. Keating, do filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, interpretado pelo inesquecível Robin Williams (na foto). Decidi ali que, em algum momento, também seria professor. E as minhas aulas seriam daquele jeito, com muito conteúdo, inspiração e diversão.

Realizo esse sonho desde 2005, cada vez mais. Hoje leciono em seis turmas de pós-graduação de diferentes cursos da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da PUC-SP, além de integrar cursos da Universidade Metodista de São Paulo, ESPM, e, em breve, Belas Artes. E ainda sobra tempo para aulas esporádicas em grandes escolas, como a Digital House, o Senac e a Damásio Educacional.

As pessoas me perguntam como consigo encaixar tudo isso na agenda, ainda mais porque não é a minha única atividade profissional. Simples: amo o que faço! É a minha maneira de contribuir para uma sociedade melhor, nem que seja com um aluno de cada vez.

Nos países mais desenvolvidos, o professor sempre é figura de destaque na sociedade. Infelizmente, no Brasil, nunca foi valorizado e, de uns tempos para cá, tornou-se quase um perseguido político, por governos que preferem a ignorância como ferramenta de manipulação.

Fico triste ao ver uma parcela da população defendendo um pensamento único nas escolas (o seu pensamento), em detrimento de todos os demais. Profissionais bem preparados e cidadãos conscientes só surgem quando eles são expostos a diferentes ideias e pensamentos, mesmo os que contrariam os de sua origem. Sempre tive a felicidade de ter professores que me mostraram tudo isso e, graças a eles, hoje vejo o mundo com todas as suas cores, e não apenas com um cinza inexpressivo e castrador. E, assim, posso passar um pouco do que sei aos meus alunos, com ética e liberdade.

Nunca seremos um país digno, sério e grande enquanto essa situação do professor não mudar. E as perspectivas infelizmente não são boas.

Portanto, hoje, aplaudo os colegas que resistem nesse ofício tão nobre e essencial. Eduquem e criem mentes livres! E você, o que acha?

Por que o Brasil perdeu duas posições no Índice Global de Inovação

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Caramba! O Brasil caiu duas posições no Índice Global de Inovação. Por que!

Já estávamos em uma posição ruim: fomos da 64ª em 2018 para a 66ª, entre 129 países. Não lideramos nem na América Latina: ficamos atrás do Chile (51), Costa Rica (55), México (56) e Uruguai (62).

No topo, estão Suíça, Suécia, EUA, Países Baixos e Reino Unido. A lista é publicada anualmente pela Universidade Cornell, pelo Instituto Europeu de Administração de Empresas e pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual.

Isso é um tremendo pepino para o país. Mas, apesar de ser chato, não chega a ser uma surpresa.

Essa queda acompanha outras listas onde vamos sendo ultrapassados, como o tamanho da economia (somos a 9ª, mas já fomos a 6ª), produtividade empresarial e indicadores sociais, como a educação.

Ela, aliás, está na raiz disso tudo, mas não pode levar toda a culpa. Há questões culturais do brasileiro a serem resolvidas, um ambiente hostil aos negócios e entraves legais.

Para ajudar a responder essas questões, nesta quarta, conversei sobre o tema com Roberto Meir, especialista internacional em relações de consumo e varejo e CEO do Grupo Padrão, durante o Whow! Festival de Inovação, que acontece em São Paulo. Você pode assistir à conversa na íntegra(16’20”) no canal do Whow! Festival de Inovação no YouTube, em https://www.youtube.com/watch?v=IGXpuKRoyqk

Acompanhe os insights no vídeo abaixo. E depois conte para nós como a sua empresa inova.


Videodebate: o que estudar para ter trabalho

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Em tempos de crise brava e desemprego em alta como estamos vivendo, cada um busca a sua maneira para se manter relevante e garantir o seu lugar ao sol.

Nesse cenário, uma das melhores maneiras de aumentar a tal da empregabilidade é voltar aos bancos escolares para adquirir novas competências, se reciclar, pois todas as profissões vêm sofrendo profundas mudanças graças à tecnologia digital. Então, confiar seu futuro apenas no que aprendeu na faculdade não é mais possível.

Mas o que estudar então? Hoje temos cursos para todos os gostos e todos os bolsos. Cada um deles lhe oferece benefícios particulares. Veja no meu vídeo abaixo as vantagens e desvantagens de cada um, para tomar uma decisão mais acertada. E depois vamos debater aqui nos comentários sobre o assunto. Aproveite e compartilhe com todos as suas experiências.


O ex-presidente dos EUA Barack Obama destacou a importância da educação e dos professores no primeiro dia do VTEX Day, que está acontecendo em São Paulo - Foto: Everton Rosa

Por que a educação importa?

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No VTEX Day, que aconteceu em São Paulo nos dias 30 e 31 de maio, Barack Obama foi categórico na importância do ensino. “O poder do professor de inspirar confiança em uma criança é um dos maiores presentes que lhe podemos oferecer”, disse o ex-presidente dos EUA.

Apesar de ser o maior evento de inovação digital da América Latina, o que mais se falou no seu primeiro dia foi sobre educação, com várias homenagens a professores.

Alessandra Hypolito, head do VTEX Day (veja a entrevista abaixo), explicou que o evento destaca o país na transformação digital. “O Brasil tem capacidade e tem estrutura para ser protagonista. E isso só acontece por meio da educação”, disse a executiva. “O principal responsável por isso é o professor.”

“A falha do nosso sistema educacional é não ensinar as nossas crianças o que é importante”, cravou Obama. Segundo ele, “o Brasil tem tanta gente jovem boa que poderia fazer coisas incríveis, se lhe fosse dada a oportunidade”.

É claro que o governo tem um papel essencial para termos uma educação de qualidade, mas esse não pode ser um debate que assistamos de fora. Todos precisam se envolver, unindo-se à escola e apoiando os professores. Sem isso, o Brasil jamais atingirá esse protagonismo.



O 44º presidente dos Estados Unidos foi o destaque do evento. Obama abriu sua participação afirmando que, para ter sucesso, é preciso ter “sorte”. “Sorte de ter as pessoas certas ao seu lado e de poder trabalhar muito”, explicou.

“Para ter sucesso, você precisa tentar coisas diferentes. Mesmo que isso não dê certo, pois nós aprendemos com nossas falhas.” Para ele, a chance aumenta se tiver com você um grupo de pessoas diversificado em gênero, raça, orientação sexual. “Tenha certeza que você tem pessoas que tragam diferentes perspectivas para a mesa”, acrescentou.


Diversidade gera lucros para empresas e satisfação para pessoas

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Você já pensou por que existem tão poucas mulheres no mercado de tecnologia? Longe de ser apenas uma estatística, isso vem de valores arraigados em nossa cultura e da falta de modelos femininos nessa indústria. De alguns anos para cá, várias iniciativas procuram reverter essa situação e promover a diversidade e inclusão nas empresas, não apenas de gênero, mas também étnica, de orientação sexual e de pessoas com necessidades especiais. Além de gerar inestimáveis ganhos sociais, elas também trazem muitos ganhos para as empresas.

Segundo o estudo “A diversidade como alavanca de performance”, publicado pela consultoria americana McKinsey, empresas com mais diversidade de gênero em cargos executivos têm 21% mais chance de ter lucros acima da média que as que apresentam pouca diversidade. No caso de diversidade étnica, isso é ainda mais aparente: 33%.

Há alguns dias, tive uma conversa inspiradora sobre isso com Judith Michelle Williams, líder global de diversidade da SAP, que estava no Brasil. A íntegra da conversa em vídeo (7’ 18’’) pode ser vista abaixo.


Vídeo relacionado:


“Quando uma organização é capaz de ter essa diversidade e essa inclusão, isso aumenta o engajamento de seus funcionários”, explica Williams. “Isso leva a uma maior inovação, pois você tem diferentes fontes de ideias, você tem pessoas com culturas diferentes.”

Ironicamente, o primeiro programa de computador da história foi escrito por uma mulher: Ada Lovelace criou em 1842 o algoritmo para a máquina analítica de Charles Babbage. Mas hoje faltam modelos para que as meninas se inspirem para abraçar essas carreiras.

“Mulheres e meninas continuam extremamente sub-representadas. Os estereótipos de gênero, a falta de modelos visíveis e as políticas e ambientes sem apoio ou mesmo hostis podem impedi-las de seguir essas carreiras”, disse António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, em sua mensagem oficial no dia 11 de fevereiro passado, Dia Internacional para Mulheres e Meninas na Ciência.

“Ter quem mostre que é possível para uma mulher liderar uma companhia de tecnologia, desenvolver software e crescer em uma carreira de tecnologia é muito bom. Precisamos encorajar mais meninas a abraçar as exatas e estudar ciência e tecnologia”, afirma Williams, que, antes de liderar a diversidade na SAP, cuidou desse tema no Dropbox e no Google.

Diversidade e inclusão

Mas a diversidade sozinha não é suficiente. As empresas precisam fazer seus funcionários se sentirem incluídos, podendo demonstrar quem eles são.

“Nós não queremos que nenhum de nossos funcionários LGBT+ sintam como se não pudessem falar sobre sua vida familiar, não pudessem falar sobre seus parceiros”, explica a executiva da SAP. “É muito importante ter essa inclusão: as pessoas sentem que elas podem vir trabalhar e ser o seu melhor.”

As empresas precisam investir no treinamento de suas equipes para chegar lá. Segundo artigo publicado na revista Forbes, as dificuldades de inclusão derivam principalmente da nossa inabilidade de reconhecer e valorizar pontos de vista diferentes. A autora Phyllis Wright, vice-presidente sênior da VRM Mortgage Services, cita estudos que demonstram que 80% do que usamos para nossas conclusões vêm do que já sabemos, e apenas 20% de estímulos externos. Portanto, um treinamento eficiente pode “melhorar” os conceitos em nosso cérebro e treinar nossos olhos para a questão da diversidade a nossa volta.

Lembro-me de ter lido o livro “Círculo da Inovação”, do guru da administração Tom Peters, há uns 30 anos. Mas uma passagem me marcou muito: a que ele dizia que a gerência da maioria das empresas é composta por “homens brancos de meia idade vestindo calças de poliéster”. O problema disso, segundo ele, é que todos aqueles gerentes pensam da mesma forma, o que seria péssimo para o negócio e para seus produtos.

Ele já via a importância da diversidade, tão em moda hoje, há três décadas! Afinal, se você tem dez “chefes” que pensam exatamente igual, você só precisa de um! O que faz um negócio realmente prosperar é ter pessoas diferentes trocando suas experiências para atender clientes que também são diversos.

E então: como está a sua companhia nisso tudo?


E aí? Vamos participar do debate? Role até o fim da página e deixe seu comentário. Essa troca é fundamental para a sociedade.


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Videodebate: o governo está de olho em você!

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O que vale mais para você: sua segurança ou sua privacidade?

Você abriria mão dessa última para se sentir mais seguro? Muita gente diria que sim.

Vivemos uma realidade em que, cada vez mais, câmeras nos observam o tempo todo, em todo lugar. Na liderança mundial, a China já tem 200 milhões delas!

E se isso fosse imposto a você, e talvez você nem soubesse? E mais: e se esse controle começasse a comprometer o seu direito de viver sua vida como acha melhor? Ainda é um preço a se pagar por mais segurança?

O presente começa a se parecer com o mundo sombrio descrito pelo livro “1984”, de George Orwell, em que todos são doutrinados a ter um pensamento único e são controlados pelo governo por câmeras. A diferença é que agora, além das câmeras, há ainda a inteligência artificial nos vigiando.

Dá para ter segurança sem que sejamos manipulados? Veja a resposta no meu vídeo abaixo. E depois vamos debater sobre isso aqui nos comentários.



Videodebate: como calar um jornalista no Brasil

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Quer saber como destruir um país? Destrua sua imprensa primeiro!

Ou você acha que ela não passa de um bando de “vendidos”, que só pensam em seus interesses?

Nesses tempos sombrios, em que a intolerância destrói relacionamentos de longa data e a verdade foi trocada pela versão, a imprensa nunca foi tão importante! Ironicamente, nunca esteve tão ameaçada! E isso afeta todos nós!

Na semana passada, por exemplo, dois veículos foram censurados pelo STF. Na mesma semana, a organização Repórteres sem Fronteiras publicou seu Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa. O Brasil amarga uma vergonhosa 105ª posição, entre 180 países.

Noruega, Finlândia e Suécia são os com mais liberdade de imprensa. Sugestivamente, também encabeçam as listas dos países com melhor qualidade de vida, melhor educação e com as pessoas mais felizes do mundo.

Não é coincidência! Tudo está intimamente ligado!

Todos nós temos um papel essencial para melhorar a péssima situação em que o Brasil se encontra nesses indicadores. Sabe como? Veja no meu vídeo abaixo. E depois vamos debater aqui nos comentários.



Videodebate: você educa seus filhos?

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Você se sente preparado para cuidar de toda a educação de seus filhos?

O ensino brasileiro pode estar prestes a passar por uma grande mudança. Mas ela não acontecerá nas escolas, e sim nas residências.

No dia 11, o Governo Federal apresentou um Projeto de Lei que regulamenta o chamado ensino domiciliar, e agora vai a votação no Congresso. Ele prevê que pais possam optar por não matricular os filhos na escola, se responsabilizando pela educação em casa.

Caso seja aprovado, não será uma obrigação, e sim uma opção, claro. E a imensa maioria dos pais deve continuar educando seus filhos com as escolas.

Mas me preocupa muito a simples possibilidades de algumas crianças serem privadas de uma educação adequada pelas crenças de seus pais. Isso provocaria um dano irreparável em sua formação, pois a escola é muito mais que apenas ensinar disciplinas. E as outras coisas não podem ser supridas em casa.

E você, o que pensa do ensino domiciliar? Veja o meu ponto de vista no vídeo abaixo, e depois vamos debater aqui.



Reflexão: a escola ensina o que o seu filho PRECISA?

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Essa pergunta é crítica, mas é retórica.
O conteúdo e a maneira de ensinar devem evoluir sempre, adequando-se à sociedade, assimilando novos conhecimentos, tecnologias e questões culturais.
Mas o que é o melhor, se o mundo está mudando o tempo todo? O jeito que eu aprendi não serve aos meus filhos, e muito menos servirá aos meus netos.
A escola desenvolve as capacidades acadêmicas, cognitivas, sociais, físicas e afetivas. Também forma o indivíduo para o mercado de trabalho. Mas preparamos crianças para lidar com problemas que ainda nem existem!
Assim, concluímos que o melhor a fazer é ensinar muito bem português e matemática, essenciais para um bom desempenho em qualquer área, e inglês, (ainda) o “idioma universal”. Mais: é essencial preparar o indivíduo para pensar de maneira livre e crítica, trabalhar em grupo, respeitar e aprender com as diferenças. Essas são as verdadeiras ferramentas para se dar bem nesse futuro desconhecido.

Videodebate: professores na mira

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Nesta terça, está prevista a votação, na Câmara dos Deputados, do projeto de lei do Escola Sem Partido. Na prática, ele visa determinar o que os professores podem e não podem fazer em sala de aula, particularmente impedindo qualquer manifestação política, religiosa ou ideológica.
Algumas leis municipais e estaduais já foram aprovadas pelo Brasil inspiradas nessa proposta, mas não conseguiram entrar em vigor, por serem consideradas inconstitucionais. Entretanto, além do aspecto jurídico, tais propostas não se sustentam do ponto de vista pedagógico e vão até mesmo contra a própria natureza humana.
Além disso, o projeto piora ainda mais a situação do professor, já tão marginalizado na sociedade brasileira. Isso contraria tudo que se sabe sobre boa educação. Basta ver os países com os melhores sistemas educacionais do mundo, como Finlândia e Coréia do Sul, onde a figura do professor é reverenciada por todos.
Algo está muito errado nessa história. Convido você a assistir a meu vídeo abaixo e depois participar do debate. Precisamos aprender a conviver com tolerância ao que é diferente de nós. Isso não apenas não contraria ou diminui o direito dos pais de educar seus filhos, como ainda forma cidadãos mais conscientes e capazes de viver construtivamente no nosso mundo.



Você força a barra pelos seus interesses comerciais?

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Comercial do KFC satiriza Neymar, um movimento muito visto na mídia internacional - Foto: reprodução

Comercial do KFC satiriza Neymar, um movimento muito visto na mídia internacional

A pergunta desse título não é uma provocação barata. Quem nunca passou dos limites, ficou com vontade de passar dos limites ou pelo menos viu alguém passando dos limites para atingir um objetivo comercial? Em um país assolado pela corrupção e com a moral destruída pelo nefasto “jeitinho brasileiro”, provavelmente todos já se enquadraram em pelo menos um desses casos. Isso é terrível para a evolução de toda a sociedade e, ao fazer isso, pode-se ter uma vantagem comercial imediata, mas, a longo prazo, todos –todos mesmo– saem perdendo. Mas, se está tão arraigado em nossa cultura, como escapar disso?

Uma coisa que venho discutindo nos últimos dias em casa, com os amigos, com os alunos, com colegas, com clientes (é, o assunto esteve em toda parte mesmo!) representa bem isso: as encenações de Neymar nos jogos da Copa do Mundo, especialmente nos dois primeiros. A competição está chegando ao fim, o Brasil já voltou para casa, mas o assunto continua rendendo.

Que fique claro: esse não é um artigo sobre futebol, nem sobre o Neymar, apesar de eu achar que a “catimba” é um jeito (bem) velho e abominável de se “jogar” futebol (afinal, isso não passa de “jeitinho sobre o gramado”). Mas o caso é perfeito para discutirmos a questão do título usando o comportamento da mídia sobre o tema como exemplo.


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Enquanto o mundo criticava pesadamente o comportamento da estrela máxima da Seleção Brasileira (com direito a ser satirizado em comerciais, como o visto acima, da cadeia de fast food KFC), parte da mídia brasileira, especialmente alguns canais de TV detentores dos direitos de transmissão “blindavam” o jogador. Se, para o resto do mundo, os adjetivos associados a ele giravam em torno de “grotesco”, “infantil” e “vergonhoso”, por aqui esses veículos o classificavam como “caçado”, “dedicado” e “brilhante”.

Oras, não se trata de uma diferença sutil de percepção: é diametralmente oposta! Como justificar isso?

É aí que a porca torce o rabo!

 

Garantindo o investimento

No Brasil, Globo (TV aberta), SporTV e Fox Sports (TV por assinatura) pagaram pelo direito de transmitir a Copa da Rússia. A Globo também assegurou direito de transmitir pela Internet (exclusiva) e pelo rádio. Ou seja, a Vênus Platinada estava com a Copa em todos os meios. Não foi divulgado quanto pagou à FIFA por isso, mas as seis cotas de patrocínio da Globo giraram em torno de R$ 180 milhões.

Não precisa ser gênio para entender que era fundamental para a empresa que a Copa fosse um sucesso de público e de crítica. Sim, as cotas já estavam vendidas, mas, como os direitos da próxima já estão assegurados, eles precisarão vender novamente daqui a quatro anos. E, se a principal estrela do time não brilhasse, isso seria ruim para os negócios. Pior ainda se fosse visto como um mau exemplo, pois levantaria críticas ao time, diminuindo o interesse pelo evento como um todo.

Era preciso, portanto, transformar tudo aquilo em um espetáculo ainda maior! O resultado disso foi ver toda a equipe de entretenimento e de jornalismo se contorcendo para tentar defender o indefensável.

Pode-se argumentar que futebol é espetáculo mesmo, e que, portanto, não precisa ter compromisso com a verdade.

Permita-me discordar.

 

“Fake entertainment”

Para o bem e para o mal, poucas coisas movimentam o brasileiro tanto quanto o futebol. E em tempos de Copa do Mundo, em que tudo parece estar (às vezes literalmente) vestido de verde e amarelo, se os principais veículos de comunicação (ou pelo menos os mais massificados) vão juntos para um único lado, as versões acabam se tornando “verdades”.

Portanto, distorções como essas são equiparáveis às infames “fake news”, as notícias falsas que tanto combato aqui, em minhas palestras e em minhas aulas. Senão vejamos: criaram mentiras usando elementos reais para manipular a opinião pública, com objetivos econômicos (ou políticos ou ideológicos).

Oras, essa é a definição de “fake news”.

Se os jornalistas e a turma do entretenimento da Globo falassem as coisas como são, qual seria o impacto para os negócios?

Provavelmente a audiência cairia, o que desagradaria os anunciantes, diminuindo a sua disposição para futuros investimentos. Isso se sustenta pelo fato de que o interesse do brasileiro pela Copa na Rússia foi o mais baixo já registrado em qualquer Copa. Para piorar, isso é ainda mais verdadeiro nas regiões mais ricas do país, exatamente onde os anunciantes mais querem aparecer bem.

Então dá-lhe mais brilho ainda no Canarinho Pistola!

 

Sociedade contaminada

Como disse acima, a mídia na Copa é só um exemplo bem vivo na cabeça de todos.  Mas infelizmente esse “vale tudo” nos negócios está bastante disseminado no nosso jeito de fazer negócios.

Lembro-me de certa empresa gigantesca em que trabalhei, onde todos os profissionais eram obrigados a passar por um treinamento de “compliance” em todos os semestres. E o treinamento era sempre o mesmo, com as mesmas regras, normas, diretrizes de como o negócio deveria ser conduzido. Em determinado momento, comecei a achar aquela repetição estranha e um tanto exagerada. Até que ouvi de outros colegas, durante o próprio treinamento, a seguinte frase: “se eu seguir isso, a concorrência me come!”

Em outras palavras, aqueles profissionais deliberadamente não seguiriam as regras, pois sabiam que a concorrência não faria isso. Então partia-se para o “vale-tudo’: às favas com os limites morais e legais.  O fim justificava os meios!

Apesar de chocante, aquilo não me surpreendeu. Pois vejo esse tipo de coisa todos os dias, desde os desvios bilionários noticiados em horário nobre, até pequenas corrupções, como furar uma fila ou “molhar a mão do guarda”;

Sim, pois “jeitinho” e corrupção são dois nomes para o mesmo desvio ético.

Ele infesta a nossa sociedade devido a nossa falência educacional e a cinco séculos de “querer se dar bem em cima do outro”, desde a troca de toras de pau-brasil por espelhinhos. Nossa história criou uma sociedade em que, para se ter muito, vale ferir todos os limites morais e legais, desde que não seja descoberto.

É uma pena, pois o resultado disso é um círculo vicioso em que se continua errando para continuar nos negócios. Pior: quem deseja fazer a coisa certa, sofre grandes dificuldades (isso quando não é simplesmente taxado de “otário”). Com consequência maior, temos uma sociedade que não consegue progredir, cujos valores são cada vez piores. Que acha lindo como “as coisas funcionam no Primeiro Mundo”, mas que não percebe que isso é tão mais verdade, quanto menos corrupto é a população do país.

Para escaparmos disso, todos temos que nos envolver. Não há ética pela metade!

Calculo que o tempo para revertermos essa situação é de uma geração inteiro, se o trabalho for muito bem feito desde o começo. No mínimo! E os dois principais instrumentos são a mídia (jornalismo e entretenimento) e a educação (no sentido amplo da palavra).

A primeira porque tem o papel de informar e de formar o cidadão. Qualquer jornalista estuda (ou deveria estudar) isso no primeiro ano da faculdade. Ela é o farol da sociedade, ajudando a moldar nossos valores. Por isso, é muito fácil comprovar que as sociedades mais desenvolvidas têm mídias mais desenvolvidas.

A educação, por sua vez, é o que nos dará instrumentos para sermos cidadãos mais críticos, mais completos e mais íntegros. Precisamos de uma educação de alta qualidade e para todos (todos mesmo, sem demagogia), um sistema que ensine bem os conteúdos acadêmicos necessários, mas que também seja inclusivo, igualitário, democrático. E desgraçadamente estamos bem longe disso tudo.

É possível construirmos tanto uma quanto outra ferramenta. Basta querermos. E começar combatendo as malandragens cotidianas.

Quando conseguirmos atingir esse objetivo, não precisaremos de “catimba” para ganharmos o jogo. Nem no futebol, nem nos negócios, nem na nossa vida em sociedade.


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Vivemos na época da criação coletiva das ideias (e é bom você aprender isso, não interessa o que faça)

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Foto: Creative Commons

O brasileiro costuma dizer que trabalha em equipe. De fato, somos um povo amigável e solícito, mas infelizmente isso não quer dizer que trabalhemos bem uns com os outros. E um dos momentos em que essa realidade feia mais aparece é no compartilhamento de ideias: se eu tive uma ideia, ela é minha e ninguém deve lucrar com isso além de mim mesmo. Para quem pensa dessa forma, eu tenho duas péssimas notícias. A primeira é que essa pessoa está perdendo muito dinheiro. A segunda, muito mais dramática, é que ela está rumando para a própria extinção! Daí eu lhe pergunto: quantas pessoas você conhece que se encaixam nesse perfil ultrapassado?

Em tempos em que muito se fala de cultura e de transformação digital, não há mais espaço para esse pensamento tacanho. Na verdade, vivemos alguns fenômenos sociais curiosos. O primeiro deles é o que várias pessoas parecem ter a mesma ideia brilhante ao mesmo tempo. E nem de longe isso quer dizer que um a copiou do outro! Vivemos imersos em um caldo cada vez mais grosso e rico de informações de todo tipo. Em cima disso tudo, os algoritmos de relevância das redes sociais estimulam pessoas semelhantes com as mesmas fontes.


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O resultado disso: a mesma ideia pipocando aqui e acolá ao mesmo tempo.

Isso vale principalmente para aquelas que podem se transformar rapidamente em produtos e serviços de nosso cotidiano. E quando essas convergências de ideias acontecem, infelizmente o que vejo por aí é uma parte processando a outra por plágio.

Nada mais estúpido! A começar porque as duas iniciativas, por mais parecidas que sejam, possivelmente são legítimas e inéditas. Além disso, ao partir para o embate, perde-se a chance de embarcar em outro interessantíssimo fenômeno social do momento: a criação coletiva de ideias.

Costumo brincar que não existem coincidências em um mundo de redes sociais onipresentes. Se duas pessoas tiveram a mesma ideia, é um sinal de que elas possivelmente poderiam unir forças para melhorá-la, de modo que ambos ganhem ainda mais! Pois, apesar de a ideia ser parecida, as pessoas têm habilidades diferentes e muitas vezes complementares.

Parece óbvio! E, de certa forma, é mesmo. Mas isso exige uma mudança cultural profunda. Esse comportamento colaborativo é o motor de regiões em que a tecnologia e os negócios acontecem em ritmo frenético, como o Vale do Silício. E não quero dizer que dá certo sempre! Mas, pelo menos, os erros são identificados e corrigidos mais rapidamente e, quando a coisa emplaca, os resultados tendem a ser melhores.

 

Pare de querer ser sempre o melhor!

É verdade que essa cultura tem diferentes raízes. Começa infelizmente o nosso sistema educacional, que tem três pilares terríveis. O primeiro é o privilegiar a erudição em detrimento do desenvolvimento de habilidades práticas. Além disso, é um ambiente em que os alunos são obrigados a repetir com exatidão o que lhes é apresentado, o que favorece que as crianças decorem ao invés de entender, contrariando a natureza humana de aprender com os erros. Por fim, nossas escolas têm o péssimo hábito de favorecer a competição irracional, onde quem tira as notas mais altas, os melhores do time, os mais comportados viram os queridinhos dos professores.

Esse é um assunto recorrente em meus artigos. Não estou propondo que não sejamos bons no que fazemos, pelo contrário! O problema é quando isso descamba para “o fim justifica os meios”. Pois uma decorrência comum disso é o ímpeto de querer tudo sozinho, e trabalhar apenas para ser o melhor (e conseguir os benefícios disso), sem se preocupar se isso resultará em algo bom para todos. O sistema cria pessoas superqualificadas que não sabem trabalhar em equipe, que não sabem compartilhar e não pensam na coletividade. E isso é uma desgraça, até para esses próprios indivíduos, pois inevitavelmente perderão muitas boas oportunidades na vida por isso.

Outra raiz desse comportamento é a nossa história de país colonizado, onde a elite econômica e política vivia da exploração do bem público e da escravidão, sem devolver nada em troca a quem estivesse a sua volta. Disso surgiram algumas máximas do lado ruim da cultura brasileira até hoje, como “se é público, não é de ninguém”, “o bom é tirar vantagem sempre, de tudo” e “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

Como esperar que alguém que cresça em um ambiente assim consiga compartilhar ideias para construir com outras pessoas algo melhor?

 

Crie sua abundância!

Em um tempo de crise como a que estamos passando, as pessoas tendem a correr ainda mais para as máximas acima. Afinal, se o bolo está pequeno, melhor garantir logo o meu pedaço.

Mas eu tenho observado, já há alguns anos, um poderoso movimento de transformação social: pessoas que dão algo à sociedade ao invés de pedir, ao invés de “correr para garantir o seu”. E não se trata de amostras grátis ou de migalhas de conhecimento. Esses indivíduos oferecem o seu melhor, às vezes de graça, sabendo que esse movimento acabará lhe beneficiando depois.

Um exemplo banal é algo que observo como palestrante e professor: colegas que não compartilham os slides de eventos e de aulas. Não entendo essa visão mesquinha e tacanha. Por acaso ficarão menos inteligentes se fizerem isso? O público poderá virar seu concorrente se tiver acesso ao arquivo? Que coisa ridícula! Dificilmente isso acontecerá e é possível que os slides já foram todos fotografados com os smartphones!

As pessoas precisam entender que, ao compartilhar conhecimento, muito mais que criar concorrentes, você está criando potenciais parceiros! Sentar em cima de uma ideia ou de uma informação não evitará a concorrência pois, como disse acima, se o conteúdo não vier de você, virá de outras fontes (e não demorará).

No final das contas, quem senta em cima da sua ideia pensando “protegê-la” ganha apenas um jeito mais difícil de desenvolvê-la!

Sabe o que é o mais interessante dessa incrível mudança? Mesmo em um ambiente de crise, nós podemos criar abundância! Conhecimento não acaba e não ocupa espaço, assim como generosidade e empatia. Isso não é discursinho barato de autoajuda: é capitalismo! Mas um capitalismo mais consciente, em que os participantes percebem que, contrariando o senso comum com o qual crescemos, é possível ganhar mais dinheiro quando você se dispõe a trabalhar com outras pessoas e a dividir com elas os resultados.

Ainda acha que é conto da Carochinha? Olhe a sua volta! No próprio LinkedIn, existem incontáveis exemplos de sucesso assim. Eu mesmo posso afirmar que minha vida melhorou quando eu comecei a compartilhar o que sei em grande escala.

Portanto, da próxima vez que tiver uma ideia brilhante, ao invés de guardá-la no cofre, conte para as pessoas. Ela se transformará em um produto vencedor mais rapidamente e com custos menores.


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16 de dezembro: Inclusão, qualidade de vida e diversão na Melhor Idade – Conexão Melhor Idade – Workshop (3 horas)


 

A desgraça do nosso país passa por reduzir sua profissão mais importante a um “bico”

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Anúncio da rede Anhanguera, oferecendo formação de professores como “segunda carreira” - foto: reprodução

Anúncio da rede Anhanguera, oferecendo formação de professores como “segunda carreira”

A terrível crise que draga o Brasil há pelo menos quatro anos continua firme e forte. A sociedade bate cabeça tentando explicar como chegamos a isso e principalmente como sair dessa situação. Nesse cenário, duas péssimas notícias ligadas à educação brasileira, que ganharam as manchetes recentemente, servem para nos ajudar a entender tudo isso.

A primeira delas se refere a dois infames anúncios publicados recentemente pelas redes Anhanguera Educacional e Unopar, ambas da Kroton Educacional. A outra se refere à agressão a uma professora de Santa Catarina por um aluno adolescente. Não proponho aqui uma simples defesa dos professores, mas sim trazer para o debate como a má educação está na raiz das mazelas do nosso país, e como uma boa educação pode nos levar a vencer tudo isso.


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Desde sempre, defendo como a educação é o melhor caminho para que o país resolva os seus problemas. A explicação é simples: qualquer país que tem uma população (e isso vale para todos seus cidadãos) bem educada, conhecedora de seus direitos e também de seus deveres, com consciência cívica e responsabilidade social, progride a passos largos. E isso acontece porque cada um sabe e cumpre seu papel, e também cobra adequadamente que todos –e não apenas os governantes– façam o mesmo.

A realidade é, entretanto, muito mais complexa, e nos afastamos cada vez mais do bom caminho. Nossa educação, do ensino infantil à pós-graduação, coleciona indicadores vergonhosos. Mas ela é apenas o reflexo de uma sociedade que se orgulha e folcloriza o ‘jeitinho brasileiro”, um nome “fofo” para a corrupção que cada um de nós pratica no dia a dia. É o país que criou a “Lei do Gerson”, onde “esperto” é aquele que tira vantagem de tudo, mesmo que isso inevitavelmente signifique prejudicar o próximo. Essa também é a sociedade cada vez mais radical em suas visões políticas, em que “você está comigo ou contra mim”, quando, na verdade, são todos farinha do mesmo saco (e, pior, sabemos disso).

E por falar em farinha, se o que manda é o conceito de que “farinha pouca, meu pirão primeiro”, como esperar que a boa educação, capaz de formar cidadãos que queiram construir uma sociedade justa para todos, seja valorizada?

 

Por que o professor vale tão pouco

Nos anúncios da Anhanguera e da Unopar, a mensagem é contundente: “torne-se professor e aumente sua renda”. Em outras palavras, a atividade de professor é vendida como um “bico”.

As peças publicitárias provocaram uma enxurrada de críticas, a ponto de as terem que ser retiradas de circulação, com um pedido de desculpas pela nota abaixo:


“Erramos. Nós, da Anhanguera, pedimos desculpas pela mensagem equivocada sobre a função e a importância dos professores. A campanha de marketing que causou mal-estar não representa o que nós, como instituição de ensino, acreditamos, e foi retirada do ar. Nossa intenção com o curso de Formação Pedagógica é incentivar que profissionais já formados possam ter também essa habilitação e contribuir para a resolução do déficit de professores que o Brasil enfrenta. Acreditamos que, promovendo a docência, temos o caminho para o desenvolvimento social e econômico do país. Por fim, esclarecemos que, esta campanha, em específico, não foi submetida à análise prévia do Luciano Huck e de sua equipe”.


Não vejo problema de outros profissionais investirem seu tempo livre na sala de aula. Muito pelo contrário: nada melhor que pessoas capacitadas compartilhando o que sabem! Mas que façam isso por vocação, por prazer, não apenas para “ganhar uns trocados”.

O mais triste nessa história toda não é a péssima mensagem passada pelas peças, mas o fato de alguém ter pensado nelas. Não nos enganemos: se a equipe criativa da agência bolou a campanha e alguém do grupo educacional a aprovou é porque, ainda que no seu subconsciente, essas pessoas realmente acreditam que ensinar pode ser um “bico”.

E nem podemos crucificar esses indivíduos, pois eles pensam assim porque a sociedade brasileira, de uma maneira geral, pensa exatamente dessa forma! Qual professor nunca ouviu a infame pergunta de seus alunos: “além de dar aula, você trabalha?” Eu mesmo já ouvi isso várias vezes.

Por que um médico, um engenheiro, um advogado (só para ficar em algumas das carreiras mais desejadas pelos jovens) nunca ouvem uma pergunta dessa? Porque o inconsciente coletivo brasileiro “sabe” que é necessário estudar muito para exercer tais profissões. Já o professor é visto como uma segunda carreira ou –e isso é de lascar– vai ser professor aquela pessoa que “não consegue ser mais nada”.

Essa ideia é reforçada pelas péssimas políticas educacionais, pela crescente e constante desvalorização do professor por todos os governos municipais, estaduais e federal, por condições deploráveis de trabalho e salários obscenos. Some tudo isso a esse inconsciente coletivo, e você começa a ter, na média, profissionais com nível cada vez mais baixo nas salas de aula. Claro! Haja vocação para insistir nessa carreira!

Como podemos esperar um país melhor se o profissional responsável por formar todos os demais profissionais não tem nenhum valor?

Não podemos.

 

Como construir um tigre asiático

Diante de tamanha desvalorização, vemos casos recorrentes de agressões contra professores, realizadas por pais e até mesmo por alunos. Foi o que aconteceu com a professora Marcia Friggi, de 51 anos, esbofeteada por um aluno de 15, cujo caso foi mencionado no início desse artigo. Mas o pior veio depois: nas redes sociais, muitas pessoas apoiaram a professora, mas também muitos outros a insultaram, dizendo que ela mereceu a agressão!

Difícil dizer o que é mais bizarro nesse caso.

A desvalorização do professor pela sociedade, culminando tanto nas agressões quanto na desmotivação dos docentes, foi brilhantemente explicado no documentário “Pro Dia Nascer Feliz”, de João Jardim (2005), que pode ser visto na íntegra abaixo (88 minutos):



Cria-se, portanto, um círculo vicioso: a sociedade não consegue melhorar e valorizar os professores, por isso eles ficam cada vez piores, e isso torna a sociedade ainda pior, desvalorizando mais e mais os docentes.

Olhando de fora, parece que não temos saída. É possível romper isso? Sim! Basta ver o exemplo da Coreia do Sul.

Trabalhei alguns anos na Samsung, onde aprendi muito sobre a cultura e a história do seu país de origem. Algumas coisas me surpreenderam, e poderiam ser aplicadas aqui.

Por exemplo, antes da guerra civil (1950 a 1953), que dividiu o país em dois, a Coreia era a nação mais pobre do mundo, muito mais pobre que o Brasil na época! Após a divisão, a Coreia do Sul, a despeito de inúmeros problemas políticos, investiu pesadamente em educação, de uma maneira consistente –ou seja, a coisa não ficava mudando a cada novo governo. Outra característica da educação sul-coreana é que apenas os melhores entre os melhores da sociedade podem ser professores. Portanto, ser professor lá é uma grande honra, uma carreira muito valorizada e admirada por todos.

Mesmo assim, foram necessários 30 anos para o país miserável se transformar em um tigre asiático. Como se pode ver, não se trata de uma tarefa simples nem rápida, mas é possível.

O Brasil de hoje está em uma situação econômica incomparavelmente melhor que a Coreia pré-divisão. E, apesar de vivermos a pior crise de nossa história, nada impede que criemos e implantemos uma política educacional séria, consistente e de longo prazo, ou seja, que transcenda o fim de cada governo.

A crise econômica, os escândalos políticos, a corrupção infinita e endêmica, o “jeitinho brasileiro”, a violência urbana, as desigualdades sociais… Tudo isso e muito mais só acontece porque somos uma nação mal educada.

Nada, nem mesmo inclusão econômica de classes menos favorecidas, resolverá qualquer um desses problemas. Se realmente quisermos um país que seja bom para vivermos e do qual nos orgulhemos, precisamos investir na educação. Isso significa cobrar dos governantes mais seriedade nessa área, participar ativamente das atividades das escolas de nossos filhos, colaborar, como empresas, com iniciativas educacionais. Todos precisam dar a sua contribuição!

Mas, acima de tudo, isso devemos valorizar o professor. Sem isso, nunca sairemos do buraco onde estamos.


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Pare de se SABOTAR e comece a INOVAR!

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O incrível e maluco Dr. Emmett Brown (Christopher Lloyd, à esquerda) tenta usar uma invenção em Marty McFly (Michael J. Fox), no filme “De Volta para o Futuro” – Imagem: divulgação

O incrível e maluco Dr. Emmett Brown (Christopher Lloyd, à esquerda) tenta usar uma invenção em Marty McFly (Michael J. Fox), no filme “De Volta para o Futuro”

Inovar se tornou um mantra para sucesso de empresas e na carreira. Algumas das companhias mais admiradas do mundo –como Google, Apple, Facebook, Microsoft– são reconhecidas pela constante inovação, e seus funcionários parecem ter essa capacidade em seu DNA. Mas se inovar goza desse consenso, por que vemos tão poucas empresas e profissionais inovando?

A resposta é simples, porém dura: nós inovamos pouco porque nós nos sabotamos o tempo todo! Não porque ficamos malucos ou masoquistas, mas porque o nosso sistema de ensino forma, ano após ano, jovens com uma visão de mundo que talvez ainda funcionasse bem há uns 50 anos, mas que hoje freia a evolução de cada um de nós.


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Aprendemos a valorizar conquistas do passado, tradição e solidez de marcas e empresas e a tentar proteger ganhos existentes. Damos enorme atenção à “cash cow”, mesmo quando ela estiver cercada de vários bezerrinhos promissores. Afinal é ela quem dá o leite, até para os tais filhotes.

Nada mais equivocado! Era assim que a Kodak pensava: afinal tinha uma vaca muito gorda e bem estabelecida nos filmes fotográficos. Nunca deu muita bola para aquele bezerro da fotografia digital, que nasceu meio desengonçado no seu próprio curral.

Mas o bezerro renegado cresceu e engoliu a Kodak com leite!

 

Competitividade X inovação

Nossa educação também nos ensina a sermos muito competitivos, de preferência os melhores da sala, da escola. Quando deixamos os bancos escolares, continuamos querendo ser os melhores, inclusive os melhores da empresa. Muitos de nós podemos achar isso bacana, mas essa prática embute algo terrível para o processo de inovação: se estivermos muito ocupados sendo competitivos, esqueceremos de sermos colaborativos.

Grandes ideias cada vez mais são resultado do trabalho de muitas mentes e muitas mãos. Por mais que exista um gênio criativo, sempre existe alguém para complementar suas habilidades. Mesmo nas megacompanhias acima, as grandes ideias vieram de duplas (apoiadas por seus times): respectivamente Larry Page e Sergey Brin, Steve Jobs e Steve Wozniack, Mark Zuckerberg e (heh!) Eduardo Saverin, Bill Gates e Steve Ballmer.

Há ainda uma terceira e perversa característica que nossas escolas plantam em nossos corações para que nos sabotemos mais tarde: a Intolerância a falhas. Em sistemas de avaliação compostos de provas e trabalhos que punem severamente os erros com a perda de nota, os estudantes aprendem a não ousar, pois isso aumenta implicitamente a chance de cometer algum deslize. Ao invés disso, procuram fazer apenas o essencial e “seguro” para garantir a aprovação. Não precisa ser gênio para perceber que isso envenena as sementes da inovação no momento em que elas cogitavam germinar.

O guru da administração Tom Peters costuma dizer que “o fracasso é uma medalha de honra”, pois ele demonstra que se tentou. E conclui: a única maneira de não fracassar em algo é não tentar. Mas essa também é a garantia de que não se atingirá o sucesso em nada.

Então como podemos inovar diante de um cenário desses?

 

Olhe para frente!

Conduzir um negócio ou a própria carreira dessa forma é como dirigir um carro olhando para o retrovisor. Confiamos no que já passou e esquecemos de olhar para onde realmente importa: a estrada à nossa frente.

Os pontos negativos citados acima precisam ser substituídos por coragem, curiosidade e a vontade de aprender! Ou seja, temos que cortejar a vontade de correr riscos, pois “o fracasso é ingrediente do sucesso”, novamente citando Peters.

Todos nós já passamos por isso, especialmente na nossa infância e adolescência. Quem não se lembra daquele frio na barriga, misto de medo e excitação, antes de entrar em uma montanha russa pela primeira vez? Ou antes do primeiro beijo? É verdade que muitos acabaram desistindo na primeira vez, talvez até nas seguintes também. Mas em algum momento aquele beijo teve que acontecer! E isso só se deu quando a coragem superou o receio, a curiosidade foi maior que a dúvida e a vontade de aprender nos levou a explorar ainda mais o mundo.

Não podemos aceitar que isso ficou enterrado em algum momento na nossa adolescência. Mas a maioria dos adultos age exatamente dessa forma! Nós nos acomodamos naquilo que conhecemos e dominamos: nos encastelamos ali como senhores da verdade.

Mas longe de ser uma fortaleza, isso é uma vulnerabilidade, pois impede que enxerguemos o novo à nossa volta. E não se engane: a mudança sempre chegará!

Isso me lembra uma experiência profissional que tive. Eu era responsável pela criação dos produtos digitais do grupo. Modéstia à parte, minha equipe e eu propúnhamos algumas coisas realmente interessantes e inovadoras. Mas quando as apresentávamos ao conselho de acionistas, invariavelmente acontecia um diálogo mais ou menos assim:

“Isso não vai ameaçar os nossos principais produtos?”

“Sim” –eu respondia.  “Mas, se nós não fizermos isso, alguém fará.”

“Ah, mas se é assim, não podemos fazer isso, não.”

A ideia era arquivada. E, como eu suspeitava, mais cedo ou mais tarde, alguém tinha a mesma ideia e fazia.

Dos tais “principais produtos”, dois já morreram e o que restou respira por aparelhos.

 

Seja honesto e aprenda a ouvir

Outro resquício da nossa educação que permeia empresas e profissionais é que devemos estar sempre “bonitos na foto”, coisa que, aliás, está bem na moda. Como dizia o meu pai, “come frango e arrota peru”.

Mas nem sempre acertamos. Nossa natureza humana é a garantia de que, de vez em quando, é o “frango” mesmo que aparecerá –ou algo ainda pior.

Profissionais e empresas precisam aprender que isso não é nenhum demérito. E que eventuais críticas podem ser uma oportunidade de ouro de vermos nossas imperfeições por um outro ângulo, para que aprendamos a melhorar.

A tecnologia está deixando o mundo cada vez mais transparente. Por isso, empresas que tentam encobrir suas falhas e até mesmo apagar comentários negativos podem, na melhor das hipóteses, passar por ridículas e, na pior, sofrer duríssimos golpes nos seus negócios.

Não basta ser honesto e transparente apenas para fora, com consumidores, governo e opinião pública. A inovação acontece de maneira mais rápida e natural em companhias que agem dessa forma sincera também para dentro, com seus funcionários, sem demagogia ou cortinas de fumaça. É preciso mudar não apenas as palavras, mas também as ações, inclusive na cultura da companhia.

Relembrando novamente a empresa que mencionei acima, de que adiantava o CEO nos dizer que deveríamos “pular no abismo” (no sentido de inovar), se o Conselho nos agarrava pelos pés?

Inovação é um processo incrível e libertador! Não se inova coletando mais informação, aplicando novos e eficientes processos, implantando tecnologia de ponta. Esses todos são elementos, ferramentas que podem ajudar.

Mas a inovação só acontece mesmo quando aceitamos que somos vulneráveis e que sempre podemos aprender algo novo. Aventure-se!


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As crianças enterraram a TV. E daí?

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A youtuber Kéfera Buchmann, do canal 5incominutos, que faz gigantesco sucesso  entre as adolescentes – Imagem: divulgação

A youtuber Kéfera Buchmann, do canal 5incominutos, que faz gigantesco sucesso entre as adolescentes

Nunca as crianças consumiram tanto vídeo quanto agora. O formato está cada vez mais consolidado, valendo também para os adultos. Só que, ao contrário do que acontece com eles, para os pequenos, ver vídeo virou sinônimo de YouTube. E, longe de ser apenas uma questão de mídia, isso é algo que também deve preocupar pais, educadores e profissionais de marketing e de negócios, pois traz questionamentos muito sérios e diversos.

Afinal, tanto YouTube pode alienar ou viciar as crianças? É a nova “babá eletrônica”? O serviço pode ameaçar as emissoras ou até mesmo os fabricantes de TV? Isso pode disfarçar publicidade infantil?

O fato é que, até setembro, crianças de zero a 12 anos brasileiras viram impressionantes 52,2 bilhões de vídeos no YouTube, considerando-se os 230 canais mais populares nessa faixa etária. Os números foram revelados pela segunda edição da pesquisa “Geração YouTube”, divulgada no dia 5 pelo ESPM Média Lab. Desde a sua primeira edição, publicada em novembro passado, o aumento nessas visualizações foi de 184%. Isso em um espaço de menos de um ano!

Nesta sexta, participei do JC Debate, da TV Cultura, onde pude conversar sobre isso com a jornalista Andresa Boni e com o advogado Márcio Mello Chaves. A íntegra do programa (30 minutos) pode ser vista abaixo:


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Além da audiência e do seu crescimento espantosos, o fenômeno inclui outra característica muito relevante: apesar de as crianças adorarem vídeos, elas simplesmente não os assistem no aparelho de televisão. Aquela tela enorme, normalmente na sala ou no quarto, não faz muito sentido para elas. E o mesmo vale para as emissoras.

Para as crianças, vídeo é vídeo, seja ele da TV aberta, da TV por assinatura ou de qualquer serviço digital. Mas todos eles, qualquer que seja sua origem, são vistos no YouTube. E o equipamento preferido é, de longe, o smartphone.

Isso explica em parte esse crescimento explosivo: as crianças, cada vez mais, têm acesso a esse aparelho, muitas vezes de sua propriedade (e não mais dos pais). Dessa forma, carregam o dito cujo para todo lugar e a todo momento, inclusive longe da supervisão paterna. E ver os vídeos passa a ser uma atividade constante, especialmente diante do aumento e da profissionalização dos tipos de canais preferidos: games, youtubers mirins  e youtubers teens.

É tudo uma questão de identificação!

 

“Eu falo como você fala!”

Todos nós consumimos conteúdos com os quais nos identificamos. Com as crianças funciona do mesmo jeito.

No caso dos canais de games, as crianças querem ver como outras crianças jogam os seus títulos preferidos, seja como um passatempo, seja para aprender a jogá-los melhor ou superar fases difíceis. E nada melhor que outra criança para explicar isso.

A identificação de linguagem e assunto é o que impulsiona os canais dos youtubers mirins e teens. Essa turma grava vídeos aparentemente sem uma pauta muito clara: falam para a câmera sobre suas experiências pessoais, alegrias, angústias, dúvidas relativas à idade. Sem filtros e, muitas vezes, até sem planejamento. Esse estilo despojado e natural, e os temas que também fazem parte das vidas do público são o segredo do sucesso. Alguns youtubers teens nem pertencem mais a essa faixa etária, mas continuam se relacionando muito bem com adolescentes, pois sabem como e o que falar com eles.

Portanto essa identificação confere a esses youtubers uma credibilidade que pais e educadores simplesmente não conseguem ter, o que muitas vezes deixa esses adultos de cabelo em pé, por desaprovarem o linguajar e o conteúdo dos vídeos.

E essa credibilidade pode ser usada também para objetivos questionáveis.

 

Publicidade eficiente e polêmica

A pesquisa do ESPM Media Lab também indicou um surreal crescimento de 975% nos canais da categoria “unboxing” desde a última pesquisa, de longe a que mais evoluiu. Para quem não sabe do que isso trata, são canais em que crianças e adolescentes, acompanhadas ou não por adultos, tiram produtos (normalmente brinquedos) das suas caixas diante das câmeras (daí o nome em inglês).

A atividade surgiu em canais estrangeiros de tecnologia, em que youtubers faziam análises técnicas de produtos, orientando compras de seu público. Mas rapidamente caiu no gosto das crianças, pois mostrar seus brinquedos aos amigos é uma atividade que os pequenos fazem naturalmente, desde sempre. A diferença é que, se antes a audiência dessas demonstrações ficava restrita a coleguinhas em casa ou na escola, com os vídeos digitais ela passa a ser potencialmente global.

Até aí, nenhum problema. Mas a coisa começou a complicar quando algumas empresas começaram a perceber que poderiam começar a “presentear” os youtubers mirins com seus produtos, para que eles fizessem seu “unboxing”. Trocando em miúdos, as crianças, que são formadoras de opinião nesse meio, passaram a fazer uma eficientíssima propaganda, o que caiu como uma luva para as companhias, especialmente em tempos de grande restrição à publicidade direcionada a crianças.

Isso tem gerado um caloroso debate. Apesar de alguns desses canais serem obviamente patrocinados, dada a incrível qualidade na sua produção, como diferenciar uma criança que está legitimamente exercendo seu direito de mostrar brinquedos de outra que está sendo usada como ferramenta de marketing? A BBC fez uma ótima reportagem sobre isso há alguns meses, para a qual fui entrevistado.

As crianças estão rompendo paradigmas. E a TV pode ser a próxima vítima.


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Adeus TV! Olá YouTube!

Nessa combinação incrível de YouTube com smartphones, a antiga dupla dinâmica formada pelas emissoras e pelos aparelhos de TV pode estar com os dias contados. Pois os adolescentes e especialmente as crianças, que deveriam ser seus futuros consumidores, simplesmente as ignoram. Para eles, aquilo é uma caixa anacrônica e pouco atraente.

O principal desalinhamento acontece em um ponto central do modelo de negócio das emissoras: a grade de programação. Os jovens não conseguem entender porque têm que esperar o “horário certo” para assistir um determinado programa. Para eles, o horário certo é aquele em que eles querem ver o programa, qualquer que seja.

As emissoras estão se mexendo, ainda que muito tardiamente, só porque sentiram a água gelada em seus fundilhos. A maioria delas já tem aplicativos para computadores e dispositivos móveis em que se pode ver a programação a qualquer momento. Mas é uma solução mambembe, pois o programa só é liberado online depois de ter passado na telona. Ou seja, não resolve o problema da grade. Por que preciso esperar uma semana para, por exemplo, assistir a um novo episódio de Game of Thrones no HBO Go, se a temporada inteira já está pronta?

Sei que não dá para fazer isso com uma novela, que chega a ter 200 capítulos, e o nível de liberação dos novos acontece apenas poucos dias após sua gravação. Mas para, por exemplo, séries de 10 ou 20 episódios, não faz o menor sentido. E justiça seja feita, a Globo tem feito alguns experimentos interessantes com o seu aplicativo Globo Play, mas ainda insuficientes para atender às demandas de um público cada vez mais exigente.

Outro ponto de discórdia entre a TV e os jovens é a interrupção dos programas para comerciais. Eles estão acostumados a novas formas de monetização, inclusive com um controle enorme sobre os próprios comerciais. E esse é outro ponto que bate de frente com o modelo de negócios cristalizado das emissoras.

Por fim, há ainda a questão da privacidade. Crianças e adolescentes querem assistir a seus vídeos em paz. Leia-se: sem que seus pais fiquem controlando o que consomem. Os smartphones são perfeitos para isso. Já as TVs, que estão, aliás, cada vez maiores, se tornam inadequadas.

Como se pode ver, é uma situação delicadíssima e muito difícil de ser resolvida, pois a TV atender essas demandas significaria matar um negócio que, a despeito de uma contínua queda na audiência, ainda vai muito bem, abocanhando mais de metade de todo o bolo publicitário entre todas as mídias.

Mas um dia essas crianças crescerão. E seus pais não estarão mais aqui para continuar vendo TV. Para elas, quem está mandando muito bem e indicando o caminho a seguir, desde já, é o YouTube.

E é como eu sempre digo: quer prever o futuro? Olhe para as crianças agora.


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