All posts by Paulo Silvestre

A personagem Vivi Guedes, interpretada por Paolla Oliveira na novela global “A Dona do Pedaço”, faz uma “live” antes de se casamento - Foto: reprodução

A maldição do influenciador deprimido (e o que faz um influenciador “dar certo”)

By | Tecnologia | No Comments

Quem acompanha a novela global “A Dona do Pedaço” viu nesta segunda a personagem Vivi Guedes, aspirante a influenciadora digital, interpretada por Paolla Oliveira, “postando uma live” (vídeo ao vivo nas redes sociais) na porta da igreja antes de entrar para o próprio casamento, e minutos antes de receber um “não” do noivo no altar. Seria só mais uma cena de folhetim se, no mesmo dia, uma tragédia real não guardasse certa semelhança: a blogueira Alinne Araújo se suicidou após ter publicado, nas redes sociais, seu “casamento consigo mesma” nesse domingo, um dia depois de seu ex-noivo desistir do compromisso por WhatsApp.

O “matrimônio”, devidamente documentado nas redes sociais, “viralizou”, atraindo muitos comentários de apoio à noiva, mas também muitas mensagens de ódio de “haters”, que diziam que ela estava querendo apenas ganhar visibilidade. Em sua última postagem, ela escreveu: “última vez que me pronuncio aqui sobre essa palhaçada de eu estar querendo me promover com um dos piores momentos da minha vida… Ridículos!”

Fiquei chocado com essa sequência de fatos, que claramente representa muitos valores da cultura atual, fortemente influenciada pelos meios digitais. Várias perguntas surgem disso:

  • Por que as pessoas estão tão preocupadas em exibir publicamente cada vez mais detalhes de sua vida privada?
  • Como alguém pode cancelar seu casamento na véspera por mensagem instantânea?
  • Por que a noiva decide “casar consigo mesma” e publicar isso nas redes sociais?
  • Por que tantas pessoas destilam ódio contra alguém que nunca lhes fez nenhum mal?
  • Os meios digitais podem estar associados ao aumento de casos de depressão?

A depressão é uma doença séria, que precisa ser tratada. Ela se instala de maneira silenciosa e pode ser devastadora.  Qualquer pessoa pode ser vítima dela, mesmo as que se dedicam a fazer os outros rirem, como o humorista Whindersson Nunes, brasileiro com mais seguidores no YouTube (mais de 36 milhões), e o ator Robin Williams, que se suicidou por causa da doença em 2014. Alinne Araújo também sofria do mal.

Conversei com a psicóloga Katty Zúñiga, pesquisadora da PUC-SP que estuda há duas décadas a influência da tecnologia sobre o comportamento humano. Segundo ela, o meio digital não causa depressão, mas mudanças no comportamento da sociedade podem provocar esses desequilíbrios.

“Vivemos uma época de ansiedade, em que tudo acontece cada vez mais rapidamente, e em que ganha mais quem grita mais alto”, explicou. As redes sociais são o cenário para dar vazão a essas demandas.

“Parece fácil, mas não é”, disse a pesquisadora. Qualquer um pode achar que basta criar contas nas redes e começar a publicar coisas “fofas” para angariar multidões de seguidores e se tornar um “influenciador”. Isso pode até acontecer, mas traz responsabilidades e muita pressão, com as quais muitas dessas pessoas não sabem lidar. Como resultado, problemas relativamente pequenos, da sua vida pessoal, podem ganhar grandes proporções, porque se tornam públicos inadvertidamente ou -o que é pior- por ação do próprio influenciador.

A celebridade digital se sente, cada vez mais, na obrigação de criar “fatos” para manter a sua audiência “aquecida”, e isso pode gerar uma pressão insuportável. Daí, quando algo mais grave acontece, toda aquela imagem, que é na verdade construída sobre uma fundação muito frágil, pode vir por água abaixo. “Sempre existiram influenciadores, como grandes jornalistas e atores, mas eles têm estrutura, sabem como lidar com críticas, que inevitavelmente aparecem”, explica a psicóloga. Por isso, passam por isso sem desmoronar.

A prisão da imagem

Muitas pessoas, quando percebem que se tornaram influenciadores (ou acham que se tornaram), acabam criando um personagem, que se torna maior que o próprio indivíduo. Ele pode até ter surgido de uma característica de sua personalidade, mas cresce de uma maneira tirânica, que não permite ser “contrariado”, mesmo quando a pessoa muda.

É o caso da influenciadora mexicana Yovana Mendoza Ayres, que fez fama como Rawvana e caiu em desgraça com os fãs em março. Ela construiu um império comercial em cima do conceito de crudiveganismo, mas foi flagrada em um vídeo de poucos segundos com um filé de peixe em seu prato. Apesar de tentar explicar que estava comendo aquilo por ordens médicas, os tribunais das redes sociais foram implacáveis, e ela foi obrigada a abandonar a personagem que a fez rica. Abordei esse caso em um vídeo na época, que pode ser visto abaixo:


Vídeo relacionado:


Essa “ditadura do personagem” surge com o aumento dos seguidores, com quem o suposto influenciador se sente comprometido, e cresce quando aparecem vantagens disso. Começam com pequenos presentes e convites -o que no jornalismo chamamos de “jabá”- e podem se transformar em polpudos contratos publicitários ou mesmo linhas de produtos, como no caso de Rawvana.

Em grande parte, o problema se agrava pelas marcas e agências que contratam esses influenciadores de uma maneira irresponsável. Para essas empresas, o único que importa são grandes visualizações e curtidas. Ignoram se aquela pessoa tem relação com o produto que está promovendo e se é sequer capaz de sustentar uma conversa sobre ele. E a celebridade digital, que na maioria das vezes não tem qualquer preparo profissional para lidar com aquilo, vê uma oportunidade aparentemente fácil de ficar famoso e de ganhar muito dinheiro. E embarca na onda.

Foi o que aconteceu com Arianna Renee, uma norte-americana de 18 anos conhecida como arii no Instagram, onde tem 2,6 milhões de seguidores. Ela abandonou seu projeto de criar uma linha própria de moda. O motivo, que ela própria explicou publicamente: foi incapaz de vender míseras 36 camisetas, o mínimo que a confecção contratada exigia para tocar a obra. Em um post no dia 27 de maio, depois apagado, ela disse que “ninguém cumpriu a promessa de comprar” suas peças.

Oras, ninguém compra algo, nem mesmo uma camiseta, assim. Aquilo tem que fazer sentido para o consumidor. Se for por um influenciador, ele precisa -bem- convencer por que aquilo é realmente bom. Como diz o ditado, “não é só pelos seus lindos olhos”.

Felizmente essa fase de deslumbramento dá sinais de que está chegando ao fim. As empresas estão percebendo que, muito mais que milhões de visualizações, o que realmente é capaz de vender algo são argumentos sólidos, autoridade no assunto e uma comunidade interessada no tema, mesmo que seja proporcionalmente pequena. Em resumo, é necessário profissionalismo.

Marketing de influência não é um passatempo, uma diversão inconsequente. É um trabalho que deve ser feito com seriedade, como qualquer outro. Caso contrário, isso pode causar grandes prejuízos financeiros às marcas, e, muito mais grave que isso, profundos problemas pessoais aos próprios influenciadores. E isso é um cenário em que todos perdem.


E aí? Vamos participar do debate? Role até o fim da página e deixe seu comentário. Essa troca é fundamental para a sociedade.


Artigos relacionados:

Videodebate: você colabora ou compete?

By | Tecnologia | No Comments

Você seria capaz de criar algo junto com o seu concorrente?

Para muitos, há uma inevitável contradição nessa pergunta. Mas os negócios mudaram. Cada vez mais empresas aprendem que é possível colaborar com seu competidor em aspectos pontuais para benefício mútuo.

A colaboração é um dos pilares do “open business”, movimento que também prega ampla participação de funcionários e até de clientes em decisões da empresa, preocupação com a comunidade, crescimento de todos os envolvidos, entre outras coisas. Algumas empresas que adotam essas práticas hoje lideram seus mercados, pois conseguem inovar mais rapidamente.

Na semana passada, a IBM concluiu a compra multibilionária da Red Hat, maior empresa de software open source do mundo. Valor da fatura: US$ 34 bilhões! No vídeo abaixo, trago minhas conversas com Jim Whitehurst, CEO global, e com Paulo Bonucci, VP para a América Latina da empresa, sobre a aquisição e sobre cultura empresarial.

Mas será que dá para implantar isso na sua empresa? Descubra no meu vídeo. E depois conte para nós aqui as suas percepções.



Quer ouvir as minhas pílulas de cultura digital no formato de podcast? Basta procurar por “O Macaco Elétrico” no Spotify, no Deezer ou no Soundcloud. Se preferir, pode usar seu aplicativo preferido: é só incluir o endereço http://feeds.soundcloud.com/users/soundcloud:users:640617936/sounds.rss

Videodebate – Netflix ou notícia: quem você escolhe?

By | Jornalismo | No Comments

VOCÊ É RELEVANTE para seu público?

Estudo do Reuters Institute for the Study of Journalism demonstrou que não basta mais ser ótimo no que se faz: precisamos tocar a vida das pessoas como elas esperam. Sem isso, nosso público pode não perceber o valor do produto, e uma grande ideia vai por água abaixo. E estou cansado de ver bons negócios quebrando e excelentes profissionais sendo demitidos por isso.

Apesar de o estudo se focar em jornalismo, suas conclusões podem ser facilmente extrapoladas para outros mercados. E uma delas demonstra que hoje não concorremos apenas com quem faz o mesmo que nós, e sim com qualquer empresa que dispute os mesmos reais dos consumidores, até com negócios muito diferentes dos nossos.

O mar não está para peixinho! Nunca foi tão importante conhecer bem o público: seus desejos, seus receios, suas carências, sua linguagem. Porque, sim, temos que buscar a excelência no nosso produto, mas temos que ser eficientes para que nossos clientes o percebam e entendam.

Assista ao meu vídeo abaixo para entender como fazer isso! E depois conte para nós aqui as suas experiências ao se relacionar com seu público.



  • Para assistir à integra em vídeo do debate no Estadão e baixar o excelente e-book produzido pelo Media Lab Estadão, inscreva-se gratuitamente aqui.
  • O relatório completo do Reuters Institute está disponível para download gratuito.
  • Quer ouvir as minhas pílulas de cultura digital no formato de podcast? Basta procurar por “O Macaco Elétrico” no Spotify, no Deezer ou no Soundcloud. Se preferir, pode usar seu aplicativo preferido: é só incluir o endereço http://feeds.soundcloud.com/users/soundcloud:users:640617936/sounds.rss

Videodebate: você sabe encantar seu cliente?

By | Tecnologia | No Comments

Oferecer um grande produto a um preço justo já não é mais garantia de sucesso em nenhum negócio!
Com o barateamento dos meios de produção, recursos digitais cada vez mais inovadores e o avanço das redes sociais, ficou mais fácil aumentar a qualidade de nossas entregas e criar formas de comunicação engajadoras com o nosso público.
Isso é ótimo! O problema é que também funciona para os nossos concorrentes. De repente, parece que existe uma multidão fazendo exatamente o mesmo que nós, tão bem quanto.
Nesse cenário de mesmice, os consumidores naturalmente se tornam mais exigentes. Ganha quem oferece algo que o outro não tem. E, se está cada vez mais difícil se diferenciar na entrega principal, olhe além dela, na experiência que o cliente terá em torno da sua marca.
Por isso, a “customer experience”, a “experiência do cliente”, virou uma disciplina extremamente valorizada. Pois esse relacionamento começa bem antes da compra e vai muito além dela. E não se limita a um bom atendimento: em muitos casos, uma experiência memorável envolve entregas que não têm nada a ver com a proposta original da empresa.
E aí, você está pronto para criar uma experiência memorável para seu cliente?
Assista ao meu vídeo abaixo e descubra. E depois compartilhe com todos nos comentários as suas próprias experiências, como gestor e como consumidor.



NOVIDADE: quer ouvir as minhas pílulas de cultura digital no formato de podcast? Basta procurar por “O Macaco Elétrico” no Spotify, no Deezer ou no Soundcloud. Se preferir, pode usar seu aplicativo preferido: é só incluir o endereço http://feeds.soundcloud.com/users/soundcloud:users:640617936/sounds.rss

Videodebate: Google, me esquece!

By | Jornalismo | No Comments

Você se preocupa com o Google, o Facebook, a Apple, e muitas outras empresas monitorando tudo que você faz online? Tem toda razão: elas sabem mesmo muito sobre nós!

Agora você pode pedir que o Google automaticamente apague tudo que sabe sobre você depois de um tempo. Simples e indolor!

Bacana, né? Mas será que isso faz diferença?

Queremos que nossa privacidade seja preservada, mas não queremos abrir mão das coisas boas que os meios digitais nos oferecem “de graça”, justamente por nos conhecer tão bem.

Então o que é mais importante para você? Sua privacidade ou os benefícios digitais? Ficou em dúvida? Então assista ao meu vídeo abaixo para entender isso melhor. E depois conte o que acha aqui nos comentários.



NOVIDADE: quer ouvir as minhas pílulas de cultura digital no formato de podcast? Basta procurar por “O Macaco Elétrico” no Spotify, no Deezer ou no Soundcloud. Se preferir, pode usar seu aplicativo preferido: é só incluir o endereço http://feeds.soundcloud.com/users/soundcloud:users:640617936/sounds.rss

Videodebate: racismo na publicidade

By | Educação | No Comments

Na quinta passada, o Ministério da Educação pôs no ar propagandas com teor racista.

Por que o MEC fez isso? Como é possível que instituições e empresas de todo porte continuem dando mancadas assim?

Parece loucura que, em tempos em que tanto se discute e se incentiva a diversidade e a inclusão, ainda vejamos isso. Apesar de vários exemplos gritantes em todo o mundo, a solução para o problema não é simples, pois envolve mudar as cabeças que gerenciam os negócios, normalmente (como diria o guru da administração Tom Peters) “homens brancos de meia idade e calça de poliéster”.



Os benefícios de se resolver essa aberração histórica vão muito além da imagem pública do profissional ou da corporação.

Você sabe como? Sua empresa está salva disso? Veja no meu vídeo dessa semana! E depois deixe nos comentários o que você acha disso e exemplos de boas (ou más) práticas em torno desse assunto.

Para saber ainda mais sobre o assunto, assista também ao meu vídeo com entrevista a lideranças femininas da indústria de tecnologia explicando por que a diversidade e a inclusão são fundamentais para qualquer negócio:



NOVIDADE: quer ouvir as minhas pílulas de cultura digital no formato de podcast? Basta procurar por “O Macaco Elétrico” no Spotify, no Deezer ou no Soundcloud. Se preferir, pode usar seu aplicativo preferido: é só incluir o endereço http://feeds.soundcloud.com/users/soundcloud:users:640617936/sounds.rss

Garry Kasparov enfrenta o supercomputador da IBM Deep Blue, em 1997 — Foto: reprodução

Até onde podemos ser iludidos pela Inteligência Artificial

By | Tecnologia | No Comments

Existe um ditado popular que diz, em tão jocoso, “me engana que eu gosto”. Ou seja, por qualquer tipo de conveniência, as pessoas podem acreditar em algo que sabem que não é verdadeiro. Entretanto, graças à Inteligência Artificial (IA), isso está ganhando novos contornos.

Com o avanço da tecnologia, sistemas hoje já conseguem se passar, de maneira convincente, por seres humanos, criando formas de interação bastante naturais com as pessoas oferecendo diferentes serviços. Entre os exemplos mais comuns estão os sistemas de atendimento ao público, os “chatbots”.


Vídeo relacionado:


Esqueçam as vozes metalizadas ou as interações do tipo “pressione 1 para cobrança; pressione 2 para crédito; pressiona 3 para falar com um de nossos atendentes”. Uma das características dos novos sistemas é a linguagem natural, que permite que os comandos sejam feitos em uma conversa livre, e as respostas sejam dadas da mesma forma: o sistema é capaz (ou pelo menos tenta) entender o que o cliente deseja, e busca lhe oferecer a melhor alternativa disponível, quaisquer que sejam as palavras usadas pela pessoa.

Em 2018, o Bradesco trouxe isso para um atendimento comercial de massa, com o lançamento da BIA, acrônimo para “Bradesco Inteligência Artificial”. Trata-se de um sistema de autoatendimento construindo a partir do Watson, da IBM, para atender, com linguagem natural, os clientes do banco. É possível até mesmo fazer perguntas que não têm a ver com transações bancárias (e algumas serão respondidas assim mesmo).

A equipe responsável levou três anos para “calibrar” a BIA, ou seja, oferecer a ela as informações e a capacidade de aprender suficientes para ser lançada comercialmente. E, graças à computação cognitiva da IBM, a BIA literalmente continua aprendendo, à medida que é usada pelos clientes do Bradesco.

Mas para se ter uma experiência bastante interessante disso, basta usar os assistentes virtuais de seu celular: a Siri (para iPhones) e o Google Now (para smartphones Android) já respondem a nossos pedidos em linguagem natural. E estão cada vez mais eficientes, tanto para entender o que queremos, quanto para nos responder.

Experimente dizer “eu te amo” à Siri ou perguntar “quando é o próximo jogo do Timão” ao Google Now.

De onde veio e para onde vai?

Os assistentes virtuais não são exatamente uma novidade. O primeiro deles data de 1966. Chamado de ELIZA, demorou dois anos para ser desenvolvido por Joseph Weizenbaum no laboratório de inteligência artificial do MIT (EUA), e buscava simular um psicólogo aconselhando seus pacientes por mensagens escritas. Apesar de bastante rudimentar, as pessoas necessitavam realizar várias trocas antes de perceber que não estavam conversando com outro ser humano.

De lá para cá, as pesquisas cresceram incrivelmente, seja por sistemas mais inteligentes, seja por equipamentos mais poderosos, que permitem a realização de milhões de combinações por segundo. E, como na maioria dos casos, o processamento se dá em servidores remotos e não no equipamento do usuário (como seus smartphones), o avanço das telecomunicações também é essencial.

Em maio de 2018, uma demonstração no Google I/O, congresso mundial de desenvolvedores da empresa, deixou muita gente de boca aberta. Tratava-se de uma evolução do Google Now, batizado de Google Duplex, que, por telefone e diante de todos, marcou um corte de cabelo e fez uma reserva em um restaurante, sem que os atendentes dos estabelecimentos se dessem conta que estavam falando com uma máquina. A linguagem natural usada pelo sistema era tão perfeita, que muitas pessoas duvidaram que aquilo seria real, apesar de a empresa afirmar categoricamente que sim. Em alguns casos, o sistema parecia falar melhor que os próprios interlocutores humanos com quem estava interagindo por telefone.

Em fevereiro de 2019, a IBM promoveu um debate público sobre educação entre seu sistema de IA Project Debater e o debatedor profissional Harish Natarajan. Apesar da natureza totalmente aberta do tema, para muita gente o sistema foi melhor que o ser humano.

A IBM, aliás, tem história em colocar seus sistemas de IA em confronto com pessoas. Nos anos 1990, seu supercomputador Deep Blue jogou xadrez com o então campeão mundial Garry Kasparov, em dois matches de seis partidas cada. O primeiro foi vencido por Kasparov e o segundo pelo Deep Blue. O campeão chegou a acusar a máquina de manipulação fraudulenta após ser derrotado.

A máquina tem ética?

O fato é que esses sistemas, cada vez mais parecidos com seres humanos em suas interações, são capazes de processar muito mais informações que nós, e têm acesso a muito mais dados do que qualquer ser humano. Isso levanta algumas questões éticas importantes: diante disso tudo, as máquinas poderiam se tornar capazes de nos convencer de qualquer coisa, muito além do que outra pessoa faria?

Afinal, se o nosso interlocutor parece ter o argumento definitivo para contrapor qualquer coisa que digamos, ele está em uma condição claramente vantajosa. Os computadores já têm isso há algum tempo, mas seu diferencial no convencimento desaparece diante do fato de que as interações não são naturais. Em outras palavras, subimos automaticamente nossas defesas para não sermos enganados por uma máquina.

Entretanto, diante dessa nova realidade em que nos encontramos, isso pode deixar de existir. O Google Duplex demonstrou que, por telefone, já não haveria como diferenciar as falas de uma máquina das de uma pessoa.  E quando isso acontecer também presencialmente, com robôs simulando convincentemente os corpos humanos?

O assunto é abordado exaustivamente pela ficção científica. Minha lembrança mais antiga disso é do primeiro “Blade Runner”, de 1982, com seus “replicantes”, robôs tão humanos que alguns nem sabiam da sua natureza artificial, achando que eram pessoas. Como dizia o slogan de seu fabricante, eram “mais humano(s) que o humano”.

Mais recentemente, o episódio “Volto Já”, o primeiro da segunda temporada (de 2013) da série “Black Mirror”, reacendeu o debate, quando a protagonista contrata o serviço de uma empresa que cria robôs capazes de simular o corpo e a mente de entes queridos falecidos. No caso da personagem, ela quase embarca na fantasia de que aquela máquina era seu marido morto. Só não fez isso porque o sistema, afinal, não conseguiu captar as sutilezas de sua personalidade.

Mas e se conseguisse? Ela teria se deixado enganar por aquela ilusão cibernética cuidadosamente elaborada? E, caso assim fizesse, ela poderia ser julgada por isso? Afinal, a máquina seria uma cópia praticamente fiel de seu finado esposo, e serviria para lhe aplacar a dor da perda.

O fato é que podemos estar muito perto de sistemas que sejam capazes de nos iludir e até mesmo manipular para atingir os objetivos de seus fabricantes, por terem sempre os melhores argumentos e se comportarem e parecerem com seres humanos. A máquina não tem ética e nem pode ser culpada se fizer algo que contrarie o que achemos correto. Quem precisa cuidar disso é seu fabricante.

Do nosso lado, precisamos ter esse debate sempre em dia, para que tenhamos esses recursos da tecnologia a nosso favor, tornando nossa vida mais produtiva, fácil, divertida. Podemos, sim, ser iludidos pelas máquinas, desde que seja o que deliberadamente queiramos, por mais que isso possa parecer paradoxal.


E aí? Vamos participar do debate? Role até o fim da página e deixe seu comentário. Essa troca é fundamental para a sociedade.


Artigos relacionados:

Videodebate: o que estudar para ter trabalho

By | Educação | No Comments

Em tempos de crise brava e desemprego em alta como estamos vivendo, cada um busca a sua maneira para se manter relevante e garantir o seu lugar ao sol.

Nesse cenário, uma das melhores maneiras de aumentar a tal da empregabilidade é voltar aos bancos escolares para adquirir novas competências, se reciclar, pois todas as profissões vêm sofrendo profundas mudanças graças à tecnologia digital. Então, confiar seu futuro apenas no que aprendeu na faculdade não é mais possível.

Mas o que estudar então? Hoje temos cursos para todos os gostos e todos os bolsos. Cada um deles lhe oferece benefícios particulares. Veja no meu vídeo abaixo as vantagens e desvantagens de cada um, para tomar uma decisão mais acertada. E depois vamos debater aqui nos comentários sobre o assunto. Aproveite e compartilhe com todos as suas experiências.


O ex-presidente dos EUA Barack Obama destacou a importância da educação e dos professores no primeiro dia do VTEX Day, que está acontecendo em São Paulo - Foto: Everton Rosa

Por que a educação importa?

By | Educação | No Comments

No VTEX Day, que aconteceu em São Paulo nos dias 30 e 31 de maio, Barack Obama foi categórico na importância do ensino. “O poder do professor de inspirar confiança em uma criança é um dos maiores presentes que lhe podemos oferecer”, disse o ex-presidente dos EUA.

Apesar de ser o maior evento de inovação digital da América Latina, o que mais se falou no seu primeiro dia foi sobre educação, com várias homenagens a professores.

Alessandra Hypolito, head do VTEX Day (veja a entrevista abaixo), explicou que o evento destaca o país na transformação digital. “O Brasil tem capacidade e tem estrutura para ser protagonista. E isso só acontece por meio da educação”, disse a executiva. “O principal responsável por isso é o professor.”

“A falha do nosso sistema educacional é não ensinar as nossas crianças o que é importante”, cravou Obama. Segundo ele, “o Brasil tem tanta gente jovem boa que poderia fazer coisas incríveis, se lhe fosse dada a oportunidade”.

É claro que o governo tem um papel essencial para termos uma educação de qualidade, mas esse não pode ser um debate que assistamos de fora. Todos precisam se envolver, unindo-se à escola e apoiando os professores. Sem isso, o Brasil jamais atingirá esse protagonismo.



O 44º presidente dos Estados Unidos foi o destaque do evento. Obama abriu sua participação afirmando que, para ter sucesso, é preciso ter “sorte”. “Sorte de ter as pessoas certas ao seu lado e de poder trabalhar muito”, explicou.

“Para ter sucesso, você precisa tentar coisas diferentes. Mesmo que isso não dê certo, pois nós aprendemos com nossas falhas.” Para ele, a chance aumenta se tiver com você um grupo de pessoas diversificado em gênero, raça, orientação sexual. “Tenha certeza que você tem pessoas que tragam diferentes perspectivas para a mesa”, acrescentou.


Videodebate: o robô vai substituir até o seu corpo

By | Tecnologia | No Comments

A crise está brava! Se isso já não bastasse para criar incertezas e grandes dificuldades para todos, os robôs e os sistemas de inteligência artificial estão cada vez mais eficientes na execução de tarefas que antes eram exclusivas dos humanos. Em alguns casos, são até mesmo capazes de simular os corpos dos trabalhadores!

O que vai sobrar para nós fazermos?

Muita calma nessa hora! Sim, é verdade que a substituição de trabalhadores por robôs só cresce. Mas nem tudo está perdido.

Nesse cenário, despontam duas certezas: o que puder ser automatizado será, e não dá para continuar na zona de conforto. Quem quiser não apenas sobreviver a essa nova revolução, como ainda aproveitar o momento para se destacar precisa fazer as coisas de maneira diferente.

Quer saber como? Veja no meu vídeo abaixo! E depois compartilhe aqui com todos como você vê esse avanço da tecnologia sobre os trabalhos, e como superar isso.

Ou então fique continue na mesma, e aguente as consequências.


Videodebate: olha como você FALA!

By | Tecnologia | No Comments

Como você fala com os seus clientes?

Há pelo menos uma década, a combinação de redes sociais e smartphones tem provocado mudanças profundas nesse relacionamento. Além de agora as marcas falarem e OUVIREM diretamente seu público (o que já é uma baita mudança), essa comunicação vem ficando mais flexível e ganhando nossas palavras, abreviações e símbolos, como os emojis (aquelas “carinhas” no meio do texto).

Para muita gente, essas mudanças na linguagem são completamente inadequadas. Serão mesmo? Essas “informalidades” aproximam a marca e o profissional do seu público ou podem colocar a relação a perder?

No final, tudo é questão de bom senso. É claro que não dá para usar esses recursos de comunicação em todos os casos. Entretanto, quando possível, eles são poderosíssimas ferramentas para criar vínculos fortes com o consumidor.

A língua é uma coisa viva, que está em constante evolução. Precisamos estar abertos às mudanças, para aproveitarmos isso da melhor maneira possível. Mas quando? E como? Veja no meu vídeo abaixo. E depois compartilhe aqui nos comentários com todos se você usa esses recursos com seu público.


Reflexão: o papel social das empresas

By | Educação | No Comments

Em um momento em que tanto se discute os rumos da educação no nosso país, é uma alegria ver o CEO de um dos maiores grupos empresariais brasileiros destacar como ela é essencial para nosso desenvolvimento, e como as empresas têm um papel relevante para que ela floresça e chegue a todos.

Esse foi um dos assuntos que conversei com João Miranda, CEO do Grupo Votorantim, nesta quarta. Falamos bastante de inovação nas diferentes empresas do grupo, e também de como isso, além de ser obviamente bom para os negócios, traz ganhos para a sociedade. Para o executivo, “as empresas fazem parte da cidadania, têm uma responsabilidade”.



Fico muito feliz quando vejo uma liderança empresarial desse porte demonstrando que empresas não devem cumprir metas sociais apenas porque alguma legislação as obrigue a isso ou por um marketing oportunista. Todos nós fazemos parte e um mesmo sistema que se apoia e se retroalimenta. Iniciativas como essa trazem ganhos reais para o negócio e ajudam o país a se desenvolver.

E a sua empresa, que iniciativas sociais apoia? Você conhece cases legais nesse sentido? Compartilhe aqui nos comentários!

Cena do filme "Ele Está de Volta", em que Adolf Hitler "acorda" nos dias atuais - Foto: divulgação

Reflexão: somos facilmente manipuláveis?

By | Educação | No Comments

A vida imita a arte ou vice-versa?

O filme “Ele Está de Volta” (“Er ist wieder da”, Alemanha, 2015) sugere o que aconteceria se Adolf Hitler magicamente “acordasse” hoje. Depois dos primeiros dias de desorientação, ele passa a ser quem ele é.

Ao andar pelas ruas, conclui que o país está tomado por valores “degenerados”, sob a ótica nazista: imigrantes, liberdade de pensamento, ascensão das mulheres, homossexualismo. Ao propagar suas ideias, vira um fenômeno instantâneo de mídia, no YouTube e na televisão.

Apesar de afirmar que é o próprio Hitler, obviamente ninguém acredita nisso. Os mais próximos acham que é um ator que não consegue sair do papel. Ainda assim, suas ideias ultraconservadoras fazem enorme sucesso, com boa parte da população acreditando que aquilo seria a solução para os problemas atuais. Sua reputação só é manchada quando atira em um cachorro, o que choca a opinião pública. Mas logo todos esqueceram do episódio, e ele voltou com ainda mais força.

Classificado como comédia, o filme faz uma profunda crítica à ascensão de políticos conservadores em todo o mundo. Em determinado momento, o próprio Hitler conclui que o povo alemão é “um bom material de trabalho”.

Será que é isso que todos nós nos tornamos?

Videodebate: temos que falar sobre diversidade!

By | Tecnologia | No Comments

Você sabe por que a diversidade e a inclusão são temas cada vez mais essenciais para o desenvolvimento da sociedade e o crescimento de qualquer negócio, inclusive o seu?

Reuni três mulheres incríveis, que ocupam cargos de liderança global em gigantes da tecnologia no mundo, para uma conversa inspiradora sobre o tema:

Tentamos explicar por que há tão poucas mulheres no mercado de TI, como resolver essa deficiência e por que isso é tão importante para a sociedade. Mas diversidade e inclusão -e não apenas de mulheres- vão muito além disso, e obviamente não apenas em TI.

Assista a essa conversa imperdível, e depois vamos debater sobre o tema nos comentários, logo abaixo.



Não deixe de conhecer também o trabalho realizado pela Women Who Code em Recife, promovendo a inclusão de meninas a partir do ensino de programação, nessa minha conversa com suas diretoras Andrêza Alencar e Karina Machado, em https://www.linkedin.com/feed/update/urn:li:activity:6532298350690123776

Gostou da Judith? Então assista ainda mais da nossa conversa, em https://www.linkedin.com/feed/update/urn:li:activity:6529765203888873472

A tecnologia pode ser uma poderosa ferramenta de inclusão social para meninas

By | Educação | No Comments

A tecnologia também pode ser um poderosa ferramenta de inclusão social!

A organização sem fins lucrativos Women Who Code de Recife realiza um trabalho educacional inspirador para meninas a partir dos 10 anos de idade, usando a programação como meio para que mulheres desenvolvam habilidades e o gosto pela tecnologia. Além de abrirem uma ótima oportunidade profissional para elas, ajuda a equilibrar esse mercado de trabalho, que ainda é majoritariamente masculino.
Conheça seu trabalho e como participar, assistindo abaixo à minha entrevista com Andreza Alencar e Karina Machado, diretoras da ONG. Quer participar? Entre em contato com elas: womenwhocode.com/recife ou @WWCode_Recife