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As ameaças à (e da) Internet

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O aplicativo TikTok, da chinesa ByteDance, vem se destacando nas manchetes nas últimas semanas. E não é só porque ele se tornou o app mais instalado nesses meses de pandemia: de janeiro a junho, foram 315 milhões de instalações, o melhor desempenho de um app na história. O principal motivo foi ter sido alçado à posição de estrela na guerra que o presidente americano, Donald Trump, trava com a China, visando sua reeleição em novembro.

Mas o que um aplicativo de vídeos curtos pode ter de tão importante? Quanto das acusações de Trump são verdadeiras? E principalmente como isso impacta a vida de cada um de nós?


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Shakespeare escreveu: “há mais coisas no Céu e na Terra que foram sonhadas na filosofia”. Esse famoso trecho de Hamlet é muito propício ao momento.

Trump, como sempre, cria uma cortina de fumaça para esconder suas reais intenções. Mas há muito, muito mais em jogo, muito além até dos mesquinhos interesses do mandatário americano.

Algo que nos afeta a todos.

Primeiramente vamos contextualizar a história para quem não sabe do que se trata.

O TikTok vem sendo acusado de coletar muitas informações dos usuários, e de uma maneira mais sorrateira que o normalmente feito pelos aplicativos que instalamos despreocupadamente em nossos celulares. Até a famosa rede de hackers Anonymous chegou a levantar essa bandeira em julho.

Trump enxergou nisso uma oportunidade de fustigar ainda mais a China. Ele começou a afirmar, sem nenhum embasamento, que, além de coletar nossos dados, o TikTok os repassa ao governo chinês, como uma poderosa ferramenta de controle da população mundial.

A empresa e até o governo de Pequim sempre negaram isso. A plataforma até contratou, em maio, o americano Kevin Mayer como seu principal executivo, nunca tentativa de demonstrar que o TikTok é independente de seu país de origem.

Trump então ameaçou banir o TikTok do território americano. Foi quando, na semana passada, apareceu na história a Microsoft. A gigante do software disse que gostaria de comprar as operações do TikTok nos Estados Unidos, no Canadá, na Austrália e na Nova Zelândia. Ainda que relacionado a apenas esses países, isso lhe daria acesso aos códigos do programa.

Trump resolveu interferir na relação comercial entre duas empresas, o que é, no mínimo, inadequado. Em primeiro lugar, deu 45 dias para que a transação acontecesse. Depois disse que a compra deve ser total. E, por fim, o mais bizarro: disse que, qualquer que seja o valor que a Microsoft pague à ByteDance, uma “grande parte” deve ir para os cofres do governo americano: afinal, ele estaria permitindo que o negócio se concretizasse.

Parece que a conhecida liberdade empresarial americana virou fumaça, em uma narrativa digna de um ditador.

Mas, como já dito, essa história esconde um monte de elementos que vão muito além de Trump, do TikTok e da Microsoft. Coisas que nos afetam profundamente como cidadãos e como profissionais.

Quando eu comecei a desenvolver produtos digitais, bem lá no começo da Internet comercial, em 1995, ela despontava como um espaço idílico em que os dados trafegariam livremente, em que pequenos teriam o mesmo espaço dos gigantes, um mundo de oportunidades infinitas e democráticas.

Infelizmente aquela utopia se dissipou em poucos anos.

O tráfego livre dos dados se tornou um negócio de grandes conglomerados que descobriram maneiras cada vez mais eficientes para coletar nossos dados e organizá-los para serem transformados em informações comerciais valiosíssimas. Ou seja, a terra digital do “amor livre dos dados” rapidamente foi dominada por quem tinha muito dinheiro, de uma maneira que transformou profundamente nossas vidas.

O casamento dos smartphones com as redes sociais

O auge disso começou com a combinação de duas coisas. A primeira foram os smartphones, graças ao seu poder computacional imenso, que carregamos conosco o tempo todo. São a máquina perfeita de espionagem, pois nossa vida hoje acontece neles. A segunda foram as redes sociais, que criaram algoritmos e maneiras de convencimento para que compartilhemos alegremente todo tipo de informação pessoal.

Na verdade, essa combinação provocou uma incrível mudança cultural, em que sabemos que estamos sendo rastreados, mas que aceitamos que nossos dados sejam levados e usados, em troca de serviços supostamente gratuitos que essas empresas nos oferecem.

Trump sabe muito bem disso. Sua eleição como presidente dos Estados Unidos é parcialmente creditada a esse controle. Em março de 2018, explodiu o escândalo da empresa de marketing político britânica Cambridge Analytica. Ela foi contratada pela equipe da campanha de Trump para ajudá-los a convencer os americanos a votar no milionário. Para isso, a empresa roubou dados de 87 milhões de usuários do Facebook e os manipulou para, entre outras coisas, uma enxurrada de disparos em massa de fake news favoráveis a Trump.

O Facebook é a grande estrela nesse mundo de captura de informações dos usuários para fins às vezes inconfessáveis. Ninguém está mais bem posicionado que ele para isso.

Tanto que, na semana retrasada, Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, foi sabatinado por deputados americanos sobre o poder imenso de sua empresa, em um processo que pode levar à divisão da companhia em empresas menores. E ele não estava sozinho: também foram questionados Sundar Pichai, CEO do Google, Tim Cook, CEO da Apple, e Jeff Bezos, CEO da Amazon.

Ou seja, o TikTok é só a bola da vez, que ganhou destaque pela sua rápida adoção, mas também por causa de Trump.

Ele coleta nossas informações? Com certeza!

Ele faz isso de maneira mais agressiva e mais furtiva que outros aplicativos, como o Facebook? Há suspeitas não confirmadas.

Ele entrega nossas informações ao governo chinês? Não há nada sério que sugira isso.

Apagar o aplicativo vai nos deixar protegidos de ladrões de dados? Claro que não! No máximo, isso nos protegeria da ByteDance, mas não dos desenvolvedores de todos os outros aplicativos em nosso celular.

Não há inocentes nessa história! Talvez os mais inocentes sejamos nós mesmos, os usuários, que entregamos graciosamente a nossa informação para aplicativos que nos dizem como ficaremos mais velhos ou com qual celebridade nos parecemos.

É a versão do século XXI dos índios que, no início da colonização, trocavam toras de pau-brasil que cortavam por espelhinhos presenteados pelos portugueses. Hoje, com nossos dados, sim, governos podem mudar o eixo de influência geopolítica do mundo.

Outra empresa chinesa que vem sendo pesadamente alvejada por Trump é a Huawei, que hoje lidera a tecnologia 5G, próxima geração de transmissão de dados por celular. O presidente americano usa seu poder para que governos do mundo todo impeçam que equipamentos da Huawei sejam adotados por empresas nesses países. Ele sabe que a nação da qual venha a tecnologia 5G dominante terá monstruosa influência política e econômica no mundo na próxima década, no mínimo. Sem falar no oceano de dinheiro que isso vai gerar, pelos royalties, licenças, compras de equipamentos e suportes.

E, no meio de tudo, estamos nós, como pessoas e como empresas.

Não sejamos otários! Não compremos brigas que não são nossas!

A verdade é que, infelizmente, continuaremos sendo colonizados. Enquanto o Brasil não investir seriamente em pesquisa, incluindo aí pesquisa de base, sempre estaremos à mercê de tecnologias de outros países, com tudo que isso traz. E nós, ao invés de avançarmos na ciência, temos dado largos passos para trás nos últimos anos!

É duro dizer isso! Mas é a verdade.

A questão é saber se continuaremos sendo colonizados pelos Estados Unidos ou se passaremos cada vez mais a ser colonizados pelos chineses. Uma vez que não conseguimos declarar até hoje a nossa independência, temos que ver, pelo menos, o que é o melhor para cada um de nós.

Quanto ao TikTok, use por sua conta e risco. Você não irá para o Inferno se continuar dançando na frente da tela com ele.

Facebook, Google, Apple e Amazon na berlinda

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Você acha que o Facebook, o Google, a Apple e até a Amazon manipulam você?

Nós nos acostumamos tanto a usar os produtos dessas companhias, a maioria deles aparentemente gratuitos, que fica difícil imaginar a nossa vida sem isso. Não seria nenhum exagero dizer que essas quatro companhias definitivamente mudaram a nossa vida nos últimos vinte anos. Mas agora todas estão sendo acusadas de abusos e podem ser obrigadas a se dividir em empresas menores para concorrer entre si.

Se isso acontecer, como essa mudança impactaria nossa vida?


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O Facebook, o Instagram e o WhatsApp são um bom exemplo. Todos esses produtos são de uma única empresa: o Facebook. E estão cada vez mais integrados, o que traz recursos inegavelmente interessantes. Nessa pandemia de Covid-19, muitos negócios, especialmente os pequenos, se reinventaram em cima dessas plataformas. Em um momento de distanciamento social e lojas fechadas, muita gente vendeu bastante graças a elas.

E se esses produtos não fossem da mesma companhia gigantesca? E se eles fossem, na verdade, concorrentes? Será que isso teria acontecido? Ou quem sabe poderiam ter feito ainda mais, justamente por serem competidores entre si?

Bom, o Facebook, o Instagram e o WhatsApp já foram concorrentes!

O Facebook comprou o Instagram em 2012 por US$ 1 bilhão e o WhatsApp em 2014 por incríveis US$ 19 bilhões! Fez isso justamente porque seu CEO, Mark Zuckerberg, os via na época como ameaças ao seu negócio.

O problema é que isso potencialmente viola as leis que protegem a concorrência nos Estados Unidos. Por conta disso e de outras práticas de suas companhias, na quarta passada, o próprio Zuckerberg, além de Sundar Pichai, CEO do Google, Tim Cook, CEO da Apple, e Jeff Bezos, CEO da Amazon, tiveram que prestar depoimento ao Congresso americano.

A sessão, que durou mais de seis horas, foi feita por videoconferência, usando o sistema Webex da Cisco, que não é controlada por nenhum dos quatro conglomerados. Realizado pelo comitê antitruste da Câmara dos Deputados, o depoimento foi o ápice até agora de uma investigação que já dura treze meses e que já juntou 1,3 milhão de documentos.

Isso pode provocar uma profunda mudança nas quatro das cinco maiores empresas de tecnologia do mundo, inclusive forçando sua divisão em empresas menores. Isso já aconteceu no passado em outros setores, como nos casos da petrolífera Standard Oil e da gigante das telecomunicações AT&T.

As quatro empresas foram acusadas de usar dados de consumidores e de concorrentes para favorecer seus negócios.

Contra o Facebook, foi dito que espiona dados de aplicativos rivais para decidir se devem ser comprados ou copiados. É o caso dos stories, que hoje estão no próprio Facebook, no Instagram e até no WhatsApp, e são uma clara cópia de um recurso do Snapchat. Vale dizer que Zuckerberg tentou comprar o Snapchat e não conseguiu. Depois disso, seus produtos lançaram essa funcionalidade, o que praticamente enterrou o competidor.

O Google também foi acusado de usar informações de concorrentes, e que diminuiria suas exibições nos resultados de sua busca e outros produtos seus.

Já a Amazon foi acusada de usar dados de parceiros que usam sua plataforma para determinar que produtos a gigante deve desenvolver.  Também foi dito que pratica preços anticompetitivos para afetar rivais. Os congressistas ainda disseram que a empresa vende sua caixa de som conectada, a Amazon Echo, abaixo do custo, e que a assistente de voz da empresa, a Alexa, direciona consumidores para produtos da própria Amazon ou de parceiros, ao invés dos que seriam as melhores opções para o usuário.

Já a Apple foi acusada pelo poder que tem com a App Store, a loja de aplicativos para iPhone e iPad, por poder vetar aplicativos na loja e por cobrar uma comissão de até 30% sobre os ganhos dos desenvolvedores.

Os executivos se defenderam das acusações de irregularidades, naturalmente. Todos disseram que trazem grande benefício aos Estados Unidos e aos consumidores, e que não são contra a concorrência. Disseram ainda que precisam crescer constantemente justamente pela competição feroz que enfrentam.

Concorrência inclusive de empresas chinesas, um tema sensível aos Estados Unidos no momento, graças à guerra que Trump declarou a Pequim, com vistas a sua reeleição em novembro. Zuckerberg chegou a sugerir que regular empresas americanas aumentaria o poder das chinesas, que não se pautam pelo que chamou de “valores americanos”, como democracia, livre concorrência e liberdade de expressão.

Apesar de tudo isso, os negócios dos quatro aparentemente não se abalaram com a sabatina e com a pressão que vêm sofrendo há meses. O Facebook, apesar da desaceleração no seu crescimento, aumentou seu faturamento em 11% durante a pandemia, chegando a US$ 18,7 bilhões. Já a Apple reportou um aumento de 11% em seu faturamento nos meses de abril, maio e junho sobre o mesmo período do ano anterior. O aumento na busca por aplicativos e equipamentos para trabalho à distância compensou a perda de receita pelo fechamento de suas lojas no mundo todo. A Amazon, por sua vez, viu seu lucro trimestral duplicar, batendo US$ 5,2 bilhões, puxado pelo negócio de venda e entretenimento on line. Por fim, a Alphabet, controladora do Google, registrou o primeiro decréscimo trimestral de faturamento em 17 anos de cotação na Bolsa: 2% com relação ao mesmo trimestre do ano passado. Isso se deu por uma diminuição no investimento dos anunciantes. Mas o faturamento com publicidade no YouTube e seu negócio de computação na nuvem cresceram.

O que isso significa na prática?

Apesar de todo esse barulho, grandes mudanças regulatórias não são esperadas para tão cedo. Isso se acontecerem!

Mesmo que as empresas sejam divididas, isso não causará uma grande mudança em nossas vidas. Do nosso lado, as grandes questões são se estamos sendo manipulados e se nossos dados estão sendo roubados, por exemplo.

Sejamos claros: sim, somos rastreados e nossos dados são coletados o tempo todo! E, sim, os algoritmos de relevância nos manipulam! E a divisão dessas empresas não vai mudar isso.

Precisamos -isso sim- aceitar e entender que isso está acontecendo e como o mundo funciona agora, para, pelo menos, não sermos enganados! Os algoritmos nos rastreiam para nos entregar ofertas supostamente incríveis e feitas para cada um de nós! Mas nós não somos obrigados a aceitá-las!

Por outro lado, se a oferta for realmente boa e para algo que realmente precisamos, ótimo! O que não podemos é comprar por impulso, por exemplo. E isso não é uma recomendação que vale só para o meio digital, claro!

O mesmo acontece com as “fake news”, as infames notícias falsas, que tampouco foram inventadas com as redes sociais, mas que se tornaram um gravíssimo câncer social graças a elas. Não podemos acreditar em tudo que vemos! Temos que entender que grande parte dos problemas que temos hoje no mundo são causados por pessoas, empresas, grupos e governos que usam esses recursos das redes para fazer valer os seus interesses em detrimento dos da sociedade.

É possível usar esses recursos para atingir o público certo de maneira eficiente e ética: muita gente faz isso! O problema são os bandidos, que criam “fake news”, por exemplo. Não sabemos em quem acreditar, nem sabemos mais o que é a verdade! Por isso, temos que escolher muito bem em quem confiar, e não nos deixar levar pelo que as redes sociais jogam em nossa cara.

Precisamos nos apropriar de todos esses muitos recursos do meio digital, que são realmente incríveis! Mas temos que fazer isso de uma maneira que mais nos beneficie que nos prejudique. Porque, aconteça o que acontecer com essas quatro gigantes, o que elas criaram nunca mais deixará de existir.

O que pode ser muito bom!

Funcionários podem pôr marcas em risco nas redes sociais

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Não olhe agora, mas os seus funcionários podem estar falando com os seus clientes sem você saber. Pior que isso: sem qualquer orientação, podem estragar a imagem do seu negócio.

Isso não chega a ser uma novidade. Desde que as redes sociais foram criadas, profissionais falam de seus trabalhos nelas. Mas, depois de quatro meses de distanciamento social e home office para muitos, com as pessoas passando mais tempo nessas plataformas e até pela ansiedade e outras questões emocionais trazidas pela pandemia, esse comportamento cresceu significativamente.


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Mesmo quando o funcionário está bem intencionado, uma publicação indevida pode trazer prejuízos à marca e ao negócio. Nossa vida está entrelaçada com as redes sociais. Consumimos todo tipo de informação nelas e também publicamos de tudo ali. Como o trabalho ocupa um espaço enorme em nossas vidas, é natural que façamos postagens em que ele apareça.

Infelizmente alguns profissionais não fazem um bom uso dessa ferramenta.

Existem aqueles que estão mal intencionados mesmo. Usam essas plataformas para denegrir a imagem da empresa, da chefia, dos colegas… Nesse caso, não há muito a fazer: a relação já está condenada! E cada vez mais vemos profissionais sendo demitidos por esse comportamento inaceitável.

E há aqueles que estão bem intencionados, que publicam sobre seu trabalho achando que estão contribuindo, fazendo algo positivo, mas, na verdade, podem estar criando um enorme problema! Isso pode acontecer porque, por exemplo, falam da empresa de uma maneira que contraria valores da marca, porque divulgam informações imprecisas ou até porque inadvertidamente divulgam segredos do negócio.

Esse grupo, que pode ser muito maior que os gestores imaginam, precisa de orientação, não de punição. Eles estão engajados com a empresa, dispostos a divulgar a marca e seus produtos. Esses profissionais muitas vezes sentem orgulho da companhia onde trabalham.

Aliás, uma dica para os gestores de Recursos Humanos é justamente incentivar esse orgulho pela empresa. Isso traz um grande potencial para engajar os funcionários também nas redes sociais, transformando-os em embaixadores da marca. Isso a fortalece não apenas como marca empregadora, mas também como negócio. Afinal, funcionários encantados são essenciais para que a marca tenha clientes encantados.

Mas o RH também deve orientar os profissionais para não darem, sem querer, mancadas nas plataformas digitais.

A primeira coisa é que o funcionário precisa entender que ele não é um porta-voz oficial da empresa. Ele até pode falar dela nas redes, mas não pode se posicionar como se falasse em seu nome. Aliás, caso se depare com uma situação em que seja necessário tomar uma decisão, um posicionamento público pela marca, isso deve ser “escalado” para os gestores. Assim eles poderão encaminhar a questão adequadamente.

Outra coisa que precisa ficar clara é que postagens que envolvam a marca devem estar em linha com seus valores. Por exemplo, as empresas se apresentam cada vez mais como locais que valorizam a inclusão e a diversidade, pois esses também são valores cuja importância na sociedade vem crescendo. Um funcionário que faça comentários racistas, misóginos ou com qualquer outro valor inadequado pode prejudicar bastante esse esforço.

Aliás, as regras de uso da marca devem ser explicadas aos colaboradores, para que isso seja adotado, da melhor maneira possível, em suas postagens.

Os profissionais devem também ter o bom senso de diferenciar assuntos públicos dos confidenciais. Pode parecer óbvio, mas vemos muitos segredos empresariais sendo revelados nas redes sociais, provocando grande prejuízo aos negócios.

Esse é o básico! Todas empresas precisam levar essas indicações bem a sério. Em 2020, as publicações pessoais se confundem com as profissionais e as empresariais.

Não adianta proibir! Mais cedo ou mais tarde, as pessoas farão publicações sobre as empresas. Então que façam isso direito!

Um grande passo a frente

A partir daí, podemos pensar no “modo avançado”: as empresas incentivarem seus funcionários a ativamente ocuparem as redes sociais em favor da marca. Claro que, nesse caso, fazendo com toda orientação e cuidado.

Isso pode dar muito resultado! Os funcionários podem criar um vínculo com os clientes que um marketing convencional não consegue.

Isso se deve a mudanças no comportamento dos consumidores. As pessoas estão cada vez menos suscetíveis ao velho marketing, aquele que simplesmente empurra mensagens comerciais. Hoje elas querem que as empresas criem relacionamentos de mão dupla, que falem, mas que também escutem, que interajam genuinamente com seu público.

Nesse sentido, o interlocutor faz toda a diferença!

O prestigioso relatório Edelman Trust Barometer desse ano, que mede a confiabilidade que populações de vários países do mundo, inclusive no Brasil, têm em diversas entidades, fez a seguinte pergunta: “ao formar uma opinião sobre uma companhia, se você obtivesse informações sobre a companhia de cada uma dessas pessoas, o quão confiáveis essas informações seriam?”

No Brasil, o vencedor foi “uma pessoa como você”. Esse indivíduo, que, na verdade, pode ser qualquer um, desde que consiga criar identificação com o público, marcou 77 pontos, três a mais que no ano passado! Isso é 16 pontos a mais que a média mundial para o mesmo indivíduo.

Ou seja, o brasileiro acredita mais em alguém que se pareça com ele mesmo.

“Uma pessoa como você” ficou à frente do “especialista técnico”, que marcou 75 pontos, do “especialista acadêmico”, com 73, do “empreendedor bem-sucedido”, com 59, do “funcionário comum”, com 57, e até do CEO, que marcou apenas 55 pontos. O pior qualificado foi “uma autoridade do governo”, que cravou ínfimos 27 pontos.

Dessa forma, tanto o porta-voz oficial da empresa quanto os informais precisam aprender a criar essa identificação com o público. Precisam de uma personalidade consistente que informe e inspire, enquanto representa os valores da empresa. As respostas precisam ser rápidas e sinceras, com uma linguagem que o público entenda. Também não basta ser apenas reativo: devem tomar as rédeas desses canais, usando bem os recursos dos meios digitais.

Um bom exemplo é o Maga Local, da Magazine Luiza. Nesse projeto, os gerentes das mais de mil lojas da rede têm autonomia para estimular seus funcionários a criar vídeos promocionais. O resultado tem sido muito bom para o negócio! Os colaboradores adoram explorar sua criatividade e os gerentes têm até mesmo verba para promover esses conteúdos nas redes sociais.

Portanto, os seus funcionários podem causar, sim, problemas com publicações inadequadas nas redes sociais. Mas isso também pode ser uma excelente oportunidade de comunicação com seu público. Basta oferecer orientação e recursos.

Nessas horas, eu sempre me lembro do Chacrinha. O Velho Guerreiro era um grande comunicador, que conseguia interagir incrivelmente com seu público. Isso só era possível porque ele conhecia muito bem as pessoas, e conseguia criar aquele personagem com quem elas se sentiam à vontade. Existia uma enorme identificação!

Por isso, se o Chacrinha aparecesse hoje, possivelmente ele e seu programa fossem diferentes do que eram, pois as pessoas mudaram ao longo das décadas. Mas provavelmente seriam também um sucesso.

Como ele dizia, “quem não comunica se trumbica”. E ele se comunicava muito bem!

E a sua empresa, como está se comunicando com o seu público?

Não tem jeito: hoje a vida acontece pelas telas

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Há muito tempo, debato calorosamente com meus amigos sobre o nosso tempo diante de diferentes telas, como a do celular, a do computador ou a da televisão. Não desgrudamos desses dispositivos, e cada vez mais dependemos deles para quase tudo. Você possivelmente até dorme com um deles a seu lado!

Eu sempre fui um defensor de um uso amplo, mas consciente da tecnologia. Alguns amigos torciam o nariz para isso, e diziam que deveria ser limitado. E uns poucos eram bastante críticos ao crescente espaço que a tecnologia digital ocupava em nossas vidas. Mas aí chegou a pandemia de Covid-19 e o distanciamento social, e tudo mudou! Passamos a depender das telas para vivermos nossas vidas, mesmo no que antes fazíamos sem elas.

Estamos exagerando? Existe um limite saudável para essa exposição??


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Já se vão quatro meses de regras de distanciamento social por causa do Covid-19. Por mais que a economia esteja reabrindo aos poucos, muita coisa já mudou de uma maneira definitiva.

Comportamentos e aprendizados do tempo da pandemia permanecerão além dela. Por exemplo, você conseguiria dizer quanto tempo você ficava diante de uma tela qualquer antes da pandemia e quanto fica agora?

Até o ato de nos encontrarmos com nossos amigos tem acontecido dessa forma. Chamadas em vídeo por WhatsApp, Zoom, Skype, Hangouts se tornaram comuns. Happy hours agora são à distância, cada um bebendo em sua casa, mas com todos conversando animadamente pelo mosaico do Zoom. Até aniversários agora acontecem assim! E paradoxalmente muitas pessoas que não viriam a nossas festas agora comparecem a esses eventos online (até mesmo porque algumas moram em outras cidades ou até em outros países).

Trabalhar em casa também é outro grande exemplo, do qual já debatemos longamente aqui nesse mesmo espaço. Antes da pandemia, a maioria das empresas torcia o nariz para o home office, dizendo que ele não era produtivo. Agora muitas fazem planos para diminuir o tamanho de seus escritórios, pois farão rodízio entre funcionários trabalhando no local e aqueles que ficarão em casa.

Outra coisa que também já debatemos bastante aqui é o estudo online. Com escolas fechadas, os alunos passaram a ter aulas em casa. Se isso é motivo de grande estresse para alguns pais, para alguns alunos do ensino superior, a nova modalidade é vista com bons olhos e até preferível, pelo menos em alguns casos.

As telas invadiram também nossa maneira de nos divertir, de comprar, até de paquerar! Parece que a vida agora cabe naquele retângulo.

Não tivemos opção! Tivemos que nos adaptar na marra em poucas semanas a isso tudo.

Ninguém esperava por isso. Ninguém planejou isso. Foi tudo muito rápido!

Por isso, algumas pessoas e alguns negócios se adaptaram de maneira melhor que outros. Os que se deram bem são aqueles que já usavam mais o meio digital. Para essas pessoas e essas empresas, a coisa apenas se intensificou.

Ou seja, os recursos do meio digital, representados pelas telas, são uma tremenda oportunidade. Não resolve tudo, mas ajuda muito! Precisamos então de planejamento e uso consciente.

O futuro é agora

Estava pensando nesses dias no desenho animado “Os Jetsons”. Muito de suas vidas acontecia por telas. Isso parecia ser algo trivial para eles, inclusive em muito das coisas que estamos vivendo agora. Mas em 1962, quando a animação foi lançada, tudo era ficção científica.

Todos almejavam aquele futuro brilhante. O que tornava aquilo natural é que, aparentemente, tudo havia sido feito com planejamento, em uma sociedade que teve tempo para absorver bem as novidades.

Aí está a diferença entre eles e o que vivemos hoje. E justamente aí está o caminho que devemos buscar. Apesar de tudo isso estar nos sendo imposto, não devemos ser nem deslumbrados diante da tecnologia, nem reacionários ao seu uso.

A tecnologia é só uma ferramenta! Não existe tempo mínimo e tempo máximo para estarmos nas telas: existe bom uso e bom senso!

Temos que aproveitar todos os recursos que ela nos oferece. Mas ainda há muitas coisas que podemos fazer sem ela, mesmo com as restrições impostas: não devemos abandoná-las!

Peguemos, como exemplo, o home office. Será que precisamos passar o dia em videoconferências? Isso está deixando as pessoas exaustas!

Por outro lado, em uma turma atual em um curso meu na PUC-SP, tenho alunos que há muito queriam participar das minhas aulas, mas que não podiam fazer isso antes, pois as aulas eram apenas presenciais, e eles moram em outras cidades. Agora tenho até uma aluna que mora em Dubai, e que fica online das duas às cinco da manhã, no seu horário, três vezes por semana, para assistir às minhas aulas. Nesse caso, a tecnologia viabilizou o acesso à educação par essas pessoas.

Mesmo quando tudo “voltar ao normal”, será que seremos os mesmos?

Talvez ainda demore um tempo para voltarmos a ser como éramos. Na verdade, acho que nunca voltaremos totalmente a ser como antes!

Isso me faz lembrar de um outro vírus: o HIV, que causa a Aids. Ele mudou a nossa maneira de viver o sexo desde os anos 1980 e 1990, com os preservativos se tornando onipresentes. Talvez o Covid-19 mude muito de nossas vidas, que passarão a ser feitas mais à distância, pelas telas.

Sherry Turkle, professora de Estudos Sociais de Ciência e Tecnologia no prestigioso MIT (Massachusetts Institute of Technology) e autora do livro “Alone Together” (algo como “Sozinhos Juntos”, em uma tradução livre), afirma que, à medida que a conexão digital com as pessoas aumenta, nossas vidas emocionais diminuem. Seu argumento é que, apesar de estarmos constantemente nos comunicando com outras pessoas pelas redes sociais, essas trocas acabam não sendo autênticas e nos levam à solidão.

Recentemente, em uma entrevista à CNET, ela disse que agora quando a falta de contatos presenciais nos é imposta, percebemos quanto eles são importantes. E que quando finalmente começarmos a nos encontrar novamente, isso pode ser uma experiência assustadora. Mas, segundo ela, quando superarmos isso, apreciaremos muito mais a presença do outro.

Até lá, devemos usar as telas com inteligência e critério. Sem exageros, mas aproveitando o que de bom nos oferecem.

Devemos também humanizá-las! Dar a elas e ao que fazemos nelas a nossa cara, o nosso jeito. Afinal, parece que elas se tornaram uma extensão de nós mesmos. E algo disso permanecerá depois da pandemia.

O que mais vem da China?

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Nunca se falou tanto da China quanto desde o começo do ano!

Por conta da pandemia de Covid-19, o gigante asiático ganhou um destaque global ainda maior que o que naturalmente já tem. É alvo de todo tipo de teorias da conspiração, por ter sido o país onde o novo coronavírus surgiu, e pela guerra particular contra ele do presidente americano, Donald Trump, que busca a reeleição.

A despeito de tudo isso, a China foi um dos primeiros países do mundo a relaxar as medidas de distanciamento social, que lá foram muito mais severas que aqui. Mas, por isso mesmo, duraram menos de um mês.

Hoje o país é um dos que lideram a corrida por uma vacina contra o vírus. Eles também desenvolveram hábitos e tecnologias que podem ser muito úteis no mundo pós-pandemia, inclusive para nós.

O que os chineses estão fazendo que nós podemos copiar?


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A China é o maior parceiro comercial do Brasil no mundo. O país asiático tomou esta posição dos Estados Unidos em 2009, e não perdeu mais. Segundo o Ministério da Economia, em 2018, o comércio entre China e Brasil foi de US$ 98,6 bilhões, com superávit para o Brasil de US$ 29,2 bilhões.

Já foi o tempo em que a China era um mero reprodutor de versões baratas e de baixa qualidade de produtos ocidentais, os chamados “Xing Ling”. Sim, a China ainda exporta todo tipo de quinquilharias para o mundo todo. Mas o país é hoje dono de uma das indústrias tecnológicas mais pujantes do planeta, em todos os segmentos.!

No mundo pós-pandemia -pelo menos para eles- algumas novidades podem indicar caminhos a ser seguidos por outros países.

Um estudo realizado pela consultoria Inovasia entre 2 de abril e 15 de junho identificou várias dessas inovações.

Um deles é o pagamento digital pelos celulares. Em uma época em que o contato se tornou um fator potencial de contágio, até o cartão de crédito nas mãos de um lojista ou de um entregador é visto com receio por alguns. Portanto os meios digitais de pagamento crescem fortemente e os pagamentos por aproximação do celular estão consolidados lá. Aqui no Brasil, isso ainda está começando.

Os superapps chineses, como WeChat e AliPay, concentram o processo, algo que também está engatinhando aqui, com operações locais. Dessa forma, dinheiro em papel é cada vez mais raro na China, o que é muito bem-vindo, pois as notas sempre foram instrumentos de propagação de doenças, e não só de Covid-19.

Nessa mesma linha, empresas que ofereçam produtos que não exijam contato com o público ganham espaço. Até o mundo do trabalho deve ir por esse caminho, com menos reuniões em salas fechadas. Aliás, trabalho remoto, sempre rejeitado por muitos, se tornou uma possibilidade vantajosa! O mesmo se observa com o ensino à distância. Mesmo com as escolas reabrindo, parte do público preferiu continuar com as aulas online.

A tecnologia é essencial nesse ponto, com a adoção de equipamentos que ajudam em atividades como telemedicina, além de realidade virtual e realidade aumentada.

O varejo de agora em diante

O varejo também se beneficiou da tecnologia. Não apenas pelo crescimento explosivo do e-commerce, mas pela consolidação do chamado shopstreaming. Trata-se de lives em que vendedores ou celebridades apresentam produtos ao vivo, para que os consumidores tirem dúvidas e façam compras na hora.

Segundo o instituto iMedia Research, o “comércio ao vivo” movimentou US$ 63 bilhões na China, em 2019. Com a pandemia, este número deve saltar para US$ 135 bilhões em 2020.

A Inovasia aponta uma coisa interessante nisso: o apresentador não deve ser uma celebridade qualquer, paga para só “puxar o saco” da marca! O que realmente funciona é um influenciador que seja um especialista no produto, que pode falar com propriedade sobre ele. A agência de comunicação Dentsu Aegis Network indicou que mais de 90% dos gestores aumentarão seu investimento em influenciadores digitais, e 80% melhorarão sua infraestrutura de e-commerce.

Outra tendência ligada ao varejo é a entrega em menos de uma hora. Isso já existe na China há uns cinco anos, mas ficou muito mais importante agora. A consultoria britânica Real Capital Analytics indica que imóveis em bairros de Pequim, Xangai e Shenzhen que são atendidas por supermercados que entregam em até 30 minutos tiveram valorização média de 10% só por essa facilidade.

Outra tendência chinesa ligada ao varejo que se vê timidamente por aqui é a preferência pelo comércio local. Com um consumo mais consciente, as pessoas procuram comprar de pequenos varejistas do próprio bairro, como uma maneira de ajudá-los. Além disso, a Inovasia identificou um crescimento por marcas nacionais, em detrimento de produtos importados.

A alimentação dos chineses também ficou mais saudável. Alimentos frescos estão sendo mais buscados, em detrimento dos congelados. As pessoas também estão cozinhando mais em casa, outra coisa que se observa no Brasil.

Os chineses também estão se exercitando mais, porém não em academias, por serem locais fechados. Cresceu a compra de produtos para atividades físicas na residência.

Do ponto de vista de mobilidade, assim como no Brasil, a venda de carros desabou por lá durante a pandemia: 89% de queda! Mas, com a retomada das atividades, muitas pessoas voltaram a comprar carros. O motivo é não querer usar o transporte público, um foco de contágio.

Além das onipresentes bicicletas, quando o carro se faz necessário, os chineses estão preferindo os veículos LSV, ou Low Speed Vehicles. São carrinhos parecidos aos de campos de golfe, totalmente elétricos, conectados e que se movem a, no máximo, 40 km/h. A sua autonomia varia entre 40 km e 90 km e seu tempo de carregamento é de apenas três horas.

Assim como aconteceu no Brasil, a China experimentou uma explosão de “fake news” durante a pandemia, disseminadas principalmente por redes sociais. E, assim como aconteceu no Brasil, os veículos de comunicação tradicionais emergiram como fontes confiáveis para combater a desinformação. Os mais jovens tiveram um papel interessante nisso, ajudando parentes e amigos mais velhos a separar as notícias falsas de material produzidos por veículos sérios.

Precisamos melhorar muito nisso aqui no país.

Não tem volta!

É interessante observar que essas mudanças vieram para ficar, mesmo entre os “late adopters”. Segundo a consultoria chinesa ChoZan, esse público é, em geral, formado por homens acima de 50 anos, com pouca intimidade com smartphones e que têm medo de sofrer golpes online. O mesmo raciocínio se aplica a empresas que, por questões culturais, não sentiam a necessidade de oferecerem seus produtos digitalmente.

A pandemia forçou todos a mudar de postura. E o fim da crise sanitária no país não fez o comportamento dos “late adopters” retornar ao estágio pré-Covid. O motivo principal para a mudança de postura é que seus temores não se concretizaram: a coisa “deu certo”! No caso das empresas, houve aumento de receita em 87% dos casos. O consumo, aliás, voltou com força após o isolamento, porém mais consciente, incluindo evitar dívidas de longo prazo.

Como se pode ver, a China pós-pandemia traz caminhos interessantes, que podem nos ajudar também. Cabe a nós aproveitar essas ideias da melhor maneira possível.

Vale lembrar que se trata de um país em que as liberdades individuais são restritas e que a arapongagem é algo comum e até aceita. Por exemplo, todo cidadão é obrigado a informar, em um aplicativo, viagens intermunicipais e sintomas de saúde às autoridades. O sistema, que roda nos superapps WeChat e no AliPay, confere classificações verde, amarelo e vermelho a cada cidadão, determinando seu grau de liberdade de circulação.

Fica a questão se queremos fazer algo assim por aqui. O histórico do governo brasileiro de proteção aos próprios cidadãos não anda muito favorável. Devemos estar atentos para que o governo brasileiro não passe dos limites.

Temos muito que aprender com os chineses! Vamos então adotar as coisas positivas que vêm de lá. E aprender o que não fazer com o que não é legal.

Há 25 anos, coloquei a Folha de S.Paulo na Internet

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Hoje faz exatamente 25 anos que eu apertei, pela primeira vez, o botão “upload” para subir uma página da Folha de S.Paulo na Internet!

No dia 9 de julho de 1995, domingo da abertura da reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), a FolhaWeb, primeiro website o jornalão da Barão de Limeira, entrou no ar pelas minhas mãos, então repórter de Ciência do impresso.

Foi uma experiência arrebatadora! Participar da criação de um produto é algo incrível, mas fazer parte dos primeiríssimos momentos de uma indústria que mudaria o mundo nos anos seguintes é algo absolutamente impagável: naquele momento estava surgindo a mídia digital, não apenas no Brasil, mas no mundo todo!

Quase não existiam modelos: basicamente os serviços online americanos America Online, Compuserve e Prodigy, o francês Minitel e algumas BBSs, inclusive no Brasil. Mas todos eram redes fechadas, limitadas e nenhuma funcionava na Internet. Tampouco existia formação, literatura e sequer concorrentes (e nem público). Portanto, a criatividade estava em constante ebulição, sem nenhum limite!

Depois de pouco mais de um mês no ar, decidi que queria fazer apenas aquilo e pedi para deixar a editoria de Ciência do jornal impresso, onde era editor interino. Lembro-me de meus colegas da Redação tentando me dissuadir da ideia, pois, segundo eles, a Internet era um modismo que não duraria e que, ao deixar o jornal, eu estaria jogando fora uma carreira promissora.

Que bom que não dei atenção a eles…

O pulo do gato

Não foi um trabalho individual. Ele começou em janeiro daquele ano, quando propus ao meu editor na época, Claudio Csillag, que criássemos as páginas do jornal na então recém-liberada Internet comercial brasileira. Antes de novembro de 1994, ela estava disponível apenas a poucos alunos de raras universidades do país.

Afinal, aquilo parecia “muito legal”!

Csillag foi essencial para convencer a direção do jornal a permitir o projeto, pela sua insistência e pela grande cartada de propor a “primeira cobertura online do Brasil”: basicamente, colocar na Internet as notícias que sairiam no jornal no dia seguinte sobre a reunião da SBPC daquele ano. Essa suposta primazia digital “compensava” o fato de que os concorrentes (pela ordem) Jornal do Commercio (PE), Jornal do Brasil (RJ), Estadão (SP), O Globo (RJ) e Zero Hora (RS) tinham lançado seus sites antes da Folha. O “pulo do gato” de Csillag evitou que o projeto pudesse ser empurrado ainda mais para frente.

Os trabalhos finalmente começaram em junho. Após fechar a edição diária da editoria de Ciência do jornal, eu me juntava ao então gerente técnico da Agência Folha, Lelivaldo Marques Filho, parceiro no desenvolvimento das primeiríssimas páginas, que também contaram com a ajuda técnica de Sérgio Esteves, então analista de sistemas da Folha. Tudo sob a batuta de Marion Strecker, diretora da Agência Folha na época. O logo e o layout da página ficaram a cargo de Cássio Leitão.

O dia a dia não era glamouroso, não era fácil. Tive que aprender HTML na marra, nos poucos tutoriais que já existiam na própria rede. Para criar as páginas, usava o Word! Apesar de parecer uma ferramenta inadequada para a tarefa, ele cumpria bem o papel, pois importava nele as matérias do sistema proprietário da paginadora do jornal impresso, e “rodava uma macro” (sequência de comandos gravados) que eu havia desenvolvido, que trocava as tags da paginadora por equivalentes em HTML. E então “subia” para um servidor na Embratel por FTP.

Ou seja, por muito pouco, não fiz o café e limpei o banheiro. Mas saboreei cada momento daquele como se fosse Neil Armstrong pisando na Lua. Que sensação incrível!

Antes que o ano acabasse, Caio Túlio Costa já comandava um novo projeto ainda sem nome, mas que transformaria a FolhaWeb no Universo Online alguns meses depois, no dia 28 de abril de 1996. E tudo aquilo e o que veio depois ajudou a criar a história do jornalismo e da mídia digital.

Tudo isso aconteceu naquele longínquo 1995. Parece que fosse outra vida! Hoje o consumo de conteúdo se dá majoritariamente pelo meio digital. Além disso, todos nós deixamos de ser meros consumidores para nos tornarmos produtores de conteúdo, ainda que seja com singelos posts nas redes sociais.

Parece tudo óbvio, tudo fácil, tudo lindo. Não foi! Criar a FolhaWeb e todas aquelas iniciativas pré-históricas do jornalismo digital exigiu visão e uma dose de loucura. Vale dizer novamente que jornalistas do maior jornal do país, então no seu auge, achavam que a Internet não passava de um modismo passageiro. Até mesmo, Bill Gates, ainda CEO da Microsoft, lançou no mesmo ano a MSN no mesmo formato fechado da America Online, esnobando a Internet.

Como dizem, #ficaadica: às vezes temos que abraçar aquilo em que acreditamos, mesmo quando todos a nossa volta digam não. Nunca se sabe quando estaremos mudando o mundo.

A cultura do ódio não vem de hoje, mas só aumenta

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Desde 1º de julho, quase 700 empresas, entre elas algumas das marcas mais importantes do mundo, não anunciam mais no Facebook e em outras redes sociais. Elas pressionam essas plataformas a combater com mais afinco o discurso de ódio em suas páginas, nos bilhões de posts feitos diariamente pelos seus usuários.

Mas o problema transcende as postagens. Graças ao poder que as redes sociais têm sobre nós, esse império do ódio que se instalou nelas já transformou nosso comportamento. Hoje somos uma sociedade de gente raivosa, intolerante e vingativa.

O que podemos fazer para melhorar isso?


Veja esse artigo em vídeo:


Os executivos das redes sociais se defendem dizendo que eles não têm como verificar tudo que se publica ali. Foi o que Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, disse no Senado americano em abril de 2018, sobre o escândalo da empresa Cambridge Analytica, que roubou dados de 87 milhões de usuários da plataforma para ajudar a eleger Donald Trump.

Eu posso até concordar com isso. De fato, essa é uma tarefa surreal! Mas essas plataformas precisam fazer muito mais que estão fazendo, seja com sistemas automatizados, sejam com equipes dedicadas a combater o ódio em suas páginas. E o motivo é que a sua onipresença na vida de todos está transformando as pessoas em seres humanos piores!

Houve uma época em que, quando não gostávamos de alguém, simplesmente ignorávamos a pessoa. Depois a coisa piorou: as pessoas começaram a falar mal dos desafetos. E agora chegamos a um ponto horrível, em que o outro deve ser silenciado ou até destruído, pelo menos sua reputação. Surgem comportamentos hediondos, com os de “cancelamento” de pessoas ou de “exposed”, para usar termos da rede.

O “exposed”, como sugere o nome, expõe amplamente algo ruim que uma pessoa fez –ou pior, que alguém disse que fez– para um apedrejamento digital, que pode ter desdobramentos legais. Já o “cancelamento” cria um movimento para que um grande número de pessoas cancele o vínculo com a vítima e a bloqueie, em uma tentativa de fazer com que suas ideias não sejam mais ouvidas por ninguém.

Isso é cruel! É desumano! Onde vamos parar?

A chance de podermos expressar amplamente nossa opinião que as redes sociais nos deram é algo incrível! Mas o discurso de ódio que se instaurou de uns tempos para cá criou uma sociedade que adora falar, mas detesta ouvir.

Criou-se um culto de que “a minha opinião vale muito e é ela que tem que prevalecer”. E isso se esconde covardemente debaixo do manto da liberdade de expressão, que não tem nada a ver com isso.

Em um tempo de imediatismo, as pessoas tomam ações sem refletir, um convite ao desastre. Logo, “se você não está comigo, você está contra mim!” Isso é perigosíssimo, pois a vida não é preta e branca: tem incontáveis nuances de cinza, e é ali que estão a beleza da vida e a verdade.

As pessoas nem verificam se aquela acusação que estão repassando é verdadeira. Contribuem para destruir a imagem de uma pessoa só porque ouviram alguém falar algo que não gostaram, e jogam gasolina na fogueira da Inquisição digital. Agem como testemunhas, juízes e algozes, em ritos sumários!

Daí entram em cena os algoritmos de relevância das redes, que ampliam ainda mais a destruição, pois, pela sua lógica computacional, “se tem muita gente batendo em alguém, isso deve ter valor e precisa ser disseminado ainda mais”.

Intolerância e autoritarismo

Sabe aquela história do bullying, que algumas crianças praticam com colegas na escola? Agora o bullying é feito em escala global, e muitas vezes é criado ou incentivado por pessoas famosas e até autoridades.

Aliás, trata-se de uma característica de regimes autoritários, que não toleram quem pensa diferentemente. Isso se viu pela primeira vez com força na ascensão do nazismo, em que Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Adolph Hitler, calava todas as vozes dissonantes do regime, começando pela imprensa. É por isso que os valores pregados pelo partido pareciam então legítimos e corretos, por mais que hoje eles nos soem como absurdos!

Isso me lembrou um caso que aconteceu em janeiro de 2018. Naquela ocasião, a francesa Catherine Deneuve, uma das atrizes mais respeitadas do mundo e ícone de sua geração, publicou no prestigiado Le Monde, junto com outras 99 mulheres artistas e intelectuais da França, uma carta em que criticavam o “puritanismo” de campanhas contra assédio sexual.

Elas defendiam o que chamaram de “liberdade de importunar” dos homens, considerada pelo grupo como “indispensável para a liberdade sexual”. Elas disseram textualmente no manifesto: “O estupro é crime. Mas o flerte insistente ou desajeitado não é um delito, nem o cavalheirismo uma agressão machista”. Também disseram que “não se sentem representadas por esse feminismo que, além das denúncias dos abusos de poder, adquire uma face de ódio aos homens e sua sexualidade”.

Resultado: as signatárias do documento foram apedrejadas nas redes sociais, sendo inclusive acusadas de fazer apologia ao estupro.

Oras, elas disseram exatamente o contrário disso na carta! Mas a massa raivosa fica cega a quem não pensa exatamente igual a ela.

O conceito foi brilhantemente explorado no episódio “Odiados pela Nação”, o último da terceira temporada da série “Black Mirror”. Na história, pessoas passam a ser misteriosamente mortas depois que seus nomes são associados à hashtag #DeathTo no Twitter. A pessoa com mais “votos” no dia acabava morta. Criou-se então um perverso jogo em que qualquer um podia literalmente determinar a morte de alguém que não gostasse, qualquer que fosse o motivo, simplesmente twittando seu nome.

Metaforicamente falando, é o que estamos vivendo hoje. Mesmo que a pessoa tenha uma vida imaculada –o que não existe– ela pode ser vítima de um “cancelamento”.

Eu pergunto: quem somos nós para acusar e destruir alguém?

Como diz aquela passagem bíblica, “quem dentre vós não tiver pecado, atire a primeira pedra”.

Não podemos entrar nessa onda de ódio e intolerância! Isso é uma afronta e um seríssimo risco a uma sociedade organizada! Se todo mundo que se sentir incomodado tiver o poder de um canhão para alvejar seus desafetos, viveremos um cenário de caça às bruxas!

As redes sociais deram voz a todos, e isso é maravilhoso! Mas não podemos usar esse direito para criar uma nova versão dos tribunais da Santa Inquisição. Ou em breve estaremos queimando mulheres em praça pública apenas por serem ruivas. E, assim como acontecia naqueles tempos sombrios, quem em um dia condena poderá ser queimado no dia seguinte.

Basta um desafeto lançar uma suspeita.

Ao invés disso, fico com o que cantavam os Beatles: “all you need is love!”

E convido você a fazer o mesmo.

Nem todo mundo é tão digital quanto poderia ou gostaria

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Será que temos que atender todos que poderiam ser nossos clientes?

Por mais paradoxal que possa parecer, não necessariamente!

Veja por exemplo o que está acontecendo com a entrega do Imposto de Renda, cujo prazo termina nesta terça, e é feita apenas online há uma década.


Veja esse artigo em vídeo:


Mesmo com o prazo estendido em dois meses por causa da pandemia do Covid-19, a Receita Federal informou, na sexta passada, a apenas 4 dias do fim do prazo, que cerca de 8 milhões de contribuintes ainda não tinham enviado a sua, equivalente a cerca de 25% das 32 milhões de declarações que o órgão espera receber neste ano.

Manter um canal de atendimento implica em diversos custos. No caso de um negócio, precisamos identificar se as receitas geradas pelas pessoas atendidas por ele valem a pena. Às vezes, elas não cobrem nem suas despesas. Isso pode impactar também o produto em si. Você pode criar um bastante dependente no meio digital, como no caso da entrega do Imposto de Renda. Só que há uma parcela considerável de pessoas que não se sentem totalmente à vontade online. Como elas ficam?

Alguns poderiam dizer que essa demora na entrega da declaração do IR se trata do velho hábito do brasileiro de deixar tudo para última hora. Para muitos, pode ter sido isso mesmo. Mas não para todos!

Muitos ainda não declararam por dificuldade de juntar todas as informações necessárias por não poder sair de casa, pelo distanciamento social. E isso acontece porque, apesar de praticamente tudo estar online hoje em dia, nem todas as pessoas se sentem à vontade no meio digital.

A declaração de Imposto de Renda brasileira é bastante simples, rápida e segura. Hoje é possível fazer a declaração até pelo celular! Para os que têm pouca coisa a declarar e já têm as informações à mão, o processo pode levar apenas alguns minutos.

Nem sempre foi assim. Eu me lembro, quando era criança, de ver meu pai com longos formulários, uma pilha de papeis, lápis, caneta, calculadora, preenchendo a declaração do. Nem dava para terminar no mesmo dia: era demorado e a chance de cometer erros era enorme! Depois ainda tinha que entregar os formulários pessoalmente.

Nos anos 1990, o processo começou a ser digitalizado. Em 1991, surgiu o primeiro programa que substituía os formulários em papel, mas a entrega ainda precisava ser feita pessoalmente, em disquete, pois a Internet era restrita a poucas universidades. O envio pela Internet foi liberado em 1997 e a entrega em papel resistiu bravamente até 2010, último ano em que a Receita aceitou os velhos formulários.

Como se pode ver, o sistema evoluiu muito, até se tornar um dos melhores do mundo. Mesmo assim, até hoje existem pessoas que têm medo de enviar sua declaração online. Há também aqueles que não conseguem operar o programa -e não são poucos. Há ainda um grande contingente que sequer consegue obter pela Internet todos os dados necessários, como informes de rendimento ou comprovantes de pagamento.

Como se pode ver, o buraco pode ser muito mais embaixo.

On line X off line

Por diferentes motivos, nem todo mundo é tão digital quanto poderia ou até gostaria! E muitas empresas e instituições de diferentes tipos ignoram isso.

Outro exemplo interessante para a compreensão dessa dinâmica são os bancos. O Brasil também tem um dos melhores sistemas bancários do mundo. O Internet banking é extremamente desenvolvido aqui.

Alguns bancos apenas digitais fazem enorme sucesso sem ter nenhuma agência. O maior deles, o Nubank, que tem apenas sete anos da história, já atingiu 20 milhões de clientes. É um terço das contas do Banco do Brasil, que tem 169 anos!

Não há dúvidas que a digitalização é o caminho a ser seguido, cada vez mais, pelos bancos. Ainda assim, muitos clientes gostam de ir a uma agência, conversar como gerente presencialmente.

A maioria dos setores da economia ainda funciona de maneira muito mais presencial que online, pois mais que cresça na modalidade digital. É o caso, por exemplo, do varejo de rua, de bares e restaurantes e da educação.

Esses também são alguns dos setores que sofreram muito com as regras de distanciamento social. A maior parte de seus clientes não está acostumada a consumir seus produtos à distância e os negócios não estavam preparados para essa realidade que se impôs ao mundo.

Nesse sentido, a pandemia funcionou como um verdadeiro “ferio de arrumação”. Empresas e clientes precisaram se adaptar a novas regras de convivência e de relacionamentos comerciais. Alguns negócios e alguns clientes conseguiram se adaptar a isso rapidamente, e estão passando por essa crise de um jeito melhor.

Vem então a pergunta: as empresas devem criar ou manter estruturas em seus negócios para atender esse público “analógico”?

A princípio, eu diria que sim. Afinal, são clientes, e merecem ser bem atendidos dentro de suas necessidades.

Quando criamos um produto, tendemos a achar que todas as pessoas são como nós. Mas elas não são! Cada um tem sua história, seus valores, seu nível educacional, sua facilidade com a tecnologia. Se criamos um produto que funcione muito bem apenas para pessoas como nós, na prática estamos mandando embora todos os demais clientes.

No final, é uma decisão de negócios. Cada canal que criamos implica em custos. Precisamos colocar, na ponta do lápis, se a quantidade de clientes que atenderemos em um canal resultará em ganhos que superem seus custos.

Ninguém espera ver o Nubank abrindo agências. Nem o Banco do Brasil fechando todas as suas. Pelo menos não por enquanto.

E temos que compreender que, se não atendermos um grupo da população, alguém o fará, mesmo que seja um nicho. Perderemos esses clientes e quem os atender poderá fazer um bom dinheiro com isso.

De novo, são decisões de negócios.

A Receita Federal não é uma empresa. No caso da declaração do Imposto de Renda, criou um sistema que atende bem a maior parte da população. E não se preocupa com quem não se dá bem com aquilo, pois sabe que existe todo um exército de contadores que apoiará os que não se sentem à vontade com a declaração digital.

No caso do seu negócio, certifique-se apenas que não esteja tomando a decisão de atender ou não um público olhando só para o seu umbigo, para as suas preferências pessoais. Toda empresa deve ser moldada no seu público.

Caso contrário, pode acabar sendo chutada para fora do mercado por concorrentes que entendem isso e oferecem uma grande experiência ao consumidor, alinhada a seu modelo de negócios.

Facebook mira seus canhões para meios de pagamento e e-commerce

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Você provavelmente é um dos mais de cem milhões de usuários do WhatsApp no Brasil. Usa o comunicador do Facebook para conversar com seus amigos, familiares, colegas, para fazer negócios, mandando fotos, áudios, “figurinhas” e arquivos.

Mas você toparia mandar dinheiro de verdade do mesmo jeito?

Essa é a mais recente novidade do Facebook em seus esforços para ocupar o varejo eletrônico e os métodos de pagamento. E tem potencial de sacudir o mercado.


Veja esse artigo em vídeo:


Na segunda passada, o próprio Mark Zuckerberg, dono do Facebook, disse em uma postagem na rede social que o Brasil foi escolhido para um amplo teste de envio de dinheiro pelo WhatsApp. Por “amplo teste” entenda-se que todos os usuários -pessoas e empresas- terão acesso ao recurso.

Antes de nós, ele já tinha sido testado na Índia, mas em um grupo reduzido de usuários, em condições mais controladas. Agora, no Brasil, a novidade vai ser solta na “vida selvagem”.

E isso é algo que pode acontecer no varejo, prejudicando a experiência global do consumidor

O recurso já estava sendo desenvolvido, mas a pandemia de Covid-19 antecipou o lançamento. Afinal, o comércio eletrônico cresce aceleradamente desde que o distanciamento social foi definido, em março.

É como diz o ditado: “enquanto alguns choram, outros vendem lenços”. E um dos que estão vendendo mais lenços é a Amazon.

Segundo “The Wall Street Journal”, a empresa de Jeff Bezos teve, em abril, o mesmo volume de pedidos de períodos como o Natal e o Dia dos Namorados. E em 16 de abril, as ações bateram sua maior alta histórica: 28% ao ano. Bezos sozinho ganhou US$ 24 bilhões desde o começo da pandemia! Foi um dos poucos bilionários a aumentar sua fortuna no período.

Zuckerberg também quer participar dessa festa! E o serviço de pagamentos pelo WhatsApp é importantíssimo nesse projeto.

Ele poderá ser utilizado por pessoas físicas e jurídicas. Usuários poderão transferir dinheiro para outros contatos e fazer compras sem ter que pagar taxas. Por outro lado, pequenas empresas que usam o WhatsApp Business pagarão uma taxa de 3,99% para receber os pagamentos de clientes, nos mesmos moldes do que acontece com recebimentos por cartões de crédito.

As transferências entre pessoas só poderão ser feitas com cartão de débito, limitadas a R$ 1.000 por transação, com um limite de 20 transações por dia e de R$ 5.000 por mês. Já para empresas, os pagamentos poderão ser tanto com cartão de débito quanto de crédito.

Por enquanto, só dará para fazer isso entre usuários no Brasil e tendo o Real como moeda.

Para evitar transações não-autorizadas, todas deverão ser aprovadas pelo usuário, com uma senha de seis dígitos ou a biometria do celular, quase sempre a impressão digital que alguns modelos leem.

Os usuários precisarão usar cartões de débito e crédito das bandeiras Visa e Mastercard, emitidos pelo Banco do Brasil, pelo Nubank ou pelo Sicredi.

Com o tempo, outras instituições devem aderir ao sistema. Todos os pagamentos serão processados pela Cielo. Ou seja, os comerciantes que desejarem utilizar a novidade para receber pagamentos terão de ter uma conta da Cielo, pelo menos por enquanto.

As transferências pelo WhatsApp estão vinculadas ao Facebook Pay, que já funciona nos Estados Unidos e permite pagamentos pelo Facebook e pelo Messenger. A ideia é que, em breve, seja possível fazer pagamentos entre todos os aplicativos da empresa, o que inclui também o Instagram

“Lojinha” e delivery de comida

Outra iniciativa do Facebook nessa seara é o Facebook Shops, ou Loja do Facebook, como deve ser conhecida aqui. Ele permite que pequenos lojistas criem vitrines de seus produtos no Facebook e no Instagram, podendo até personalizar a aparência do ambiente. Com o Facebook Pay, é possível que as pessoas até mesmo concluam as compras dentro da plataforma. A novidade, que já funciona nos Estados Unidos, deve estar disponível no Brasil em dois meses.

O Facebook ainda pode ingressar no negócio de entrega de comidas, invadindo o terreno do iFood, do Uber Eats e da Rappi. A informação saiu do próprio Zuckerberg, em entrevista ao jornal “Financial Times”.

Surge então a pergunta: isso tudo será bom aos consumidores e aos lojistas?

A princípio, tendo a dizer que sim!

Em primeiro lugar, as transferências pelo WhatsApp diminuem ainda mais a curva de adoção de meios de pagamento digitais, por ser uma plataforma totalmente disseminada no país e com a qual os usuários se sentem muito à vontade. Na prática, o Facebook entra na chamada “guerra das maquininhas”, sem sequer ter uma maquinha.

Para os pequenos negócios também pode ser uma boa ideia, pelo mesmo motivo. Resta saber se o modelo de negócios, que exige uma conta na Cielo e a cobrança de 3,99% por transação, será interessante para eles.

Do outro lado, os clientes também precisam de um cartão emitido por um dos bancos participantes, que ainda são poucos, e isso que restringe muito sua adoção. Mas a expectativa é que outros bancos se juntem aos pagamentos pelo WhatsApp depois.

Riscos de golpes

Daí vem a grande questão: a segurança.

O consumidor é sempre o elo mais fraco nisso. Tanto que a maioria dos golpes digitais não acontecem por uma invasão de sistemas.

Os disseminadores de “fake news” não são os únicos criminosos no WhatsApp. Há outro tipo de bandido que prefere essa rede: o que percebeu que é relativamente fácil enganar as pessoas para assumir suas contas e dar golpes de todo tipo. Isso acontece até com usuários que têm um bom domínio do meio digital. A bandidagem está ficando cada vez mais convincente nos seus métodos de convencimento.

Não é de se estranhar que esteja acontecendo uma verdadeira explosão de golpes virtuais nessa pandemia. E é possível que esse patamar se mantenha quando tudo estiver um pouco mais normalizado.

Ou seja, os golpes virtuais já fazem parte do chamado “novo normal”. Por isso, independentemente de você usar a novidade do WhatsApp, já deixo aqui uma dica essencial: ative a verificação em duas etapas no sistema. Isso coloca uma bem-vinda camada adicional de segurança a sua conta.

Apesar desse receio com a segurança, vejo como inevitável que essas novidades do Facebook deem certo e sejam amplamente adotadas. O brasileiro adora tecnologia, adora redes sociais e adora o WhatsApp. Não é de se estranhar que Zuckerberg tenha escolhido o Brasil para testar a novidade. E, com os devidos cuidados, o recurso pode ser mesmo bacana.

Temos apenas que entender bem como isso tudo funciona, para aproveitarmos o que elas têm de bom e não sermos vítimas de todo tipo dos criminosos.

E-commerce salva varejo, mas deixa feridos pelo caminho

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Como você tem feito suas compras, de qualquer coisa, nesses tempos de pandemia?

Possivelmente o e-commerce ganhou espaço na sua vida nesse período. Não só porque lojas de muitos segmentos estavam fechadas, mas também porque o comércio eletrônico surgiu como mais vantajoso, nem que seja para não ter que ficar saindo de casa, diminuindo a chance de se contaminar pelo Covid-19.

A verdade é que, salvo coisas como supermercados e farmácias, o vírus colocou o varejo de joelhos. A situação só não foi ainda mais dramática porque o e-commerce existe.


Veja esse artigo em vídeo:


Já falei aqui sobre boas iniciativas para ajudar principalmente os microvarejistas, como grandes plataformas ajudando esses pequenos a escoarem seus estoques. Em momentos de crise aguda, como a que estamos vivendo, temos que achar saídas criativas e fazer parcerias.

Mas essas parcerias precisam ser de “ganha-ganha”. Relações não podem ser desequilibradas, ou a parte mais forte pode acabar asfixiando a mais fraca.

E isso é algo que pode acontecer no varejo, prejudicando a experiência global do consumidor.

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Há muitos anos, ouvi de uma colega americana a expressão “a planície está coberta de corpos de pioneiros”. É uma referência à chamada “Marcha para o Oeste” no século XIX, em que o governo dos Estados Unidos incentivava pessoas comuns a ocupar as planícies à oeste dos 13 Estados originais Eventualmente isso acabou acontecendo, e os brancos chegaram até o Pacífico. Mas muitos colonos morreram antes disso, pois eles não tinham a menor ideia de como vencer nessa empreitada. De todo jeito, sem esse movimento, os Estados Unidos nunca teriam o tamanho que têm hoje.

Vejo o varejo físico hoje como pioneiros desbravando novos horizontes, apesar do e-commerce já existir há décadas. A Amazon, fundada por Jeff Bezos, acaba de completar 26 anos de existência, em uma posição invejável no segmento.

Vários shoppings, inclusive no Brasil, fizeram parcerias com a Amazon, para tentar resgatar parte das vendas. Apesar de fazer todo sentido agora, se não for bem feito, esse movimento pode deixar muitos corpos nas planícies. Afinal, os shoppings estão entregando seus clientes a um possível futuro concorrente direto.

Quanto mais um modelo de negócios depender da circulação de pessoas, como é o caso dos shoppings, mais em desvantagem ele fica, frente a plataformas extremamente robustas e refinadas para oferecer a melhor experiência ao consumidor, quando a presença física não é necessária, como é o caso da Amazon!

Mas se pode argumentar -corretamente- que o shopping é mais que simplesmente comprar. Ele é uma experiência que mistura compras a lazer de vários tipos, serviços e gastronomia. Quem vai ao shopping por isso continuará indo. Mas a coisa muda de figura com quem vai só para compras.

Quem viu as aglomerações na reabertura dos shoppings em São Paulo, nesta quinta, pode achar que esse risco não existe. Mas esse alvoroço foi impulsionado pelas saudades que muitas pessoas estavam de seu “shopping de estimação” e pelo Dia dos Namorados, que aconteceu no dia seguinte. Lojistas reclamam que as vendas estão muito menores que no período pré-pandemia.

O peso da experiência

A experiência no shopping está muito menos prazerosa pelas incontáveis regras para minimizar o contágio de Covid-19 e o fechamento de cinemas, teatros, áreas de jogos e até das praças de alimentação. Sem falar de não poder criar aglomerações e andar o tempo todo de máscara.

Portanto, a relação do púbico com os shoppings deve mudar consideravelmente nos próximos meses. E, ao se associar à Amazon, eles podem estar acelerando essa migração de consumidores para o meio digital.

Vale dizer que muita gente que nunca tinha comprado nada no e-commerce começou a fazer isso graças ao Covid-19. Segundo o relatório Webshoopers, produzido pela Ebit – Nielsen, 2019 terminou com 61,8 milhões de brasileiros tendo comprado algo no e-commerce, um aumento de 6% em relação a 2018. Isso indica que aproximadamente metade dos internautas brasileiros comprou algo online em 2019, o que me parece pouco, já que a outra metade também está online.

O Covid-19 mudou esse cenário consideravelmente. Segundo o Webshoppers, as compras no e-commerce brasileiro feitas entre 17 de março e 27 de abril cresceram 14,4% sobre o período de 4 de fevereiro a 16 de março. Se comparado a abril do ano passado, o crescimento foi de incríveis 48,3%. As categorias que mais atraíram novos consumidores foram farmácias e autosserviço (como supermercados).

Parte desses consumidores, mesmo os que nunca tinham comprado nada online, manterá esse consumo digital após o fim da pandemia: perceberam que o e-commerce é bacana!

Não se pode criticar o varejo físico, inclusive os shoppings, por quererem ampliar sua presença no e-commerce. Segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers, o fechamento de 577 estabelecimentos em 222 cidades no país já provocou perdas de R$ 25 bilhões desde o início da pandemia. Nesse cenário de terra arrasada, especialistas apontam que a recuperação dos negócios dependerá enormemente da capacidade de cada um de combinar vendas tradicionais com novos formatos.

O risco de os shoppings dependerem cada vez mais das “Amazons da vida” para continuar existindo acontece porque, até março, a maioria achava que estar no meio digital era ter um site e um aplicativo institucional, com uma lista de lojas.

Ao se associar a plataformas de e-commerce totalmente maduras, cria-se um relacionamento muito desequilibrado. As plataformas vão se apropriar desses clientes e se relacionar com eles de um jeito que os shoppings não conseguem fazer, nem sonham com isso! Por exemplo, eu frequento shoppings desde criança, regularmente, toda semana! Mas conto nos dedos de uma mão a quantidade de vezes que um shopping fez uma oferta realmente personalizada para mim, apesar de todo esse relacionamento.

Muito antes do Covid-19, já se falava do “apocalipse do varejo”, que vem fechando milhares de lojas físicas nos Estados Unidos desde 2010. A principal causa é a migração de consumidores para o e-commerce. Estudo do Credit Suisse previu que de 20% a 25% dos shoppings centers americanos fechariam as portas nos próximos anos.

Em compensação, de acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, o Brasil abriu mais de uma loja virtual por minuto desde o início do isolamento social, em março. Em pouco mais de dois meses, foram 107 mil novos estabelecimentos criados na Internet. Os setores com mais novas lojas digitais foram moda, alimentos e serviços. Antes da quarentena, a média de abertura de lojas na internet era de 10 mil estabelecimentos por mês.

Eu já vi isso acontecer antes: nas empresas de comunicação tradicionais. Apesar de elas terem sido pioneiras da Internet no Brasil, nunca abraçaram realmente o meio digital como deveriam. Sempre foi um plano B, que nunca poderia ameaçar a operação na mídia original. Sempre mantiveram o foco em si, e nunca no consumidor, que migrava massivamente para o digital, especialmente as redes sociais.

Resultado: hoje o consumo de mídia acontece a partir de buscadores e das redes sociais. As empresas tradicionais se reduziram quase a meros fornecedores de conteúdo. As planícies estão cheias de corpos desses pioneiros, que insistiram em levar para uma nova realidade um estilo que já não se sustentava mais. Com isso, os consumidores migraram para o novo formato, mais alinhado com suas expectativas.

Não tem jeito: a inovação não pode ser impedida! As empresas de qualquer segmento, e isso inclui o varejo, precisam fazer os movimentos necessários. Mas precisam fazer isso com consciência. As parcerias são muito bem-vindas, mas eles precisam criar relacionamentos equilibrados, em que todos ganham: as lojas, os shoppings, as plataformas digitais e o consumidor.

Duro é fazer isso com a faca no pescoço! Mas ainda dá tempo de se fazer o certo.

Sua humanidade importa muito!

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Dizem que, nas crises, vemos o melhor e o pior das pessoas.

Bom, estamos passando possivelmente pela pior crise de uma geração inteira, e essa máxima vem se confirmando. Acontecimentos no Brasil e no mundo nos últimos dias reforçam o lado negativo.

Mas há o outro lado, felizmente, e ele também vem se manifestando com força, com pessoas e empresas ajudando quem estiver a sua volta. Exercitar o nosso lado bom pode nos trazer grandes resultados, inclusive profissionais. Em um mundo cada vez mais digital e automatizado, saber aproveitar sua humanidade tornou-se um diferencial.


Veja esse artigo em vídeo:


Eu sou um grande entusiasta do mundo digital! Trabalho com isso desde 1995, quando eu criei o primeiro site da Folha de S.Paulo na Internet, a FolhaWeb, que depois deu lugar ao Universo Online.

De lá para cá, a Web evoluiu absurdamente, assim como a capacidade dos computadores, a inteligência artificial, as telecomunicações. Surgiram as redes sociais, os smartphones, a Internet das Coisas, a Cloud Computing, os assistentes digitais. Isso só para ficar em alguns exemplos mais óbvios de inovação.

Portanto falar que o meio digital mudou nossas vidas é de uma obviedade atroz! E essa mudança vem se acelerando de forma exponencial!

Nesses pouco mais de dois meses de distanciamento social por conta do Covid-19, o digital atingiu um novo patamar de presença em nossas vidas. Muitos negócios só sobreviveram graças ao contato com seus clientes pelo meio online, e alguns daqueles que já estavam bem estabelecidos nas plataformas digitais chegaram mesmo a crescer na crise. Além disso, eu nunca ouvi falar tanto de home office quanto nessas semanas. Que dizer então do e-commerce?

Mas isso também trouxe alguns problemas. A mesma automação e o contato apenas pelas telas vêm nos tornando pessoas mais angustiadas. Empresas observam que algumas equipes estão até mais produtivas ao trabalhar em casa, mas estão menos engajadas. Há menos sensação de pertencimento ao time.

Na área de educação, o ensino à distância salvou o ano letivo. Alguns professores e alunos se adaptaram perfeitamente ao novo formato, e estão conseguindo aprender tão bem quanto em sala de aula. Mas os alunos estão se relacionando menos com os professores. Pior: estão se relacionando menos entre si!

Alguns poderiam dizer que essas são perdas aceitáveis diante dos ganhos que a nova realidade nos proporcionou. Mas poderíamos ter os mesmos ganhos sem ter essas perdas tão grandes.

A nova realidade do e-commerce para se comprar tudo, das videoconferências intermináveis, das aulas presenciais transformadas em ensino à distância reforçam a eficiência de processos. Mas ela prejudica a nossa humanidade.

Estamos em contato com todo mundo e, ao mesmo tempo, com ninguém.

No jornalismo, há um ditado que diz que as melhores pautas surgem no cafezinho. Isso é a mais pura verdade! E não vale só para jornalismo. Quando estamos conversando com outras pessoas de maneira mais leve, mais descontraída, sem ficar preocupados em resultados, em métricas e metas, a nossa humanidade aflora. Criam-se mais conexão entre os interlocutores, olhamos além do nosso horizonte pessoal e construímos algo com o outro, combinando a nossa vivência com a dele.

É aí que a nossa humanidade nos está escapando.

Não tem mais cafezinho com os colegas. Os alunos não ficam jogando conversa fora entre uma aula e outra (ou até mesmo durante a aula). Não há mais vendedor nos atendendo.

Entramos na videoconferência, fazemos o que tem que ser feito e vamos embora. Foco no resultado!

Só no resultado…

Para mantermos os ganhos que estamos tendo e diminuir as perdas temos, portanto, que “resgatar a nossa humanidade”. Quem conseguir fazer isso, atingirá um novo patamar de eficiência nos negócios, na experiência com seu cliente e até diminuirá as suas angústias pessoais.

Não é de se admirar que muitas empresas afirmem que suas equipes até aumentaram a produtividade nesse período de distanciamento social. Afinal, diante de uma crise que surgiu de maneira tão devastadora quanto rápida, os gestores só tiveram tempo de pensar em produtividade ao criar os novos processos. A humanidade ficou para depois.

Mas isso não é sustentável! Como estamos vendo, as pessoas estão se desengajando e até adoecendo. Se o trabalho, o ensino, o comércio à distância ocuparão muito espaço no “novo normal”, isso precisa ser resolvido.

As empresas, as escolas, as instituições precisam criar mecanismos para que as pessoas que estão longe se sintam parte da equipe. Assim como o RH se preocupa em colocar uma máquina de café na empresa, onde as pessoas possam se encontrar e bater um papo durante o expediente, um espaço virtual semelhante precisa ser oferecido. E essa interação precisa ser incentivada! Nas escolas, isso também precisa acontecer para os alunos e até para os professores. Eles não devem se encontrar apenas para ter aula.

Ironicamente, a tecnologia pode nos ajudar muito nessa tarefa.

Já há algum tempo, trabalho com o conceito de humanidade aumentada. Ou seja, quando vamos atender um cliente, a tecnologia deve nos oferecer subsídios, informações sobre ele para que o atendente, o vendedor possa conversar falando coisas que realmente interessam e ajudam o cliente. Coisas do cliente, no contexto dele! É uma venda consultiva supereficiente baseada em informações sobre o consumidor, vindas de todo tipo de fonte, para que o atendente possa justamente exercitar seu lado humano ali.

No final, todo mundo ganha com isso: o cliente e a marca.

Guardadas as devidas proporções, empresas, escolas devem oferecer espaços digitais para que as pessoas se conheçam mais e interajam entre si. A nossa humanidade deve ser resgatada, mesmo em times remotos.

Nessas horas, eu não posso deixar de pensar nos atendentes de telemarketing, que têm que seguir scripts draconianos, que os impedem de ter ideias e até de escolher palavras. Estamos robotizando as pessoas, enquanto tentamos humanizar as máquinas. O primeiro para melhorar o processo; o segundo para melhorar a experiência. Temos que unir o melhor das duas coisas!

Temos tanto medo que as máquinas roubem nossos trabalhos, mas nos comportamos cada vez mais como elas. Esse processo precisa ser revertido.

Só um ser humano consegue extrair resultados e até beleza do inesperado, do ilógico e até da feiura. E a vida é tudo isso também! Nem tudo é belo e certinho.

Vamos usar -sim- a tecnologia a nosso favor, para melhorar nossa carreira, nossos negócios. Mas jamais esqueçamos da nossa humanidade.

Esse sempre será o nosso diferencial!

Querem calar suas redes sociais

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Uma nova batalha ocupa as redes sociais, afetando profundamente o cotidiano de todos nós, pela importância que elas ocupam em nossas vidas. Dessa vez, ela vem de políticos, que usam seus apoiadores nas mesmas redes, robôs e a força do cargo para tentar piorar o nível das discussões e até censurar essas plataformas.

O exemplo mais recente desse embate aconteceu na semana passada, porque o Twitter começou a marcar publicações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, limitando as suas visualizações, por enaltecerem a violência.

Isso deixou Trump furioso!


Veja esse artigo em vídeo:


O Twitter sempre fez vista grossa aos impropérios de Trump e de outros líderes mundiais em sua plataforma, mesmo quando violavam seus termos de uso. Na avaliação da empresa, apesar dessa violação frequente, essas mensagens tinham valor como notícia, então as toleravam.

Só que, por muito menos, usuários comuns eram banidos da plataforma!

Agora a empresa resolveu mudar e endurecer contra esses políticos. Em represália, Trump assinou, na quinta passada, uma ordem executiva que poderia, na prática, regular as redes sociais e intervir no que se publica nelas. Em outras palavras, para combater o que ele chama de censura a suas publicações, Trump promete censura e outras retaliações contra as redes sociais, e não apenas o Twitter.

O presidente americano diz que quer eliminar o viés político nas redes. Na verdade, quer eliminar o que for contra ele nesse ano em que tenta a reeleição, deixando o caminho livre para continuar falando o que quiser.

As regras das redes sociais são claras sobre o que se pode postar ali: não aceitam “fake news”, incentivo a violência, terrorismo, racismo, ações contra a vida e a saúde.

Especialistas afirmam que Trump não pode fechar empresas que não estejam violando a lei. E mesmo a censura que ele quer fazer não deve passar, pois bate de frente com a chamada Primeira Emenda, que protege a liberdade de expressão nos Estados Unidos.

Sem falar que ele depende totalmente dessas redes para governar e se reeleger. Trump só está onde está graças ao contato que ele tem com seus apoiadores via Twitter.

No Brasil, a história é muito parecida. Nas últimas semanas, Bolsonaro teve várias mensagens apagadas pelo Twitter por violar as suas regras, com notícias falsas sobre o Covid-19. Antes dele, isso só tinha acontecido com chefes de governo nos casos de Nicolás Maduro, da Venezuela, e do aiatolá Khamenei, do Irã. Outros políticos brasileiros também já tiverem conteúdos removidos, como Flávio Bolsonaro, Ricardo Salles e Osmar Terra. Bolsonaro também já teve conteúdos eliminados no Facebook e no Instagram, segundo a empresa por “causar danos reais às pessoas”.

Bom, daí surgem as grandes perguntas! Será que essas ações das redes sociais são um ataque à liberdade de expressão? Se forem, será que governantes podem promover represálias contra as redes sociais porque seus conteúdos estão sendo eliminados? E como ficamos todos nós, os usuários das redes, no meio disso tudo?

O fato é que as redes sociais, e o Twitter principalmente, são essenciais para a eleição dessas pessoas, além da sua própria manutenção no governo.

A política dessas plataformas de até então tolerar as publicações incendiárias desses grupos permitiu que essas pessoas crescessem em popularidade e atingissem seus objetivos. Por conta disso, agora as redes têm que lidar com suas plataformas terem se tornando oceanos de desinformação e de ódio, em um nível que representa uma ameaça à sociedade organizada.

Esses grupos sabem usar e abusam desses recursos como ninguém. Combinam “fake news”, discursos de ódio e um incrível entendimento dos algoritmos de relevância das diferentes redes para espalhar seus conteúdos com o uso de robôs e de influenciadores. Por isso, qualquer coisa que ameace essa operação é uma ameaça real a seus planos de poder.

Sem as redes sociais, eles não são nada!

Ao assinar a ordem executiva na quinta passada, Trump disse que estava fazendo aquilo para “defender a liberdade de expressão”. Isso, por si só, já são “fake news”! Liberdade de expressão não implica poder falar o que quiser, atacar pessoas, grupos ou instituições, disseminar informações que coloquem em risco a saúde da população ou até a democracia.

“Fake news” não são liberdade de expressão: são crimes!

A desinformação é uma das maiores mazelas do planeta atualmente, com potencial de destruir a sociedade e matar pessoas, como literalmente está acontecendo na pandemia do Covid-19. Basta ver as ações e os resultados no combate à doença no Brasil e nos Estados Unidos comparados a, por exemplo, a Nova Zelândia, que já praticamente eliminou o vírus em seu território ao seguir rigorosamente as indicações da ciência. E só agora o país da Oceania está flexibilizando as regras de distanciamento, e de maneira bem lenta.

Portanto, liberdade de expressão não prevê que o indivíduo possa falar absolutamente qualquer coisa, pois muitas coisas que são faladas constituem crimes definidos no Código Penal. E, em tempos de redes sociais em que os algoritmos de relevância se tornaram gigantescas caixas de ressonância de qualquer ideia, isso se torna ainda mais grave!

Por isso, as redes sociais podem e devem -sim- coibir essa prática! Isso inclui eliminar ou limitar publicações de qualquer pessoa, mesmo de presidentes, que violem seus termos e o próprio conceito de civilidade.

E uma última ressalva, que precisa ser feita: os grupos conservadores acusam as redes sociais de perseguição política, pois são os que têm mais publicações eliminadas. Só que o combate às “fake news”, a desinformação, ao discurso de ódio deve ser feito igualmente contra todos que pratiquem isso. Se há mais publicações do grupo A sendo eliminadas que as do grupo B, é porque o primeiro abusa muito mais dessas práticas.

Assim sendo, nenhum governante ou grupo de poder pode legitimamente tentar cercear as redes sociais por elas eliminarem suas publicações que promovem esses atos nocivos à sociedade. Isso é uma intimidação digna de uma ditadura, usando recursos ilegítimos e prejudicando toda a população.

E nós, os usuários, o que podemos fazer para ajudar?

Em primeiro lugar, precisamos parar de acreditar em tudo o que vemos nas redes sociais. Por mais que apoiemos um político, devemos ser críticos ao que ele publica, pois muitos fazem qualquer coisa para se manter no poder.

Nós somos a chave para combater as “fake news”. Se não interagirmos com elas e principalmente se não as compartilharmos, elas perdem a força! Verifique meios de comunicação sérios, consulte agências checadoras de fatos antes de espalhar qualquer coisa. Uma notícia falsa raramente resiste a uma busca bem feita no Google.

Esse é o nosso papel para garantirmos que as redes sociais não apenas continuarão funcionando, como ainda se tornarão um ambiente melhor para todo mundo.

O escritor e filósofo italiano Umberto Eco - Foto: reprodução

Desculpe, Umberto Eco

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Em junho de 2015, eu discordei de Umberto Eco. Agora, cinco anos depois, eu quero pedir desculpas por isso. Não pelo ato de discordar dele, mas por não ter percebido o que ele viu corretamente lá atrás.

Na ocasião, quando recebeu o título de doutor honoris causa em Comunicação e Cultura na Universidade de Turim (Itália), o escritor e filósofo italiano discursou dizendo que as redes sociais haviam dado voz a uma “legião de imbecis”, antes restrita a “um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade.” Afirmou ainda que “eles eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra que um Prêmio Nobel” e que “o drama da Internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade.”

Na ocasião, achei que Eco tinha exagerado na dose. Vi, em suas palavras, uma certa intolerância, que não combinava com ele mesmo. Na minha filosofia, em que todos devem ter o direito de falar e que crescemos justamente ao contrapor discordâncias, aquilo estava errado. Por isso eu o critiquei.

Mas o mundo mudou muito de lá para cá. Dramaticamente!

A polarização tomou conta do discurso público. A sociedade se entrincheirou em extremos cada vez mais distantes, deixando, entre eles, uma terrível “terra de ninguém ideológica”, onde qualquer um que se aventurar ali, tentando buscar o diálogo ou conceitos conciliadores, será brutalmente alvejado pelos dois lados.

O problema é que, como a Primeira Guerra Mundial demonstrou, em uma guerra de trincheiras, você pode ficar meses, anos imobilizado. Pior ainda: enfiado em um buraco, dividindo o espaço com ratos e todo tipo de coisa ruim. Exatamente onde grande parte da população está hoje.

Umberto Eco viu isso antes.

Em um 2015 que parece absurdamente distante agora, as pessoas ainda dialogavam, por mais que discordassem. Os governos de extrema-direita faziam muito barulho, mas poucos danos. Barack Obama ainda seria o presidente dos EUA por mais um ano e meio. O Brasil apenas começava a cavar o seu buraco político, que nunca mais parou de cavar desde então, e que já está chegando à China. Ainda existia um diálogo minimamente civilizado, e a educação, a ciência e o jornalismo eram pilares da sociedade.

Então vieram as fake news, a eleição de Trump, a Cambridge Analytica, os ataques à educação, à imprensa, à ciência e às artes, a desinformação, e duas eleições brasileiras. E a sociedade civilizada foi ladeira abaixo em apenas cinco anos.

Daí veio o Covid-19, como um enorme “freio de arrumação” para escancarar, com seus mais de 350 mil mortos oficialmente contabilizados (100 mil nos EUA e 25 mil no Brasil, até agora), como Umberto Eco estava certo

A verdade passou a ser combatida, assim como todos aqueles que a buscam. A principal arma desses soldados é um caldo de ódio mais espesso que asfalto quente.

Nesta segunda, Globo, Folha e Band informaram que seus jornalistas não mais comparecerão ao “cercadinho do Alvorada”, espaço que o governo lhes destinou para ouvir Bolsonaro e uma turma de seguidores, que fica no espaço ao lado, lhes insultar e agredir.

A barbárie, a insanidade, a intolerância avançam, passando por cima de qualquer um que não queira se submeter a esse poder dos “idiotas da aldeia”. Esses, por conveniência ou ignorância, pisoteiam em qualquer um na “terra de ninguém ideológica”, esmagando seus ossos enquanto alvejam e são alvejados pela turma da trincheira adversária.

Suprema antecipação do desastre que se avizinhava, Umberto Eco concluiu que “os jornais devem filtrar as informações da Web com uma equipe de especialistas”. E eles vêm tentando fazer exatamente isso. Aliás, fazia tempo que eu não via um jornalismo com um nível médio tão alto, como o praticado nessas últimas semanas. Pena que a turma das trincheiras olhe para isso e veja o contrário.

Umberto Eco faleceu oito meses depois, em fevereiro de 2016. Não teve que conviver com seu acerto. Penso que, nesse caso, foi uma benção.

Não sei se existe um prazo para pedir desculpas, mas espero que esses cinco anos caibam dentro dele. Umberto Eco estava certo: a Internet promoveu os idiotas da aldeia a portadores da verdade.

Os demais seguem caminhando na “terra de ninguém”, tentando reconstruir uma sociedade melhor e mais justa para todos.


E aí? Vamos participar do debate? Role até o fim da página e deixe seu comentário. Essa troca é fundamental para a sociedade.


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Sua próxima casa será muito diferente da atual

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A casa do futuro chegou!

Isso não é slogan de corretor de imóveis. As alterações em nossa vida, profundamente aceleradas pelo Covid-19, já começam a pautar mudanças em nossas residências. Elas visam, por exemplo, harmonizar moradia com trabalho e estudo dos vários membros da família em um mesmo ambiente, ao mesmo tempo.

Coisas que demorariam ainda uma década ou mais para se consolidar já estão no radar dos arquitetos e dos fabricantes de eletrônicos e até de mobiliário, e podem chegar ao mercado muito em breve.


Veja esse artigo em vídeo:


Há alguns dias, conversando com o presidente da operação brasileira de uma multinacional, falávamos das mudanças que a pandemia estava provocando em nossas vidas. Acabamos caindo no assunto de home office, que está tão em alta com as regras de distanciamento social.

Ele me disse que a casa dele tinha praticamente virado um coworking! Afinal, além dele, a mulher e os filhos, que já são adultos, estão trabalhando em casa. Disse brincando que, daqui a pouco, todos teriam que assinar um NDA (documento de confidencialidade) para que um não espalhasse informações do trabalho do outro, que ouvisse pelos corredores da casa.

De fato, o home office passou de algo para o que muitos gestores e muitas empresas torciam o nariz, para uma opção mais que viável: desejável para muitos deles e também pra muitos profissionais. A essa altura, parece ser inevitável que, pelo menos parte dos funcionários, continuará fazendo home office quando os escritórios finalmente reabrirem. Mas há a preocupação daqueles que não têm condições de fazer um bom home office, por falta de equipamento, de uma boa conexão à Internet e até pelas interferências domésticas.

É óbvio que será necessária uma mudança cultural em muitas empresas. Se você deseja que seu funcionário trabalhe de casa para você, você deve fornecer a ele tudo o que for necessário, e isso inclui todos os equipamentos, como computador, celular e o que mais for preciso, e, no mínimo, uma boa conexão à Internet, assim como já faz para quem trabalha no escritório. Mas sobra a questão das interferências do ambiente doméstico. E nossas casas não são preparadas para que os membros da família trabalhem e estudem regularmente nelas.

As casas sempre se adaptaram ao jeito que vivemos. Em um primeiro momento, nós vamos fazendo adaptações ao que já temos, onde moramos. Mas é interessante observar que essas mudanças acabam sendo incorporadas nos novos projetos arquitetônicos.

Conversei com vários especialistas sobre o assunto recentemente. Por exemplo, uma casa da década de 1950, é muito diferente de uma casa lançada hoje. Até a disposição dos cômodos era muito diferente.

Eu mesmo, na época da faculdade, morei em um apartamento justamente de 1950. Apesar de o imóvel ser imenso para os padrões atuais, o prédio tinha menos garagens que apartamentos! Afinal, naquela época, os carros não eram tão difundidos assim.

Por outro lado, de 20 anos para cá, os novos imóveis têm tantas vagas de garagem quanto dormitórios. Mas agora, com a consolidação da economia compartilhada e muita gente vendendo seus carros para andar só por transporte por aplicativo, talvez a necessidade por garagens diminua de novo.

Outro exemplo interessante é a nossa relação com a televisão. Ela ocupa -ou ocupava- um espaço tão grande em nossas vidas que as casas foram mudando por causa disso.

A TV chegou ao Brasil em setembro de 1950. Ao longo daquela década e da próxima, ela se tornou um objeto central na vida familiar, ganhando destaque na sala de estar. Afinal, a família se reunia para ver TV, e havia só uma TV na casa.

Nos anos 1980 e 1990, com a popularização do aparelho, os filhos adolescentes começaram a ter TV no seu quarto. A “TV da família” desapareceu e ter TV na sala passou a ser indesejado. Os imóveis começaram a sair então com cômodos chamados de “salas de TV” ou “salas íntimas”, entre a sala de estar e os dormitórios. Mas, na última década, a TV voltou para a sala de estar, pois ela se tornou uma tela grande e de compartilhamento de experiências com outras pessoas. E quem puxou isso foram os videogames e os serviços de streaming.

Morar, estudar, trabalhar

Agora a pandemia de Covid-19 acelera modificações na casa para transformá-la em um espaço híbrido, que mescla moradia, estudo e trabalho. Já se observa, há alguns anos, empreendimentos de alto padrão que têm, nas áreas comuns, espaços de coworking. Mas, agora, isso deve vir para dentro do espaço privado.

Outras coisas que vemos, há uns 20 anos, são os condomínios se transformando, em verdadeiros clubes. Alguns têm lojas e até escolas dentro de seus muros! Queremos depender cada vez menos do mundo externo. Mas, se até então isso acontecia por questões de segurança contra a violência, a nova realidade se impõe por segurança da nossa saúde. O externo não é mais o que está além dos muros do condomínio, mas o que está além da porta da nossa casa.

Segundo os arquitetos, as novas casas aproveitarão todos os espaços. Nada de áreas perdidas. As plantas dos novos imóveis deverão pensar em como favorecer o convívio familiar, enquanto são capazes de criar soluções para uma família que também trabalha e estuda no mesmo espaço, ao mesmo tempo.

Como em um coworking, pode haver áreas de trabalho compartilhadas, como a sala, e individuais, como os quartos. Esses cômodos precisarão ter estrutura para essas tarefas.

Os ambientes deverão ter muitas tomadas e ar-condicionado central. A conexão será por WiFi, sem fios. A Internet deverá ser muito rápida e estável. Além disso, ela já deve ser pré-instalada, como hoje acontece com eletricidade e água.

Ainda poderemos contar com uma “nuvem doméstica”, um espaço seguro de compartilhamento de arquivos na família, assim como equipamentos como impressora, por mais que já estejamos migrando para um mundo com menos papel.

Os eletrodomésticos e até a mobília também precisam evoluir. Tudo deve ser facilmente conectado, sem fios. Os móveis devem ser facilmente movimentados, modulares e contar com facilidades, como mesinhas e porta-trecos embutidos.

Além disso, a casa terá mais “vida”! Os ambientes deverão ser mais iluminados e arejados, além de serem mais coloridos. A vegetação também será mais presente. Tudo isso, além de tornar o local mais vibrante e agradável para todos, deixa  tudo mais bonito para videochamadas, cada vez mais comuns. E por falar nelas, a acústica entre cômodos -e entre os vizinhos- também deve ser uma preocupação desses novos empreendimentos.

Até a malhação pode ganhar espaços e equipamentos portáteis, para cuidar do corpo sem sair casa.

E mais uma mudança impulsionada pelas questões sanitárias: o hall, aquele cômodo na entrada que não servia para muita coisa, agora será um espaço para se deixar sapatos, casacos e outros vestuários do “mundo externo”. O local pode ter até luzes ultravioletas, que são bactericidas.

Como se pode ver, nossas casas devem passar por profundas transformações, de diferentes naturezas, até digitais. E não é preciso esperar sair um novo superempreendimento para usufruir disso tudo. Muitas mudanças já podem ser feitas agora mesmo, com equipamentos e mobiliários já disponíveis no mercado.

É um caminho que está aberto. Cabe a cada um de nós trilhá-lo.

Ainda que seja dentro de casa.

Pedro Bial entrevista Glória Maria, na estréia da temporada 2020 de "Conversa com Bial" - Foto: reprodução

Não adianta você se preparar para o “novo normal”, porque ele já chegou

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Esse não é mais um artigo sobre o tão falado “novo normal”, que surgirá quando as regras de distanciamento social finalmente forem flexibilizadas. Por um motivo simples: ele não existe! Pelo menos ele não está no futuro: já chegou. Tudo já mudou!

A questão é: você já percebeu isso? E mais: você já mudou para não virar carta fora do baralho?

Não é nenhum papo motivacional vazio. É resultado de diversas observações de mercado. Estamos há cerca de dois meses nesse regime de distanciamento social, que, às vezes, parecem dois anos. Para muita gente, parece que a “vida antiga” tivesse ficado para trás definitivamente, sem tem encontrado um novo caminho para substituir o que se perdeu.

Daí vem o vazio e, em alguns casos, a ansiedade, o desespero, a depressão.

Enquanto isso, o “novo normal” já se instalou entre nós.

Por exemplo, nessa segunda, assisti à reestreia do programa “Conversa com Bial”. A Globo chegou a postergar a volta do talk show, talvez na esperança que fosse possível voltar às gravações nos estúdios, com o arrefecimento do Covid-19.

Como isso não aconteceu (e nem se vê isso acontecendo nas próximas semanas), a emissora teve que tomar uma decisão: reinventar o programa para o “novo normal”. No caso, o talk show virou uma videoconferência transmitida pela TV. Bial estava na sua casa e a convidada -na estreia, Glória Maria- estava na dela. Achei curioso que até os músicos de sua banda estavam em seus respectivos lares, e fizeram aparições breves no início e no final do programa.

O apresentador transformou um canto da sua casa em um miniestúdio, com câmeras, captação de áudio e iluminação profissionais, o que garantiu que sua imagem estivesse ótima. Mas a convidada não tinha nada disso. Na verdade, deu par ver que Gloria usou uma transmissão convencional pela Internet, com direito a borrões e leves travadas. Na Globo pré-pandemia, isso dificilmente seria tolerado. O “novo normal” impôs, entretanto, uma nova realidade à emissora: aquilo não era mais possível.

O mais interessante nisso tudo é que, do ponto de vista do público, isso se tornou irrelevante. Nesses dois meses loucos, assistimos a tantas lives, fizemos tantas videoconferências, assistimos a tantas aulas à distância, que aquela nova linguagem e aquela nova qualidade foram totalmente assimiladas em nosso cotidiano.

Então por que resistir ao novo?

Encontre a sua oportunidade

Tudo nessa vida pode mudar, evoluir. Nas últimas semanas, tenho tratado disso continuamente em meus vídeos e em meus posts.

As lojas, por exemplo, que foram colocadas de joelhos pela pandemia, começam a se reencontrar, ainda longe do que eram antes, no e-commerce. Mas o próprio e-commerce também vem mudando, reforçando o papel dos pequenos e microvarejistas em modelos de marketplace e de fulfillment. Sem falar em outras saídas criativas, como drive thru para pegar produtos comprados pelas redes sociais.

Outro assunto que muito se tem falado é o home office, que sempre foi rejeitado por muitas empresas e gestores, e agora, diante da explosão de seu uso, vem sendo revisto. Muitas empresas já decidiram que, quando os escritórios forem reabertos, pelo menos parte da equipe continuará trabalhando à distância, com ganhos para a própria empresa e também para os funcionários.

Infelizmente nem todos podem aderir a essa modalidade, seja pela natureza do seu trabalho, seja porque não têm condições (boa Internet, computador, sistemas). Isso é lastimável, pois cria mais um fator de segregação na nossa sociedade, já bastante desigual. Mas espero que sirva, pelo menos, para que empresas e governos atentem que essa mudança é real e deve ser incentivada a viabilizada, com apoio aos profissionais que possam e queiram aderir ao trabalho em casa.

Essa realidade, tão incômoda para tanta gente, revela, portanto, uma incrível oportunidade de transformação e de aprendizado. Não que isso seja fácil. Aliás, na maioria das vezes, isso tem acontecido com muita dor, tanto do lado do funcionário quanto da empresa, principalmente porque a mudança foi imposta em velocidade alucinante. Esse foi um dos temas da minha conversa com Cristina Palmaka, presidente da SAP Brasil, nesta terça, que pode ser vista abaixo:


Assista à minha entrevista com Cristina Palmaka:


A própria entrevista aconteceu sob a égide do “novo normal”: assim como Bial agora entrevista de casa, tenho feito várias entrevistas do meu pequeno “estúdio doméstico”. Palmaka, quem já tive o prazer de entrevistar em eventos no Brasil e nos EUA, agora estava em sua casa. E isso, nem de longe, comprometeu nossa ótima conversa.

É preciso entender que as mudanças exigem que todos os envolvidos concordem com ela, e isso inclui o cliente. A Globo entendeu que seu público aceitaria de bom grado que parte de sua programação passasse a ser feita no novo formato, como aconteceu com o Bial. E acertou!

Na minha atividade de professor, as aulas têm acontecido, com grande sucesso e trocas riquíssimas, em diferentes plataformas online. Mas, novamente, isso só está sendo possível pela participação ativa dos alunos, que são os clientes, que abraçaram o “novo normal”, mesmo esses cursos sendo originalmente dados em sala de aula.

Portanto, da mesma forma que não adiante ficar resistindo às mudanças, o tempo de ficar se preparando para mudanças que “um dia chegarão” já passou. O “novo normal” está entre nós, impondo as mudanças de um jeito ou de outro. Quem se mexeu já está colhendo frutos. Quem continua parado pode virar carta fora do baralho muito em breve. Todos precisam se reinventar -às vezes profundamente- dentro de sua realidade.

E você, o que está fazendo?


E aí? Vamos participar do debate? Role até o fim da página e deixe seu comentário. Essa troca é fundamental para a sociedade.


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