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Quando ser bom no que se faz vira um problema

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Você sente que não sabe mais em quem acreditar? Não se vê representado por ninguém?

Você não está sozinho! E isso não é uma esquizofrenia coletiva.

É resultado de um processo cuidadosamente planejado e executado por grupos que querem se manter no poder. Mas esses grupos não são os únicos responsáveis por esse momento de confusão em que vivemos.

Isso acontece também porque instituições em quem sempre confiamos para separar o certo do errado perderam essa relação com seu público, porque não conseguem mais se comunicar com ele. Pior que isso: as pessoas não se sentem mais representadas por elas. E a perda de representatividade é o caminho mais eficiente para uma instituição, um governo, uma empresa, das maiores às menores, ser colocada para fora do jogo.


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A técnica usada por esses grupos não é nova. Trata-se de uma estratégia militar conhecida como “dividir para conquistar”. Foi criada pelo general romano Júlio César no século I a.C. e consiste em estimular divisões entre os indivíduos de uma sociedade para que eles não se organizem contra o governante. Além disso, promove o ódio entre esses indivíduos e empodera aqueles que apoiam o mandatário.

A novidade é que agora a comunicação e as redes sociais são as principais ferramentas dessa fratura proposital da sociedade. E isso acontece em uma velocidade alucinante, com uma crise nova a cada semana, ou mais!

Por exemplo, a sociedade ainda se debruçava sobre um interminável debate sobre a segurança das urnas eletrônicas depois do primeiro turno. Um ataque aos servidores do TSE coordenado com uma enxurrada de fake news tentou desacreditar o sistema eleitoral eletrônico, para atender interesses de grupos que aparentemente querem seu fim para fraudar a eleição de 2022.

Então, na quinta, aconteceu o brutal assassinato de João Alberto Silveira Freitas por seguranças de em uma loja do Carrefour em Porto Alegre. E o debate nacional passou a ser subitamente se existe racismo no Brasil (o que é surreal!).

Não estou dizendo que esses assuntos não sejam importantes ou não devam ser debatidos. Muito pelo contrário!

A questão é como esses temas são colocados em pauta pelos grupos no poder, começando já com uma temperatura altíssima, promovendo uma profunda rachadura na sociedade, ao invés de se encontrar um consenso construtivo, que seria o objetivo de um bom governante.

Se, a essa altura, você já está irritado com o que estou dizendo, essa é uma prova de que o método funciona!

Entretanto, como eu disse antes, isso é só uma parte do problema. A outra é que as instituições que tradicionalmente ajudavam a sociedade a separar o bem do mal, o certo do errado, perderam grande parte de sua capacidade de conversar com a população.

Essas instituições –como a imprensa, a igreja, a educação, a ciência– são importantes contrapontos ao “dividir para conquistar”, pois são elas que restabelecem a verdade e criam o ambiente para a união de um povo que quer se desenvolver. Não é por acaso que elas são fortemente combatidas pelos maus governantes. Exceto –claro– seus representantes que se submetem a seus caprichos: esses serão apadrinhados em uma imoral troca de interesses.

Mas por que essas instituições estão perdendo a capacidade de se comunicar com seus públicos?

 

Ficando bom e impopular

Ironicamente, ao buscar a excelência no que fazem, elas se tornam menos populares, no sentido amplo da palavra. Ficam mais difíceis de serem entendidas, tratam de temas que não fazem parte do cotidiano das massas. Pior: muitas até rejeitam demandas dessa parte da população, que acaba sendo a base mais numerosa da pirâmide social.

É fácil explicar isso olhando para a própria imprensa.

Sou jornalista desde 1993. A primeira vez que vi muita gente apontando para os veículos de comunicação e dizendo “você não me representa” foi nas grandes manifestações de rua de 2013.

Aquilo era um caldeirão de grandes insatisfações populares contra muita coisa, a maioria delas legítima. No meio daquelas gigantescas marchas, surgiam pontos de violência e depredação. Só que, pelo menos em um primeiro momento, muitos veículos de imprensa não apenas não reconheceu as demandas legítimas naqueles movimentos, como ainda se referiam a eles indiscriminadamente como “vândalos”, como se todos ali estivessem participando do quebra-quebra, o que obviamente não era o caso.

O resultado é que comecei a ver repórteres sendo hostilizados nas ruas pela população por simplesmente estarem fazendo seu trabalho. De lá para cá, isso apenas piorou, com o patrocínio dos governantes que perceberam como esse vínculo entre a mídia e seu público estava frágil.

Sem representatividade, nenhum negócio resiste!

Ainda no caso da imprensa, a busca de fazer um trabalho de excelência também acabou afastando os grandes veículos da base da sociedade. Isso começa pelo linguajar adotado, difícil de ser compreendido por essa parcela da população. Os assuntos também contribuem para esse afastamento, com pautas distantes de sua realidade. O uso limitado dos recursos digitais piora ainda mais essa situação.

Eu me lembro, nos anos 1990, quando a Internet comercial ainda estava nascendo, que algumas empresas de comunicação tinham um jornal “sério” e outro sensacionalista ou pelo menos com apelo mais popular. Isso quando não tinham publicações que juntas atendiam todo o espectro do público.

Apesar de a intelectualidade torcer o nariz para os “empreme-que-sai-sangue”, como eram chamados os jornais sensacionalistas, eles tinham uma importância fundamental para informar parte da população! Afinal, no meio de todo aquele material “questionável”, estava a notícia necessária para o indivíduo levar uma vida melhor.

Muitos desses jornais sumiram, por diferentes motivos. Foram substituídos por sites “de agrado fácil” para esse público, mas que não têm o menor interesse em informar nada. Na verdade, muitos hoje são veículos de desinformação.

Vamos pegar um mercado completamente diferente, para ilustrar como a comunicação e a representatividade são essenciais para todos: uma lanchonete.

Digamos que um dado estabelecimento ganhou fama e cresceu pela qualidade de seu X-burguer, que é um lanche mais simples. O que tinha de mais sofisticado ali era um também popular X-salada. Diante do sucesso, o dono do estabelecimento começou a investir em lanches realmente sofisticados. Eles lhe davam mais margem de lucro e começou a ser elogiado por uma parcela da população mais elitizada, que não costumava frequentar o local antes.

O proprietário decidiu então fazer apenas os lanches mais sofisticados. Como resultado, sua clientela diminuiu drasticamente, pois a maior parte das pessoas queria apenas o X-burguer e o X-salada. Eles não gostavam dos lanches mais sofisticados e não viam por que pagar mais caro por aquilo.

A médio prazo, a lanchonete –que passou a ser chamada de hamburgueria– acabou quebrando.

Não há nada de errado em querer evoluir e atender um público mais sofisticado! É preciso apenas saber se o negócio conseguirá sobreviver se esse movimento matar a sua representatividade junto ao grande público.

Ninguém paga por algo com que não se identifica!

 

Confortável na exclusividade

Peguemos agora a indústria automobilística.

Podemos pensar na Ferrari, a mítica fabricante de carros superesportivos, criada por Enzo Ferrari em 1939. Ela nunca teve a pretensão de atender as massas. Muito pelo contrário: uma Ferrari sempre foi símbolo de excelência, sofisticação e diferenciação. Em contrapartida, nunca foi nem será um fabricante gigantesco de carros, como a Fiat, que, aliás, comprou e depois vendeu a Ferrari.

São escolhas que temos que fazer. Mas, qualquer que seja a que façamos, precisamos conhecer bem nosso público, suas necessidades e como se comunica.

Você pode achar que está abafando ao fazer algo incrível! Mas isso de nada adianta se seu público não concorda, porque você se distanciou dessas pessoas.

Não caia nessa armadilha! Continuar relevante e representar seu público é essencial! Se quiser mudar seu perfil –e você tem direito a fazer isso– terá que encontrar um novo público.

Sem isso, você abrirá espaço para oportunistas –seja na política, seja nos negócios– que vão ocupar esse vazio a dizer que estão “do lado do povo”, mas que apenas o “dividem para conquistar”.

O caminho mais curto para ser chutado do mercado

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Vivemos na era da economia da experiência. As pessoas não compram mais apenas o produto: elas valorizam toda a experiência com a marca, que vai muito além dele. Quem não entender isso, terá problemas para se manter no mercado. Isso vale para todos os segmentos, e o meu, que é a comunicação, não foge da regra.

Um bom jornalismo ajuda a construir os fundamentos de qualquer sociedade desenvolvida. Pude comprovar isso andando pelo mundo e comparando a evolução de uma nação e a qualidade da sua mídia: países mais avançados têm sempre uma imprensa mais robusta, e vice-versa. Só que, de uns anos para cá, bater na imprensa virou esporte para uma parcela crescente da população.

Por que as pessoas atacam uma instituição fundamental para seu próprio desenvolvimento?

A resposta está na experiência que lhes é oferecida.

É interessante observar que a imprensa pode ser substituída nesse raciocínio por praticamente qualquer negócio, de restaurantes à indústria automobilística, de grandes varejistas a escritórios de contabilidade. Tudo está mudando aceleradamente e quem não acelerar na direção certa, da boa experiência, inevitavelmente ficará para trás.


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Na quinta passada, um fato me chamou a atenção e vou usar isso para explicar isso melhor. Nesse dia, o jornalista Glenn Greenwald publicou um artigo anunciando sua saída do “The Intercept”, um site jornalístico que ele mesmo criou em 2013. O motivo, segundo ele, é que os editores em Nova York censuraram um artigo em que ele apresentava informações contrárias ao candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden. Tudo porque, ainda segundo o jornalista, “The Intercept” apoia fortemente Biden, e não aceitaria algo que o atrapalhasse na corrida à Casa Branca. Betsy Reed, editora-chefe do veículo, deu outra versão em um editorial, dizendo que a equipe apenas buscou corrigir imprecisões no material de Greenwald, o que ele não teria aceitado.

Independentemente de quem tenha razão nessa disputa doméstica, o fato é que o jornalismo está sob forte escrutínio da população, o que pode ser ruim para os negócios se não for bem conduzido, mas é pior ainda para a sociedade, que precisa de bom jornalismo para se desenvolver.

Sem dúvida nenhuma, parte disso se deve a uma nefasta campanha de difamação de veículos e de jornalistas, promovida por políticos de diferentes alinhamentos nos últimos anos em vários países, mas não é tudo. Outra parte se deve ao próprio jornalismo e à experiência que os veículos vêm oferecendo a seu público.

O episódio recente do “The Intercept” é um indicador disso. Cada lado acusa o outro de uma escolha inadequada. Não estou dizendo que não devam existir opiniões divergentes no jornalismo, de forma alguma! Mas, nesse caso, um lado aponta o dedo ao outro afirmando explicitamente que fez mau jornalismo.

Como ficam os usuários nesse fogo cruzado?

Digo sempre a meus alunos e em palestras: nunca foi tão importante que o jornalismo fizesse um trabalho impecável, e o foco deve sempre ser seu público, a busca da verdade (por mais difícil que seja encontrá-la às vezes), o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igualitária, a defesa da vida. Esses valores são inegociáveis e estão na essência do jornalismo. Qualquer um que se afasta disso não é jornalista.

Mas tenham em mente: o que mata qualquer produto –inclusive um veículo de comunicação– não é uma nova tecnologia, um novo concorrente, um novo modelo de negócios. Quem mata um produto é o seu público! E isso acontece quando ele tem acesso a uma alternativa mais vantajosa para si ou alinhada com suas necessidades.

Sempre foi assim e sempre será, para qualquer negócio!

 

A origem da indústria da mídia

O jornalismo surgiu na Roma Antiga, mas se consolidou como uma indústria apenas no século XIX. Uma de suas virtudes era o forte vínculo com o seu público. O jornal era a voz da região ou representava um segmento da sociedade. O veículo oferecia uma experiência muito boa a seu público então.

No século XX, com o fortalecimento da publicidade, ela se tornou cada vez mais importante para os veículos de comunicação se financiarem. Por um lado, isso foi ótimo, pois permitiu que crescessem incrivelmente. Por outro, isso incluiu nos veículos interesses de terceiros, que muitas vezes contrariavam o do seu público.

À medida que se tornavam ainda maiores e mais poderosos, os veículos se aproximavam de diferentes círculos do poder, incluindo ainda mais interesses externos, que poderiam os afastar ainda mais do público. Por isso, os veículos sérios criaram mecanismos para blindar suas redações desses interesses, para que pudessem fazer um bom trabalho, independentemente de pressões externas de anunciantes ou de políticos.

A isso, deu-se o nome de “separação igreja-estado”. Infelizmente, nem sempre ela funciona. E, em tempos bicudos para os negócios, ela é colocada ainda mais à prova. Devido a falhas no processo, a experiência para o público já não era tão boa, pois ele era, muitas vezes, colocado em segundo plano.

O problema se agravou porque, até uns 20 anos atrás, para alguém se considerar bem informado, precisava necessariamente assinar pelo menos um jornal, algumas revistas e acompanhar o noticiário na TV. Com o avanço do jornalismo na Internet, isso deixou de ser necessário. Como diferentes empresas ofereciam basicamente o mesmo produto nos meios digitais, as pessoas encontraram ali uma alternativa mais interessante para se informar. Novas empresas –muitas delas nem jornalísticas– e até indivíduos começaram a publicar conteúdo –bom ou ruim– pois ficou fácil fazer isso. E faziam isso até de graça!

Os veículos de comunicação se viram então em uma encruzilhada na experiência que ofereciam à população. De um lado, se afastaram de seu público e de seus interesses. Parte da população passou a vê-los como elitizados, e não se sentia representada ali. Outros –até mesmo por influência da guerra de desinformação– viram os veículos tradicionais como pouco confiáveis.

Há ainda uma questão de linguagem. E não me refiro aqui apenas a palavras e imagens, e sim ao uso amplo de todos os recursos tecnológicos de interatividade, multimídia, imersão e inclusão do público no noticiário. O jornalismo precisa se apropriar disso e transformar profundamente sua linguagem!

Não me refiro a ser impreciso, inconsequente ou ficar postando memes fofos. Mas não dá mais para continuar entregando seu produto como se fosse uma versão digital de jornalismo impresso ou de TV, que é o temos por aí. O meio digital oferece incríveis recursos para uma grande experiência para o público, mas quase ninguém está aproveitando isso.

Só para ficar em um exemplo simples, por que as home pages dos veículos são iguais para todos os usuários? As pessoas são diferentes! E aí, como a experiência piora, o público migra para outras fontes de informação, muitas delas terríveis!

Pode-se argumentar que fazer isso custaria muito dinheiro, e muitas empresas estão passando por uma crise que se arrasta por mais de uma década. E é verdade mesmo! Mas não sairão dessa crise enquanto não melhorarem essa experiência.

Caímos aí em outro ponto: muitas dessas empresas não sabem ganhar dinheiro na Internet. Insistem no modelo de negócios focado no binômio assinatura e publicidade, que já não encontra lugar com o público. A própria publicidade em suas páginas está envelhecida, com pessoas sendo impactadas por produtos que jamais comprarão. Enquanto isso, Google e Facebook nadam de braçada entregando ofertas extremamente assertivas a seus usuários.

No meu artigo da semana passada, eu critiquei os paywalls, que são aqueles sistemas que impedem que o usuário veja um conteúdo se não pagar. Muitos colegas vieram me perguntar se eu estava sugerindo que os jornalistas trabalhassem de graça.

Obviamente que não! Todo bom trabalho deve ser bem remunerado, até mesmo para que possa continuar sendo oferecido. Mas vejo os paywalls como mecanismos que afastam o público do produto. Temos que facilitar o acesso das pessoas ao que fazemos –seja lá o que for– e não o contrário!

Tudo é experiência!

O jornalismo é essencial para uma sociedade. Isso ficou claro durante a pandemia de Covid-19, quando as pessoas correram para os grandes veículos, pois sabiam que lá encontrariam informação de qualidade para organizar suas vidas. Mas a experiência que oferecem como um todo precisa melhorar muito!

Caso contrário, muita gente continuará batendo naqueles que trabalham para que essas mesmas pessoas cresçam e vivam melhor.

Pode parecer loucura, mas esse é o mundo em que vivemos.

Temos que pagar pela verdade, mas nos dão a mentira de graça

By | Jornalismo | No Comments

Quem nunca tentou acessar um conteúdo de qualquer tipo e “bateu com a cara” em um paywall, aqueles sistemas que bloqueiam nosso acesso, a menos que paguemos por ele?

A justificativa –bastante razoável– é que produzir bom conteúdo custa dinheiro, o que é verdade. Logo, para se consumir aquilo, é preciso pagar.

O problema é que, em um mundo inundado de conteúdo gratuito, fica cada vez mais difícil convencer alguém a fazer uma assinatura ou mesmo pagar por um conteúdo individual. Como resultado, o usuário não só não paga, como deixa de aprender algo útil ali, o que teria sido bom para a marca do autor. Para piorar, a pessoa, no lugar disso, consumirá um conteúdo gratuito que pode ter uma qualidade pior, isso se não for deliberadamente mentira, como é o caso das fake news.

E aí, todo mundo perde, do produtor de bom conteúdo a toda a sociedade.


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A “cultura do grátis” não para de crescer e impacta cada vez mais setores da economia. Talvez o seu negócio já esteja sendo afetado por ela, e você ainda nem percebeu.

O fato é que, para se ter sucesso hoje em qualquer área, ter um bom produto é condição absolutamente necessária, mas longe de ser suficiente. Além disso, temos que ser relevantes para nosso público. Entender e se apropriar desse conceito é o que separa as empresas que fizeram sucesso no passado das que farão sucesso no futuro.

Temos que entender também que nosso concorrente não é mais apenas grandes empresas com quem disputamos o mercado há décadas. Pode ser um novo entrante com ideias inovadoras e uso criativo da tecnologia, e até um adolescente em seu quarto que cria algo incrível e que chama a atenção de nosso público. Por isso, temos que usar todos os recursos disponíveis para facilitar o acesso a nosso produto, e não dificultar isso. Possivelmente teremos que mudar nosso modelo de negócios e até em como vemos o que fazemos.

Isso está em toda parte: estou assistindo à série mais falada do momento, “Emily in Paris”, que estreou na Netflix no dia 2 de outubro. Apesar de estar carregada de clichês e estereótipos (que, aliás, enfureceram os franceses), sua história descompromissada pode ensinar algumas práticas inovadoras de marketing.

Por exemplo, em um dos episódios, a CEO de uma fabricante de cosméticos explica que não trabalha mais com agências de publicidade, apenas com influenciadores digitais. Ela pinta as agências como dinossauros em extinção, por serem “caras e ineficientes”. O que não quer dizer que qualquer influenciador seja bom: é preciso “separar o joio do trigo”, pinçando os bons profissionais daqueles que “trabalham em troca de batom” e não trazem bons resultados para a marca.

O fim dos dinossauros

Quer dizer então que as agências estão condenadas?

Claro que não! Quer dizer, as que estiverem dispostas a se modernizar alçarão novos voos. As que continuarem fazendo o trabalho como sempre fizeram realmente já se tornaram dinossauros e nada fará com que sobrevivam a médio prazo.

Estava falando anteriormente dos paywalls. Apesar de eles funcionarem bem em raríssimos casos, como o do “The New York Times”, eu sempre os considerei uma aberração, desde que se popularizaram, há uma década. Na prática, com eles, os veículos de comunicação mandam seu público embora, já que a maioria simplesmente não pagará pelo conteúdo. Assim, a empresa perde duas vezes, pois não consegue monetizar sua produção e ainda se torna cada vez menos relevante para a sociedade.

Ninguém paga por algo que não seja relevante para sua vida!

Mas a sociedade também perde, pois as pessoas começam a consumir conteúdos de qualidade cada vez mais duvidosa. Isso quando não são a mais completa porcaria! Esse é o terreno fértil para o florescimento das fake news.

E isso é tão verdade que o crescimento explosivo desse lixo, que nos é entregue sem nenhuma restrição, de graça e usando eficientemente os meios digitais, resultou nessa polarização extrema e irracional, que está destruindo a sociedade.

As empresas de comunicação têm, portanto, além dos concorrentes que citei há pouco, mais um, talvez o mais agressivo e perigoso de todos: a mentira! Afinal, os fatos e a verdade podem ser às vezes monótonos. E ainda se pede que as pessoas paguem por eles! Já a mentira e a versão enviesada são sempre suculentas. E gratuitas!

Não se pode trabalhar de graça, claro! E produzir um bom conteúdo, sim, custa muito dinheiro. Como resolver essa aparente contradição?

Certamente não é insistindo em modelos de negócios moribundos, como o binômio assinatura e publicidade. Também não adianta jogar a culpa no público, dizendo que as pessoas não leem mais ou que não pagam mais por conteúdo: isso é conversa de quem não quer fazer as mudanças necessárias, não quer sair da sua zona de conforto.

Talvez só não paguem pelo seu conteúdo, ou mais precisamente pela maneira como você quer cobrar por ele.

Nunca consumimos tanto conteúdo, como música, vídeo ou jornalismo. Mas forçar o velho modelo talvez não funcione mais.

Veja o caso da música: as pessoas não compram mais álbuns, como CDs. Esse era o modelo tradicional de remunerar a indústria fonográfica, mas ele foi destruído pela Apple, com o iPod e o iTunes, na virada do século, que permitiram que as pessoas passassem a comprar uma única faixa, com grande facilidade e qualidade, pagando centavos.

A Apple se transformou na maior vendedora de música do mundo e a indústria fonográfica tradicional praticamente quebrou. Mas –veja só– esse novo modelo também já não funciona mais! Hoje o vencedor é o do Spotify, em que as pessoas podem ouvir músicas de maneira ilimitada e de graça. Mas, ao pagar um pouquinho, você faz isso com recursos adicionais interessantes.

E aí as pessoas –muitas pessoas– pagam!

Os artistas precisam estar nessas plataformas, que lhes rendem muito pouco diretamente, mas que são essenciais para se manterem relevantes a seu público. A partir disso, eles podem ganhar dinheiro arrastando multidões para shows.

Novos jeitos de se monetizar

Aí reside outro grande ensinamento a partir das mudanças culturais do nosso tempo: talvez não consigamos mais ganhar tanto dinheiro COM o nosso produto principal, mas podemos ganhar “outros dinheiros” GRAÇAS a ele.

Os músicos, no exemplo acima, não ganham quase nada vendendo a música, mas podem ganhar muito graças a ela, em seus shows.

Isso pode estar acontecendo agora no seu negócio!

Nessa hora, o ego pode estar gritando de dor! E, em um primeiro momento, isso pode afetar severamente seu bolso. Mas é a verdade dos fatos! Aceite isso para colocar a mudança para trabalhar a seu favor, e não contra você.

Já que falamos tanto de empresas de comunicação, veja um exemplo recente da área.

Há duas semanas, a CNN Brasil anunciou uma nova unidade de negócios que organizará eventos corporativos para quem estiver disposto a pagar, algo que já existe na matriz americana.

Além da força da marca e da experiência nisso, a empresa também oferece diferenciais como uma ótima promoção do acontecimento e –o que é mais interessante– seus profissionais, alguns deles sendo grandes estrelas do jornalismo nacional, são escalados para trabalhar no evento. Cobrar por isso só é possível porque eles se mantêm relevantes junto a seu público, pela qualidade de seu produto e por ele chegar fácil às pessoas.

Vivemos em um mundo em que tudo está pulverizado. Ninguém mais consegue ter amplo domínio sobre coisa alguma.

Não dá para trabalhar de graça: jamais sugeriria isso! Mas temos que aprender a ganhar dinheiro de outras formas além das óbvias, das tradicionais. E nos mantermos relevantes a nosso público é absolutamente essencial para vencermos na realidade atual.

Não adiante mais o que achamos sobre nossas entregas, e sim o que o público acha. Se você confiar apenas no que gostaria que fosse verdade e não atender o que as pessoas acham relevante, acabará sendo “chutado” para fora do mercado.

E ninguém quer dar isso de graça, não é mesmo?

Nem todo mundo é tão digital quanto poderia ou gostaria

By | Tecnologia | No Comments

Será que temos que atender todos que poderiam ser nossos clientes?

Por mais paradoxal que possa parecer, não necessariamente!

Veja por exemplo o que está acontecendo com a entrega do Imposto de Renda, cujo prazo termina nesta terça, e é feita apenas online há uma década.


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Mesmo com o prazo estendido em dois meses por causa da pandemia do Covid-19, a Receita Federal informou, na sexta passada, a apenas 4 dias do fim do prazo, que cerca de 8 milhões de contribuintes ainda não tinham enviado a sua, equivalente a cerca de 25% das 32 milhões de declarações que o órgão espera receber neste ano.

Manter um canal de atendimento implica em diversos custos. No caso de um negócio, precisamos identificar se as receitas geradas pelas pessoas atendidas por ele valem a pena. Às vezes, elas não cobrem nem suas despesas. Isso pode impactar também o produto em si. Você pode criar um bastante dependente no meio digital, como no caso da entrega do Imposto de Renda. Só que há uma parcela considerável de pessoas que não se sentem totalmente à vontade online. Como elas ficam?

Alguns poderiam dizer que essa demora na entrega da declaração do IR se trata do velho hábito do brasileiro de deixar tudo para última hora. Para muitos, pode ter sido isso mesmo. Mas não para todos!

Muitos ainda não declararam por dificuldade de juntar todas as informações necessárias por não poder sair de casa, pelo distanciamento social. E isso acontece porque, apesar de praticamente tudo estar online hoje em dia, nem todas as pessoas se sentem à vontade no meio digital.

A declaração de Imposto de Renda brasileira é bastante simples, rápida e segura. Hoje é possível fazer a declaração até pelo celular! Para os que têm pouca coisa a declarar e já têm as informações à mão, o processo pode levar apenas alguns minutos.

Nem sempre foi assim. Eu me lembro, quando era criança, de ver meu pai com longos formulários, uma pilha de papeis, lápis, caneta, calculadora, preenchendo a declaração do. Nem dava para terminar no mesmo dia: era demorado e a chance de cometer erros era enorme! Depois ainda tinha que entregar os formulários pessoalmente.

Nos anos 1990, o processo começou a ser digitalizado. Em 1991, surgiu o primeiro programa que substituía os formulários em papel, mas a entrega ainda precisava ser feita pessoalmente, em disquete, pois a Internet era restrita a poucas universidades. O envio pela Internet foi liberado em 1997 e a entrega em papel resistiu bravamente até 2010, último ano em que a Receita aceitou os velhos formulários.

Como se pode ver, o sistema evoluiu muito, até se tornar um dos melhores do mundo. Mesmo assim, até hoje existem pessoas que têm medo de enviar sua declaração online. Há também aqueles que não conseguem operar o programa -e não são poucos. Há ainda um grande contingente que sequer consegue obter pela Internet todos os dados necessários, como informes de rendimento ou comprovantes de pagamento.

Como se pode ver, o buraco pode ser muito mais embaixo.

On line X off line

Por diferentes motivos, nem todo mundo é tão digital quanto poderia ou até gostaria! E muitas empresas e instituições de diferentes tipos ignoram isso.

Outro exemplo interessante para a compreensão dessa dinâmica são os bancos. O Brasil também tem um dos melhores sistemas bancários do mundo. O Internet banking é extremamente desenvolvido aqui.

Alguns bancos apenas digitais fazem enorme sucesso sem ter nenhuma agência. O maior deles, o Nubank, que tem apenas sete anos da história, já atingiu 20 milhões de clientes. É um terço das contas do Banco do Brasil, que tem 169 anos!

Não há dúvidas que a digitalização é o caminho a ser seguido, cada vez mais, pelos bancos. Ainda assim, muitos clientes gostam de ir a uma agência, conversar como gerente presencialmente.

A maioria dos setores da economia ainda funciona de maneira muito mais presencial que online, pois mais que cresça na modalidade digital. É o caso, por exemplo, do varejo de rua, de bares e restaurantes e da educação.

Esses também são alguns dos setores que sofreram muito com as regras de distanciamento social. A maior parte de seus clientes não está acostumada a consumir seus produtos à distância e os negócios não estavam preparados para essa realidade que se impôs ao mundo.

Nesse sentido, a pandemia funcionou como um verdadeiro “ferio de arrumação”. Empresas e clientes precisaram se adaptar a novas regras de convivência e de relacionamentos comerciais. Alguns negócios e alguns clientes conseguiram se adaptar a isso rapidamente, e estão passando por essa crise de um jeito melhor.

Vem então a pergunta: as empresas devem criar ou manter estruturas em seus negócios para atender esse público “analógico”?

A princípio, eu diria que sim. Afinal, são clientes, e merecem ser bem atendidos dentro de suas necessidades.

Quando criamos um produto, tendemos a achar que todas as pessoas são como nós. Mas elas não são! Cada um tem sua história, seus valores, seu nível educacional, sua facilidade com a tecnologia. Se criamos um produto que funcione muito bem apenas para pessoas como nós, na prática estamos mandando embora todos os demais clientes.

No final, é uma decisão de negócios. Cada canal que criamos implica em custos. Precisamos colocar, na ponta do lápis, se a quantidade de clientes que atenderemos em um canal resultará em ganhos que superem seus custos.

Ninguém espera ver o Nubank abrindo agências. Nem o Banco do Brasil fechando todas as suas. Pelo menos não por enquanto.

E temos que compreender que, se não atendermos um grupo da população, alguém o fará, mesmo que seja um nicho. Perderemos esses clientes e quem os atender poderá fazer um bom dinheiro com isso.

De novo, são decisões de negócios.

A Receita Federal não é uma empresa. No caso da declaração do Imposto de Renda, criou um sistema que atende bem a maior parte da população. E não se preocupa com quem não se dá bem com aquilo, pois sabe que existe todo um exército de contadores que apoiará os que não se sentem à vontade com a declaração digital.

No caso do seu negócio, certifique-se apenas que não esteja tomando a decisão de atender ou não um público olhando só para o seu umbigo, para as suas preferências pessoais. Toda empresa deve ser moldada no seu público.

Caso contrário, pode acabar sendo chutada para fora do mercado por concorrentes que entendem isso e oferecem uma grande experiência ao consumidor, alinhada a seu modelo de negócios.

Como encantar as pessoas quando tudo a sua volta desmorona

By | Educação | No Comments

Ser agradável com seu público quando tudo está bem é fácil! Duro é fazer isso quando tudo a sua volta desmorona. Mas não é justamente na crise que encontramos as grandes oportunidades?

Estamos agora em um momento em que parece que tudo a nossa volta está no caos! Por conta da pandemia de Covid-19, vemos o tempo todo histórias de empresas e de profissionais com grandes dificuldades.


Veja esse artigo em vídeo:


A proposta aqui não trata de fazer um marketing barato e oportunista, mas de realmente estar junto com as pessoas em um momento em que todos estão passando por dificuldades.

A parte boa é que, em muitos casos, isso pode ser feito com baixo investimento. O que vale é a transparência e o desejo genuíno de fazer algo pelas pessoas. Valem muito mais os valores.

Seus valores estão sobrevivendo ao distanciamento social??

Não estou querendo “dourar a pílula” ou minimizar as dificuldades que muitas empresas e profissionais estão passando.

Peguemos o caso da Disney, empresa que praticamente é sinônimo de encantar o seu público. Ela foi colocada de joelhos, depois de ser atingida em cheio pela pandemia. Seus parques foram fechados, arrastando milhares de empresas no mundo todo -que compõem sua enorme cadeia- para o fundo. Com os cinemas impedidos de funcionar, todos os filmes que seriam lançados nesse período foram postergados, e as novas produções foram todas interrompidas. Até a ESPN, da qual a Disney é dona de 80%, está sofrendo, com todos os campeonatos esportivos interrompidos.

Sobra basicamente o Disney+, seu serviço de streaming, um setor que explodiu com muita gente em casa (que ainda não chegou ao Brasil, diga-se de passagem). Será que a empresa poderia ter usado esse seu serviço para se manter próximo de seu público de uma maneira criativa?

A Globoplay, concorrente local desse serviço, fez isso. Liberou gratuitamente toda a programação infantil, para ajudar a entreter as crianças em casa. É um gesto pequeno, talvez não o suficiente para encantar, mas é bem-vindo.

A Netflix, outra empresa desse segmento, querida pelos seus clientes, também perdeu a oportunidade de criar algo para encantar. Continuou apenas com as comunicações de sempre. Na verdade, com o aumento do uso da plataforma, até se viu obrigada a piorar um pouco a qualidade da imagem, para preservar a sua banda de transmissão.

Muitos podem perguntar: mas a Netflix, afinal, precisaria ter feito algo?

Não, não precisaria.

Mas -de novo- é um momento que as empresas podem usar para se aproximar positivamente das pessoas. Então, perdeu uma oportunidade de reforçar a sua já ótima imagem.

Tocando os cotovelos

Um exemplo que eu achei interessante foi o do Mercado Livre. A empresa criou várias iniciativas para esse momento. Por exemplo, isenção de multas por inadimplência, mais cuidado com os funcionários, criação de recurso para doações à Cruz Vermelha e até a uma linha de crédito de R$ 600 milhões a empreendedores. Mas do que mais se falou mesmo foi uma iniciativa singela: a mudança temporária de se logo. Passou de um aperto de mãos para toques de cotovelo, uma recomendação da Organização Mundial de Saúde para combater a disseminação do novo coronavírus.

Como disse, é uma questão de valores da empresa, comunicado criativamente ao público. É também um desejo de estar com as pessoas, fazer algo por elas. E não precisa ser uma grande empresa para demonstrar isso. Qualquer um de nós pode, usando a criatividade.

Um caso interessabte são os anônimos que vem encantando quem está a sua volta, fazendo pequenos espetáculos em suas janelas, normalmente músicos. A ideia surgiu espontaneamente na Itália, o primeiro país do Ocidente a ser atingido com força pela pandemia, e que obrigou seus cidadãos a ficarem confinados em casa.

Isso inspirou pessoas em janelas do mundo todo, pois é eficiente, traz conforto, aproxima indivíduos quando muitos estão afastados. E nem custa nada! Esses artistas ganham fãs e públicos inteiros que não tinham!

Outro exemplo interessante que surgiu no meio disso tudo são as chamadas “superlives”, transmissões ao vivo de artistas, que são verdadeiros shows gratuitos feitos normalmente de suas casas. Elas têm arrastado milhões de pessoas que se sentem próximas de seus ídolos de uma maneira inédita. Muitas dessas apresentações ainda têm um aspecto filantrópico, arrecadando fundos para iniciativas no combate ao Covid-19 e suas consequências para as populações.

Uma das primeiras a fazer isso foi a do tenor Andrea Bocelli, que fez uma comovente apresentação na magnifica catedral de Milão, uma cidade duramente atingida pela pandemia, acompanhado apenas por um organista. Outra apresentação internacional muito marcante foi a “live dos sonhos”, organizada por Lady Gaga para homenagear os profissionais da área de saúde e para conscientizar a população dos cuidados necessários. Para isso, reuniu alguns do maiores aristas do cenário pop do mundo todo, para cantarem uma música cada. Resultado: sete horas de uma reunião inédita de artistas!

No Brasil, Gusttavo Lima puxou a fila. Mas quem realmente inovou foi Ivete Sangalo, que fez uma live da sua cozinha, vestida com um pijama. A live ainda contou com a participação do seu marido, lavando a louça, e de seu filho. Para quem é fã da Ivete, esse show foi memorável!

É muito mais criatividade que investimentos. E também um desejo genuíno de querer fazer algo.

Por exemplo, que tal entregar uma máscara para quem comprar um produto seu? Ou mesmo ligar para clientes para saber como estão? Não é para vender algo: é para saber como estão!

Podemos encontrar maneiras de surpreender, de encantar, mesmo no caos.

Temos que ser mais humanos

Outro exemplo singelo vem da pizzaria que fica a uma quadra de casa, de onde sempre peço pizzas. Com tanta gente em casa e restaurantes fechados, eles estão vendendo como nunca! Desde o comecinho da pandemia, os motoboys que fazem a entrega usam máscaras. Além disso, a caixa da pizza vem dentro de um envelope para ser descartado. E, nessa semana, quem veio me entregar a pizza foi um dos pizzaiolos! Ele disse que, como o volume de entregas estava muito grande, os motoboys estavam cuidando dos pedidos mais distantes. E ele veio me entregar, pois era só uma quadra, e não queria me deixar esperando.

Como se vê, pequenas coisas, gestos espontâneos podem ser mercantes.

Sei que, nesse período, todo mundo está tentando encontrar maneiras para se manter vivo, com a cabeça para fora da água, e não julgo ninguém por isso. Mas pode ser mesmo uma tremenda oportunidade de demonstrarmos a nossa humanidade. Não porque vamos vender mais, e sim porque vamos estar mais próximos das pessoas.

Carl Gustav Jung, pai da psicologia analítica, disse certa vez: “conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”

Claro que ele disse aquilo em um contexto da Psicologia. Mas a fala pode ser perfeitamente aplicada a tudo hoje.

O que está esperando para criar esse vínculo com seu público?

Você confiaria a sua vida a um super app?

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Caminhamos a passos largos para um momento em que a Siri, dos iPhones, e o Google Assistente, dos Androids, serão substituídos por sistemas muito mais poderosos, que saberão quase tudo sobre nós, e serão capazes de tomar decisões complexas e até negociar valores em nosso nome. Nesse futuro próximo, a nova geração de assistentes virtuais evoluirá a partir dos atuais “super apps” (como o WeChat), acrescentando uma grande dose de inteligência artificial, análises preditivas, linguagem natural, big data.

Parece muito bacana -e é! Mas esses sistemas levantam algumas questões éticas e comerciais. Com tanto poder concentrado, eles serão capazes de impactar fortemente a “jornada do cliente”, até mesmo determinando o que consumiremos e como.

E aí a coisa fica complicada.

Diante disso, que garantia teremos que esses sistemas sempre tomarão as melhores decisões para nós, e não para atender interesses ocultos de seus fabricantes ou de seus parceiros comerciais? Entretanto, se não confiarmos nas assistentes, a sua “mágica” desaparece.

Para completar, em agosto do ano que vem, a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) começa a valer. Ela disciplinará não apenas a coleta de nossas informações, como também o uso que será feito delas, determinando que tudo deve ser explicitamente autorizado pelo usuário antes. Como esses sistemas, que se esbaldarão e cruzarão nossas informações mais íntimas, serão impactadas pela lei?

Uma coisa é certa: o futuro é inevitável! Quando esses sistemas estiverem disponíveis, daqui uns três anos, devem ser rapidamente adotados. Veja no meu vídeo abaixo o que você precisa saber para aproveitar bem novidades assim. E depois compartilhe conosco suas percepções nos comentários.



Quer ouvir as minhas pílulas de cultura digital no formato de podcast? Você pode me encontrar no Spotify, no Deezer ou no Soundcloud. Basta procurar no seu player preferido por “Macaco Elétrico” e clicar no botão “seguir” ou clicar no ícone do coração. Se preferir, clique nos links a seguir:

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Na Economia da Experiência, a tecnologia humaniza e vende

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Não olhe agora, mas a comunicação com o seu cliente pode estar quase tão ultrapassada quanto usar um carro de som, daqueles que vendem produtos (e às vezes atormentam moradores) pelas ruas dos bairros.

A situação pode ser ainda mais grave: você entrega o que seu cliente gosta ou apenas acha que faz isso? Pesquisa da consultoria americana Bain & Company aponta que 80% das empresas acham que fazem isso, mas apenas 8% de seus clientes concordam!

No cenário da atual Economia da Experiência, não dá para ficar assumindo o que nosso público deseja: temos que interagir com cada um deles para sabermos que caminho seguir. E a única maneira de fazermos isso bem é usando a tecnologia digital, para coletarmos -de maneira ética- e processarmos informações das pessoas.

Dessa maneira, seremos não apenas capazes de melhorar as nossas entregas, como também de manter uma conversa de alto nível em todas comunicações que realizarmos.

Entenda como fazer isso para o seu negócio, seja uma pequena padaria, seja uma multinacional, assistindo ao meu vídeo abaixo. E depois compartilhe conosco nos comentários as suas boas experiências.



Assista ao vídeo que abriu o SAP NOW 2019, retratando a Economia da Experiência: https://www.youtube.com/watch?v=n4_hj5n_TG0

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Lobby pode atrasar a chegada do 5G ao país

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Enquanto o mundo corre em direção ao 5G, empresas tentam atrasar a chegada dessa tecnologia ao Brasil, para proteger seus investimentos às custas de toda a sociedade.

No centro dessa guerra comercial, estão o leilão das frequências do 5G, que o governo quer realizar no primeiro semestre do ano que vem, e os Projetos de Lei 79 (que disciplina serviços de telecomunicações) e 3.832 (que regula a TV paga).

A chegada do 5G e essas mudanças legais impactam diretamente o modelo de “triple play” (telefonia, TV por assinatura e Internet), oferecido pelas operadoras. Os dois primeiros negócios estão em franca decadência há anos, portanto algumas dessas empresas estão usando de todos os artifícios para atrasar esses avanços.

Até o governo americano está envolvido nesse processo. O PL 3.832 pode favorecer fortemente a empresa AT&T na compra da Oi, o que possivelmente atrapalharia os planos da chinesa Huawei, líder mundial no 5G, que vem sendo combatida por Donald Trump.

No meio do fogo cruzado, estamos nós. Precisamos entender o que está acontecendo para nos posicionarmos contra esse atraso, que faria o Brasil perder enormemente sua competitividade.

Entenda isso tudo no meu vídeo abaixo. E depois deixe sua opinião nos comentários.



Para saber ainda mais sobre isso tudo, recomendo as seguintes leituras externas:

Leilão de 5G coloca em xeque TV por assinatura, e teles tentam ganhar tempo

PLC 79: o que vai mudar com o novo marco das telecomunicações

Senado pode mudar regras para TV paga e online; entenda a polêmica

Senado aprecia PL que acaba com restrição à propriedade cruzada no mercado de TV paga

Presidente da Anatel dispara: “Interesses casuísticos não podem confinar a internet brasileira”

Na CI, presidente da Anatel defende mudanças na Lei de Telecomunicações

Trump, Bolsonaro e Globo: O que está por trás da mudança da Lei da TV paga?

Operadoras discordam quanto à maturidade do ecossistema 5G

Claro: PL que muda lei do SEAC promoverá “destruição total” do audiovisual brasileiro

Claro também vai para o leilão da 5G, “porque não tem saída”, afirma Félix

América Móvil não “morreu de felicidade” com leilão 5G no Brasil, diz Félix

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Videodebate – Netflix ou notícia: quem você escolhe?

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VOCÊ É RELEVANTE para seu público?

Estudo do Reuters Institute for the Study of Journalism demonstrou que não basta mais ser ótimo no que se faz: precisamos tocar a vida das pessoas como elas esperam. Sem isso, nosso público pode não perceber o valor do produto, e uma grande ideia vai por água abaixo. E estou cansado de ver bons negócios quebrando e excelentes profissionais sendo demitidos por isso.

Apesar de o estudo se focar em jornalismo, suas conclusões podem ser facilmente extrapoladas para outros mercados. E uma delas demonstra que hoje não concorremos apenas com quem faz o mesmo que nós, e sim com qualquer empresa que dispute os mesmos reais dos consumidores, até com negócios muito diferentes dos nossos.

O mar não está para peixinho! Nunca foi tão importante conhecer bem o público: seus desejos, seus receios, suas carências, sua linguagem. Porque, sim, temos que buscar a excelência no nosso produto, mas temos que ser eficientes para que nossos clientes o percebam e entendam.

Assista ao meu vídeo abaixo para entender como fazer isso! E depois conte para nós aqui as suas experiências ao se relacionar com seu público.



  • Para assistir à integra em vídeo do debate no Estadão e baixar o excelente e-book produzido pelo Media Lab Estadão, inscreva-se gratuitamente aqui.
  • O relatório completo do Reuters Institute está disponível para download gratuito.
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Videodebate: você sabe encantar seu cliente?

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Oferecer um grande produto a um preço justo já não é mais garantia de sucesso em nenhum negócio!
Com o barateamento dos meios de produção, recursos digitais cada vez mais inovadores e o avanço das redes sociais, ficou mais fácil aumentar a qualidade de nossas entregas e criar formas de comunicação engajadoras com o nosso público.
Isso é ótimo! O problema é que também funciona para os nossos concorrentes. De repente, parece que existe uma multidão fazendo exatamente o mesmo que nós, tão bem quanto.
Nesse cenário de mesmice, os consumidores naturalmente se tornam mais exigentes. Ganha quem oferece algo que o outro não tem. E, se está cada vez mais difícil se diferenciar na entrega principal, olhe além dela, na experiência que o cliente terá em torno da sua marca.
Por isso, a “customer experience”, a “experiência do cliente”, virou uma disciplina extremamente valorizada. Pois esse relacionamento começa bem antes da compra e vai muito além dela. E não se limita a um bom atendimento: em muitos casos, uma experiência memorável envolve entregas que não têm nada a ver com a proposta original da empresa.
E aí, você está pronto para criar uma experiência memorável para seu cliente?
Assista ao meu vídeo abaixo e descubra. E depois compartilhe com todos nos comentários as suas próprias experiências, como gestor e como consumidor.



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Videodebate: olha como você FALA!

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Como você fala com os seus clientes?

Há pelo menos uma década, a combinação de redes sociais e smartphones tem provocado mudanças profundas nesse relacionamento. Além de agora as marcas falarem e OUVIREM diretamente seu público (o que já é uma baita mudança), essa comunicação vem ficando mais flexível e ganhando nossas palavras, abreviações e símbolos, como os emojis (aquelas “carinhas” no meio do texto).

Para muita gente, essas mudanças na linguagem são completamente inadequadas. Serão mesmo? Essas “informalidades” aproximam a marca e o profissional do seu público ou podem colocar a relação a perder?

No final, tudo é questão de bom senso. É claro que não dá para usar esses recursos de comunicação em todos os casos. Entretanto, quando possível, eles são poderosíssimas ferramentas para criar vínculos fortes com o consumidor.

A língua é uma coisa viva, que está em constante evolução. Precisamos estar abertos às mudanças, para aproveitarmos isso da melhor maneira possível. Mas quando? E como? Veja no meu vídeo abaixo. E depois compartilhe aqui nos comentários com todos se você usa esses recursos com seu público.


Videodebate: tem gente roubando seu lugar!

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Não olhe agora, mas tem um monte de “picaretas” roubando os seus clientes ou o seu trabalho!

É isso mesmo! Uns caras que sabem muito menos que você estão lhe dando uma rasteira! E, se duvidar, eles sabem tão pouco, que até colocam a vida das pessoas em risco!

E você fica aí, praguejando da “sorte” que os danados têm…

Muita calma nessa hora! Pela minha experiência, não existe essa tal de “sorte” no trabalho.

Sim, é verdade que essas criaturas existem mesmo, e estão ocupando um espaço indevido. Mas não é por acaso, e muito menos por sorte. Eles sabem muito bem como atingir seus resultados. De um jeito torto, mas sabem.

Digo mais: você também tem culpa nisso tudo! E não adianta ficar bravo.

Veja meu vídeo abaixo, e depois vamos debater aqui nos comentários: o que fazer para ocupar o espaço que é SEU?



 

Temos que falar mais sobre como somos dominados alegremente pelo marketing digital

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O personagem Neo, do filme Matrix, acorda da ilusão criada pelas máquinas para roubar sua energia sem que perceba - Foto: reprodução

O personagem Neo, do filme Matrix, acorda da ilusão criada pelas máquinas para roubar sua energia sem que perceba

Já virou lugar-comum dizer que o consumidor hoje tem muita escolha. Graças aos meios digitais, podemos encontrar quem nos forneça o que precisamos de uma maneira cada vez mais alinhada aos nossos gostos. Parte disso acontece graças ao facílimo acesso que temos a todo tipo de informação e ao contato com pessoas com gostos semelhantes aos nossos. Essa liberdade de escolha transformou a maneira de como consumimos todo tipo de produto ou serviço, e tem feito as empresas se reinventarem, sob o risco de serem substituídas por concorrentes que conhecem e, por isso, atendem melhor seu público.

Mas será que nossas escolhas são mesmo livres? Ou vivemos dentro de uma bem arquitetada fantasia de que temos o controle de nossas vidas, quando, na prática, somos cada vez mais manipulados para o benefício de poderosos?

Nesse caso, qualquer semelhança com a trama do filme Matrix (1999), em que humanos eram mantidos em uma ilusão enquanto alimentavam uma monstruosa máquina com a energia de seus corpos, não seria mera coincidência.

Não estou pintando um cenário apocalíptico, de máquinas versus humanos ou de empresas subjugando seus consumidores. Quem me acompanha, aqui na rede ou fora dela, sabe que sou um grande entusiasta do uso da tecnologia digital para ampliar as capacidades humanas. Entretanto, para conseguirmos isso, temos que ter consciência do que está acontecendo a nossa volta, para que nos apropriemos desses recursos, ao invés de sermos controlados por eles.


Vídeo relacionado:


Esse assunto está tão pulverizado em nossas vidas, que foi tema da redação do ENEM desse ano, realizado há alguns dias: os alunos deveriam dissertar sobre “manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”.

Como sugeriam os textos no enunciado da redação, esse controle passaria pelos infames “algoritmos de relevância”. Tratam-se de sistemas que rastreiam continuamente tudo que é publicado na rede e também tudo o que fazemos nela. O objetivo é bastante simples: esses programas são responsáveis por nos mostrar, nos serviços digitais que usamos, conteúdos que sejam interessantes para nós. E isso não vale só para redes sociais: eles “filtram” aquilo que consumimos no noticiário, as respostas dos buscadores, serviços de música, fotos que apreciamos, produtos que compramos e até as pessoas com quem nos relacionamos!

Decidir o que é o mais relevante para cada um entre bilhões de usuários, por outro lado, é uma tarefa extremamente complexa, que envolve o cruzamento de uma infinidade de variáveis e um monitoramento contínuo e cada vez mais amplo e profundo de tudo que fazemos, de uma maneira que chega a ser assustadora. Dessa forma, muitas das empresas que prestam esse serviço, como Facebook, Google, Apple e Amazon conhecem nossos gostos com um detalhamento que, se duvidar, nem nós mesmos temos! Por isso, em muitos casos, são até mesmo capazes de antecipar nossos desejos.

É aí que a coisa começa a ficar complicada.

 

“Me engana, que eu gosto!”

Os algoritmos não entram no mérito se o que nos empurram é bom ou ruim. Eles nos apresentam apenas aquilo que consideram “relevante” (daí seu nome), ou seja, aquilo sobre o que as pessoas ou as marcas com quem nos relacionamos estão falando, usando, comprando. Enfim, aquilo que está gerando “movimento nas redes”. Logo, quanto mais somos parecidos a um grupo (segundo o sistema) e quanto mais um determinado tema está sendo debatido por ele, maior a chance de aquilo nos interessar também.

Essas regras estão entre os segredos mais bem guardados dessas empresas, pois o sucesso do seu negócio passa por seus usuários concordarem que aquilo que lhes é oferecido é realmente interessante. O incrível é que, de maneira geral, o que nos mandam parece mesmo bacana! E assim conhecemos e gostamos do que o Facebook e outros nos empurram!

Aí é que começa a manipulação, ainda que não seja esse o objetivo desses sistemas, a princípio. O grande efeito colateral disso tudo é a criação das “bolhas”: a partir do momento em que somos continuamente apresentados apenas àquilo que gostamos e a pessoas que pensam como nós, qualquer coisa pode se tornar uma “verdade”, mesmo que seja a mais incrível porcaria! Quando vivemos em um ambiente de “pensamento único”, nossos preconceitos acabam sendo reforçados.

Isso, por si só, já seria bastante ruim. Mas há ainda algo mais perverso nessa história: e se pessoas, empresas e as próprias plataformas conseguissem controlar os algoritmos para que víssemos o que é interessante a elas, e não a nós mesmos?

Teoria da conspiração? Antes fosse! As plataformas, especialmente o Facebook, dão contínuas provas de que isso acontece. Em março, isso foi escancarado pelo escândalo envolvendo a próprio Facebook e a empresa Cambridge Analytica: a última usou recursos da plataforma para roubar dados de 87 milhões de seus usuários para disseminar eficientemente “fake news”, que ajudaram na eleição de Donald Trump para presidente dos EUA.

O mais preocupante disso tudo é que o sistema é tão eficiente em nos exibir aquilo que combina conosco, que baixamos nossas defesas e abraçamos causas que não são nossas e que podem até mesmo nos prejudicar. Basta olhar para nossa última eleição presidencial: sem entrar no mérito de ser bom ou truim, venceu justamente quem soube usar os meios digitais de maneira mais eficiente, como eu já havia adiantado em um artigo escrito em maio.

Quer dizer então que somos seres indefesos, à mercê de sistemas malignos? Claro que não!

 

Aprenda a usar isso a seu favor

Apesar de todo o exposto acima, sou a última pessoa que diria que as redes sociais são ruins ou que estamos condenados a ser vítimas incapazes dos algoritmos. Na verdade, esses sistemas podem nos ser bastante úteis.

A primeira coisa é aceitar e entender que somos continuamente monitorados, e que não há como “enganar o Facebook” (como já ouvi muita gente afirmando fazer). Ao invés disso, devemos começar a desenvolver uma visão crítica do que nos é apresentado nas diferentes redes sociais.

Costumo brincar que “cada um tem o Facebook que merece”. Se você está vendo algo ali, não se engane: de alguma forma, deu pistas ao infame algoritmo para que ele imaginasse que aquilo seria de seu interesse. E isso vale também para LinkedIn, Instagram e qualquer outra plataforma. Portanto, não adianta ficar esbravejando com o que lhe jogam na cara. Faça uma autoanálise: quanto daquilo é resultado de suas inúmeras pegadas digitais (que todos nós deixamos)?

E aí vai a dica de ouro: não acredite em tudo que lhe contam, principalmente quando aquilo parece ser uma unanimidade a sua volta. Disse certa vez o grande Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar”.

Dessa forma, a coisa pode ficar interessante para nós também!

As marcas, pelo menos as mais inteligentes, usam toda essa informação para nos conhecer melhor e, assim, oferecer produtos que atendam nossas expectativas com grande eficiência. E não fazem isso porque são “boazinhas”: fazem isso porque, com essa atitude, aumentam incrivelmente a chance de nos vender seja lá o que for!

Claro! Se alguém nos oferece algo que está totalmente alinhado com o que queremos, por um bom preço, na hora que estamos buscando, as chances de fecharmos negócio são imensas! Com um bom uso dessa tecnologia, os quatro pilares da gestão de relacionamento com o cliente –o cliente certo, a oferta certa, o momento certo, o canal certo– podem atingir um novo e poderosíssimo patamar!

As companhias devem apenas tomar cuidado para não escorregar na ética. Diante de uma infinidade de informações dos consumidores, até onde podem ir? De uma maneira geral, há uma pergunta que deve ser sempre respondida afirmativamente para seguir adiante: “estou usando uma informação que foi obtida de maneira legítima e que me foi entregue conscientemente para essa finalidade?”

Portanto, não precisamos ter medo ou tentar “enganar” as diferentes plataformas digitais, especialmente porque isso está cada vez mais impossível. Devemos, isso sim, usar a inevitabilidade de que somos rastreados e muito conhecidos, para que, cada vez mais, tenhamos ofertas que atendam nossas demandas.

Se tivermos essa consciência e essa visão crítica do que nos for apresentado, poderemos desfrutar de uma sociedade tecnologicamente desenvolvida, em que todos podem ganhar. Caso contrário, se terceirizarmos nossa capacidade de decisão aos algoritmos, aí sim seremos apenas massa de manobra.

Como você se encaixa nisso?


E aí? Vamos participar do debate? Role até o fim da página e deixe seu comentário. Essa troca é fundamental para a sociedade.


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Já que sua privacidade morreu, como tirar algo de bom disso?

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Foto: reprodução

De algumas semanas para cá, tenho visto pessoas andando pelos corredores do supermercado com o olhar fixo no celular. Lembram até a febre do Pokémon Go, quando, há um ano, multidões de jogadores invadiram as ruas para caçar os monstrinhos virtuais. Mas, dessa vez, não são pokémons: estão procurando ofertas criadas para elas, resultantes de algoritmos que trouxeram a análise de consumo dos usuários para o varejo físico. Sim, em um tempo em que a privacidade zerou no estoque, até as lojas nos rastreiam. Mas, longe de ser motivo de preocupação, essa pode ser uma boa notícia.

O responsável por isso é o Pão de Açúcar, que lançou no dia 29 de junho aplicativos para suas duas bandeiras: Extra e Pão de Açúcar. A ideia é trazer, para o celular dos clientes que fazem parte dos seus programas de fidelidade, ofertas criadas sob medida para cada indivíduo. Se o cliente colocar no carrinho um desses produtos, o desconto acontece automaticamente quando passar pelo caixa.


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Mas o funcionamento do programa vai muito além de simplesmente dar descontos em produtos que o consumidor está acostumado a comprar. Isso seria só uma evolução linear do modelo de descontos convencional, em que varejista e fornecedor abrem mão de parte de suas margens para ganhar no volume.

Na nova proposta, o fabricante ou distribuidor cria ofertas associadas a regras diretamente no sistema. Elas são executadas em cima das informações dos clientes. Por exemplo, é possível pedir ao algoritmo para dar um desconto a clientes que sempre compram produtos de uma dada categoria, mas nunca o da sua marca. Ou então para quem está acostumado a comprar um produto mais popular do fornecedor, na expectativa que passe a adquirir uma versão premium. E até oferecer algo que o Big Data sugira ser de interesse do cliente. É possível definir ainda características demográficas e a quantidade de clientes que devem ser impactados pela promoção.

As ofertas entram no ar imediatamente, pois não dependem de intermediação ou aprovação do Pão de Açúcar. Isso só é possível porque, ao contrário do modelo tradicional, todo o desconto sai do bolso do fornecedor, que pode acompanhar em tempo real a aceitação da sua oferta. E o desconto só é aplicado nos itens que forem efetivamente comercializados. Ou seja, se o fornecedor quiser “promocionar” 50 mil itens de um dado produto, mas apenas 15 mil forem comprados pelo consumidor-final, os outros 35 mil que ficaram no estoque do varejista continuarão com o preço “cheio”.

No final das contas, é um jogo em que todos ganham: o cliente pode ter um desconto apreciável na conta final; o varejista aumenta as suas vendas e o “wallet share” (os consumidores passam a comprar mais nele e menos nos concorrentes), sem prejudicar sua margem; o fornecedor tem acesso a uma base riquíssima para criar ofertas mais assertivas, criando um marketing muito mais eficiente, com um controle refinado dos custos. Vale dizer que o Pão de Açúcar garante que os dados dos consumidores não são repassados aos fornecedores, pois todas as regras são executadas dentro de seu próprio ambiente.

Sabe o que é mais incrível nessa história? Esses dados estão lá “desde sempre”. O programa Pão de Açúcar Mais existe há 17 anos. Mas faltavam duas coisas para que isso acontecer: um poder computacional imenso e a cultura de que nossos dados têm valor e podem ser convertidos em benefícios para nós mesmos.

Agora temos tudo.

 

Dados do consumidor em toda parte

Principal concorrente do francês Casino, controlador do Pão de Açúcar, o Carrefour também trouxe novidades nesse segmento para o Brasil.

Depois de surpreender o mercado brasileiro e encerrar seu e-commerce no final de 2012, o site nacional do gigante francês do varejo foi relançado em julho do ano passado, desenvolvido pela também francesa Keyrus. Agora a empresa começa a venda online de produtos perecíveis, algo que traz desafios adicionais.

O e-commerce do Carrefour também trabalha na análise de comportamento do consumidor, valendo-se dos recursos da plataforma SAP Hybris Marketing Cloud em que foi construído. Conversei com Stephan Samouillhan, vice-presidente de comércio digital na Keyrus, e ele me falou da importância disso para realizar ofertas mais assertivas para cada consumidor. Mais que isso, Samouillhan explicou que o grande desafio do varejo hoje é ter o acesso aos dados do consumidor e dos produtos a toda hora e em todo lugar, para incrementar as vendas.

Em outras palavras, a expectativa é que o vendedor de uma loja física tenha acesso a todo o perfil de compra de alguém que esteja atendendo para que possa fazer as melhores ofertas para aquele cliente. Seria quase como se o vendedor fosse o algoritmo, só que em carne e osso. Pois, com toda essa integração de sistemas, fica cada vez mais difícil aceitar que uma venda seja perdida porque o vendedor não tinha informação sobre o cliente, sobre o produto ou sobre as ofertas que poderiam ser oferecidas para aquela pessoa especificamente.

Foi-se o tempo em que essas decisões precisavam ser autorizadas por um gerente, com base apenas em sua intuição.

 

Produtos que ajudam na venda

As informações sobre o consumo das pessoas podem vir também dos próprios produtos, enquanto são usados! Elia Chatah, especialista em varejo da SAP, me falou sobre a experiência da fabricante de produtos esportivos Under Armour. A empresa desenvolveu um aplicativo capaz de coletar informações de diferentes “wearables” (equipamentos “vestíveis”, como relógios inteligentes) para rastrear padrões de consumo das pessoas, além de seus níveis de atividade física, qualidade de sono, entre outras métricas.

Graças a um sistema desenvolvido pela empresa com a SAP, a fabricante consegue, por exemplo, identificar o momento em que um dado consumidor precisa trocar seu tênis, pois ele já percorreu mais de 650 km com ele, distância em que o calçado já não protege mais o organismo do atleta adequadamente. Dessa forma, o consumidor pode ser informado que está na hora de comprar um novo.

Da mesma forma, o sistema pode identificar alterações no comportamento esportivo de uma dada população, tomando decisões de negócios a partir disso. Por exemplo, se a prática de corrida aumenta muito em uma dada cidade, a Under Armour saberá que precisa aumentar a venda de tênis de corrida para as lojas dessa região, pois mais pessoas procurarão por esse produto.

Como se vê, corremos a passos largos para um mundo em que nossos dados dizem muito sobre nós.

 

E a privacidade?

Diante de tudo isso, a pergunta natural é: como fica a nossa privacidade? Bom, o que posso dizer é: aceita que dói menos.

Não estou dizendo que temos que ser displicentes com nossos dados. Já escrevi aqui sobre a importância de cuidarmos muito bem das nossas informações pessoais, especialmente porque existem um monte de pilantras tentando nos enganar para práticas condenáveis e até criminosas usando nossas informações. Portanto, não podemos dar mole com isso.

Mas isso é diferente de inciativas com as descritas acima e tantas outras que já fazem parte do nosso cotidiano. Ou alguém aqui vai parar de usar o Facebook só porque ele nos conhece mais que nós mesmos, e usa essa informação para vender anúncios assertivos que aparecem no nosso feed de notícias? Ou vamos abandonar o Waze, só porque ele informa ao Google onde nós estamos em tempo real, não apenas para o próprio sistema funcionar, mas também para nos mandar ofertas baseadas em geolocalização?

Claro que não, certo?

O fato é que vivemos em uma época em que temos produtos e ofertas cada vez mais personalizados. Temos acesso a serviços que nos oferecem descontos no supermercado, fugir de congestionamentos, encontrar as informações que precisamos, falar rapidamente com qualquer pessoa, promover nossos serviços, e uma infinidade de outras coisas. Facilidades simplesmente inimagináveis há apenas dez anos, e que parecem nos ser ofertadas de graça.

Só que não existe almoço grátis. Pagamos, sim, por tudo isso. Mas a moeda são as nossas informações. E achamos isso uma troca justa!  Todos esses avanços tecnológicos estão promovendo, portanto, não apenas mudanças culturais maiúsculas, mas redefinindo alguns pilares do próprio capitalismo.

Precisamos apenas ficar atentos se o uso de nossas informações continua dentro daquilo que foi combinado. Se for assim, esse é realmente um jogo em que todos podem ganhar.


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A tecnologia pode acabar com conselhos profissionais e sindicatos

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Imagem: Visual Hunt/Creative Commons

Você sabia que, como passageiro, você também tem uma nota no Uber, dada pelos motoristas? Longe de ser uma firula do serviço, essa “reputação” está transformando dramaticamente, ainda que de maneira sorrateira, a maneira como compramos produtos e contratamos profissionais. E, nessa nova ordem mundial, sindicatos e conselhos profissionais podem estar rumando para o mesmo fim dos dinossauros.

Tudo por causa de fundamentos da economia compartilhada! Com eles, profissionais, produtos e serviços são escolhidos por seus clientes a partir da experiência que outros consumidores tiveram antes com tais fornecedores. Quem atende bem, é brindado com uma boa nota, e assim ganha destaque nos sistemas.


Vídeo relacionado (de 17/5/16):


O critério de reputação foi criado por essas empresas como uma maneira de dar alguma proteção tanto ao consumidor, quanto ao fornecedor. Afinal, quando você chama um carro pelo Uber, quando faz uma compra pelo Mercado Livre, quando se hospeda pelo Airbnb (apenas para ficar em alguns exemplos óbvios), você está comprando algo que não é da empresa, e sim fornecido por uma legião de desconhecidos que usam essas plataformas para viabilizar os seus micronegócios. Por isso, a nota que outros clientes já lhes atribuíram é fundamental para saber se esses fornecedores prestam um bom serviço.

Quem tiver uma boa nota, acaba sendo privilegiado pelo sistema, e faz mais negócios. Já quem tiver uma nota ruim, pode acabar sendo expulso dele! Da mesma forma, o cliente também tem sua nota, atribuída pelos profissionais com quem já fez negócio anteriormente. Um cliente ruim também pode ser recusado! Afinal, você alugaria o seu apartamento pelo Airbnb para um “ogro”, que pode estragar tudo lá dentro?

O efeito colateral disso é que as empresas de economia compartilhada não dão muita bola para convenções sindicais ou resoluções de conselhos profissionais.  Quem pode oferecer seu serviço na plataforma, quem é considerado um bom profissional, a maneira como o serviço é prestado atende os seus próprios critérios, e não o que dizem as entidades de classe.

Em muitos casos, isso gera conflitos seríssimos. Talvez o caso mais emblemático seja justamente o do Uber, que entrou em choque frontal com sindicato dos taxistas do Brasil (e do mundo) todo. Afinal, qualquer um que atenda seus critérios pode virar seu motorista. Isso passa por cima das regras dos sindicatos e até das prefeituras, que regulam a atividade.

Mas advinha de que lado fica o consumidor?

 

Cabo de guerra

O cliente não dá a menor bola para as convenções sindicais ou resoluções de conselhos, que, aliás, normalmente desconhece. O que interessa para ele é ser bem atendido, com um profissional competente, com um serviço focado em suas necessidades e a um preço justo. Mas essas regras existem por bons motivos. E aí surge o grande dilema.

Os sindicatos foram criados com a Revolução Industrial, como uma maneira de proteger os interesses dos trabalhadores, que não tinham nenhum direito e eram explorados além do limite da irresponsabilidade. Têm, portanto, um papel essencial na construção de uma sociedade mais justa. As resoluções e códigos de ética dos conselhos profissionais, por sua vez, regulamentam como os profissionais devem exercer seus ofícios, inclusive protegendo interesses dos clientes.

O problema é que, como se pode imaginar, tais regras sofrem atualizações muito, muito lentamente, inclusive porque qualquer mudança precisa ser muito debatida e até embasada em pesquisas científicas, em muitos casos. Mas o mercado não topa mais esperar por isso, pois seu ritmo é muito mais acelerado, e isso só tem aumentado com a introdução de novas tecnologias digitais e a entrada de empresas com modelos de negócios totalmente disruptivos.

Não estou dizendo que a tecnologia vai acabar com categorias profissionais inteiras. Aliás, a tecnologia jamais destrói coisa alguma! Ela promove transformações, propondo alternativas mais vantajosas para as pessoas. Quem tira uma categoria profissional, um produto, um modelo de negócios da jogada é justamente seu consumidor, quando ele encontra essa tal alternativa que lhe atende melhor.

Para piorar ainda mais a situação das entidades de classe, muitas têm fortíssimos interesses políticos, que, muitas vezes até se contrapõem aos dos seus representados. Outras tantas se encontram envolvidas em escândalos de corrupção. Como resultado, não apenas o público, como também muitos profissionais da categoria começam a achar tudo aquilo um atraso de vida.

E advinha só onde todos acabam caindo?

 

Alternativa também para o profissional

Apesar da importância das regras das entidades de classe explicadas acima, o que se vê são cada vez mais profissionais acompanhando seus clientes para as novas plataformas, inclusive contrariando determinações de suas categorias. E o motivo é muito simples: as demandas do público são claras e vão nessa direção.

Oras, pode chegar uma hora em que, se o profissional não embarcar nessas novidades, ficaria sem clientes! O que lhe restaria então?

Um bom exemplo é o que acontece com os psicólogos. Segundo resolução do Conselho Federal de Psicologia, não é permitido fazer terapia online. O máximo que é permitido é uma orientação psicológica pontual, limitada a, no máximo, 20 sessões.

Só que os pacientes não entendem isso! Em uma sociedade totalmente conectada, em que cada vez mais coisas podem ser feitas pelo telefone celular (desde paquerar até a declaração do Imposto de Renda), por que não é possível fazer terapia online? O questionamento ganha ainda mais força quando, por exemplo, o paciente muda de cidade e gostaria de continuar sendo atendido pelo mesmo profissional, à distância. Mas isso não pode acontecer, pois fere a resolução do CFP.

Por mais bem-intencionada que seja a resolução, fica cada vez mais difícil defender essa restrição, especialmente se considerarmos que pesquisas já estão sendo feitas nessa área há 15 anos! Como resultado, o que se vê no mercado são cada vez mais psicólogos ignorando a resolução e encontrando suas maneiras de atender as demandas de seus clientes, mesmo colocando em risco a sua atuação profissional!

Pior que isso: demoras como essa abrem espaço para o surgimento de serviços que ignoram solenemente as regras e chutam a porta com um modelo radicalmente diferente. No mesmo setor da psicologia, no ano passado foi lançado o Fala Freud, um aplicativo que bate de frente não apenas com a resolução acima, mas com o próprio código de ética da profissão. Desde então, ele vem provocando uma acalorada discussão e uma sequência de notas de repúdio de psicólogos.

O aplicativo foi longe demais? Não estou habilitado para afirmar categoricamente que sim ou que não. Mas o fato é que tem um monte de psicólogos cadastrados na plataforma.

Como lidar com essa crise?

 

Foco no cliente e no profissional

Como se pode ver, a tecnologia e as empresas com modelos de negócios (muito) inovadores estão provocando um enorme movimento no mercado. E não quero dizer que estejam promovendo uma bagunça. Mas certamente estão provocando profundas discussões e até indicando alternativas de como uma categoria profissional deve se comportar!

É óbvio que profissões e serviços devem ser regulamentados por entidades competentes, inclusive para proteger o cliente e o profissional: jamais sugeriria o contrário! Mas não é possível que isso continue sendo feito como é hoje.

Ao invés de se posicionarem em lados opostos desse cabo de guerra, empresas e entidades de classe deveriam se unir para se ajudar, cada um oferecendo o que tem de melhor para esse diálogo. Caso contrário, veremos cada vez mais profissionais sérios colocados entre determinações de suas entidades e as demandas de seu público. Se penderem para um lado, podem ficar sem clientes; se forem para o outro, podem ficar sem profissão.

É hora de dar as mãos e construir algo juntos com foco nos clientes e nos profissionais.


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