redes sociais

Querem calar suas redes sociais

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Uma nova batalha ocupa as redes sociais, afetando profundamente o cotidiano de todos nós, pela importância que elas ocupam em nossas vidas. Dessa vez, ela vem de políticos, que usam seus apoiadores nas mesmas redes, robôs e a força do cargo para tentar piorar o nível das discussões e até censurar essas plataformas.

O exemplo mais recente desse embate aconteceu na semana passada, porque o Twitter começou a marcar publicações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, limitando as suas visualizações, por enaltecerem a violência.

Isso deixou Trump furioso!


Veja esse artigo em vídeo:


O Twitter sempre fez vista grossa aos impropérios de Trump e de outros líderes mundiais em sua plataforma, mesmo quando violavam seus termos de uso. Na avaliação da empresa, apesar dessa violação frequente, essas mensagens tinham valor como notícia, então as toleravam.

Só que, por muito menos, usuários comuns eram banidos da plataforma!

Agora a empresa resolveu mudar e endurecer contra esses políticos. Em represália, Trump assinou, na quinta passada, uma ordem executiva que poderia, na prática, regular as redes sociais e intervir no que se publica nelas. Em outras palavras, para combater o que ele chama de censura a suas publicações, Trump promete censura e outras retaliações contra as redes sociais, e não apenas o Twitter.

O presidente americano diz que quer eliminar o viés político nas redes. Na verdade, quer eliminar o que for contra ele nesse ano em que tenta a reeleição, deixando o caminho livre para continuar falando o que quiser.

As regras das redes sociais são claras sobre o que se pode postar ali: não aceitam “fake news”, incentivo a violência, terrorismo, racismo, ações contra a vida e a saúde.

Especialistas afirmam que Trump não pode fechar empresas que não estejam violando a lei. E mesmo a censura que ele quer fazer não deve passar, pois bate de frente com a chamada Primeira Emenda, que protege a liberdade de expressão nos Estados Unidos.

Sem falar que ele depende totalmente dessas redes para governar e se reeleger. Trump só está onde está graças ao contato que ele tem com seus apoiadores via Twitter.

No Brasil, a história é muito parecida. Nas últimas semanas, Bolsonaro teve várias mensagens apagadas pelo Twitter por violar as suas regras, com notícias falsas sobre o Covid-19. Antes dele, isso só tinha acontecido com chefes de governo nos casos de Nicolás Maduro, da Venezuela, e do aiatolá Khamenei, do Irã. Outros políticos brasileiros também já tiverem conteúdos removidos, como Flávio Bolsonaro, Ricardo Salles e Osmar Terra. Bolsonaro também já teve conteúdos eliminados no Facebook e no Instagram, segundo a empresa por “causar danos reais às pessoas”.

Bom, daí surgem as grandes perguntas! Será que essas ações das redes sociais são um ataque à liberdade de expressão? Se forem, será que governantes podem promover represálias contra as redes sociais porque seus conteúdos estão sendo eliminados? E como ficamos todos nós, os usuários das redes, no meio disso tudo?

O fato é que as redes sociais, e o Twitter principalmente, são essenciais para a eleição dessas pessoas, além da sua própria manutenção no governo.

A política dessas plataformas de até então tolerar as publicações incendiárias desses grupos permitiu que essas pessoas crescessem em popularidade e atingissem seus objetivos. Por conta disso, agora as redes têm que lidar com suas plataformas terem se tornando oceanos de desinformação e de ódio, em um nível que representa uma ameaça à sociedade organizada.

Esses grupos sabem usar e abusam desses recursos como ninguém. Combinam “fake news”, discursos de ódio e um incrível entendimento dos algoritmos de relevância das diferentes redes para espalhar seus conteúdos com o uso de robôs e de influenciadores. Por isso, qualquer coisa que ameace essa operação é uma ameaça real a seus planos de poder.

Sem as redes sociais, eles não são nada!

Ao assinar a ordem executiva na quinta passada, Trump disse que estava fazendo aquilo para “defender a liberdade de expressão”. Isso, por si só, já são “fake news”! Liberdade de expressão não implica poder falar o que quiser, atacar pessoas, grupos ou instituições, disseminar informações que coloquem em risco a saúde da população ou até a democracia.

“Fake news” não são liberdade de expressão: são crimes!

A desinformação é uma das maiores mazelas do planeta atualmente, com potencial de destruir a sociedade e matar pessoas, como literalmente está acontecendo na pandemia do Covid-19. Basta ver as ações e os resultados no combate à doença no Brasil e nos Estados Unidos comparados a, por exemplo, a Nova Zelândia, que já praticamente eliminou o vírus em seu território ao seguir rigorosamente as indicações da ciência. E só agora o país da Oceania está flexibilizando as regras de distanciamento, e de maneira bem lenta.

Portanto, liberdade de expressão não prevê que o indivíduo possa falar absolutamente qualquer coisa, pois muitas coisas que são faladas constituem crimes definidos no Código Penal. E, em tempos de redes sociais em que os algoritmos de relevância se tornaram gigantescas caixas de ressonância de qualquer ideia, isso se torna ainda mais grave!

Por isso, as redes sociais podem e devem -sim- coibir essa prática! Isso inclui eliminar ou limitar publicações de qualquer pessoa, mesmo de presidentes, que violem seus termos e o próprio conceito de civilidade.

E uma última ressalva, que precisa ser feita: os grupos conservadores acusam as redes sociais de perseguição política, pois são os que têm mais publicações eliminadas. Só que o combate às “fake news”, a desinformação, ao discurso de ódio deve ser feito igualmente contra todos que pratiquem isso. Se há mais publicações do grupo A sendo eliminadas que as do grupo B, é porque o primeiro abusa muito mais dessas práticas.

Assim sendo, nenhum governante ou grupo de poder pode legitimamente tentar cercear as redes sociais por elas eliminarem suas publicações que promovem esses atos nocivos à sociedade. Isso é uma intimidação digna de uma ditadura, usando recursos ilegítimos e prejudicando toda a população.

E nós, os usuários, o que podemos fazer para ajudar?

Em primeiro lugar, precisamos parar de acreditar em tudo o que vemos nas redes sociais. Por mais que apoiemos um político, devemos ser críticos ao que ele publica, pois muitos fazem qualquer coisa para se manter no poder.

Nós somos a chave para combater as “fake news”. Se não interagirmos com elas e principalmente se não as compartilharmos, elas perdem a força! Verifique meios de comunicação sérios, consulte agências checadoras de fatos antes de espalhar qualquer coisa. Uma notícia falsa raramente resiste a uma busca bem feita no Google.

Esse é o nosso papel para garantirmos que as redes sociais não apenas continuarão funcionando, como ainda se tornarão um ambiente melhor para todo mundo.

O escritor e filósofo italiano Umberto Eco - Foto: reprodução

Desculpe, Umberto Eco

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Em junho de 2015, eu discordei de Umberto Eco. Agora, cinco anos depois, eu quero pedir desculpas por isso. Não pelo ato de discordar dele, mas por não ter percebido o que ele viu corretamente lá atrás.

Na ocasião, quando recebeu o título de doutor honoris causa em Comunicação e Cultura na Universidade de Turim (Itália), o escritor e filósofo italiano discursou dizendo que as redes sociais haviam dado voz a uma “legião de imbecis”, antes restrita a “um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade.” Afirmou ainda que “eles eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra que um Prêmio Nobel” e que “o drama da Internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade.”

Na ocasião, achei que Eco tinha exagerado na dose. Vi, em suas palavras, uma certa intolerância, que não combinava com ele mesmo. Na minha filosofia, em que todos devem ter o direito de falar e que crescemos justamente ao contrapor discordâncias, aquilo estava errado. Por isso eu o critiquei.

Mas o mundo mudou muito de lá para cá. Dramaticamente!

A polarização tomou conta do discurso público. A sociedade se entrincheirou em extremos cada vez mais distantes, deixando, entre eles, uma terrível “terra de ninguém ideológica”, onde qualquer um que se aventurar ali, tentando buscar o diálogo ou conceitos conciliadores, será brutalmente alvejado pelos dois lados.

O problema é que, como a Primeira Guerra Mundial demonstrou, em uma guerra de trincheiras, você pode ficar meses, anos imobilizado. Pior ainda: enfiado em um buraco, dividindo o espaço com ratos e todo tipo de coisa ruim. Exatamente onde grande parte da população está hoje.

Umberto Eco viu isso antes.

Em um 2015 que parece absurdamente distante agora, as pessoas ainda dialogavam, por mais que discordassem. Os governos de extrema-direita faziam muito barulho, mas poucos danos. Barack Obama ainda seria o presidente dos EUA por mais um ano e meio. O Brasil apenas começava a cavar o seu buraco político, que nunca mais parou de cavar desde então, e que já está chegando à China. Ainda existia um diálogo minimamente civilizado, e a educação, a ciência e o jornalismo eram pilares da sociedade.

Então vieram as fake news, a eleição de Trump, a Cambridge Analytica, os ataques à educação, à imprensa, à ciência e às artes, a desinformação, e duas eleições brasileiras. E a sociedade civilizada foi ladeira abaixo em apenas cinco anos.

Daí veio o Covid-19, como um enorme “freio de arrumação” para escancarar, com seus mais de 350 mil mortos oficialmente contabilizados (100 mil nos EUA e 25 mil no Brasil, até agora), como Umberto Eco estava certo

A verdade passou a ser combatida, assim como todos aqueles que a buscam. A principal arma desses soldados é um caldo de ódio mais espesso que asfalto quente.

Nesta segunda, Globo, Folha e Band informaram que seus jornalistas não mais comparecerão ao “cercadinho do Alvorada”, espaço que o governo lhes destinou para ouvir Bolsonaro e uma turma de seguidores, que fica no espaço ao lado, lhes insultar e agredir.

A barbárie, a insanidade, a intolerância avançam, passando por cima de qualquer um que não queira se submeter a esse poder dos “idiotas da aldeia”. Esses, por conveniência ou ignorância, pisoteiam em qualquer um na “terra de ninguém ideológica”, esmagando seus ossos enquanto alvejam e são alvejados pela turma da trincheira adversária.

Suprema antecipação do desastre que se avizinhava, Umberto Eco concluiu que “os jornais devem filtrar as informações da Web com uma equipe de especialistas”. E eles vêm tentando fazer exatamente isso. Aliás, fazia tempo que eu não via um jornalismo com um nível médio tão alto, como o praticado nessas últimas semanas. Pena que a turma das trincheiras olhe para isso e veja o contrário.

Umberto Eco faleceu oito meses depois, em fevereiro de 2016. Não teve que conviver com seu acerto. Penso que, nesse caso, foi uma benção.

Não sei se existe um prazo para pedir desculpas, mas espero que esses cinco anos caibam dentro dele. Umberto Eco estava certo: a Internet promoveu os idiotas da aldeia a portadores da verdade.

Os demais seguem caminhando na “terra de ninguém”, tentando reconstruir uma sociedade melhor e mais justa para todos.


E aí? Vamos participar do debate? Role até o fim da página e deixe seu comentário. Essa troca é fundamental para a sociedade.


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O isolamento nos transformou em pequenas emissoras de TV

By | Jornalismo | No Comments

Nos últimos dias, temos assistido (literalmente) à explosão da quantidade de “lives” -transmissões de vídeos ao vivo nas redes sociais. Elas deixaram de ser uma moda entre adolescentes para se tornar uma poderosa ferramenta de negócios e de promoção de qualquer coisa.

O grande impulsionador disso é o isolamento social por conta do Covid-19. Como muita gente não sai mais de casa e eventos públicos estão proibidos, as “lives” se tornaram a melhor alternativa para conversar com seu público. Assim, as transmissões se multiplicam, com pessoas ensinando um pouco do que sabem, fazendo propaganda de seus serviços, reunindo grupos em torno de interesses em comum. E não podemos deixar de mencionar as “superlives”, shows online ao vivo -especialmente de artistas sertanejos- que têm reunido milhões de pessoas que os assistem ao mesmo tempo, um público que não caberia em nenhum espaço físico.

Por que as “lives” fazem tanto sucesso afinal? De onde elas vieram? E o que é preciso para fazer a sua?


Saiba mais sobre esse assunto no vídeo abaixo:


As “lives” começaram a ficar mais populares com o YouTube, que lançou o recurso em 2010. Depois vieram muitas outras plataformas, como o Twitch (mais focado em games, criado em 2011 e comprado pela Amazon em 2014) e o Periscope (criado em 2015 e incorporado depois pelo Twitter). E a coisa ficou mesmo popular quando o Facebook e o Instagram lançaram esse recurso em suas plataformas, em 2016.

Mas pouca gente sabe que transmissões ao vivo digitais existem desde antes da Web, quando a Internet ainda era um ambiente árido e restrito a cientistas e militares.

A primeira coisa que poderia ser chamada de “live” foi criada em 1991 por alguns estudantes da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Eles apontaram uma câmera para a cafeteira de um dos laboratórios da universidade, para saber se tinha café sem ter que ir até lá.

Depois que a Internet comercial foi lançada, em 1994, surgiu a primeira transmissão ao vivo regular de uma pessoa: a JenniCam. E que transmissão: ela durou incríveis sete anos e oito meses!

Em 3 de abril de 1996, Jennifer Ringley uma estudante de economia da Universidade Dickinson, na Pensilvânia (EUA), então com 19 anos, ligou uma câmera no seu dormitório estudantil, que transmitia em tempo real tudo que ela fazia lá. Na maior parte do tempo, o quarto estava vazio, mas a câmera chegou a capturar até cenas de sexo da estudante. Cerca de 4 milhões de pessoas assistiam à vida de Jennifer no seu quarto, o que é impressionante, se considerarmos que existiam apenas 36 milhões de internautas no mundo na época. Isso a transformou na primeira celebridade digital.

Mas isso é história. As “lives” hoje duram de poucos minutos a algumas horas e transmitem desde conversas de amigos até shows superproduzidos.

Por exemplo, no último dia 4, a dupla sertaneja Jorge e Mateus fez um show em uma “live” que durou quatro horas e meia e teve 3,1 milhões de pessoas assistindo ao vivo, um recorde absoluto no YouTube. Mas esse recorde foi ultrapassado apenas quatro dias depois, no show da “Rainha da Sofrência”, Marília Mendonça, que juntou 100 mil pessoas a mais na sua “superlive”.

Além de arrecadar uma enorme quantidade de doações para a luta contra o novo coronavírus, as “lives” foram patrocinadas. Uma fonte de uma agência de publicidade afirma que uma delas levantou, só em merchandising, R$ 5 milhões! Nada mal para algo feito com uma produção relativamente barata, incrivelmente mais simples que a estrutura de qualquer show em um estádio.

É importante que fique claro que esses artistas já tinham uma presença bem forte nas redes sociais antes de tudo isso. Marília Mendonça, por exemplo, tem mais de 30 milhões de seguidores no Instagram.

Mas não só de “superlives” de artistas vive o período de distanciamento. Tenho visto uma explosão de oferta desse formato, especialmente no Instagram, de “lives” de todo tipo. São pessoas ensinando algo, oferecendo serviços, fazendo propaganda de seu trabalho ou simplesmente “fazendo um social” de dentro do seu distanciamento.

Não se trata mais de uma coisa restrita a adolescentes ou nerds. As “lives” vieram para ficar e estão se transformando em uma nova linguagem, uma nova forma de comunicação. E são muito fáceis de serem produzidas: basta um celular e uma conta em uma das plataformas já citadas. E é tudo grátis!

O poder do vídeo interativo é inegável. Aliás, a interatividade é uma das características das “lives”. Diferentemente dos vídeos gravados, as “lives” permitem que o público deixe seus comentários nelas em tempo real. E o dono da “live” ou sua equipe podem responder, também em tempo real. É comum também que as pessoas que estão assistindo à “live” acabem conversando entre si.

Essa dinâmica é algo que não existe em nenhuma outra mídia, e é muito interessante! Isso é diferente de uma videoconferência, outra coisa que também já existe há muito tempo e que ganhou força com o distanciamento social. Sim, as videoconferências também são transmissões de vídeo ao vivo, com várias pessoas interagindo. Mas, ao contrário das “lives”, elas não são públicas. Por isso, normalmente são usadas para reuniões de trabalho ou aulas. Já as “lives” são totalmente abertas, e quanto mais gente entrar, melhor, mesmo que sejam desconhecidos.

Até grandes eventos estão se transformando em “lives”. Por exemplo, dois megaeventos da área de tecnologia que costumo cobrir e que aconteceriam agora no início de maio, foram convertidos em uma sequência de “lives”. O primeiro é o Red Hat Summit, que aconteceria esse ano em San Francisco (EUA), e agora será online, nos dias 28 e 29 de abril. O outro é o SAP Sapphire Now, que seria em Orlando (EUA), e acontecerá online nos dias 12 a 14 de maio. São congressos que reuniriam, em um único espaço, mais de 15 mil pessoas, e agora potencialmente juntarão muito mais gente online!

Muitos outros eventos importantes estão acontecendo dessa forma. Eu mesmo tenho dado palestras em eventos, agora sem sair de casa.

O fenômeno é tão intenso que muita gente está creditando às “lives” uma sobrecarga sentida na Internet nos últimos dias. Afinal, elas acontecem, na maioria dos casos, no mesmo horário: no fim da tarde ou começo da noite. E, como expliquei na semana passada, existe mesmo um enorme pico de uso da Internet entre 15h e 21h, mas não podemos creditar isso apenas às “lives”.

É curioso que, nesse momento em que todos podem praticamente se tornar pequenas emissoras de TV, vejo que os veículos de comunicação, inclusive as próprias emissoras de TV, não estão aproveitando esse recurso. Talvez achem que não precisem disso, pois já têm os seus formatos consolidados. Mas é uma pena, pois as “lives” são mais que uma curiosidade online: elas são uma verdadeira linguagem nova do tempo em que vivemos.

Eu mesmo tenho usado o formato para criar um programa jornalístico, aproveitando a sua característica interativa. O Jornal da Live vai ao ar toda quinta no LinkedIn, onde sou um dos poucos brasileiros já autorizados a fazer essas transmissões, que ainda estão em teste na plataforma. O programa dura cerca de uma hora e nele eu discuto algumas das notícias mais importantes do momento com todos os participantes, um jeito totalmente novo de se fazer jornalismo, com uma participação inédita e intensa do público!

Tudo isso é sinal do que vivemos. O novo coronavírus e o isolamento social têm provocado intensas e rápidas mudanças na vida das pessoas e das empresas. Muitas pessoas têm me perguntado recentemente se a vida será a mesma depois que isso tudo passar. Certamente não! Já não é a mesma!

Muitas coisas que estamos aprendendo agora, às vezes de maneira dolorosa, permanecerão depois. E as “lives” certamente estarão entre elas. Mais que exibicionismo, elas mudaram a maneira como nos relacionamos e criaram uma nova linguagem.

E aí, vamos criar “lives”?

“Isso não é Facebook!”

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A liberdade de pensamento encara uma nova frente de batalha, no terreno de expressão mais democrático de todos: as redes sociais. Desde antes das últimas eleições, as patrulhas ideológicas que combatem o que é contrário a seu pensamento ganham força gradativamente nessas plataformas. Promovem uma avalanche de desinformação e de críticas ácidas, com o objetivo de desqualificar o assunto e o autor.

A diferença é que os alvos não se resumem mais apenas a jornalistas e outras pessoas de destaque na sociedade: agora qualquer um pode ser alvejado pelas milícias digitais. Isso me entristece e dispara o alerta! Para evitar esses ogros, usuários andam fazendo apenas publicações “seguras” nas redes, especialmente no LinkedIn, onde ainda há conversas de alto nível.


Saiba mais sobre esse assunto no vídeo abaixo:


Pessoas com excelentes ideias estão deixando de publicar assuntos que precisam ser debatidos, com receio das críticas ou simplesmente porque se cansaram de “dar pérolas aos porcos”. Sobram então as que não incomodam ninguém, justamente por não trazer temas impactantes, ficando no sucesso insosso. Com isso, o nível do debate na rede desabou, e ela vem se tornando terreno para propaganda e vivaldinos que enrolam a audiência.

“Isso aqui não é Facebook!” Essa é a mensagem padrão quando alguém acha que um conteúdo publicado no LinkedIn é inadequado para a rede. De fato, cada rede social tem um estilo de conteúdo e uma proposta. Em alguns casos, como no LinkedIn, a própria comunidade de usuários ser ocupa de garantir que isso seja respeitado. Mas esse mecanismo legítimo vem sendo usado para iniciar o processo de censura, em que abordagens contrárias ao pensamento dos censores devem ser banidas do debate.

Os antigos diziam que “política, futebol e religião não se põem à mesa”. Mas, ao contrário do que muitos pensam, discutir esses temas nas redes sociais não é algo ruim. Na verdade, é muito necessário, desde que feito de uma maneira construtiva, com respeito, tolerância e baseado em fatos e bons argumentos.

Esses temas definem o que somos e moldam nossa sociedade. A política faz parte da nossa vida: somos animais políticos! Então, como podemos querer ficar só nas postagens seguras, ou fugir ou bloquear o debate?

Isso é algo que vale a pena e que deve ser perseguido! Justamente debatendo esses temas, melhoramos o nível da rede, que anda inundada de propagandas, de gurus de fórmulas mágicas para tudo e de posts rasos como um pires.

Quando não nos posicionamos, deixamos de mostrar quem somos, deixamos de contribuir com a sociedade, de construir nossa imagem em um mundo que funciona de maneira intimamente ligada ao meio digital. Não deixe de publicar por medo de errar. E não seja “morno” querendo agradar todo mundo, pois isso nunca acontecerá!

Às vezes, quando me posiciono sobre esses temas, sou vítima dessa retórica furiosa, que surge na forma de comentários raivosos e até mal-educados. Sempre sou muito cuidadoso na escolha das palavras e na construção das ideias. Mas isso não é suficiente, pois o intolerante apedreja quem não pensa como ele.

A ironia é que o intolerante faz isso justamente porque eu o aceito como é desde o princípio. Mas, no final, ele continuará sendo intolerante, talvez exercitando isso da maneira ainda mais raivosa. Por isso, a única intolerância justificável é contra a própria intolerância!

Isso acontece há muito tempo no futebol, com as torcidas organizadas. Mas agora estamos vendo isso com força na religião, na política e até na economia. Aliás, essas coisas estão se misturando e criando uma amálgama bem coesa e perigosíssima, pela força que dá à violência.

Não pode haver apenas um time de futebol, nem uma única religião, nem um único partido político! Ou nos tornaremos uma república de fanáticos, que nem percebem seu fanatismo.

A liberdade de defender um ponto de vista não pode superar direitos essenciais do ser humanos, como liberdade de pensamento, direito à vida, à educação, a condições dignas de trabalho, de saúde, de moradia. E todos devem ser iguais perante a lei!

É comum encontrar no LinkedIn a frase “isso não é Facebook”, quando uma publicação é considerada inadequada para a rede. Mas, se as coisas continuarem assim, o LinkedIn pode se tornar justamente um Facebook, pelo menos no quesito de debates socialmente relevantes…

Há uma frase equivocadamente atribuída ao filósofo francês Voltaire, que é muito adequada à situação: “eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo.”

Quem aqui está pronto para isso?


Quer ouvir as minhas pílulas de cultura digital no formato de podcast? Você pode me encontrar no Spotify, no Deezer ou no Soundcloud. Basta procurar no seu player preferido por “Macaco Elétrico” e clicar no botão “seguir” ou clicar no ícone do coração. Se preferir, clique nos links a seguir:

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O meio digital pode lhe deprimir ou curar: depende de você

By | Educação | No Comments

Vivemos uma corrida para nos destacar nas redes sociais. Alguns fazem isso por trabalho, outros para satisfazer o ego, e há ainda aqueles que simplesmente querem aceitação do seu grupo social, ainda que inconscientemente. Nem sempre as coisas saem como queremos. Em uma sociedade já bastante digitalizada, esse “fracasso” pode gerar tristeza, angústia, ansiedade e até depressão.

Nesse cenário, uma das principais ferramentas para construirmos nossa imagem digital é o que publicamos nas redes. Isso gera uma avalanche de conteúdo, com a qual não conseguimos lidar, aumentando ainda mais os sentimentos acima. Para piorar, as “fake news” aparecem como alternativa, pois, como normalmente têm grande apelo, acabam seduzindo aqueles que não conseguem aparecer com seu próprio conteúdo e, por isso, as espalham.


Saiba mais sobre esse assunto no vídeo abaixo:


Em uma aula em 2018 com a professor Lucia Santaella, que foi a orientadora do meu mestrado e é uma autoridade internacional em semiótica, ela disse uma coisa que me marcou muito: “As redes sociais não criam nada novo, mas fazem tudo acontecer de maneira mais intensa e em um tempo menor.”

Ou seja, os fatos acontecem no seu ritmo. Mas, com o meio digital, somos bombardeados com uma quantidade enorme e crescente de informações. Antes de assimilarmos uma notícia, já temos que lidar com outras três. E esse volume cresce assim exponencialmente.

Daí vem a ansiedade.

A crise do coronavírus é um ótimo exemplo. Trata-se de uma doença perigosa e precisa ser observada com seriedade. Mas não é o apocalipse zumbi! A crise da SARS, em 2002, por exemplo, foi mais grave e a humanidade não pereceu.

O problema é como isso chega nas redes sociais. Tenho observado muita gente acreditando e espalhando todo tipo de notícia falsa, especialmente no Facebook e no WhatsApp. Nessas horas, aparecem os vivaldinos que querem ter ganhos econômicos ou políticos, distorcendo os fatos a seu favor. E há aqueles que simplesmente passam informações erradas ou inócuas, por ignorância ou má fé mesmo.

Vi gente conclamando a população a aumentar o consumo de vitaminas, para evitar a contaminação. E alguns “figurões” (estão mais para figurinhas mesmo) espalharam até que a Fundação Bill e Melinda Gates, do fundador da Microsoft, teria patenteado o coronavírus em 2014, com o objetivo de redução populacional!

Sério mesmo?

Crescimento da intolerância

Vivemos um momento triste da história, de polarização extrema, de violência, de intolerância e de donos da verdade pipocando de todos os lados. E todos esses sentimentos e essa percepção são alimentados por nós mesmos nas redes sociais!

A sensação que dá é que o mundo está piorando ao longo do tempo. Mas, na verdade, está melhorando! Não me refiro a esse ano, ao ano passado, aos últimos cinco anos: estamos em um momento de crise, de piora mesmo. E isso contamina a nossa percepção, porque estamos literalmente vivendo todos esses problemas na nossa pele, todos os dias.

Eu quero dizer que está melhorando ao longo de décadas!

Por exemplo, segundo o IBGE, a expectativa de vida do brasileiro ao nascer chegou a 76,3 anos em 2018. Em 1900, esse indicador era de míseros 33,4 anos! Isso acontecia porque a medicina era muito pior, não havia remédios e vacinas como hoje (nem antibióticos), as pessoas não se alimentavam tão bem, e as condições de trabalho também eram muito piores.

Mas essa melhora não foi exatamente linear. Teve altos e baixos. Se olharmos de longe o gráfico, eles não aparecem tanto. Mas, se aproximamos com uma lupa, vemos que existiram anos de mais sofrimento e outros de mais bonança. A diferença é que essa percepção, no passado, era menos intensa, inclusive porque não havia tantos veículos de comunicação. Hoje vivemos tudo isso com muito mais intensidade.

Por isso, digo que os jornais hoje contam os fatos do dia, mas, quando olhamos um noticiário consolidado do passado, eles se tornam “livros de história” incrivelmente detalhados. Isso ficou muito claro quando eu tive o prazer de ser o gerente do projeto que criou o Acervo Estadão, digitalizando todas as páginas do jornal, fundado em 1875.

Então, para que todos vivam melhor, precisamos cuidar de como usamos o meio digital. Sem falar que o que publicamos, mesmo que seja uma singela foto, constrói a nossa imagem digital. E, em uma sociedade permanentemente online, a nossa imagem digital é a nossa principal imagem!

Portanto, “não alimente os trolls”! Não acredite em qualquer coisa, especialmente se vier de pessoas que vivem de atitudes extremas e radicais, de “fake news” e cortinas de fumaça. Não se informe pelo WhatsApp!

Precisamos usar esse incrível poder que todos nós temos, nas redes sociais, para construir algo que não seja bom só para nós mesmos. Quando aproveitamos o meio digital para construir algo que ajude muita gente, que busque uma sociedade mais justa, equilibrada e verdadeira para todo mundo, nós não apenas melhoramos a nossa imagem, como também diminuímos essa ansiedade imensa em que vivemos.

E aí, prontos para isso?

Não há atalho nas redes sociais

By | Educação | No Comments

Se tem uma coisa que muita gente quer saber e outro tanto tenta vender é a “fórmula mágica” de como se dar bem nas redes sociais. Afinal, criar uma boa imagem nas redes é um excelente marketing para qualquer profissional e qualquer empresa.

Pena que isso não existe!

Existem, sim, boas práticas que ajudam, mas elas precisam ser usadas com trabalho duro, consistente e ético. Mas pouca gente está disposta a se dedicar dessa forma


Saiba mais sobre esse assunto no vídeo abaixo:


Na quinta passada, entreguei a minha dissertação de mestrado na PUC de são Paulo, que trata exatamente desse tema. Hoje eu quero compartilhar com vocês o resumo das conclusões desse estudo de dois anos.

Primeiramente, a melhor ferramenta para construir uma comunidade virtual em torno da sua marca, seja um profissional autônomo, seja uma multinacional, é a produção consistente de conteúdo e o relacionamento de qualidade com seu público. As duas coisas são essenciais!



Mas talvez a coisa mais importante de todas é que, para se dar bem nas redes sociais, você precisa construir reputação, e não só ficar fazendo barulho.

E o que eu mais vejo nas redes é gente fazendo barulho!

Entendam: não há nada de errado em vender seu produto, seu serviço na rede. Só que, apenas com isso, enquanto você estiver aparecendo, as pessoas eventualmente comprarão. Quando o barulho acabar, não sobra nada! Em meio a um oceano de ofertas, você não vai ser lembrado.

Outra coisa comum nas redes –e isso é péssimo– são essas “histórias fajutas”, normalmente com uma suposta superação, na tentativa de inspirar as pessoas e mostrar como os autores são “pessoas maravilhosas”.

Muitas dessas “historinhas” usam o conceito da Jornada do Herói, criado pelo grande mitólogo Joseph Campbell em 1949. Ela está associada a um processo de “superação” do autor do conteúdo, que vence suas dificuldades com a ajuda de um mentor e, ao final, regressa triunfante. Mas o próprio Campbell advertia que “o escritor deve ser verdadeiro para com a verdade”.

Infelizmente o que vemos é um abuso desse recurso, pois ele fisga muita gente mesmo! E como muitas pessoas curtem, comentam e compartilham aquela bobagem, os algoritmos das redes a espalham para ainda mais gente.

Essas histórias pioram o nível médio das discussões das redes e atrapalham as visualizações daqueles que realmente estão contribuindo com conteúdos relevantes. Além disso, chega uma hora em que as pessoas percebem o truque, e o autor acaba ficando queimado na rede.

Para a pesquisa, foram analisadas quase mil publicações, de sessenta usuários. O foco foi o LinkedIn, por ser a rede que melhor serve à construção de propósito. Para cada uma delas, foram vistas dez variáveis, incluindo diversas métricas de engajamento, a facilidade de entendimento do conteúdo e se a publicação abordava algo que estava “na moda”, ou seja, um tema sobre o que muita gente estava falando no momento. Houve ainda 35 entrevistas qualitativas com autores.

O estudo demonstrou que existem algumas boas práticas para aparecer bem na rede.

Primeiramente, o autor deve entrar regularmente na plataforma, realizar diversas ações e adotar comportamentos construtivos. Fomentar conversas e participar delas é essencial. O melhor assunto é aquele que o autor domina e que agrada o seu público, e temas “da moda” tendem a trazer melhores resultados, especialmente quando o autor consegue aplicar isso aos assuntos de seu domínio.

A linguagem das publicações deve ser simples de ser entendida, e posts tendem a trazer melhores resultados que textos muito longos. E o melhor dia e horário para publicação é aquele que o público do autor está on line.

Por fim, a presença de imagens é fundamental e vídeos são o formato que mais agrada o público, apesar de não ser garantia de mais engajamento.

É fundamental entender que esse resumo traz apenas sugestões que são observações estatísticas. Nas redes sociais, assim como na vida, não há verdade absoluta.

Uma outra coisa importante que o estudo demonstrou é que uma reputação sólida na rede traz benefícios bem palpáveis no cotidiano dos autores, até mesmo profissionais e comerciais. Ou seja, não é necessário ficar se preocupando em vender explicitamente seu produto. As pessoas compram de quem lembram como uma autoridade no assunto e está sempre presente construtivamente em suas vidas.

Afinal, redes sociais são espaços privilegiados de relacionamento. A construção de uma boa reputação passa, portanto, por ser verdadeiro e humano.

Ainda vale a pena publicar nas redes sociais?

By | Educação | No Comments
Imagem: Universo Produções / Creative Commons

Publicar bom conteúdo nas redes sociais se tornou um excelente negócio para profissionais e empresas. Graças a técnicas cada vez mais refinadas, “transformar-se em um veículo de comunicação” abriu um eficiente canal de relacionamento com clientes. Entretanto, de um ano para cá, muitos bons produtores de conteúdo começam a se questionar se ainda vale a pena investir nisso, o que é uma lástima!

Há dois principais motivos para isso. O primeiro é a enxurrada de conteúdo ruim que invadiu todas as redes. Empurrados por “fórmulas mágicas”, um exército de usuários despeja diariamente milhares de posts de qualidade no mínimo questionável, mas com grande apelo. O objetivo é angariar o máximo possível de curtidas e cliques, ganhando visibilidade para vender algo depois.


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Os autores desse conteúdo até conseguem atingir esse objetivo, mas ele é fugaz e arriscado. Faz-se muito barulho, mas não se constrói nada com isso. Quando o barulho acaba, não sobra nada! Pior que isso: pela baixa qualidade e até pela “malandragem” embutida na metodologia, muitos já criaram uma má fama nas redes.

Mas o principal problema é que os bons conteúdos acabam se diluindo nessa imensidão de porcaria! Como as pessoas acabam sendo seduzidos pela fórmula e clicando nos posts ruins, os algoritmos de relevância os exibem ainda mais, fazendo com que os diamantes se percam no meio de uma montanha de carvão. E aí os produtores desse bom conteúdo começam a achar que o trabalho fica muito grande para pouco retorno.

O outro problema que está afastando aqueles que criam posts, artigos e vídeos que realmente contribuem com a sociedade são as patrulhas ideológicas, que tomaram as plataformas digitais de assalto. Para esses grupos, quem pensa diferentemente deles merece ser combatido e até mesmo destruído! Para isso, são organizados e violentos.

Esses grupos fazem um barulho enorme, parecendo ser muito mais numerosos, poderosos e inteligentes que o que realmente são. E são sempre os mesmos grupos, tanto de um lado, quanto do outro. Os bons produtores de conteúdo precisam ficar se desviando deles, e aí deixam de falar tudo que poderiam. Ou simplesmente não falam mais.

Isso não acontece só nas redes sociais. As patrulhas ideológicas combatem a boa imprensa, a arte, a educação. Tudo aquilo que faz com que as pessoas pensem mais livremente e tenham uma visão mais plural do mundo.

E é nessa hora que as redes pioram.

É nessa hora que toda a sociedade perde!

Como resolver o problema

As redes sociais são o reflexo da sociedade. Se elas estão ficando piores, é porque a sociedade está ficando pior.

Toda rede social começa com um “clubinho”, um grupo de pessoas mais ou menos homogêneo, que estão ali com o propósito de publicar algo que ensine, inspire ou divirta os demais participantes.

Com o tempo, se a rede fizer sucesso, ela vai se tornando mais e mais popular. Isso significa que pessoas muito diferentes garantirão a entrada no “clube”. A princípio, não há nenhum problema nisso: o convívio saudável com as diferenças é benéfico, pois evoluímos assim. O problema é que, em tempos de polarização ideológica e intolerância, o convívio está cada vez menos saudável! E aí a rede perde seu propósito, sendo destruída de dentro para fora.

Foi assim com o Orkut, com o Facebook… Será que o LinkedIn chegará nisso também?

Espero que não! O LinkedIn sempre foi, de longe, um palco para discussões de alto nível e plurais. De um ano para cá, também foi invadido pelos “malandros”, que querem só se promover, pelas “patrulhas”, que estão tentando fazer a sua tradicional “faxina ideológica” nele também. Felizmente, não estão tendo o mesmo sucesso que o visto em outras redes, especialmente o Facebook e o Twitter.

Espero sinceramente que não consigam, porque ali é lugar de gente mais civilizada. E que o espaço se destina conteúdos de boa qualidade e conversas de alto nível.

Os bons conteudistas não devem, portanto, desanimar com o que está acontecendo. Muito pelo contrário: devem produzir ainda mais! A balança entre o material ruim e o bom está pendendo muito para o primeiro lado. Precisamos equilibrar esses pratos!

Todo mundo tem algo bom para contribuir, para ensinar e para aprender. Você tem: diga! Diga com propriedade e respeito. E faça isso com foco no público, não só para se promover!

Temos que parar de dar audiência para quem não merece, esse pessoal que fica publicando historinhas rasas para vender qualquer coisa depois. As redes sociais não são apenas algoritmos. Elas são feitas, antes de mais nada, de pessoas, e são elas que vão dizer, no final, o que realmente vale a pena aparecer mais.

Produza conteúdo, bom conteúdo! E inspire outras pessoas e empresas a fazerem o mesmo.


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Ignorar as pessoas é um péssimo negócio

By | Educação | No Comments

Quem nunca sofreu com uma informação importante que nunca chegava?

Pode ser a resposta para fechar um negócio, atualizações sobre um novo emprego, ou mesmo algo do nosso cotidiano. Você chama a outra parte, mas é como se ela ignorasse você solenemente.

Daí a coisa não avança e a ansiedade cresce. E você se sente preso em um lugar em que não pode fazer nada para sair dele: uma terrível sensação de impotência.

Os meios digitais pioram esse cenário. Estamos permanentemente conectados a tudo, mas soterrados de informação, que nos atrapalha para ouvir e ser ouvido.

Esse cenário não favorece ninguém. De um lado, temos indivíduos que se sentem ignorados e desprestigiados. Do outro, empresas que podem perder incríveis oportunidades por não prestar atenção às pessoas.

Mas não precisa ser assim. Uma boa organização ajuda muito. Mas o que precisa mesmo acontecer é um desejo de querer atender o outro. Você está pronto para isso?

Veja, no meu vídeo abaixo, alguns exemplos de problemas causados por esse mau comportamento que se dissemina, e sugestões para contornar a situação. E depois compartilhe conosco como isso afeta o seu dia a dia.



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Ataques a reputações nas redes sociais colocam toda a sociedade em risco

By | Tecnologia | No Comments

O uso crescente das redes sociais para destruir reputações de adversários começa a colocar em risco a própria sociedade. Isso acontece porque tais ataques se baseiam em uma eficiente manipulação dos algoritmos e em uma avalanche orquestrada de “fake news”.

Como resultado, a população começa a perder as referências para construção de confiança em pessoas, instituições e empresas. O risco para a comunidade existe porque, pela nossa natureza humana, só conseguimos construir algo com pessoas em quem acreditamos.

Oras, se não confiamos em mais nada e em mais ninguém, nos afastamos da nossa própria evolução! O mais triste é que isso acontece porque somos alegremente manipulados por grupos que promovem esse movimento para ampliar seus privilégios e aumentar seu poder.

Como exemplo, na semana passada, assistimos a tentativas nefastas de desmoralizar a ativista sueca Greta Thunberg, de 16 anos, após sua participação na cúpula do clima da Organização das Nações Unidas.

Precisamos reforçar nosso senso crítico, para que não sejamos mais peões nesse xadrez político e econômico! Veja como no meu vídeo abaixo. E depois conte a todos o que faz para escapar das “fake news” e das manipulações.



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Os influenciadores digitais funcionam ou são uma fraude?

By | Tecnologia | No Comments

Os influenciadores digitais estão na mira!

Recentes fracassos de grandes estrelas da categoria e muitas decepções de empresas com campanhas desse tipo puseram a efetividade do marketing de influência em xeque. Mas esses casos ruins, que acabam ofuscando incontáveis bons resultados, não podem ser creditados apenas aos influenciadores.

É verdade que existe amadorismo demais no meio: muita gente se lança nesse mercado achando que, para ganhar um dinheiro fácil, basta publicar no Instagram uma sequência interminável de fotos “inspiradoras” ou escancarando produtos sem qualquer critério. Entretanto as marcas são tão ou mais responsáveis pelos resultados ruins, pois contratam essas pessoas olhando apenas para a quantidade de seguidores ou de “curtidas” que eles têm. Não se dão ao trabalho de sequer avaliar se os valores, o público e a linguagem do influenciador combinam com os da marca ou do produto sendo promovido.

Sem esse alinhamento, não precisa ser gênio para entender que os resultados serão frustrantes! Além disso, com o amadurecimento do mercado, as “curtidas” perdem espaço para conversas de qualidade, o que exige que o influenciador seja um especialista no assunto.

Portanto, o marketing de influência pode trazer excelentes resultados! Mas precisa ser feito do jeito certo. Veja no meu vídeo abaixo quais são os pontos que precisam ser observados para se escolher um influenciador adequado para seu negócio, qualquer que seja seu segmento ou porte. E depois compartilhe suas experiências e percepções com todos nos comentários.



Quer saber mais e baixar o estudo State of Influencer Marketing da agência sueca Relatable? É só clicar em https://www.relatable.me/the-state-of-influencer-marketing-2019

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Videodebate: Google, me esquece!

By | Jornalismo | No Comments

Você se preocupa com o Google, o Facebook, a Apple, e muitas outras empresas monitorando tudo que você faz online? Tem toda razão: elas sabem mesmo muito sobre nós!

Agora você pode pedir que o Google automaticamente apague tudo que sabe sobre você depois de um tempo. Simples e indolor!

Bacana, né? Mas será que isso faz diferença?

Queremos que nossa privacidade seja preservada, mas não queremos abrir mão das coisas boas que os meios digitais nos oferecem “de graça”, justamente por nos conhecer tão bem.

Então o que é mais importante para você? Sua privacidade ou os benefícios digitais? Ficou em dúvida? Então assista ao meu vídeo abaixo para entender isso melhor. E depois conte o que acha aqui nos comentários.



NOVIDADE: quer ouvir as minhas pílulas de cultura digital no formato de podcast? Basta procurar por “O Macaco Elétrico” no Spotify, no Deezer ou no Soundcloud. Se preferir, pode usar seu aplicativo preferido: é só incluir o endereço http://feeds.soundcloud.com/users/soundcloud:users:640617936/sounds.rss

Videodebate: o Facebook mudou o jogo

By | Tecnologia | No Comments

Talvez você nem use mais o Facebook tanto. Mas as mudanças que Mark Zuckerberg e a sua turma anunciaram na F8, a convenção anual da empresa, na semana passada, certamente afetarão a sua vida.

Primeiro porque você deve usar outros produtos da empresa, no mínimo o WhatsApp. Depois porque, pelo seu gigantesco tamanho, o que o Facebook faz acaba impactando outras redes sociais.

Além de mudanças que visam melhorar questões de segurança e de privacidade dos usuários, o calcanhar do Aquiles que está derrubando a rede, o Facebook apresentou uma série de alterações na maneira como as pessoas devem se relacionar entre si e com empresas. Na prática, eles querem que as pessoas se preocupem menos com números como “curtidas” e mais em publicar conteúdo de qualidade e construir conversas interessantes a partir disso. Ou, como disse o próprio Zuckerberg, as redes serão menos como “praças públicas”, em que as pessoas vão para saber o que está acontecendo no mundo, e mais como “salas de estar”, onde recebemos pouca gente para conversar melhor.

Quer saber? Acho isso ótimo! As pessoas andam mesmo muito “viciadas em curtidas” e até fazendo algumas coisas questionáveis para isso. O resultado é uma queda dramática na qualidade do que se publica nas redes, mesmo no LinkedIn, que é o melhor lugar para se encontrar conteúdo e conexões de qualidade.

São nessas conversas que encontramos o verdadeiro ouro das redes sociais, onde nos tornamos autoridade no que fazemos, onde conseguimos mais clientes.

E você, concorda? Veja como isso funcionará no vídeo abaixo, e depois vamos debater aqui nos comentários.



Á arvore já podada; no destaque, ainda com a placa que anunciava a queda iminente

Reflexão: rede social não é só para “bobagem”

By | Tecnologia | No Comments

A PREFEITURA SE MEXEU!

Na segunda passada, fiz um post sobre o estado das árvores nas ruas de São Paulo, depois de uma literalmente desabar na minha frente. Publiquei uma foto de outra, que fica aqui perto, na rua Bartira, quase esquina com a Cardoso de Almeida. Ela tinha recebido uma enorme placa de ESTOU CAINDO, depois de o síndico do prédio em frente ser ignorado pela prefeitura, apesar das insistentes ligações para que algo fosse feito por ela.

Eis que, cinco dias depois, a árvore foi “podada”! Com direito a cortarem energia da região, fecharem a rua por dois dias e usarem caminhão de bombeiro para alcançarem os pontos mais altos da árvore (que passava do quinto andar do prédio).

Não sei se foi coincidência, mas fiquei feliz: ela estava se inclinando sobre um posto de gasolina; no meio do caminho, um poste com dois transformadores.

As redes sociais têm um grande poder de mobilização, até mesmo para coisas do nosso cotidiano. Precisamos usar esse recurso ativamente e com responsabilidade.

Videodebate: a mentira tem perna curta

By | Tecnologia | No Comments

Hoje é o DIA DA MENTIRA. Mas a história abaixo é verdadeira. Ironicamente, sobre uma mentira, que pode ensinar algo a todos nós.

Talvez você nunca tenha ouvido falar da Rawvana, mas essa influenciadora , a rainha dos crudiveganos, está passando por um momento bem complicado. Tudo porque ela enganou o seu público.

Aparentemente ela teve seus motivos… Mas os tribunais das redes sociais não querem saber disso. Para eles, Rawvana tem que queimar em praça pública, aos olhos dos haters.

Cuidado antes de sair destilando ódio e apontando dedos por aqui. Você pode ser a próxima vítima! E isso pode acontecer com qualquer um.

Veja como evitar que isso afete você, assistindo ao meu vídeo abaixo.

E você, já foi vítima desse tipo de ataque? Compartilhe sua experiência aqui conosco.



Videodebate: cara, a Terra é PLANA!

By | Tecnologia | No Comments

Você possivelmente já ouviu falar dos terraplanistas, um grupo que acredita, em 2019, que a Terra é plana.

Antes de fazer piada com eles, é melhor entender o mecanismo por trás disso, pois todos nós também somos afetados por ele.

Como alguém pode afirmar categoricamente isso, diante de todas as confirmações da ciência? E eles são pessoas com boa educação e explicações complexas para justificar sua crença.

Mas não se trata de algo religioso ou místico. A origem do terraplanismo está intimamente ligado aos algoritmos de relevância das redes sociais, especialmente do YouTube.

Estudos demonstram que eles desencadeiam mecanismos em nossas mentes que nos servem de subsídios para justificar qualquer coisa em que queiramos acreditar, desde a Terra ser plana, até pequenas coisas cotidianas. Pior: tudo que diga o contrário, é automaticamente rechaçado pela nossa psique como “conspiração”, “manipulação” e afins.

Portanto, não é uma piada, nem de mau gosto. Essas “bolhas” podem comprometer a nossa capacidade de acreditar no nosso semelhante.

Sabe como sair disso? Veja no meu vídeo! E você se sente afetado pelos algoritmos das redes?