Category Archives: Educação

A morte da empatia e o fim da humanidade

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A política é uma atividade nobre e necessária, mas não podemos sucumbir à luta pelo poder e matar a nossa capacidade de sermos empáticos, arrastando a nossa humanidade para a escuridão, como vem acontecendo no mundo todo, e muito fortemente no Brasil.

Negar a política é inócuo: ela faz parte da nossa natureza. Quando debatemos aqui, estamos fazendo política, que foi criada para nos organizarmos em sociedade e construirmos algo com nossos semelhantes.


Saiba mais sobre esse assunto no vídeo abaixo:


Infelizmente, a política também pode se enviesar e criar algo contrário à sua função essencial. Na luta pelo poder, mentimos, roubamos, matamos. E acreditamos em pessoas que fazem isso em seu benefício.

Isso explica o atual cenário, em que aqueles que pensam diferentemente, mesmo quando estão buscando o bem da sociedade, devem ser calados ou até eliminados. Para desgraça geral, isso não vem sendo feito apenas de maneira figurativa.

Os fatos têm me feito pensar muito sobre isso, e já ensaiei alguns debates nas redes para ajudar na compreensão desse fenômeno perverso que estamos vivendo.

Por exemplo, na quarta passada (19), publiquei um post comentando o atual comercial do WhatsApp, uma peça belíssima, que me tocou muito. Ele mostra como o comunicador, que ficou famoso como a ferramenta mais eficiente para disseminar as “fake news”, as infames notícias falsas, também pode ser usado para fazer o bem. Claro, é só uma ferramenta: o bem e o mal vêm de como as pessoas usam esse recurso!

Dois dias depois, fiz outro post comentando um comercial, nesse caso, da companhia aérea Scandinavian Airlines. Outra peça inspiradora e emocionante, que explica que muito do que os escandinavos se orgulham de ter desenvolvido, como a licença paternidade, o movimento pelos direitos das mulheres, o clipe de papel, e muitas outras coisas, são, na verdade, invenções de outros povos. Mas isso não tira o valor da contribuição dos escandinavos, que melhoraram tudo aquilo. Apesar da bela mensagem, grupos conservadores locais não gostaram da peça, por isso atacaram a campanha e a empresa por supostamente estarem “desrespeitando a cultura escandinava”. A agência que criou a peça chegou a receber uma ameaça de bomba!

Honestamente, a opção política de qualquer um diz respeito apenas a si. Mas opção política é muito diferente de negar a verdade, só porque ela incomoda. E, pior, querer impor sua visão de mundo a todos pela força.

Por exemplo, na quinta, assisti estarrecido a um vídeo que viralizou na Internet, que mostrava alguns homens arrastando para longe da água um tubarão que havia encalhado e estava agonizando em Guaratuba, no Paraná. O animal acabou morrendo asfixiado logo depois. Além de não terem chamado especialistas para salvar o animal, ainda o arrastaram para a areia. Quanto sadismo!

Há também o caso da jornalista Patrícia Campos Mello, da “Folha de S.Paulo”, que vem sendo covardemente atacada por autoridades eleitas e hordas que as seguem. Motivo: fazer um trabalho exemplar, mas que vai contra os interesses desses indivíduos. Apesar de ter tudo documentado, de maneira mais que suficiente para desmentir todas as calúnias contra ela, essa turma continua rejeitando os fatos, para continuar a atacando de maneira sórdida!

Sei que, para muitos, a imprensa é como aquele tubarão na praia: se alguém fizer algo de errado e um jornalista descobrir, ele pode “morder”. E deve fazer isso mesmo! Por isso, esse pessoal acredita que jornalista merece “morrer de antemão”!

Mas, se não é perfeita, a imprensa é essencial para fiscalizar o poder político e econômico, impedindo que ele faça o que bem entender. Vale dizer que a imensa maioria do trabalho jornalístico é muito bem feito, essencial para a manutenção da sociedade.

Então, novamente, podemos e devemos ter suas convicções políticas, religiosas, ideológicas. Mas isso não pode fazer com que busquemos a aniquilação dos diferentes a nós.

As diferenças sempre existiram, e somos capazes de conviver em harmonia. Precisamos urgentemente resgatar a nossa capacidade de viver em sociedade de maneira civilizada, de construir com o outro, de demostrar empatia.

Se não fizermos isso logo, pode ser tarde demais e a nossa humanidade terá desaparecido para sempre.


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O pacto brasileiro pela mediocridade

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A atual campanha de um dos mais tradicionais fabricantes de chocolates do país é assustadora: ela premia quem reprova em disciplinas na faculdade! Como diz seu slogan, “bombou, ganhou!”

Normalmente os prêmios vão para quem tem desempenho superior em algo, não insuficiente. Essa iniciativa resolveu ir em sentido contrário. O mais triste é que ela não causa o problema: é mais um sintoma dele!


Saiba mais sobre esse assunto no vídeo abaixo:


A proposta da campanha é “lutar contra os vilões que te impedem de curtir com seus amigos. E, para começar o ano, escolhemos a reprovação na faculdade como vilã”.

É verdade que pesquisas indicam que um dos motivos que faz as pessoas mais irem para a escola são os amigos, especialmente as crianças. Apesar de isso ser importante para o desenvolvimento infantil, não é a principal função da escola. E certamente não é –ou não deveria ser– o principal motivo de alguém ir para a faculdade.

Mas me chamou muito a atenção chamar a reprovação de “vilã”.

Oras! O “vilão que te impedem de curtir com seus amigos” não é a reprovação. É uma política educacional medíocre, cuja raiz está no sucateamento do ensino desde a ditadura militar, que vem piorando ininterruptamente desde então e que atingiu seu clímax agora.

É uma política educacional que muda a cada governo que assume, eliminando tudo que foi feito antes, seja bom ou ruim, acabando com qualquer chance de consistência pedagógica. É uma política que desestimula, humilha e agora até persegue os professores, que prioriza números ao invés de aprendizagem ou a formação de cidadãos mais alinhados com o mundo em que vivemos.

Talvez a campanha quisesse ser “divertidinha”. Mas isso não pode ser motivo para fazer piada. Nada justifica premiar um desempenho insuficiente. Isso promove a mediocridade, em um país que cada vez menos se busca a excelência acadêmica e em outras áreas.

Isso está em linha com um país que desmoraliza a ciência e joga contra a educação. A piora nessas áreas nos afasta cada vez mais dos países desenvolvidos. Nunca ocuparemos um lugar de protagonismo no mundo fazendo isso. Sempre seremos uma república de bananas! Basta ver métricas importantes, em que continuamos dando vexame e caindo.

No dia 23 de janeiro, por exemplo, o Brasil piorou no relatório de percepção de corrupção da Transparência Internacional, amargando a 106ª posição de um total de 180 países. No dia 3 de dezembro, a OCDE divulgou os resultados do Pisa mais recente, avaliação internacional sobre educação, e o Brasil manteve seu histórico vexatório: ficamos entre os 20% piores países do mundo. No dia 24 de julho, caímos duas posições no Índice Global de Inovação, realizada pela Universidade Cornell, pelo Instituto Europeu de Administração de Empresas e pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual: ficamos na 66ª posição, entre 129 países. E hoje somos a 9ª economia do mundo (pelo tamanho do nossos mercado), mas já fomos a 6ª, há apenas uma década.

Todos esses números, por si só, são motivo de grande vergonha. Todos eles estão interligados. Mas nenhum deles é uma surpresa.

Para revertermos esses indicadores, e tantos outros que vamos mal, temos que investir em uma educação de qualidade e que seja verdadeiramente para todos. Uma educação que promova a excelência acadêmica e também habilidades como respeito a diferenças, tolerância e trabalho em equipe.

Há pelo menos 15 anos folclorizamos a educação deficiente, como se a formação acadêmica fosse algo dispensável. Que bastaria ter vontade, ser espontâneo, fazer “o certo” para se dar bem na vida. Em resumo, que estudar é um tanto dispensável, desnecessário. Junto ao jeitinho brasileiro, criamos um outro câncer social no país: a figura do “bom ignorante”.

Haja chocolate para “curar” isso tudo!


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O meio digital pode lhe deprimir ou curar: depende de você

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Vivemos uma corrida para nos destacar nas redes sociais. Alguns fazem isso por trabalho, outros para satisfazer o ego, e há ainda aqueles que simplesmente querem aceitação do seu grupo social, ainda que inconscientemente. Nem sempre as coisas saem como queremos. Em uma sociedade já bastante digitalizada, esse “fracasso” pode gerar tristeza, angústia, ansiedade e até depressão.

Nesse cenário, uma das principais ferramentas para construirmos nossa imagem digital é o que publicamos nas redes. Isso gera uma avalanche de conteúdo, com a qual não conseguimos lidar, aumentando ainda mais os sentimentos acima. Para piorar, as “fake news” aparecem como alternativa, pois, como normalmente têm grande apelo, acabam seduzindo aqueles que não conseguem aparecer com seu próprio conteúdo e, por isso, as espalham.


Saiba mais sobre esse assunto no vídeo abaixo:


Em uma aula em 2018 com a professor Lucia Santaella, que foi a orientadora do meu mestrado e é uma autoridade internacional em semiótica, ela disse uma coisa que me marcou muito: “As redes sociais não criam nada novo, mas fazem tudo acontecer de maneira mais intensa e em um tempo menor.”

Ou seja, os fatos acontecem no seu ritmo. Mas, com o meio digital, somos bombardeados com uma quantidade enorme e crescente de informações. Antes de assimilarmos uma notícia, já temos que lidar com outras três. E esse volume cresce assim exponencialmente.

Daí vem a ansiedade.

A crise do coronavírus é um ótimo exemplo. Trata-se de uma doença perigosa e precisa ser observada com seriedade. Mas não é o apocalipse zumbi! A crise da SARS, em 2002, por exemplo, foi mais grave e a humanidade não pereceu.

O problema é como isso chega nas redes sociais. Tenho observado muita gente acreditando e espalhando todo tipo de notícia falsa, especialmente no Facebook e no WhatsApp. Nessas horas, aparecem os vivaldinos que querem ter ganhos econômicos ou políticos, distorcendo os fatos a seu favor. E há aqueles que simplesmente passam informações erradas ou inócuas, por ignorância ou má fé mesmo.

Vi gente conclamando a população a aumentar o consumo de vitaminas, para evitar a contaminação. E alguns “figurões” (estão mais para figurinhas mesmo) espalharam até que a Fundação Bill e Melinda Gates, do fundador da Microsoft, teria patenteado o coronavírus em 2014, com o objetivo de redução populacional!

Sério mesmo?

Crescimento da intolerância

Vivemos um momento triste da história, de polarização extrema, de violência, de intolerância e de donos da verdade pipocando de todos os lados. E todos esses sentimentos e essa percepção são alimentados por nós mesmos nas redes sociais!

A sensação que dá é que o mundo está piorando ao longo do tempo. Mas, na verdade, está melhorando! Não me refiro a esse ano, ao ano passado, aos últimos cinco anos: estamos em um momento de crise, de piora mesmo. E isso contamina a nossa percepção, porque estamos literalmente vivendo todos esses problemas na nossa pele, todos os dias.

Eu quero dizer que está melhorando ao longo de décadas!

Por exemplo, segundo o IBGE, a expectativa de vida do brasileiro ao nascer chegou a 76,3 anos em 2018. Em 1900, esse indicador era de míseros 33,4 anos! Isso acontecia porque a medicina era muito pior, não havia remédios e vacinas como hoje (nem antibióticos), as pessoas não se alimentavam tão bem, e as condições de trabalho também eram muito piores.

Mas essa melhora não foi exatamente linear. Teve altos e baixos. Se olharmos de longe o gráfico, eles não aparecem tanto. Mas, se aproximamos com uma lupa, vemos que existiram anos de mais sofrimento e outros de mais bonança. A diferença é que essa percepção, no passado, era menos intensa, inclusive porque não havia tantos veículos de comunicação. Hoje vivemos tudo isso com muito mais intensidade.

Por isso, digo que os jornais hoje contam os fatos do dia, mas, quando olhamos um noticiário consolidado do passado, eles se tornam “livros de história” incrivelmente detalhados. Isso ficou muito claro quando eu tive o prazer de ser o gerente do projeto que criou o Acervo Estadão, digitalizando todas as páginas do jornal, fundado em 1875.

Então, para que todos vivam melhor, precisamos cuidar de como usamos o meio digital. Sem falar que o que publicamos, mesmo que seja uma singela foto, constrói a nossa imagem digital. E, em uma sociedade permanentemente online, a nossa imagem digital é a nossa principal imagem!

Portanto, “não alimente os trolls”! Não acredite em qualquer coisa, especialmente se vier de pessoas que vivem de atitudes extremas e radicais, de “fake news” e cortinas de fumaça. Não se informe pelo WhatsApp!

Precisamos usar esse incrível poder que todos nós temos, nas redes sociais, para construir algo que não seja bom só para nós mesmos. Quando aproveitamos o meio digital para construir algo que ajude muita gente, que busque uma sociedade mais justa, equilibrada e verdadeira para todo mundo, nós não apenas melhoramos a nossa imagem, como também diminuímos essa ansiedade imensa em que vivemos.

E aí, prontos para isso?

Não há atalho nas redes sociais

By | Educação | No Comments

Se tem uma coisa que muita gente quer saber e outro tanto tenta vender é a “fórmula mágica” de como se dar bem nas redes sociais. Afinal, criar uma boa imagem nas redes é um excelente marketing para qualquer profissional e qualquer empresa.

Pena que isso não existe!

Existem, sim, boas práticas que ajudam, mas elas precisam ser usadas com trabalho duro, consistente e ético. Mas pouca gente está disposta a se dedicar dessa forma


Saiba mais sobre esse assunto no vídeo abaixo:


Na quinta passada, entreguei a minha dissertação de mestrado na PUC de são Paulo, que trata exatamente desse tema. Hoje eu quero compartilhar com vocês o resumo das conclusões desse estudo de dois anos.

Primeiramente, a melhor ferramenta para construir uma comunidade virtual em torno da sua marca, seja um profissional autônomo, seja uma multinacional, é a produção consistente de conteúdo e o relacionamento de qualidade com seu público. As duas coisas são essenciais!



Mas talvez a coisa mais importante de todas é que, para se dar bem nas redes sociais, você precisa construir reputação, e não só ficar fazendo barulho.

E o que eu mais vejo nas redes é gente fazendo barulho!

Entendam: não há nada de errado em vender seu produto, seu serviço na rede. Só que, apenas com isso, enquanto você estiver aparecendo, as pessoas eventualmente comprarão. Quando o barulho acabar, não sobra nada! Em meio a um oceano de ofertas, você não vai ser lembrado.

Outra coisa comum nas redes –e isso é péssimo– são essas “histórias fajutas”, normalmente com uma suposta superação, na tentativa de inspirar as pessoas e mostrar como os autores são “pessoas maravilhosas”.

Muitas dessas “historinhas” usam o conceito da Jornada do Herói, criado pelo grande mitólogo Joseph Campbell em 1949. Ela está associada a um processo de “superação” do autor do conteúdo, que vence suas dificuldades com a ajuda de um mentor e, ao final, regressa triunfante. Mas o próprio Campbell advertia que “o escritor deve ser verdadeiro para com a verdade”.

Infelizmente o que vemos é um abuso desse recurso, pois ele fisga muita gente mesmo! E como muitas pessoas curtem, comentam e compartilham aquela bobagem, os algoritmos das redes a espalham para ainda mais gente.

Essas histórias pioram o nível médio das discussões das redes e atrapalham as visualizações daqueles que realmente estão contribuindo com conteúdos relevantes. Além disso, chega uma hora em que as pessoas percebem o truque, e o autor acaba ficando queimado na rede.

Para a pesquisa, foram analisadas quase mil publicações, de sessenta usuários. O foco foi o LinkedIn, por ser a rede que melhor serve à construção de propósito. Para cada uma delas, foram vistas dez variáveis, incluindo diversas métricas de engajamento, a facilidade de entendimento do conteúdo e se a publicação abordava algo que estava “na moda”, ou seja, um tema sobre o que muita gente estava falando no momento. Houve ainda 35 entrevistas qualitativas com autores.

O estudo demonstrou que existem algumas boas práticas para aparecer bem na rede.

Primeiramente, o autor deve entrar regularmente na plataforma, realizar diversas ações e adotar comportamentos construtivos. Fomentar conversas e participar delas é essencial. O melhor assunto é aquele que o autor domina e que agrada o seu público, e temas “da moda” tendem a trazer melhores resultados, especialmente quando o autor consegue aplicar isso aos assuntos de seu domínio.

A linguagem das publicações deve ser simples de ser entendida, e posts tendem a trazer melhores resultados que textos muito longos. E o melhor dia e horário para publicação é aquele que o público do autor está on line.

Por fim, a presença de imagens é fundamental e vídeos são o formato que mais agrada o público, apesar de não ser garantia de mais engajamento.

É fundamental entender que esse resumo traz apenas sugestões que são observações estatísticas. Nas redes sociais, assim como na vida, não há verdade absoluta.

Uma outra coisa importante que o estudo demonstrou é que uma reputação sólida na rede traz benefícios bem palpáveis no cotidiano dos autores, até mesmo profissionais e comerciais. Ou seja, não é necessário ficar se preocupando em vender explicitamente seu produto. As pessoas compram de quem lembram como uma autoridade no assunto e está sempre presente construtivamente em suas vidas.

Afinal, redes sociais são espaços privilegiados de relacionamento. A construção de uma boa reputação passa, portanto, por ser verdadeiro e humano.

Ainda vale a pena publicar nas redes sociais?

By | Educação | No Comments
Imagem: Universo Produções / Creative Commons

Publicar bom conteúdo nas redes sociais se tornou um excelente negócio para profissionais e empresas. Graças a técnicas cada vez mais refinadas, “transformar-se em um veículo de comunicação” abriu um eficiente canal de relacionamento com clientes. Entretanto, de um ano para cá, muitos bons produtores de conteúdo começam a se questionar se ainda vale a pena investir nisso, o que é uma lástima!

Há dois principais motivos para isso. O primeiro é a enxurrada de conteúdo ruim que invadiu todas as redes. Empurrados por “fórmulas mágicas”, um exército de usuários despeja diariamente milhares de posts de qualidade no mínimo questionável, mas com grande apelo. O objetivo é angariar o máximo possível de curtidas e cliques, ganhando visibilidade para vender algo depois.


Vídeo relacionado:


Os autores desse conteúdo até conseguem atingir esse objetivo, mas ele é fugaz e arriscado. Faz-se muito barulho, mas não se constrói nada com isso. Quando o barulho acaba, não sobra nada! Pior que isso: pela baixa qualidade e até pela “malandragem” embutida na metodologia, muitos já criaram uma má fama nas redes.

Mas o principal problema é que os bons conteúdos acabam se diluindo nessa imensidão de porcaria! Como as pessoas acabam sendo seduzidos pela fórmula e clicando nos posts ruins, os algoritmos de relevância os exibem ainda mais, fazendo com que os diamantes se percam no meio de uma montanha de carvão. E aí os produtores desse bom conteúdo começam a achar que o trabalho fica muito grande para pouco retorno.

O outro problema que está afastando aqueles que criam posts, artigos e vídeos que realmente contribuem com a sociedade são as patrulhas ideológicas, que tomaram as plataformas digitais de assalto. Para esses grupos, quem pensa diferentemente deles merece ser combatido e até mesmo destruído! Para isso, são organizados e violentos.

Esses grupos fazem um barulho enorme, parecendo ser muito mais numerosos, poderosos e inteligentes que o que realmente são. E são sempre os mesmos grupos, tanto de um lado, quanto do outro. Os bons produtores de conteúdo precisam ficar se desviando deles, e aí deixam de falar tudo que poderiam. Ou simplesmente não falam mais.

Isso não acontece só nas redes sociais. As patrulhas ideológicas combatem a boa imprensa, a arte, a educação. Tudo aquilo que faz com que as pessoas pensem mais livremente e tenham uma visão mais plural do mundo.

E é nessa hora que as redes pioram.

É nessa hora que toda a sociedade perde!

Como resolver o problema

As redes sociais são o reflexo da sociedade. Se elas estão ficando piores, é porque a sociedade está ficando pior.

Toda rede social começa com um “clubinho”, um grupo de pessoas mais ou menos homogêneo, que estão ali com o propósito de publicar algo que ensine, inspire ou divirta os demais participantes.

Com o tempo, se a rede fizer sucesso, ela vai se tornando mais e mais popular. Isso significa que pessoas muito diferentes garantirão a entrada no “clube”. A princípio, não há nenhum problema nisso: o convívio saudável com as diferenças é benéfico, pois evoluímos assim. O problema é que, em tempos de polarização ideológica e intolerância, o convívio está cada vez menos saudável! E aí a rede perde seu propósito, sendo destruída de dentro para fora.

Foi assim com o Orkut, com o Facebook… Será que o LinkedIn chegará nisso também?

Espero que não! O LinkedIn sempre foi, de longe, um palco para discussões de alto nível e plurais. De um ano para cá, também foi invadido pelos “malandros”, que querem só se promover, pelas “patrulhas”, que estão tentando fazer a sua tradicional “faxina ideológica” nele também. Felizmente, não estão tendo o mesmo sucesso que o visto em outras redes, especialmente o Facebook e o Twitter.

Espero sinceramente que não consigam, porque ali é lugar de gente mais civilizada. E que o espaço se destina conteúdos de boa qualidade e conversas de alto nível.

Os bons conteudistas não devem, portanto, desanimar com o que está acontecendo. Muito pelo contrário: devem produzir ainda mais! A balança entre o material ruim e o bom está pendendo muito para o primeiro lado. Precisamos equilibrar esses pratos!

Todo mundo tem algo bom para contribuir, para ensinar e para aprender. Você tem: diga! Diga com propriedade e respeito. E faça isso com foco no público, não só para se promover!

Temos que parar de dar audiência para quem não merece, esse pessoal que fica publicando historinhas rasas para vender qualquer coisa depois. As redes sociais não são apenas algoritmos. Elas são feitas, antes de mais nada, de pessoas, e são elas que vão dizer, no final, o que realmente vale a pena aparecer mais.

Produza conteúdo, bom conteúdo! E inspire outras pessoas e empresas a fazerem o mesmo.


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O que Star Wars pode nos ensinar a essa altura do campeonato

By | Educação | No Comments

Na quinta passada, o Episódio IX de Star Wars, “A Ascensão Skywalker”, estreou nos cinemas. A saga espacial, criada por George Lucas há 42 anos, chega ao fim com o status de mitologia moderna e incontáveis fãs em três gerações. E, como toda mitologia, suas histórias trazem ensinamentos que servem ao cotidiano de qualquer um, mas que particularmente se aplicam ao momento em que vivemos no Brasil.

Muitos acreditavam que esse seria o ano da virada na economia. Não aconteceu. Apesar de termos saído da recessão, os investimentos continuam baixos e o desemprego nas alturas!

Também foi um ano de desilusão e muito ódio nas relações, dois sentimentos destrutivos, que precisamos combater.

É aí que entra Star Wars, com mensagens de esperança e de união. Assista ao meu vídeo abaixo e veja como Lucas construiu uma narrativa que nos serve muito bem. E depois comente como podemos construir um 2020 mais positivo!



Essa também é minha mensagem de fim de ano a vocês. Na semana que vem, excepcionalmente não publicarei meu vídeo às segundas de manhã, voltando no dia 6. Mas, até, lá, nossa conversa continua nas redes!

Vamos construir um 2020 melhor para todos!


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Cobras têm pernas, e isso interessa muito a você!

By | Educação | No Comments

Por mais absurdo que seja, eu não me surpreenderia se, de repente, começasse a ver nas redes sociais um grupo crescente de pessoas que defendesse que cobras têm pequenas pernas. Bastaria que isso fosse apoiado por algum estudo obscuro e publicado em algum site mais obscuro ainda.

Mas o ingrediente secreto para o sucesso de uma aberração com essa seria as pernas ofídicas atenderem algum interesse econômico, político ou ideológico.

Isso não é loucura! Como repórter de ciência, certa vez me deparei com um estudo “sério” que sugeria que cerveja emagrecia. Ele havia sido financiado por uma fabricante da bebida.

Claro que não publiquei aquilo! Talvez fosse verdade, mas antes precisaria ser chancelado pela comunidade científica, que diz o contrário.

Na quarta passada, um post que fiz sobre a ambientalista sueca Greta Thunberg ter sido escolhida como pessoa do ano da revista Time tornou-se uma guerra ideológica nos comentários. Um dos argumentos mais usados foi o de que o aquecimento global não existe, apoiando-se em muita fantasia e alguns estudos questionados pela comunidade científica.

Por que as pessoas acreditam e defendem ferozmente barbaridades como essa? Veja no meu vídeo abaixo o motivo e como evitar que isso coloque em risco a própria sociedade.



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Crise no trabalho começo com nosso vexame na educação

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Na terça passada, a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) divulgou os resultados do Pisa, avaliação internacional sobre educação. O Brasil manteve seu histórico vexatório: ficamos entre os 20% piores países do mundo.

Não sei o que é pior: nosso já tradicional desempenho pífio ou a completa falta de perspectiva de melhora, diante da ausência de uma liderança minimamente qualificada no governo para o tema. A situação fica ainda mais dramática porque o Brasil forma cidadãos e profissionais deficientes não apenas em conteúdos acadêmicos, mas também em habilidades cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho, como resiliência, empatia, trabalho em equipe e capacidade de viver construtivamente com quem pensa de maneira diferente de si.

Portanto, a crise no mercado de trabalho começa com a crise na nossa educação. O mundo se transforma a passos largos, exigindo pessoas capazes de se reinventar continuamente. Mas, para isso, elas precisam de uma sólida educação. Sem isso, engrossaremos as filas de desemprego não apenas pela crise econômica, mas também por estarmos sendo substituídos por robôs.

A educação é de todos, e esse problema precisa ser resolvido com a participação de toda a sociedade. O dilema tem solução, mas exige seriedade e muito trabalho. Veja o que precisa ser feito no vídeo abaixo. E depois compartilhe suas opiniões nos comentários.



Veja o estudo sobre o resultado brasileiro no Pisa 2015, feito por pesquisadores da USP e do Insper. É só clicar em https://www.insper.edu.br/wp-content/uploads/2018/08/Por-que-Brasil-vai-mal-PISA-Analise-Determinantes-Desempenho.pdf


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A vida pode ser mais simples que isso

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Admito: a minha vida anda muito acelerada! E, olhando à minha volta, vejo que a maioria das pessoas segue o mesmo ritmo.

Por quê?

Os meios digitais, que nos permitem fazer cada vez mais com menos, que tornam nossas vidas mais produtivas e divertidas, também nos mantêm em um estado de alerta que não termina. As metas de trabalho e pessoais não param de crescer. E nos deixamos levar por isso, às vezes sem perceber.

O marketing aprendeu como tirar proveito disso, com estímulos permanentes. Mas tudo em exagero estraga: isso vem criando uma geração de pessoas que não se encantam com mais nada, por estarem sempre submetidos a um novo produto incrível.

Pessoas incapazes de apreciar o lado bom da vida não conseguem encantar ninguém. Passam a viver no automático e seu senso crítico fica seriamente prejudicado. Disso surge uma população ansiosa e facilmente manipulável por grupos econômicos e políticos.

Precisamos reverter esse ciclo! Veja minhas sugestões no vídeo abaixo. E depois compartilhe conosco, nos comentários, o que faz para buscar seu equilíbrio.



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Ignorar as pessoas é um péssimo negócio

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Quem nunca sofreu com uma informação importante que nunca chegava?

Pode ser a resposta para fechar um negócio, atualizações sobre um novo emprego, ou mesmo algo do nosso cotidiano. Você chama a outra parte, mas é como se ela ignorasse você solenemente.

Daí a coisa não avança e a ansiedade cresce. E você se sente preso em um lugar em que não pode fazer nada para sair dele: uma terrível sensação de impotência.

Os meios digitais pioram esse cenário. Estamos permanentemente conectados a tudo, mas soterrados de informação, que nos atrapalha para ouvir e ser ouvido.

Esse cenário não favorece ninguém. De um lado, temos indivíduos que se sentem ignorados e desprestigiados. Do outro, empresas que podem perder incríveis oportunidades por não prestar atenção às pessoas.

Mas não precisa ser assim. Uma boa organização ajuda muito. Mas o que precisa mesmo acontecer é um desejo de querer atender o outro. Você está pronto para isso?

Veja, no meu vídeo abaixo, alguns exemplos de problemas causados por esse mau comportamento que se dissemina, e sugestões para contornar a situação. E depois compartilhe conosco como isso afeta o seu dia a dia.



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“Bolha de proteção” cria adultos ansiosos e que não trabalham em equipe

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Cresce a quantidade de jovens profissionais que apresentam uma dificuldade acima da média para seguir regras e obedecer a hierarquia. Além de isso atrapalhar o próprio desenvolvimento, inclui um elementos que não se encaixam nas empresas.

Esse problema do mercado de trabalho tem origem na infância, dentro de casa: pais superprotetores criam uma “bolha” em torno de crianças e adolescentes, na tentativa de evitar que se frustrem ou que tenham que enfrentar grandes desafios.

Essa é a melhor receita para criar adultos fragilizados e intolerantes. Pais que não sabem dizer “não” criam filhos que não aceitam ouvir “não”.

O problema é que os próprios pais andam um tanto perdidos. A prolongada e profunda crise econômica e social ajudou a catapultar o Brasil para a liderança mundial em casos de ansiedade, segundo a Organização Mundial de Saúde: 9,3% dos brasileiros sofrem do mal. Não é de se espantar que um dos medicamentos mais vendidos no país seja o ansiolítico tarja preta Clonazepam, mais conhecido Rivotril.

Como crianças aprendem pelo exemplo, e muitos de seus pais vivem uma vida enfiada no trabalho, cujo único propósito parece ser pagar contas, a sua fragilidade se agrava. Ouvi recentemente casos de crianças que estão se automedicando com Rivotril furtado das cartelas de seus pais. E isso é gravíssimo!

Como esperar que cresçam confiantes, responsáveis e prontos para trabalhar em equipe, habilidades cada vez mais valorizadas no mercado?

Calma, nem tudo está perdido!

Veja no meu vídeo abaixo como reverter essa situação e ajudar os pequenos a crescer de uma maneira saudável. E depois compartilhe conosco nos comentários as suas vivências sobre o tema.



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Silvia de Paula e Danielle Vieira, que vêm a São Paulo estudar toda semana, a partir de Marília e de Bragança Paulista, respectivamente - Foto: Paulo Silvestre

Longe é um lugar que não existe para quem quer crescer

By | Educação | No Comments

Até onde você vai para ser uma pessoa e um profissional melhor? Não me refiro apenas ao sentido moral, de disposição, mas também literalmente a que distância você topa percorrer.

Que tal 200 quilômetros toda semana? E 900 quilômetros?

Esses números não foram escolhidos aleatoriamente.

Como palestrante e como professor há uma década, vejo, com tristeza, uma certa acomodação de muita gente que que não topa nem ir de um bairro para outro para assistir a um curso ou a uma palestra, mesmo gratuitas. E isso é uma pena! Pois não existe almoço grátis: quem quiser ser manter com destaque na sua profissão não pode mais se dar ao luxo de ficar parado.



Nem tudo está perdido, felizmente! Apesar da “letargia média do cidadão comum”, posso dizer, com muita alegria e orgulho, que sempre tenho alunos de diversos bairros e até de outras cidades da Grande São Paulo nos meus diferentes cursos de pós-graduação.

De vez em quando, aparece alguém de mais longe ainda. Nesse semestre, em uma mesma turma do curso de Comunicação digital: muito além do óbvio, tenho a alegria de ter na turma Danielle Vieira, 30, e Silvia de Paula, 54. A primeira viaja 100 quilômetros de ida e outro tanto de volta de Bragança Paulista até a PUC-SP; a segunda, vai e vem 450 quilômetros de Marília até a PUC-SP.

É interessante observar ainda o caso da Danielle, que é psicóloga, e atende em seu consultório em Bragança. Apesar disso, veio até São Paulo atrás de um curso de comunicação digital, pois as redes sociais são importantíssimas para sua carreira, inclusive para captar novos clientes. Mas não é só isso. “Uma coisa é você se especializar na sua área, a outra é você ir para comunicação digital, que está em todas as áreas”, explica. “A comunicação digital transcende um campo específico, como o jornalismo, a publicidade: está em tudo!”

De fato, como eu costumo dizer, conhecimento nunca é demais, não ocupa espaço e sempre nos permite construir muito além dos limites que, em algumas ocasiões, até nos são impostos. E os bons profissionais nunca param de aprender.

“As pessoas já perguntaram para mim: ‘por que você acha que tem que fazer uma extensão na PUC, se, no mercado aqui em Marília, dá para contar nos dedos quantas empresas de mídia existem?’”, diz a jornalista Silvia, que hoje trabalha com jornalismo impresso e assessoria. “É porque hoje o mundo não é Marília. Eu não preciso estar no jornal, eu não preciso estar na TV: eu posso ser a minha própria mídia”, responde.

Mercado em constante mudança

Tanto Silvia quanto Danielle não concordam que alguém se contente apenas com a faculdade. “A graduação é só um embasamento que te dão. Você não pode dizer ‘com essa formação acadêmica, eu vou atuar muito bem no mercado’”, afirma Silvia. “Não, o mercado te engole!”

Danielle é categórica: “não dá para ficar só na graduação, impossível!” Para ela, “as pessoas terminam a graduação sem saber quase nada”. E conclui que, “se você parar na graduação, você para no tempo!”

“Uma coisa que eu vejo no interior –e eu falo com muita gente– é que as pessoas param na graduação”, segundo suas observações em sua cidade. “Não sei se só por preguiça ou porque a gente tem mesmo pouca oferta da pós-graduação.” Por isso, Danielle procurou ativamente o curso que cumpria suas expectativas: “não foi o anúncio que me atingiu na rede social.”

A distância definitivamente não é um problema para nenhuma das duas, que tiveram que remanejar seus compromissos profissionais e pessoais, para ter as terças livres para comparecer às aulas. O que as motiva é a busca pelo conhecimento que lhes interessa, esteja onde estiver.

“No interior, a gente não tem esses cursos”, explica Silvia. “Mídia social, em Marília não tem, e eu queria fazer mídia social! Então por que não vir para São Paulo?” Ela conta que pega o ônibus todos as terças às dez da manhã, e vem trabalhando na estrada. “Na volta, durmo no ônibus.”

As discussões sobre o futuro do trabalho ficam cada vez mais intensas nas mídias e nas redes sociais, especialmente no LinkedIn. Como sempre digo, esse debate está totalmente ligado ao do futuro da educação.

Os fatalistas dizem que a tecnologia, especialmente a combinação de inteligência artificial com Internet das Coisas e robótica, acabará com profissões inteiras. Isso é verdade, já está acontecendo e tende a piorar! Os otimistas dizem, por sua vez, que esse excedente de mão de obra será reaproveitado em tarefas mais nobres.

Bem, não é bem assim. Isso só acontecerá se essas pessoas tiverem uma excelente formação, que lhes permita se apropriar desse novo cenário profissional e sejam capazes de executar as novas tarefas. Além disso, apenas indivíduos com disposição de continuar sempre aprendendo poderão fazer parte desse novo grupo de elite profissional.

Isso não é só algo que deve preocupar os profissionais, pois impactará diretamente as empresas e toda a sociedade. Para Silvia, “o fato de a pessoa falar que já tem seu ‘cartucho’, que é graduada, já é formada é um problema social para ela e para o Brasil”.

E você, até onde vai para aprender mais e crescer?


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Feliz Dia do Professor? Temos que falar sobre isso!

By | Educação | No Comments

Sempre admirei a profissão dos meus pais. Aos 14 anos, escrevi uma poesia, enaltecendo-a como a mais importante de todas, pois formava os demais profissionais.

Aos 18, ainda na faculdade de Engenharia, fui impactado pelo Mr. Keating, do filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, interpretado pelo inesquecível Robin Williams (na foto). Decidi ali que, em algum momento, também seria professor. E as minhas aulas seriam daquele jeito, com muito conteúdo, inspiração e diversão.

Realizo esse sonho desde 2005, cada vez mais. Hoje leciono em seis turmas de pós-graduação de diferentes cursos da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da PUC-SP, além de integrar cursos da Universidade Metodista de São Paulo, ESPM, e, em breve, Belas Artes. E ainda sobra tempo para aulas esporádicas em grandes escolas, como a Digital House, o Senac e a Damásio Educacional.

As pessoas me perguntam como consigo encaixar tudo isso na agenda, ainda mais porque não é a minha única atividade profissional. Simples: amo o que faço! É a minha maneira de contribuir para uma sociedade melhor, nem que seja com um aluno de cada vez.

Nos países mais desenvolvidos, o professor sempre é figura de destaque na sociedade. Infelizmente, no Brasil, nunca foi valorizado e, de uns tempos para cá, tornou-se quase um perseguido político, por governos que preferem a ignorância como ferramenta de manipulação.

Fico triste ao ver uma parcela da população defendendo um pensamento único nas escolas (o seu pensamento), em detrimento de todos os demais. Profissionais bem preparados e cidadãos conscientes só surgem quando eles são expostos a diferentes ideias e pensamentos, mesmo os que contrariam os de sua origem. Sempre tive a felicidade de ter professores que me mostraram tudo isso e, graças a eles, hoje vejo o mundo com todas as suas cores, e não apenas com um cinza inexpressivo e castrador. E, assim, posso passar um pouco do que sei aos meus alunos, com ética e liberdade.

Nunca seremos um país digno, sério e grande enquanto essa situação do professor não mudar. E as perspectivas infelizmente não são boas.

Portanto, hoje, aplaudo os colegas que resistem nesse ofício tão nobre e essencial. Eduquem e criem mentes livres! E você, o que acha?

Não dá mais para pesquisar olhando só para um lado

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Qual o papel do desenvolvimento científico de ponta para um país? Crítico, se ele quiser se destacar globalmente do ponto de vista social, econômico e político. A pesquisa fica cada vez mais interdisciplinar, e a universidade é o lugar ideal para puxar essa inovação, que depois alimenta as pesquisas das empresas. Infelizmente o Brasil precisa melhorar muito, especialmente em um cenário de cortes de investimentos para pesquisa pelo governo.

Nesse ano, o país subiu uma posição no ranking global de competitividade do Fórum Econômico Mundial, divulgado no dia 9. Ainda assim, amargamos apenas o 71º lugar de um total de 141 nações, muito pouco para um país de nosso tamanho, nosso potencial e que almeja ocupar um protagonismo global.

Segundo a instituição, uma das coisas que os países latino-americanos mais precisam investir para melhorar é a inovação. Vale lembrar que, em julho, o Brasil caiu duas posições no Índice Global de Inovação, organizado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual, Instituto Europeu de Administração de Empresas e pela Universidade Cornell. Ficamos em um modesto 66ª lugar, de um total de 129 países.

Vivemos em um mundo interdisciplinar. As empresas que obtém mais sucesso hoje são aquelas que entendem isso e criam produtos que bebem em diferentes fontes do saber, para criar produtos capazes de atender um público mais amplo e menos especializado. As diferentes áreas andam cada vez mais de mãos dadas, por isso as pesquisas, tanto nas empresas, quanto na academia, precisam refletir isso.

Por isso, é uma grande alegria quando vejo iniciativas como o programa de estudos de pós-graduação de Tecnologias da Inteligência e Design Digital (TIDD) da PUC de São Paulo, onde estou concluindo meu mestrado. A interdisciplinaridade é justamente uma de suas propostas e isso apareceu claramente nas pesquisas apresentadas nesta quinta (10), durante o seu 12º Encontro de Pesquisa.

“Se nós não dermos a atenção para a construção de conhecimento para inovar, para ajudar a pensar, nós não poderemos avançar em termos de civilização, de humanidade”, explica a professora Ana Maria Di Grado Hessel, organizadora do evento. “É preciso que as pessoas conheçam mais, para que possam pensar melhor e mais criticamente.”

“É a nossa missão, o que a gente faz aqui dentro”, afirma Ítalo Santiago Vega, professor que coordenou uma das mesas do evento. “O debate e a conversa a respeito de ideias sempre são oportunos, e o meio acadêmico é o espaço reservado exatamente para que isso aconteça.”

É preciso que fique claro que a pesquisa acadêmica não é algo dissociado do mundo, como muita gente afirma, especialmente quem tem uma visão distorcida da vida, por um pragmatismo cego. Na verdade, é o contrário disso, funcionando de uma maneira complementar ao que se vê nas pesquisas realizadas pelas empresas.

Nesse último caso, as pesquisas acontecem para atender demandas comerciais bem definidas e identificadas. Elas são essenciais, pois justamente transformam o conhecimento científico puro em produtos que beneficiarão as pessoas e outras empresas. Entretanto elas dependem de uma pesquisa de base, realizada justamente na universidade, sem a exigência premente de gerar produtos.

Justamente aí reside a sua força, pois os pesquisadores podem explorar conceitos e desenvolver ideias que considere interessantes por si só. “A pesquisa acadêmica tem a vantagem de ser independente, na medida em que você pesquisa o que tem vontade de pesquisar”, explica o professor Hermes Renato Hildebrand, que também coordenou uma mesa no evento.

A pesquisa acadêmica caminha, portanto, lado a lado com a realizada pelas corporações. Sem a primeira, a segunda aconteceria de maneira muito mais lenta e onerosa para as empresas, e algumas das maiores inovações da humanidade talvez jamais acontecessem. E todas as áreas são importantes: nenhuma pode ter privilégio sobre as demais, especialmente na realidade em que vivemos, em que tudo se conversa e se complementa.

“Não dá mais para olhar o mundo sob o aspecto de uma especificidade, de uma temática, de uma disciplina, de uma maneira cartesiana, linear, reducionista”, diz Hessel. “Só o conhecimento é o caminho para sermos mais humanos e sermos melhores e preservar as gerações que ainda estão por vir.”


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Não, o Coringa do cinema não cria sociopatas

By | Educação | No Comments

Tenho lido muito que o Coringa, protagonista do filme homônimo que estreou na quinta, poderia influenciar pessoas a cometer crimes. Por isso, o filme foi vetado em alguns cinemas e, nos EUA, até o Exército foi mobilizado para conter eventuais tumultos.

No sábado, fui conferir quanto disso faz sentido. O que encontrei foi uma obra-prima, um drama com um ótimo roteiro, muito bem dirigido e com uma trilha sonora impactante. Sim, é possível criar empatia com o protagonista no início, pelas incontáveis agressões que a sociedade lhe impõe. Mas não vejo alguém se tornando um sociopata por conta disso.

Temo muito mais a desinformação que impera nas redes, as notícias falsas que se tornam “verdades” graças à manipulação de algoritmos por grupos que confundem a população para atingir o poder. Temo também vivermos em uma sociedade que continua sendo massacrada por uma crise de mais de cinco anos, em que muitos acham que a violência e as armas são uma solução. Isso, sim, pode criar criminosos, como também deprimidos e suicidas.

Ah, e pintou o vencedor do Oscar de melhor ator no ano que vem. No ano passado, eu havia apostado em Rami Malek, como Freddie Mercury. Será que acertarei de novo, com Joaquin Phoenix monstruosamente brilhante como Coringa?