saúde mental

Mantenha a cabeça no lugar enquanto estiver em casa

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Por conta do isolamento social que todos nós devemos fazer por causa do novo coronavírus, um novo problema surge: manter a cabeça no lugar!

O isolamento mais intenso começou há poucos dias, mas parece que já fosse há muito mais tempo. E essa percepção está ligada à quebra da nossa rotina de maneira tão dramática. Além disso, existe uma incerteza tremenda sobre o que acontecerá com nosso trabalho e os inevitáveis impactos na economia. Há ainda o fator de que nosso trabalho também está se transformando, e, para muita gente, de forma intensa!

Sem falar no medo individual, mais ou menos declarado, da doença em si.

Afinal, o que pode acontecer com cada um de nós?


Saiba mais sobre esse assunto no vídeo abaixo:


A primeira coisa que temos que ter em mente é que, por mais que isso doa, por mais que nos recusemos a aceitar, por mais que isso esteja nos provocando mudanças profundas e até prejuízos, o planeta está se transformando de maneira aceleradíssima nas últimas semanas.

O mundo no qual começamos o ano está sendo substituído por algo novo, que todos nós estamos construindo, de maneira rápida e um tanto dolorosa. Decisões e mudanças que normalmente tomaríamos em meses -talvez anos- estão acontecendo em semanas, dias.

Claro que isso insere uma dose cavalar de risco, incerteza e até medo no processo. Afinal, estamos construindo o avião em pleno voo. E é um voo com fortíssima turbulência.

Em um cenário em que temos que buscar fazer à distância tudo que for possível, o meio digital obviamente se torna crítico. Mas simplesmente dizer isso seria simplista demais e não resolveria muita coisa.

Transformar algo presencial em um equivalente online implica muito mais que a tecnologia. Temos que evoluir nossos modelos de negócios e estarmos dispostos a flexibilizar a maneira como nós trabalhamos. Precisamos ser mais tolerantes e compreensivos com o outro, pois todos nós estamos nessa transformação: muitas coisas não acontecerão como acharíamos o ideal.

Por exemplo, quando falamos em como fazer um home office produtivo, uma das dicas básicas é termos um espaço em casa para o trabalho, onde possamos evitar distrações. Só que, agora, a família inteira está em casa: até as crianças “estão em home office”. Não há como conseguir aquela tranquilidade para trabalhar.

Muita gente pode achar isso inadequado, inaceitável! Em condições normais, daquele mundo que deixou de existir, talvez fosse. Mas não dá mais para ser assim! Temos que demonstrar empatia com o outro, que se esforça para fazer o melhor, mas nem sempre conseguirá!

Ainda assim, os novos formatos podem ser surpreendentemente bons, inovadores e criativos. Mas, para isso acontecer, todos os envolvidos -inclusive clientes- precisam se esforçar e aceitar que fazem parte desse processo. É um tremendo desafio, qualquer que seja a sua área, até mesmo conter a ansiedade que toda essa incerteza nos provoca.

No meio disso tudo, para preservar as faculdades mentais, manter-se ocupado e produtivo é essencial.

Caso você seja o dono de um negócio ou gestor, entenda que possivelmente terá que mudar -e muito- suas entregas. Mas não encare isso com pesar, como o fim do mundo. Talvez seja até uma oportunidade para criar um novo produto ou modelo de negócios.

Se você continua trabalhando na empresa por ser um serviço essencial, concentre-se nas suas tarefas e tome todos os cuidados necessários. Por outro lado, se estiver fazendo home office, procure melhorar a sua produtividade com foco e tecnologia, mas adote também a resiliência e a empatia, como explicado acima. Mas, se estiver simplesmente em casa sem poder trabalhar, ocupe sua mente com coisas prazerosas e produtivas.

Pense positivo! Não se entregue à tristeza, ao medo, à ansiedade. Faça coisas que lhe deem prazer sozinho e com quem estiver com você. Aproveite para estudar, aprender uma nova habilidade profissional, um novo idioma ou qualquer coisa para o seu crescimento pessoal.

Por fim, mas não menos importante, se a coisa estiver muito difícil, não tenha dúvidas: procure ajuda profissional, de psicólogos. Se você já fazia terapia, continue! Ninguém melhor que o seu psicólogo para lhe dar o apoio necessário para passar por esse momento. E, como estamos isolados, o atendimento pode perfeitamente ser feito à distância.

Estamos juntos nisso tudo! Cuidem-se! Continuem produtivos e ocupados. Fiquem em casa o máximo que puderem. E mantenham a cabeça no lugar.

O meio digital pode lhe deprimir ou curar: depende de você

By | Educação | No Comments

Vivemos uma corrida para nos destacar nas redes sociais. Alguns fazem isso por trabalho, outros para satisfazer o ego, e há ainda aqueles que simplesmente querem aceitação do seu grupo social, ainda que inconscientemente. Nem sempre as coisas saem como queremos. Em uma sociedade já bastante digitalizada, esse “fracasso” pode gerar tristeza, angústia, ansiedade e até depressão.

Nesse cenário, uma das principais ferramentas para construirmos nossa imagem digital é o que publicamos nas redes. Isso gera uma avalanche de conteúdo, com a qual não conseguimos lidar, aumentando ainda mais os sentimentos acima. Para piorar, as “fake news” aparecem como alternativa, pois, como normalmente têm grande apelo, acabam seduzindo aqueles que não conseguem aparecer com seu próprio conteúdo e, por isso, as espalham.


Saiba mais sobre esse assunto no vídeo abaixo:


Em uma aula em 2018 com a professor Lucia Santaella, que foi a orientadora do meu mestrado e é uma autoridade internacional em semiótica, ela disse uma coisa que me marcou muito: “As redes sociais não criam nada novo, mas fazem tudo acontecer de maneira mais intensa e em um tempo menor.”

Ou seja, os fatos acontecem no seu ritmo. Mas, com o meio digital, somos bombardeados com uma quantidade enorme e crescente de informações. Antes de assimilarmos uma notícia, já temos que lidar com outras três. E esse volume cresce assim exponencialmente.

Daí vem a ansiedade.

A crise do coronavírus é um ótimo exemplo. Trata-se de uma doença perigosa e precisa ser observada com seriedade. Mas não é o apocalipse zumbi! A crise da SARS, em 2002, por exemplo, foi mais grave e a humanidade não pereceu.

O problema é como isso chega nas redes sociais. Tenho observado muita gente acreditando e espalhando todo tipo de notícia falsa, especialmente no Facebook e no WhatsApp. Nessas horas, aparecem os vivaldinos que querem ter ganhos econômicos ou políticos, distorcendo os fatos a seu favor. E há aqueles que simplesmente passam informações erradas ou inócuas, por ignorância ou má fé mesmo.

Vi gente conclamando a população a aumentar o consumo de vitaminas, para evitar a contaminação. E alguns “figurões” (estão mais para figurinhas mesmo) espalharam até que a Fundação Bill e Melinda Gates, do fundador da Microsoft, teria patenteado o coronavírus em 2014, com o objetivo de redução populacional!

Sério mesmo?

Crescimento da intolerância

Vivemos um momento triste da história, de polarização extrema, de violência, de intolerância e de donos da verdade pipocando de todos os lados. E todos esses sentimentos e essa percepção são alimentados por nós mesmos nas redes sociais!

A sensação que dá é que o mundo está piorando ao longo do tempo. Mas, na verdade, está melhorando! Não me refiro a esse ano, ao ano passado, aos últimos cinco anos: estamos em um momento de crise, de piora mesmo. E isso contamina a nossa percepção, porque estamos literalmente vivendo todos esses problemas na nossa pele, todos os dias.

Eu quero dizer que está melhorando ao longo de décadas!

Por exemplo, segundo o IBGE, a expectativa de vida do brasileiro ao nascer chegou a 76,3 anos em 2018. Em 1900, esse indicador era de míseros 33,4 anos! Isso acontecia porque a medicina era muito pior, não havia remédios e vacinas como hoje (nem antibióticos), as pessoas não se alimentavam tão bem, e as condições de trabalho também eram muito piores.

Mas essa melhora não foi exatamente linear. Teve altos e baixos. Se olharmos de longe o gráfico, eles não aparecem tanto. Mas, se aproximamos com uma lupa, vemos que existiram anos de mais sofrimento e outros de mais bonança. A diferença é que essa percepção, no passado, era menos intensa, inclusive porque não havia tantos veículos de comunicação. Hoje vivemos tudo isso com muito mais intensidade.

Por isso, digo que os jornais hoje contam os fatos do dia, mas, quando olhamos um noticiário consolidado do passado, eles se tornam “livros de história” incrivelmente detalhados. Isso ficou muito claro quando eu tive o prazer de ser o gerente do projeto que criou o Acervo Estadão, digitalizando todas as páginas do jornal, fundado em 1875.

Então, para que todos vivam melhor, precisamos cuidar de como usamos o meio digital. Sem falar que o que publicamos, mesmo que seja uma singela foto, constrói a nossa imagem digital. E, em uma sociedade permanentemente online, a nossa imagem digital é a nossa principal imagem!

Portanto, “não alimente os trolls”! Não acredite em qualquer coisa, especialmente se vier de pessoas que vivem de atitudes extremas e radicais, de “fake news” e cortinas de fumaça. Não se informe pelo WhatsApp!

Precisamos usar esse incrível poder que todos nós temos, nas redes sociais, para construir algo que não seja bom só para nós mesmos. Quando aproveitamos o meio digital para construir algo que ajude muita gente, que busque uma sociedade mais justa, equilibrada e verdadeira para todo mundo, nós não apenas melhoramos a nossa imagem, como também diminuímos essa ansiedade imensa em que vivemos.

E aí, prontos para isso?