All posts by Paulo Silvestre

“Vou estar utilizando” este serviço. E você?

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Qualquer um agora pode cadastrar telefones fixos e celulares para não serem mais perturbados pelo telemarketing

Qualquer um agora pode cadastrar telefones fixos e celulares para não ser mais perturbado pelo telemarketing

Desde o dia 27 de março, o site da Fundação Procon-SP oferece um serviço que permite a qualquer um cadastrar gratuitamente os números de telefones fixos e celulares que NÃO devem mais receber ligações do telemarketing ativo. Os bloqueios passam a valer 30 dias após o cadastro. Os desbloqueios -assim como reclamações- podem ser feitos no mesmo site.

O sucesso foi imediato: em seis dias, 50 mil pessoas disseram não aos atendentes que falam no gerúndio, capazes de ligar em um domingo de manhã para oferecer os mais obscuros produtos e serviços. A iniciativa atende ao previsto na Lei 13.226/2008, regulamentada pelo Decreto Estadual 53.921/2008, e afeta também empresas de outros Estados.

Mas nem todo mundo gostou desse brilhante uso da tecnologia para facilitar a vida do cidadão. As empresas de telemarketing prometem entrar na Justiça para que o serviço seja declarado inconstitucional. A conferir.

“Obamas” podem ficar sem seus jornais

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A cidade do presidente dos EUA é a primeira do país a ter seus dois principais jornais em concordata

A cidade do presidente dos EUA é a primeira do país a ter seus dois principais jornais em concordata

Chicago, cidade onde o presidente americano Barack Obama tem sua residência pessoal, corre o risco de ficar sem seus jornais regionais. A mais recente vítima da crise da imprensa dos EUA é o Sun-Times Media Group, que publica o Chicago Sun-Times e mais 58 jornais. A empresa pediu concordata ontem. O grupo Chicago Tribune Company, que publica o Chicago Tribune, o Los Angeles Times e outros oito jornais (além de ter 23 canais de TV), já está nessa situação desde dezembro.

A capital de Illinois, uma das maiores cidades dos EUA, é a primeira a ter dois de seus principais jornais em estado pré-falimentar. Ambos continuam suas operações sem maiores mudanças, mas seus ativos estão à venda.

Na semana passada, o The New York Times, maior jornal americano, demitiu cem funcionários da área comercial e cortou em 5%, até o fim do ano, o salário de quem ficou. O Washington Post, outro gigante da terra do Tio Sam, anunciou um plano de aposentadoria antecipada para sua equipe. E o Seattle Post-Intelligencer agora só circula na Internet: nada mais de papel.

Demissões, redução de salários, jornais fechando as portas ou se transformando em operação online apenas… Muitas lições podem ser tiradas disso.

“Paraguais” derrubam secretária

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Paulo Renato disse que "manterá o bom trabalho e a equipe" de Maria Helena

Paulo Renato disse que "manterá o bom trabalho e a equipe" de Maria Helena

Dez dias depois de o governador José Serra anunciar que recolheria apostilas que traziam um mapa da América do Sul com o Paraguai em duas posições (ambas erradas), a secretária da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, caiu hoje. As apostilas, produzidas pela Secretaria da Educação com a Fundação Vanzolini, seriam distribuídas para alunos do 6º ano da rede estadual de ensino.

Antes de pedir o recolhimento, Serra chegou a dizer que “não é um erro grave, mas é um erro” e cogitou recolher apenas 1,55% dos cadernos impressos, que supostamente seriam os atingidos pela falha. Além de minimizar o problema, a Secretaria da Educação tentou se isentar da responsabilidade, jogando-a sobre a Vanzolini, que se isentou da culpa, afirmando que o material foi produzido por professores indicados pela secretaria. No final, ficou decidido que a Fundação recolheria todos os 500 mil exemplares e arcaria com as despesas. Mas agora, depois de todo esse circo, Maria Helena vai embora “por motivos estritamente pessoais”.

Em seu lugar, assume Paulo Renato, o aclamado ex-ministro da Educação de FHC. Entrou prometendo manter todo o bom trabalho e a equipe de sua antecessora. Justiça seja feita: Maria Helena conseguiu alguns avanços tão importantes quanto polêmicos, como pagamento de bônus a professores mediante resultados mensuráveis e sistema de metas por escolas. Ela também reformulou o Saresp -exame estadual de escolas- e criou o Idesp -índice para avaliar o nível de aprendizado dos alunos da rede pública.

Chega a ser uma pena vê-la cair por um erro tão estúpido. Estúpido, mas grave, ao contrário do que declarou Serra.

O Volp da discórdia

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Linguistas brasileiros estão questionando a iniciativa da ABL (Academia Brasileira de Letras) de lançar a quinta edição do “Volp”, o “Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa”. A publicação traz a grafia “oficial” das palavras do idioma, segundo as regras do acordo ortográfico entre os países de língua portuguesa, em vigor desde o dia 1º de janeiro.

Os críticos argumentam -com razão- que a obra foi organizada unilateralmente pela ABL, sem ouvir Portugal ou os outros países signatários, que podem questionar a grafia adotada pelos brasileiros para palavras polêmicas diante das novas regras. A maioria das dúvidas se refere a palavras grafadas com hífen (ou não).

A ABL se defende, dizendo que suas decisões foram bem embasadas e que não devem gerar polêmica com os outros países. Pode ser mesmo que estejam certos, mas a atitude foi um tanto arrogante. Se outros países contestarem o Volp, será legítimo.

Em entrevista à Folha, Evanildo Bechara, que coordenou o Volp, disparou: “se os portugueses seguirem o acordo que eles assinaram, o vocabulário será igual.” Feio! Muito feio! Quem lhe deu a autoridade para dizer isso?

Ora pois!

Internet, essa “coisa malvada”

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O Culto do Amador, que sugere que a Internet vai acabar com tudo

O Culto do Amador, que sugere que a Internet vai acabar com tudo

A Veja desta semana publicou uma resenha sobre o livro “O Culto do Amador”, do cientista político britânico Andrew Keen, que passou de empreendedor digital a ferrenho crítico da Internet. Na obra, tenta demonstrar como a Internet e especialmente o que se convencionou chamar de Web 2.0 se transformaram em um Caixa de Pandora do século XXI, capaz de, como diz logo na capa, “destruir nossa economia, cultura e valores”.

Pelo raciocínio de Keen, a possibilidade de qualquer indivíduo ser capaz de publicar conteúdo na Internet é aterrador. Essa liberdade toda destruiria coisas boas que nossas sociedades construíram ao longo da História, colocando um palpiteiro em pé de igualdade com especialistas. E mais: a rede aparece como destruidora do direito autoral e até como responsável pela crise dos jornais nos EUA.

Bem, como diria uma velha professora, “calma com o andor, que o santo é de barro”. A Internet é uma ferramenta que de fato nos dá poder para amplificarmos tudo o que somos. E isso vale para o bem e para o mal. Mas o bem e o mal não foram criados pela Internet: colocamos nela apenas o que somos (toda a sociedade). A Grande Rede funciona apenas como um espelho disso.

Andrew Keen, que passou de empreendedor digital a crítico da Internet

Andrew Keen, que passou de empreendedor digital a crítico da Internet

Keen cita a Wikipedia como o exemplo acabado da vitória da massa ignorante sobre os especialistas. E isso é absolutamente tendencioso! Não quero parecer um deslumbrado que acha que a Wikipedia é a “perfeição pelas mãos de todos”, mas todas as enciclopédias erram. O autor não citou (talvez tenha se esquecido) estudo feito pela Nature, a revista científica mais séria do mundo (e conduzida por especialistas), que concluiu que a Wikipedia e a Enciclopédia Britannica possuem proporcionalmente a mesma incidência de erros e imprecisões. Também conta meias verdades quando diz que as pessoas navegam completamente anônimas, livres para cometer todo tipo de crime e barbaridade.

Qual seria a “solução” para isso? Aceitar a idéia que Elton John teve em 2007, propondo o fim da Internet, pois ela estaria “destruindo a indústria musical e as relações interpessoais”? Acho que não. Gosto das músicas dele e lamento que ele esteja vendendo menos CDs, mas sempre temos -todos nós- que nos adaptar a mudanças. A Internet é só mais uma.

Para arrematar, Keen compara a Web 2.0 ao conceito de que, se um grupo de macacos batucasse infinitamente sobre máquinas de escrever, eventualmente comporiam uma obra coerente algum dia. Bom, prefiro 30 obras coerentes de um milhão de macacos que apenas uma feita por cem biólogos do zoológico. É um direito dos macacos e eles têm algo a dizer.

Mas talvez eu seja um pouco suspeito ao defender macacos 😉

Notebook versus lápis

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Tendência aponta que estudantes preferem escrever em notebooks a usar o lápis

Tendência aponta que estudantes preferem escrever em notebooks a usar o lápis

A Folha publicou nesta segunda uma reportagem sobre como escolas já permitem que alunos levem notebooks pessoais para a sala de aula, como parte de seu material escolar. A reportagem me chamou a atenção em dois pontos: primeiramente porque foi a primeira vez que vi isso fora do ensino superior; em segundo lugar, e mais inusitado, porque os alunos começam a questionar o porquê de se escrever à mão.

Esse questionamento pode parecer absurdo -e é, pelo menos enquanto não dispusermos de infra-estrutura tecnológica que nos permita dispensar de vez papel e lápis-, mas é perfeitamente compreensível para alguém que manipula um PC com a mesma naturalidade que a TV. Esses membros da “Geração Z” realizam os seus trabalhos escolares -mesmo os mais prosaicos- em PowerPoint ou em sequências em Flash.

Além disso, a moderna pedagogia prega que as crianças hoje aprendam primeiro a letra bastão (ou, com se costumava dizer, “de forma”) em maiúsculas, passando depois para as minúsculas e apenas então passam à escrita cursiva (as “letras de mão”). Isso parece estar alinhado com o fato de que o mundo não é mais cursivo. Qualquer PC vagabundo com Windows oferece ao usuário dezenas de famílias de fontes para que experimente em seus escritos, e as crianças estão expostas a essa realidade. Dentro desse novo mundo, as pessoas, de todas as faixas etárias, escrevem e lêem mais que nunca. A questão deixa de ser se se deve escrever “à mão ou com letra de forma” e passa a ser se se deve escolher Arial ou Times New Roman para compor o texto.

Não estou advogando pelo fim da escrita à mão: muito pelo contrário. Mas os fatos estão postos. A questão é saber como pais, escolas e editoras lidarão com isso. Todos estão preparados para isso, pedagógica e até psicologicamente? Pais, professores e demais profissionais de educação conseguirão lidar com essa onda inovadora que ganha volume a cada dia, podendo chegar logo à escala de tsunami?

Não estão. Mas essa onda pega!

Fazendo água além-mar

By | Educação | 2 Comments

Se os brasileiros parecem estar dispostos a abraçar o novo acordo ortográfico, o mesmo não acontece entre os lusos. Pesquisa realizada em Portugal aponta que 57,3% deles são contrários ao acordo, sendo que 66,3% afirmam que não adotarão as novas regras. A situação é pior entre os mais jovens e os menos escolarizados.

Pode-se argumentar que se trata de um acordo de gabinete, criado sem apoio popular. Mas pensando friamente: haveria outro jeito de se fazer isso?

Particularmente as reações não me espantam: um acordo desse tira as pessoas de uma de suas maiores zonas de conforto, que é a maneira de escrever. Mas as regras estão aí, os governos estão apoiando o acordo. A grande imprensa e editoras têm papel fundamental para que isso aconteça, ainda que a longo prazo (uma década, provavelmente).

Em tempo: a pesquisa foi feita pela empresa Aximage, sob encomenda do “Correio da Manhã”. Trata-se do jornal mais vendido em Portugal. E que ainda não adota as novas normas em suas páginas. Ora pois!

Estudantes de jornalismo não lêem jornais

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Knight: “isso representa um risco maior para a mídia impressa que a crise econômica global ou a perda de receita publicitária para a Web”

Knight: “isso representa um risco maior para a mídia impressa que a crise econômica global ou a perda de receita publicitária para a Web”

Essa veio de longe, literalmente do outro lado do mundo, mas aposto que se aplicaria aqui também: estudantes de Jornalismo australianos não lêem jornais. Não, você não leu errado: os futuros jornalistas fogem do veículo que dá nome a sua profissão. Para eles, jornais são pouco práticos, desajeitados, não têm uma ferramenta de busca, ficam se “desmontando” e sujam as mãos.

A conclusão é resultado de uma pesquisa realizada pelo professor de Jornalismo e Estudos de Mídia Alan Knight, da Universidade de Tecnologia de Queensland, em Brisbane (Austrália). Ele entrevistou 200 alunos de primeiro ano da graduação de Jornalismo, e 90% deles dizem que não lêem jornais. Mas isso não quer dizer que eles não estão atualizados com os acontecimentos: 95% acompanham o noticiário regularmente, mas a mídia preferida é a TV, seguida por uma Internet que cresce rapidamente na preferência dos entrevistados.

“Se os jornalistas do futuro não querem ler jornais, quem lerá?”, disparou o professor no site da própria universidade. “Isso representa um risco maior para a mídia impressa que a crise econômica global ou a perda de receita publicitária para a Web.”

E agora saboreie a cereja do bolo: eles também não gostam de jornais porque tem que pagar pelas notícias. Essa é de matar: os futuros jornalistas não querem pagar para consumir aquilo que, em pouco tempo, será o seu ganha-pão. Como são mesmo aquelas histórias de micropagamento, Kachingle e afins? Espero que essa turma esteja pensando nisso.

Kindle mais barato que jornal

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A salvação dos jornais pode estar em abandonar o papel

A salvação dos jornais pode estar em abandonar o papel

Nicholas Carlson, do The Business Insider, fez um exercício interessante, calculando grosseiramente qual é o custo anual de impressão de um ano do The New York Times para cada um de seus assinantes e depois comparando com o preço de um Kindle. O resultado é, no mínimo, curioso: o e-book da Amazon custa menos que a metade do necessário para se imprimir um ano do NYT. Como já é possível ler o Times no Kindle, ele ventila a idéia de que a direção do jornal deveria considerar presentear seus assinantes com o gadget e economizar milhões de dólares com impressão todos os anos.

A idéia é extravagante, porém emblemática! Mas nem Carlson nem eu estamos sugerindo que a “velha dama cinzenta” faça isso. Primeiro porque o Kindle é bacana, mas ainda não dá para fazer tudo nele. Depois porque uma ação como essa certamente teria impactos em outras partes do negócio, como publicidade ou vendas em bancas. Mas, em tempos de crise brava na mídia, especialmente na americana, não podemos nos dar ao luxo de tapar os ouvidos a idéias inovadoras. A salvação pode estar no rompimento de paradigmas.

Por que todo jornalista deve ter um blog?

By | Jornalismo, Tecnologia | No Comments
O blog permite ao "coleguinha" se reciclar profissionalmente e ainda colher grande resultados editoriais

O blog permite ao "coleguinha" se reciclar profissionalmente e ainda colher grande resultados editoriais

Esse assunto já foi falado e refalado, mas há muitos irredutíveis “coleguinhas” que “ainda resistem ao invasor”. No caso, essa tal de Internet e como o jornalismo fica cada vez mais interessante nela. Por isso, vou me dar o direito de emitir os meus pitacos.

A desculpa de sempre dessa turma é “não tenho tempo para escrever para o blog, pois tenho que fechar a revista” (ou o jornal ou o que for). Trabalhei em umas das maiores e mais respeitadas revistas do país, e sua direção não queria que os jornalistas mantivessem blogs, para que “não se distraíssem de seu trabalho”. Na verdade, esse era o pensamento não só da revista, mas da empresa. Tosco! Nada mais dissociado da realidade! Ninguém está falando de -heh- “parar de trabalhar na revista” para se dedicar ao blog. Os posts saem naturalmente do material apurado (e muitas vezes desprezado por falta de espaço ou porque esfriou), de um insight enquanto se pensa na pauta ou se remoi os textos, de uma conversa no cafezinho… Sai na urina! Quem não entende isso ou não consegue fazer isso não merece ser chamado de jornalista!

Esse argumento contrário grotesco acontecia até há bem pouco tempo. Felizmente (para eles), os blogs não são mais proibidos, e são até são incentivados. Alguns (poucos) veículos da casa já dão furos online, especialmente porque as revistas são, em sua maioria, mensais, o que inviabiliza o conteúdo quente.

Mas me dói, depois de tudo que falei, ver a “resistência”, a dificuldade de os colegas perceberem que blogs, ainda por cima, lhes trariam inúmeras vantagens profissionais! Trata-se da chance de exercitarmos um gênero textual novo, inexistente em publicações tradicionais. Os posts podem se tornar verdadeiras conversas com os consumidores de nossos trabalhos, sem intermediários, uma chance de melhorar nossos desempenhos profissionais com consultoria grátis. E daí vem outra vantagem: eles podem nos ensinar a ser mais humildes, a perceber que não estamos acima dos fatos, das leis, das pessoas, algo que falta a nós, jornalistas. E, de quebra, aprendemos a ser mais responsáveis, pois qualquer mancada no nosso blog é culpa só nossa: não dá para dividir com ninguém.

E para não ficar só no discurso vazio, alguns colegas da referida revista em que trabalhei -que desdenhavam os blogs- hoje se enchem de orgulho e batem no peito quando dão um furo em seu pequeno feudo e ele ganha uma chamada na home do UOL. Já vi colega até se esquecer que ainda está no site da revista, referindo-se ao sucesso instantâneo do “seu blog”.

Se nada disso ainda convencer, o colega deve pensar que, quando a publicação dele fechar as portas (a crise está aí!), ele ainda poderá continuar exercendo bom jornalismo. Em um blog.

Está “melhor”, mas está ruim

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Serra comemorou os 38%: de 1,41 para 1,95!

Serra comemorou os 38%: de 1,41 para 1,95!

No dia 18, o Governo do Estado de São Paulo divulgou o resultado do Idesp, índice criado para avaliar o nível de aprendizado dos alunos da rede pública, como forma de avaliação indireta das escolas e de seus professores. Tanto que o bônus pago aos mestres -que pode chegar a 2,9 salários adicionais- depende dele. Ele leva em consideração os resultados no Saresp, prova do governo estadual que avalia conhecimentos de Língua Portuguesa e de Matemática, a taxa de aprovação e de evasão dos alunos.

O governo saiu comemorando o resultado, especialmente o do Ensino Médio. Afinal o índice nessa faixa deu um salto de 38,3% do ano passado para cá! Bom mesmo, hem? Na minha opinião, nem tanto. Nesse ano, esses alunos cravaram míseros 1,95 contra 1,41 do ano passado. É bom que fique claro que o Idesp vai até 10. A meta da própria Secretaria de Educação para o Ensino Médio é 5.

Para os menores, a evolução é pior, já que estatisticamente não houve: no Ensino Fundamental 1 (as antigas 1ª a 4ª séries, atuais 1º ao 5º ano), o índice saiu de 3,23 para 3,25 (variação de 0,6%); no Fundamental 2 (as antigas 5ª a 8ª séries, atuais 6º a 9º ano), foi de 2,54 para 2,60 (2,4%). Detalhe: as metas são, respectivamente, 7 e 6.

Ok, as metas são só para 2030 (!!!) e rivalizam com números de “países desenvolvidos” (quando falo de educação, tenho que admitir que somos mesmo “subdesenvolvidos”). E reverter o estado de penúria em que a educação brasileira está (São Paulo está bem na foto do país) é trabalho para uma geração. E se for bem-feito.

Mas vamos combinar: não dá para sair comemorando esses resultados, ok?

Onde fica o Paraguai?

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Material complementar do Governo do Estado de São Paulo não sabe bem onde ficam nossos vizinhos

Material complementar do Governo do Estado de São Paulo não sabe bem onde ficam nossos vizinhos

Você sabe onde fica o Paraguai? Se não souber, NÃO consulte o material complementar ao livro didático que o Governo de São Paulo distribuiu aos alunos do 6º ano da rede estadual. Ele traz um mapa em que o nome do vizinho aparece em dois países. Detalhe: errado nos dois casos! No primeiro, aparece sobre a região da Bolívia; no segundo, sobre o Uruguai. No que deveria ser o Paraguai, aparece Uruguai. E tem mais: o Equador sumiu!

A Secretaria da Educação joga a culpa na Fundação Vanzolini, que produziu o material. Essa se defende dizendo que o material foi criado por professores indicados pelo governo e que o erro atingiu “apenas” 1,55% dos cadernos impressos. Ou seja, 7.750 dos 500 mil exemplares, número de alunos do 6º ano da rede estadual. Pode parecer percentualmente pouco, mas em termos absolutos é muito! E o Serra: “não é um erro grave, mas é um erro”. O que seria grave? Talvez dizer que Buenos Aires é capital do Brasil. Na dúvida, o governador mandou recolher os 500 mil exemplares e que todo o custo de substituição ficará por conta da Fundação.

Não bastasse a falta de respeito com alunos e professores, uma coisa dessas é uma ofensa às editoras de livros didáticos, que se submetem a regras draconianas do Governo Federal para entrar no páreo do PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) e do PNLEM (Programa Nacional do Livro do Ensino Médio). As normas desses dois programas, que distribuem milhões de livros às escolas do Brasil inteiro todos os anos, tratam até do entrelinhamento: que dizer então do conteúdo? E, se um livro for reprovado (sem direito a contestação), só poderá tentar de novo depois de três anos. Não questiono que as editoras não devam ter todos os cuidados na produção de seus livros, mas um caso como esse manda todo esse esforço por água abaixo. Afinal, os dois materiais chegarão juntos às mãos dos alunos de São Paulo.

Será que funciona no Brasil?

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A salvação do modelo econômico do jornalismo pode passar por sistemas como o Kachingle e os micropagamentos

A salvação do modelo econômico do jornalismo pode passar por sistemas como o Kachingle e os micropagamentos

Já que tenho falado de micropagamento, Kachingle e Steve Outing, ele tem posições bastante críticas quanto ao primeiro. Para Outing, esse sistema de remuneração simplesmente não funciona, pois seria contrário à natureza da Internet. Seu argumento: no micropagamento, o conteúdo continua fechado, dificultando seu compartilhamento entre os usuários e sua indexação pelos sistemas de busca. E, se você estiver fora do Google, está fora dos negócios. Para o guru, algo como a Kachingle faz muito mais sentido. O principal obstáculo para seu sucesso são os barões da mídia, que precisariam mudar de postura e convencer seus usuários a passar a pagar não apenas pelo seu conteúdo, mas sim para o conteúdo também de seus concorrentes. Afinal, o sistema distribui o dinheiro do usuário entre todos que ele considera merecedores.

Concordo com todas as posições de Outing acima, mas acho que essa é uma visão um pouco simplista e muito radical. Nesse momento, tudo o que NÃO precisamos são posições inflexíveis. Existem maneiras e maneiras de se implantar o micropagamento. Problemas como a indexação pelas spiders e a viabilidade de compartilhamento de links de conteúdo fechado já foram tratados, inclusive por aqui, pela Abril.

O que jamais se pode perder de vista é a simplicidade para o usuário acima de tudo. A Kachingle realmente faz mais sentindo, mas não estou totalmente seguro que ele vingará. E o motivo é apenas um: ele só é interessante se for onipresente e único, sem concorrentes. A partir do momento que aparecem três ou quatro desses sistemas, um site que eu apoiaria poderia estar com a Kachingle e outro estaria com o, digamos, “Letingle”. E aí, vou fazer depósitos em ambos? Já era, ficou difícil!

Há um outro fator que o Outing não menciona e nem poderia, já que ele não vive no Brasil: será que, por questões culturais, pelo famigerado “jeitinho brasileiro” de querer levar vantagem em tudo, pagaríamos pelo conteúdo que consumíssemos pela Internet? A massa prefere pagar R$ 1 por um DVD pirata, quando o original sai por R$ 12,99, um preço bastante razoável por um produto claramente superior -e nem entro aqui na questão da ilegalidade das cópias. Para o pessoal, é diferente assinar um jornal ou uma revista, pois o papel “tangibiliza” esse dinheiro pago. No final das contas, paga-se pelo… papel, pela sensação de ser “dono” de algo, mesmo que amanhã você use esse seu investimento para forrar a caixa de areia do gato.

Admitamos ou não, isso funciona diferentemente na Europa e principalmente nos EUA, onde as pessoas se sentem naturalmente compelidas a pagar por algo que poderia lhes ser entregue de graça, mas que lhes traz algum benefício, mesmo intangível. Ademais lá o jornalismo tem um caráter historicamente mais comunitário que aqui: ele nasceu não puramente como um negócio, mas sim como um serviço a sua comunidade local, que, em troca, o abraça.

Arrisco que a solução desse nó górdio está em algum lugar nesse post, mas eu tenho as hipóteses, não tenho a resposta. E você?

Another one bites the dust

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Há três dias, publiquei um post aqui comentando sobre o crescente cumprimento do temor de que a Internet acabaria com a mídia impressa, citando o caso da morte do Rocky Mountain News. Quase caí da cadeira agora quando recebi, pelo feed da Editor & Publisher, a informação de que o também americano Tucson Citizen publicará sua última edição no dia 21 de março. O jornal, que foi citado no referido post, vai parar depois de 138 anos de jornalismo. Estava à venda desde janeiro, mas a Gannett Co. Inc., que controla o Citizen, não conseguiu compradores.

Outros grandes jornais dos EUA estão na berlinda. A Hearst Corp. já colocou uma marca de morte na testa do San Francisco Chronicle e do Seattle Post-Intelligencer: o segundo deve ser fechado no mês que vem se não conseguir um comprador. Já o Los Angeles Times, o Chicago Tribune e o The Philadelphia Inquirer pediram concordata recentemente.

Espero que eles tenham mais sorte que os colegas de Denver e de Tucson.

Conteúdo pré-pago (e pós-distribuído)

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Que tal um sistema que distribua o dinheiro que você der a todos os sites que você achar merecedores?

Que tal um sistema que distribua o dinheiro que você der a todos os sites que você achar merecedores?

Como escrevi nos posts anteriores, a indústria de mídia impressa, especialmente nos EUA, vive um ponto de inflexão, de onde alguns sairão fortalecidos, enquanto outros inexoravelmente quebrarão, como aconteceu recentemente com o sesquicentenário Rocky Mountain News, de Denver (EUA). O motivo é a dificuldade da chamada “mídia tradicional”, mais notadamente a impressa, de se adaptar ao Admirável Mundo Novo que a Web representa e, com isso, vê suas receitas sendo drenadas mais e mais.

Muita gente séria enxerga no micropagamento -resumidamente o usuário pagar poucos centavos por cada matéria que quiser ler- a salvação da viabilidade econômica do jornalismo de qualidade na Web. Mas, para isso, existem dois obstáculos a serem vencidos. O primeiro é que os moguls da mídia aceitem a inevitabilidade do fato de que seu produto virou commodity e que, como tal, seu preço no mercado despencou. O segundo é a criação de um sistema que permita ao internauta fazer essa compra de uma maneira muito, muito simples, tão facilmente (ou de preferência mais facilmente) quanto comprar uma música no iTunes.

Mas deve haver outras formas. Uma delas está sendo lançada por uma start-up californiana chamada Kachingle. A idéia é inovadora e boa, a ponto de arrancar elogios de Steve Outing, um dos maiores consultores de mídia dos EUA.

Eu a chamaria de “microprépagamento proporcional”. Como funciona? Você informa seus dados apenas uma vez, um registro universal que valerá para todos os sites de conteúdo que você visitar (pelo menos para aqueles associados da Kachingle). Depois você define voluntariamente quanto quer pagar pelo conteúdo que você consumir -a soma de todo ele- no mês. Por fim, quando visitar um site que você acha que mereça seu dinheiro, clica nele em um link do Kachingle uma única vez. Assim, informa ao sistema que aquele site é “elegível” de receber uma parte do seu dinheiro. E isso vale para tantos sites quanto você achar merecedores. Ao final do mês, a Kachingle soma a quantidade de visitas que você fez entre seus pré-aprovados e distribui proporcionalmente o dinheiro que você depositou entre eles. Como exemplo, se você visitou, ao longo do mês, a Folha Online 25 vezes, o Macaco Elétrico 15 vezes o Limão dez vezes, todos pré-selecionados, o primeiro receberá 50% do dinheiro que você reservou para conteúdo, o segundo 30% e o terceiro 20%. Outros sites pré-selecionados, porém não visitados, não receberão nada.

O sistema da Kachingle embute vários pulos do gato. Primeiramente, transforma o pagamento pelo conteúdo algo praticamente transparente para o consumidor. Em segundo lugar, é um sistema justo, onde quem é mais relevante para o usuário recebe mais dinheiro. Oferece ainda ao usuário a chance de definir quanto quer pagar pelo conteúdo que consumir, sem surpresas. Finalmente, permite que o internauta possa ler o mesmo conteúdo de uma maneira grátis e irrestrita, o que é bom para ele e também para os veículos, que passam a ter a chance de ganhar algo com esse usuário, nem que seja com uma mísera exposição de banners. No modelo atual, de conteúdo fechado, esse internauta é simplesmente perdido.

Parece tudo de bom, não é mesmo? Sem dúvida, mas, como diz o ditado, “as boas idéias morrem na execução”. A Kachingle é certamente uma alternativa viável e mais inteligente ao micropagamento, porém tudo isso ainda é especulação, mesmo nos EUA. De toda forma, esse debate é muito saudável e crítico para o futuro das empresas de comunicação. Meu medo é que, até que se descubra a fórmula, o jornalismo tenha sido destruído por constantes cortes em mão de obra e investimentos. No início de março, o diário espanhol ABC demitiu 238 de seus 456 profissionais, 84 deles na Redação. Nem relógio trabalha de graça.