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Lula diz que a Internet enfraquece a imprensa e, por isso, fortalece a liberdade

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[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=7nEbBfsHQEo]

Em sua fala no 10º Fórum de Software Livre, em Porto Alegre, no dia 26, o presidente Lula afirmou que a imprensa perdeu poder graças à Internet e que, por isso, vivemos um momento inédito de liberdade de informação. Não satisfeito, ainda insinuou que isso protegeria o país contra golpes perpetrados pelos grupos de mídia. O trecho do discurso onde solta essa pérola pode ser visto no vídeo chapa-branca acima, a partir dos 35 segundos:

“Finalmente este país está tendo o gosto da liberdade de informação. Sabe que eu penso que nós estamos vivendo um momento revolucionário da humanidade, em que a imprensa já não tem mais o poder que tinha alguns anos atrás. A informação já não é mais uma coisa seletiva, em que os detentores da informação podem dar golpe de Estado. A informação não é uma coisa privilegiada. O jornal da noite já ‘tá’ velho diante da Internet. O programa de rádio, se não for ao vivo, for gravado, já fica velho diante da Internet. O jornal fica hipervelho diante da Internet, e fica tão velho que todo jornal criaram (sic) blog para informar junto com os internautas do mundo inteiro.”

Desde então, tenho lido e ouvido coleguinhas esperneando contra mais essa declaração infeliz de Lula, ainda “magoados” pelo fim da exigência do diploma para exercício da nossa profissão.

Bom, como diz o ditado, nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Apesar de seu carisma, nosso presidente tem uma clássica dificuldade de expor idéias. É claro que Lula (e qualquer governo) prefere uma imprensa dócil, submissa e palaciana, coisa que ele nunca teve. E ainda bem, pois “nunca antes na história desse país” vimos tanta bandalheira no poder. Por mais que os grandes grupos de mídia tenham seus interesses econômicos e políticos (e eles tem), não podem ser configurados como golpistas por publicar os desmandos governamentais.

Acho sensacional que a Internet dê voz ao cidadão comum, de uma maneira “revolucionária”. Isso realmente é uma mudança de paradigma que não se via desde os tempos de Gutenberg, quando, graças a sua prensa, a informação deixou de ser “de poucos para poucos” e passou a ser “de poucos para muitos”. Agora, a coisa é “de muitos para muitos”. Mas, mesmo assim, apenas grupos de mídia fortes e organizados editorialmente são capazes de impedir que o governo faça o que bem entender. Lula falou demais…

O que a “Green Dam” quer barrar

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Para o governo do premiê Wen Jiabao, a pornografia provoca "sérios desvios de conduta e de moral" nos jovens chineses, por isso, deve ser bloqueada

Para o governo do premiê Wen Jiabao, a pornografia provoca "sérios desvios de conduta e de moral" nos jovens chineses, por isso deve ser bloqueada, mas será só isso mesmo?

Hoje era a data definida pelo governo chinês para que todos os computadores domésticos vendidos no país viessem com o software “Green Dam-Youth Escort” pré-instalados. Pela explicação oficial, o programa impedirá que crianças e jovens tenham acesso a pornografia e outros “conteúdos impróprios” na Internet. Na prática, pode impedir que o internauta acesse qualquer tipo de conteúdo online que desagrade o governo, como sites que promovam a democracia, a libertação ao Tibete ou contrários ao Partido Comunista.

Desde que foi oficialmente anunciado no dia 9, o “Green Dam” (literalmente “barragem verde”) vem causado uma enorme gritaria. A única fabricante que confirmou que cumpriria a determinação foi a Acer. Os EUA, a Comunidade Européia e a OMC (Organização Mundial do Comércio) pediram que o governo chinês retirasse a exigência, que representaria um “sério risco à segurança, privacidade e direito de escolha do usuário”. Na sua véspera, a data-limite foi postergada, em data ainda não informada.

A pornografia é considerada crime na China. Ainda assim, estima-se que metade dos jovens consome algum tipo de pornografia online. O governo afirma que “graves desvios emocionais e de conduta” se devem a isso e ao uso de games violentos. Por isso, a “barragem” protegeria crianças e jovens.

Conversa fiada de ambos os lados! Privacidade, liberdade de expressão e de escolha são coisas que não existem na cabeça dos governantes de Pequim. Por outro lado, os 316 milhões de internautas chineses são um mercado em que qualquer empresa quer colocar as mãos. O que o indivíduo realmente quer pouco importa.

O usuário supostamente poderá desinstalar o “Green Dam”. Por outro lado, pais também poderão ampliar a lista de sites censurados para seus filhos. Mas, na prática, quantas pessoas são capazes de fazer isso?

Acho esse software mais uma aberração governamental contra as liberdades individuais. Sou fortemente contrário a ele, não por causa dessa conversinha dos EUA e da Europa, mas por um posicionamento filosófico, íntimo. Os chineses deveriam continuar navegando livremente, limitados apenas pela sua boa educação e moral. Mas receio que o seu governo prefira o jeito mais fácil –e confortável– e o “Green Dam” logo inundará os computadores do pais.

Uma ressalva final: não pensem que só o “gigante vermelho malvado” quer controlar a Internet. Nos anos 1990, o Congresso dos EUA, berço da liberdade e blá-blá-blá-etc., quase aprovou o “Ato de Decência nas Comunicações”, que, na prática, censuraria fortemente o conteúdo publicado na Internet. E, se quiser algo mais próximo e mais recente, olhemos para o nosso próprio umbigo, com o Congresso Nacional brasileiro tramitando aquela que é conhecida como “Lei Azeredo”, que determina várias ações que, no mínimo, ferem as liberdades individuais.

Pois é: liberdade e educação sempre amedrontam os donos do poder.

Uruguai mostra como distribuir notebooks a alunos

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Recebi hoje o vídeo abaixo (em espanhol), que resume o processo de distribuição de notebooks educacionais aos alunos do Uruguai e seu estágio atual. Vale a pena investir nele 12 minutos do seu tempo.

[vimeo http://vimeo.com/2465202]

Mesmo considerando que o Uruguai tem uma escala muito menor que o Brasil -o que facilita imensamente a implantação de um projeto dessa natureza- o fato é que eles já têm 170 mil alunos individualmente com computadores (42,5% do total), 91% deles com conexão à Internet e 18 mil professores capacitados (ou em processo). Interessante também notar que a máquina adotada é o XO, do projeto One Laptop Per Child, de Nicholas Negroponte, que no Brasil não consegue vencer pregões do governo.

Mas o que me chamou mais a atenção é que as crianças efetivamente levam o computador para casa, exatamente a proposta original da iniciativa, visando a inclusão digital de toda a família. Sensacional! No Brasil, as máquinas deverão ficar restritas ao ambiente escolar, pois há um grande temor de roubo dos equipamentos. Foram criados dispositivos para desestimular esse crime, como o notebook ser automaticamente inutilizado caso não se conecte à rede educacional por um período de tempo razoável. Ainda assim, não deve mesmo ir além dos muros da escola. É uma pena, pois o Uruguai demonstra que a inclusão digital da família realmente acontece.

Só senti falta no vídeo de saber como é a experiência pedagógica com os equipamentos. A peça, muito bem editada com o intuito de ser uma bela propaganda, se resume a mencionar atividades que os alunos podem fazer com o equipamento, mas não como isso se integra ao dia a dia da sala de aula, o que é crítico e pode separar uma iniciativa bem-sucedida de um fracasso retumbante.

Enquanto isso, aqui no Brasil, o primeiro dos pregões, para aquisição de 150 mil máquinas, está empacado por disputas judiciais. Que lástima!

Schwarzenegger quer trocar livros didáticos por conteúdo digital na Califórnia

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Entre as propostas para substituir o livro didático, Schwarzenegger menciona o Facebook, o Twitter e até o conceito de open source, tudo para diminuir o déficit de US$ 24 bilhões do Estado

Entre as propostas para substituir o livro didático, Schwarzenegger menciona o Facebook, o Twitter e até o conceito de open source, tudo para diminuir o déficit de US$ 24 bilhões do Estado

O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, mais conhecido pelos seus papéis no cinema que por suas ações políticas (pelo menos para os moradores de fora do mais populoso Estado americano), anunciou uma iniciativa que visa substituir os livros didáticos usados nas escolas californianas por conteúdo estritamente digital. Em uma palestra a alunos na cidade de Sacramento, o ex-Conan republicano classificou os livros como “antiquados, pesados e caros”. “A Califórnia é sede do Vale do Silício. Somos líderes mundiais de tecnologia e inovação, por isso devemos ter isto em mente”, afirmou.

A idéia não é uma iniciativa pedagógica: é uma maneira para se tentar reduzir o gigantesco déficit orçamentário do Estado, que bateu nos US$ 24 bilhões. Nos EUA, o preço médio de um livro didático gira entre US$ 75 e US$ 100. A Califórnia gastou US$ 350 milhões em livros no último ano letivo. A ideia é começar a substituição já no início do próximo ano letivo, que lá começa em agosto.

“As crianças estão familiarizadas com a música digital, além de assistirem a televisão e a filmes online, entrando no Twitter e participando do Facebook”, disse Schwarzenegger. Ele chegou a sugerir o uso de ferramentas como essas no processo pedagógico, mas sem dizer como. A iniciativa está sendo supervisionada pela CLRN (sigla em inglês para Rede de Recursos de Aprendizagem da Califórnia). As obras substitutas podem até mesmo ser criadas sob o conceito do open source, com a autoria sob responsabilidade de voluntários.

Não sei… Isso pode funcionar bem na criação de notícias e até de enciclopédias, cujo maior exemplo de sucesso é a Wikipedia, mas, considerando-se o altíssimo nível de exigência para o material didático, algo nessa linha dependeria de uma supervisão muito forte. É efetivamente difícil de ser produzido. Que o diga o Governo do Estado de São Paulo, diante das recentes mancadas, que custaram a cabeça da secretária da Educação anterior, Maria Helena Guimarães de Castro. Há também uma questão pedagógica que –quero crer– os educadores californianos estejam atentos: é muito importante para os alunos –especialmente os menores– “registrar”, escrever em papel de verdade.

Por outro lado, simpatizo com a ideia do governador-Mr. Universo. É verdade que os livros didáticos custam muito dinheiro, não apenas para os Estados, mas também para os pais dos alunos que têm que desembolsar anualmente uma boa grana antes do começo das aulas. Para a classe média, que vive no fio da navalha, isso chega a abalar o orçamento doméstico. Qualquer iniciativa que reduza essa conta é, portanto, digna de análise. Do lado do aluno, os livros pesam… literalmente. Eu me lembro do exercício diário que eu fazia para carregar esse conhecimento de casa para escola e vice-versa. As mochilas com rodinhas atenuam o problema e algumas escolas oferecem armários individuais para que seus alunos deixem lá seus livros, mas eles continuam “antiquados, pesados e caros”.

Assim, por mais bizarra que possa parecer à primeira vista, a idéia tem seus méritos. Tomara que dê resultados ou pelo menos indique um caminho até um novo formato de conteúdo didático. A escola precisa se modernizar –e muito!– tanto do ponto de vista pedagógico quanto organizacional. Nesse sentido, os livros como os conhecemos realmente podem perder o seu lugar.

Enfim separados

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AOL e Time Warner, uma das fusões mais festejadas e catastróficas do mundo dos negócios, anunciaram a separação formal para que a primeira tente retomar o brilho perdido

AOL e Time Warner, uma das fusões mais festejadas e catastróficas do mundo dos negócios, anunciaram a separação formal para que a primeira tente retomar o brilho perdido

Hoje foi oficialmente anunciado o fim de um dos mais conturbados casamentos do mundo dos negócios: a America Online e a Time Warner irão oficialmente se separar. No processo, que deve ser concluído até o fim do ano, a segunda, já dona de 95% da AOL, comprará do Google os 5% restantes, convertendo tudo em ações da “nova” companhia online, que volta a ser negociada na Nasdaq.

A união durou quase uma década. Ela foi celebrada pouco antes do estouro da “bolha ponto-com”, que fez o valor dos papéis da então recém-criada AOL-Time Warner despencar, provocando a ira dos acionistas vindos do centenário grupo de mídia. Mas, muito além disso, o que tinha tudo para ser uma fusão de interesses empresariais brilhante demonstrou-se uma catástrofe corporativa por diversos motivos que não cabem aqui nesse post.

Pelo discurso oficial, a cisão dará a AOL a chance de tentar retomar pelo menos parte do seu brilho do passado. A empresa já foi maior que toda a Internet, criadora de conceitos que permeiam o nosso dia-a-dia, como mensagens instantâneas, e abriu a porta do mundo online para uma multidão em vários países. Ainda hoje, seus diferentes sites acolhem mais de 100 milhões de usuários únicos por mês, atingindo, de alguma forma, 91% da audiência online doméstica e representando o quarto destino na Internet mais visitado nos EUA. E, acreditem se quiser, ainda têm uns 10 milhões de usuários pagantes pelo serviço de acesso (!!).

Por outro lado, sua imagem ficou totalmente arranhada depois da fusão. A empresa é vista como um dinossauro digital, grande e lento, incapaz de inovar e que, por isso, come poeira dos concorrentes, mais notadamente do Google. A idéia é que, livre das amarras da Time Warner, um pessoal também não exatamente conhecido pela inovação ou arrojo em seus produtos, a empresa consiga ser mais ágil.

Algumas coisas já vêm acontecendo nesse sentido. O modelo de negócios, que à época da fusão privilegiava a assinatura de acesso, hoje migrou para a publicidade online dirigida. Por isso a empresa não pára de comprar sites e abrir outros tantos. Paralelamente, muitas cabeças estão sendo trocadas, e algumas das mais importantes vieram justamente do Google, inclusive o novo diretor de publicidade e estratégia, Jeff Levick, e o novo CEO, Tim Armstrong.

Se Armstrong, que tem nome de astronauta, conseguir reverter a espiral para baixo, ganha as estrelas merecidamente. A questão é saber se o divórcio  não veio tarde demais.

Não quero mais brincar de computador por aluno

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A Comsat, que representa a Encore, quer melar o pregão que venceu e que ainda pode lhe render mais de R$ 82 milhões

A Comsat, que representa a Encore, quer melar o pregão que venceu e que ainda pode lhe render mais de R$ 82 milhões

Parece bizarro, e talvez seja mesmo! A Comsat, representante no Brasil da indiana Encore, que ganhou em dezembro a licitação para a venda ao MEC de 150 mil laptops educacionais do modelo Mobilis, protocolou ontem uma ação no TCU (Tribunal de Contas da União) pedindo o cancelamento do pregão que venceu. Jackson Sosa, procurador da empresa, disse ao jornal Valor Econômico que eles “cansaram” de tentar dar prosseguimento à fase de testes de homologação do produto e que o Ministério da Educação estaria ignorando a companhia. “Não nos interessa mais levar esse processo adiante”, afirmou.

Sei… Você jogaria fora uma fatura de mais de R$ 82 milhões? É o que a Comsat está dizendo que quer fazer. Mas como escrevi em outro post aqui, no dia 5 de maio, o Mobilis teria sido rejeitado nesses mesmos testes, realizados pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Se isso se confirmasse, o que poderia acontecer a qualquer momento, o segundo colocado no pregão, no caso a CCE, com seu Classmate CM52C, seria chamada. Por outro lado, se o pregão for cancelado, todo mundo volta ao zero.

O MEC se defende e diz que já concluiu a sua análise, mas ainda assim enviou os equipamentos para o Inmetro para uma segunda opinião. E o tempo vai passando… Apesar de o computador por si só não resolver os problemas da combalida educação brasileira, a proposta do projeto UCA (Um Computador Por Aluno), versão tupiniquim do programa One Laptop Per Child, idealizado por Nicholas Negroponte, é bem-vinda e pode sim render bons frutos, especialmente à população carente, cujos filhos dificilmente têm acesso à informática. Ainda que não seja usado didaticamente, a simples inclusão digital já cria cidadãos melhores. Assim sendo, espero que o pregão seja mantido, mas que a CCE seja chamada logo! Não quero negar eventuais direitos da Comsat, mas esse seu comportamento é no mínimo suspeito, típico de quem quer ir para a casa com a bola só porque está perdendo na pelada.

Another one bites the dust… now

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Tucson não foi grande o suficiente para manter dois jornais impressos diários, a mesma conversa ouvida em Denver no fim de fevereiro

Tucson não foi grande o suficiente para manter dois jornais impressos diários, a mesma conversa ouvida em Denver no fim de fevereiro

No dia 16 de março, publiquei aqui no Macaco Elétrico um post comentando a notícia de que o Tucson Citizen fecharia as suas portas no dia 21 daquele mês, depois de agonizar por dois meses atrás de um comprador que acabou não aparecendo. Bem, na verdade o fim ainda foi prolongado por outros dois meses, até que a edição final fosse publicada apenas neste sábado, dia 16 de maio, 138 anos, sete meses e um dia após a primeira edição.

“Mudanças dramáticas em nossa indústria combinadas com dificuldades econômicas particularmente nessa região tornaram inviável a produção de dois jornais impressos diários em Tucson”, sentenciou Bob Dickey, presidente da divisão de publicações comunitárias da Gannett Co., proprietária do Citizen. Discurso semelhante já havia sido usado pela E.W. Scripps Co. ao anunciar o encerramento das operações do seu Rocky Mountain News, de Denver, no dia 26 de fevereiro, a míseros 55 dias de completar 150 anos de jornalismo. Lá, sobrou o The Denver Post, da MediaNews Corp, que acaba de anunciar que pretende restringir o conteúdo online de seus 53 jornais a usuários pagantes.

De volta a Tucson, a equipe do Citizen (e até mesmo alguns cidadãos) ainda procura uma maneira de manter o veículo vivo, mesmo que seja apenas online. Parece a repetição da história de ex-funcionários do Rocky que tentaram captar para si os espólios do finado em uma nova publicação exclusivamente digital, o InDenverTimes.com. Para isso, propuseram um modelo de assinaturas que não vingou, pois mais parecia um “patrocínio” de cidadãos simpatizantes que um modelo de negócios bem montado. Apesar do fracasso, ainda não desistiram e procuram agora outro modelo. Espero que sejam bem-sucedidos, servindo de inspiração aos colegas de Tucson e de todo mundo.

A turma do conteúdo fechado bate o bumbo

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Singleton engrossou o coro dos que querem restringir o conteúdo online a pagantes

Singleton engrossou o coro dos que querem restringir o conteúdo online a pagantes

Primeiro foi Rupert Murdoch, presidente da News Corporation, proprietária do The Wall Street Journal. Agora foi a vez de William Dean Singleton, presidente do conselho da Associated Press e CEO da MediaNews Corp, que publica 53 jornais nos EUA. Os dois são as mais proeminentes vozes do coro cada vez mais forte de publishers que pregam que não é mais possível oferecer de graça do seu conteúdo na Internet.

Isso contraria o senso comum vigente, que prega que novos modelos de negócios sejam perseguidos para compensar as quedas nas receitas publicitárias das edições impressas dos veículos. Apesar de a publicidade online estar aumentando, ela não cobre o rombo deixado pelas perdas do impresso.

No dia 7 de maio, Murdoch afirmou publicamente que a News Corp está desenvolvendo um sistema de micropagamento para que os internautas tenham a possibilidade de pagar individualmente por artigos ou serviços de seus veículos online, começando justamente pelo WSJ. No dia seguinte, Singleton enviou um memorando aos funcionários do MediaNews Corp pregando o mesmo caminho. O memorando foi republicado no mesmo dia na coluna de Jim Romenesko no site do Poynter Institute’s.

“Nós continuamos a praticar uma injustiça com nossos assinantes de impressos e a criar a percepção de que nosso conteúdo não tem valor ao colocar online todo o nosso conteúdo impresso de graça”, escreveu Singleton. “Isso não apenas erode nossa circulação impressa, desvaloriza a essência de nosso negócio –o grande jornalismo local que nós (e só nós) produzimos diariamente.”

Nesse momento de crise, é grande a chance dessa tendência de retrocesso vingar. Sem fazer muita força, parece mesmo que faz sentido. Mas, se você concorda com eles, permita-me discordar: acredito que se trata de um movimento de recrudescimento em torno da incapacidade de se adaptar a uma nova realidade econômica. Não estou dizendo, de forma alguma, que empresas ou profissionais trabalhem por amor à arte, pois nem relógio funciona de graça. Mas, ao fechar o conteúdo para tentar fechar o balanço, as empresas perdem a chance de levar seus produtos jornalísticos a um novo patamar, transformando-os em algo muito melhor para seus consumidores e as próprias companhias.

Modelos alternativos já existem e vêm sendo discutidos aqui mesmo nesse blog. Mas todos eles representam mudanças substanciais em questões essenciais das companhias. Admito que não são fáceis para qualquer um, principalmente para quem tem muito a perder. Espero, entretanto, que a inovação vença a resistência.

Download de filmes: legal, mas caro (e, por isso, tolo)

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A Saraiva largou na frente no download de filmes no Brasil, mas os preços altos podem matar a bela iniciativa

A Saraiva largou na frente no download de filmes no Brasil, mas os preços altos podem matar a bela iniciativa

A Livraria Saraiva anunciou hoje um serviço inédito no Brasil, que permite aos internautas fazer downloads de cópias legais de filmes com qualidade de DVD. Batizado de Saraiva Digital, imita serviços internacionais (mais notadamente o iTunes) e permite que o usuário alugue ou compre os filmes. A diferença entre as duas modalidades, além do preço (entre R$ 3,90 e R$ 6,90 no caso de aluguel), reside no fato de que, no modelo de aluguel, o filme não roda mais depois de 24 ou 48 horas e apenas a modalidade de compra permite queimar o filme em um disco.

Parabenizo a Saraiva pela iniciativa: acho que estão no caminho certo! Mas esses preços… Acompanhem o meu raciocínio:

O usuário será obrigado a baixar o filme, o que, de cara, já exige uma banda (bem) larga e muitas horas de download. Até aí, tudo bem, especialmente para aqueles que já são adeptos dos torrents da vida, baixando filmes ilegalmente. Depois, se quiser gravar em disco, precisa somar o custo da mídia. No final, ficará com um DVD com aspecto de pirata, sem extras, encarte, caixinha, nada.

Pois bem: entrei no novo serviço e vi o filme Juno, belíssima história. O download para compra sai por R$ 34,90. A Saraiva.com me entrega o DVD original, com tudo o que o download não me dá, no dia seguinte por… R$ 34.90. Ok, vamos ver outro filme: O Homem de Ferro, aventura com um dos super-heróis mais cafajestes (pelo menos o seu alter-ego) e divertidos que existem. Na Saraiva Digital, a compra me custa R$ 39,90, enquanto, na Saraiva.com, sai por… R$ 39,90! Procurei então na Americanas.com, concorrente direta da Saraiva.com. E esse mesmo DVD me era oferecido por R$ 19,90.

Aí fica difícil, né? Não sou tão desesperado a ponto de PRECISAR ver o filme imediatamente, sem poder esperar até o dia seguinte para a entrega do DVD e todas as suas vantagens sobre o download. Isso sem falar que a segundo opção não é instantânea, pois ela vai levar umas cinco horas fácil para ser concluída.

Uma das razões do sucesso do iTunes, que o transformaram no maior vendedor de músicas do mundo (superando o Wall Mart), é que o usuário pode comprar, com muita facilidade, apenas as faixas musicais que ele quer, sem precisar levar o álbum inteiro. Além disso (e isso é crítico), cada uma sai por míseros US$ 0,99. Esse valor é baixo o suficiente para “sair na urina” do cartão crédito.

Como disse, a Saraiva mandou bem com a iniciativa. Mas tem que ficar mais barato. Não apenas que a concorrência, mas que ela própria.

WSJ abraça o micropagamento enquanto rejeita Kindle

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Murdoch não está surdo aos movimentos do mercado: adotará o micropagamento e deve lançar seu próprio e-reader em breve

Murdoch não está surdo aos movimentos do mercado: adotará o micropagamento e deve lançar seu próprio e-reader em breve

Enquanto a indústria de mídia discute e discute qual será o seu modelo de negócios do futuro, especialmente para o impresso, o The Wall Street Journal anunciou que está criando um sistema de micropagamento que permitirá que pessoas que não assinem o seu serviço acessem notícias e artigos individualmente, pagando por cada um. Além disso, lançará um serviço Premium que oferecerá o serviço noticioso da Dow Jones. Em tempo: o WSJ é dono de um dos poucos bem-sucedidos casos de assinatura paga na Web, com mais de um milhão de usuários desembolsando US$ 100 por ano pelo acesso.

Rupert Murdoch, dono da News Corporation, que, por sua vez, é dona do WSJ, anunciou que o modelo deve ser ampliado para todos os jornais do grupo. Para o mogul das comunicações, a era do conteúdo online grátis logo acabará. Murdoch lidera a resistência dos descontentes com o jeito que a notícia virou commodity com a Internet e condena serviços como o Google News, que cria publicações agregando conteúdos de diferentes fontes.

A metralhadora giratória não poupa nem o Kindle, que acaba de ter uma terceira versão –a DX– anunciada e vem ganhando manchetes como uma possível maneira de se distribuir os “jornais do futuro”. Tanto que o The New York Times –concorrente da News Corp– é uma das estrelas de seu portfólio. “Não vamos dar o nosso conteúdo à boa gente que produz o Kindle”, disparou Murdoch recentemente.

Isso não quer dizer que ele seja contra os e-readers, como o produto da Amazon. Na verdade, o próprio empresário já ventilou que seu conglomerado de mídia estaria desenvolvendo o seu próprio equipamento. Claro, ele não quer dividir a sua margem com outros: o mercado especula que a Amazon fique com 70% do valor das assinaturas de periódicos baixados e lidos pelo Kindle. Nesse sentido, a resistência de Murdoch é compreensível. Mas a News Corp terá força para, por si só, criar uma alternativa viável de produto? De todo jeito, teria que se associar a algum concorrente da Amazon, pois, por mais que confie na qualidade e relevância de seu conteúdo, ele não é suficiente para abocanhar uma fatia significativa desse mercado. A própria Sony, que já está na estrada com o Reader, pena para fazer frente ao Kindle.

Claro, são apostas.Murdoch está fazendo as deles corajosamente, mas muita água ainda vai passar por baixo dessa ponte. Ele está certo em se posicionar logo e, se as suas idéias se transformarem no modelo vencedor, a News Corp aumentará a sua influência de uma maneira decisiva.

Para Bezos, Kindle pode salvar jornais em um mundo com menos papel

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Bezos sugere que os jornais "migrem" para seu Kindle a preços mais baixos

Bezos sugere que os jornais "migrem" para seu Kindle a preços mais baixos

Jeff Bezos é um sujeito singular. Ele ficou milionário apostando no comércio eletrônico já em 1994, quando o termo ainda nem havia sido criado. Graças a sua visão de futuro, transformou a Amazon não apenas na maior livraria do mundo (sua origem), mas também na maior vendedora de música e na maior loja de departamentos. Agora ele quer repetir a dose com seu e-reader, o Kindle. Ele espera se firmar como líder no nascente (e cada vez mais explosivo) mercado de livros digitais. Mas também começa a oferecer uma possível saída para a combalida indústria de mídia.

No dia 6 de maio, deu uma nova cartada nessa direção, anunciando o Kindle DX, terceira versão do produto, que vem a público apenas dois meses depois do lançamento do Kindle 2, que continuará sendo vendido. A novidade traz recursos muito interessantes, como a possibilidade de conexão por redes WiFi (e não mais apenas por conexões de celular 3G), o dobro de memória (4 GB, suficientes para guardar, de uma só vez, uma média de 3.500 livros) e a possibilidade de se ler os textos na vertical ou na horizontal, simplesmente rotacionando o equipamento, como acontece com o iPhone. Mas o que chama mais a atenção é a sua tela de 9,7 polegadas, o dobro da do Kindle 2 e quase o tamanho de uma folha de revista. Ok, custa mais caro: US$ 489 contra US$ 359 do Kindle 2.

De todos os recursos do Kindle DX, o que mais chama a atenção é o tamanho da sua tela

De todos os recursos do Kindle DX, o que mais chama a atenção é o tamanho da sua tela

A telona é muito bem-vinda para ler as versões de revistas e jornais para o e-reader. Já estão disponíveis assim as edições diárias de 37 jornais e 28 revistas de seis países, incluindo o The New York Times, a Time e a Newsweek. Mas o que mais chama a atenção é que essas assinaturas digitais podem custar até metade da assinatura do mesmo conteúdo impresso!

Isso faz todo o sentido, já que se elimina o gigantesco custo da impressão. Neste blog mesmo, já havia comentado o interessante exercício feito por Nicholas Carlson, do The Business Insider, que calculou (grosseiramente) que um Kindle 2 custaria metade que o necessário em papel para se imprimir um ano do The New York Times para cada um de seus assinantes. O mesmo jornal anunciou que, até junho, oferecerá assinaturas a preços reduzidos para as cidades onde não há distribuição da versão impressa.

Não sei se Bezos conseguirá repetir seu sucesso com o Kindle, apesar de o produto estar sendo bem recebido. A concorrência está se mexendo (o principal rival é o Reader, da Sony), mas há rumores de que a Apple está preparando o seu produto e que a News Corp, de Rupert Murdoch também entraria nesse mercado. Mas a idéia de os jornais terem, como alternativa, “migrarem” para essa nova plataforma é sem dúvida nenhuma interessante.

(Nenh)um Computador por Aluno

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O equipamento indiano deve ser desclassificado por não atender às especificações do edital, mas ninguém se lembra de treinar os professores?

O equipamento indiano deve ser desclassificado por não atender às especificações do edital, mas ninguém se lembra de treinar os professores?

O leilão para compra de 150 mil notebooks educacionais para 300 escolas públicas de todo país deve fazer água de novo. Dessa vez, o modelo Mobilis, da indiana Encore, foi extra-oficialmente rejeitado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do Ministério da Educação, por não atender às especificações.

O mercado aguarda agora a confirmação oficial do MEC, mas a Comsat, representante da Encore no Brasil, já promete recorrer. Se se confirmar a desclassificação, a segunda colocada, a CCE, vence o pregão. Cada Mobilis foi oferecido a R$ 553, enquanto o Classmate da CCE, batizado de CM52C, sairia por R$ 666,60 a unidade. Muito acima, portanto, dos US$ 100 sugeridos por Nicholas Negroponte quando instituiu o programa One Laptop Per Child, que gerou no Brasil o Um Computador Por Aluno (UCA), “motivador” do referido pregão.

Na verdade, o buraco é mais embaixo. Não quero diminuir a importância de iniciativas como o UCA. Muito pelo contrário: acredito plenamente que o uso consciente de tecnologia pode auxiliar –e muito– o processo educacional. Mas as escolas são bastiões contra novidades, infelizmente. E, na linha de frente da resistência, estão os professores, despreparados e desmotivados. Completando esse quadro, estão desencontros do próprio governo –que promove patacoadas como liberar acesso à Internet a escolas que não têm computadores– e dos gestores das escolas –que mantém equipamentos trancados com medo de que sejam quebrados pelo uso ou até mesmo roubados.

Tenho conversado com muitos professores e gestores de escolas sobre o uso da tecnologia. Falo também com pesquisadores e empresários do setor no Brasil e lá fora. Está muito claro que de nada adianta despejar computadores em escolas com o perfil acima. Os alunos até seriam beneficiados em um processo de inclusão digital, pois, muito mais que seus mestres, eles são bem adaptados à cybercultura, mesmo em comunidades mais carentes (dentro de limites, claro).

Mas as máquinas não seriam ferramentas pedagógicas. Isso só acontecerá com software realmente educacional (pouco disponível no Brasil) –e não uns arremedos na tela de material impresso– e com o preparo dos professores e das escolas. E aí está o grande desafio, pois não é só transformar o professor em um apertador de botões. Ele continua sendo o principal ator do processo. A tecnologia pode ser uma formidável aliada na sala de aula, mas só depois de o professor se apropriar dela, trazendo-a para a sua aula, o seu dia a dia.

“Uso mais que justo”: remunerado

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O Google e a mída: quem carrega quem?

O Google e a mída: quem carrega quem?

Na última reunião anual da Associação de Jornais da América, Eric Schmidt, CEO do Google, defendeu, em sua palestra, que o Google News ajuda os jornais, conduzindo gratuitamente tráfego para seus sites. Assim, os veículos faturariam com publicidade em suas páginas. Seria, portanto, um “uso justo” de porções desses conteúdos para viabilizar o Google News, tentando diminuir a crescente gritaria de que o serviço estaria pirateando trabalho alheio em seu único benefício.

Esse é seu ponto de vista.

No meu post Limites do “uso justo”, no dia 16, analisei essa idéia. Ela é legítima e pesquisas subsidiam e idéia de Schmidt. Só há uma falha nesse raciocínio: por mais que os internautas caiam nas páginas dos veículos, isso não é suficiente para salvá-los do atual desastre econômico. Apesar de o CEO do Google ter parecido arrogante para muitos (e talvez tenha sido mesmo), sou obrigado a dizer que os responsáveis por esse fracasso da mídia na Internet são as próprias casas editoriais, que sempre menosprezaram suas publicações online. Muitas ainda fazem isso, mas agora, com a água no pescoço, bradam palavras de ordem contra a inevitabilidade dos fatos online.

Maureen Dowd, colunista do The New York Times, resumiu esse sentimento em um artigo publicado no último dia 14. Em determinado ponto, ela escreveu: “por que o Google não nos assina um gordo cheque por usar as nossas histórias, de modo que possamos manter salários e balanços e continuemos a oferecer ao buscador nossas histórias?”

Bom, esse é outro ponto de vista válido.

E então vem o renomado consultor de mídia Steve Outing, com quem costumo concordar, e sugere em seu blog que o Google News passe a exibir mais publicidade (hoje ela é bem tímida), distribuindo uma porcentagem de seus ganhos aos provedores de conteúdo que forem clicados em cada uma das páginas do serviço. Dessa forma, o Google ajudaria, segundo Outing, os jornais a saírem da lama em que se encontram e evitaria um movimento non-sense de muitos dinossauros da (grande) mídia, que querem fechar o seu conteúdo apenas para assinantes, algo que não interessaria ao internauta ou ao próprio Google.

Dessa vez, concordo apenas parcialmente com Outing. Não acho que caiba ao Google -ou a qualquer um- salvar jornais de sua própria incompetência econômica. Tampouco gostei do tom quase ameaçador do tipo “ajude-os ou você ficará sem conteúdo”. As coisas não funcionam assim.

O bom jornalismo é algo crítico para todas as sociedades. Sem ele, nossa cidadania se reduz gradativamente. Felizmente a crise atual não acabou com ele: dos recém-entregues Prêmios Pulitzer, muitos foram para alguns dos veículos mais afetados pela situação da economia. O The New York Times levou cinco deles, seu segundo melhor desempenho da história, apesar do prejuízo de US$ 74,5 milhões anunciado na semana passada.

O gigante de buscas já tem acordos com a Associated Press e com a France Presse pelos seus conteúdos usados no Google News. Os jornais podem aprender muito com a turma online sobre como ganhar dinheiro nesse novo cenário econômico. Mas precisam se despir de preconceitos e de idéias vetustas que os levaram ao buraco em que estão.

AOL prepara a sua volta ao Brasil

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Diversos produtos da AOL, como seu e-mail, já foram localizados (de novo) para o Brasil

Diversos produtos da AOL, como seu e-mail, já foram localizados (de novo) para o Brasil

Ainda estamos em abril, mas essa não é uma notícia do dia 1º. A AOL está mesmo com planos de desembarcar novamente em território brasileiro ainda nesse ano, assim como em outros países da América Latina. Na verdade, a coisa já está correndo na miúda, mas não exatamente em segredo, uma vez que páginas e serviços em português (do Brasil) já estão publicados na Internet.

Para quem não se lembra, a AOL encerrou suas atividades no Brasil em março de 2006, seis anos e estimados US$ 250 milhões de dólares depois de desembarcar por aqui com a promessa de repetir localmente a sua então fórmula vencedora. Uma série de decisões desastradas enterraram os planos da empresa, cuja base final de 130 mil assinantes pagantes foi vendida ao Terra por um valor relativamente baixo.

O inusitado movimento de volta acontece embalado pela mudança do modelo de negócios da companhia, que ainda funciona como provedor de acesso para 6,9 milhões de assinantes nos EUA, mas que vem gradativamente se tornando um portal de notícias e serviços desde 2007. No início deste ano, a empresa lançou uma nova unidade, batizada de MediaGlow, que concentra essas iniciativas e promete lançar mais de 30 sites ainda neste ano. Sua tarefa inglória é reverter a queda nas receitas: no último trimestre de 2008, elas somaram US$ 968 milhões, ainda respeitáveis, mas que representaram uma retração de 23% frente ao mesmo período de 2007.

“Se você for aos sites do México, Argentina e agora Chile, Colômbia, Venezuela e Porto Rico, já encontrará uma boa oferta de conteúdo e versões recentes dos produtos”, contou-me um executivo envolvido com o processo, mas que não se identifica por não estar autorizado a dar declarações. “A idéia era ter esforços comerciais locais, mas a crise brecou todas essas boas intenções. Mas estou certo que elas serão revisadas no fim desse ano ou no começo de 2010”, concluiu.

A bandeira brasileira já é uma das 38 que aparecem na página da AOL Internacional. O principal serviço já liberado em português é seu e-mail, que oferece espaço ilimitado e outros recursos interessantes. Para criar a conta -gratuita- é só ir para webmail.aol.com.br, já em português. O AOL Busca (empurrado pelo Google) e o agregador My AOL (semelhante ao iGoogle) também já ganharam versões brasileiras, em páginas cobranded com a HP (outra coisa pitoresca, a se apurar). O domínio aol.com.br foi revalidado no Registro.br no último dia 22, sob responsabilidade de Jobelino Locateli, executivo especializado em dar consultoria a empresas internacionais que atuam no Brasil.

O que agora eu quero saber é qual será o resultado de tudo isso, ou pelo menos o que a AOL espera dessa sua segunda investida no mercado brasileiro. Na primeira, ela saiu bastante chamuscada pelas labaredas da grana que queimou por aqui.

Não deu… não daquele jeito

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Pois é, Alex, o modelo de assinaturas não deu certo, mas existem outros!

Pois é, Alex, o modelo de assinaturas não deu certo, mas existem outros!

Esse post é uma atualização do post “Jornalistas salvando jornais“, de três dias atrás. Nele eu mencionei a iniciativa de 35 ex-jornalistas do recém-finado Rocky Mountain News que decidiram lançar um site para tentar ocupar, na Internet, o espaço que o Rocky deixou no jornalismo local de Denver. Nada de papel: apenas online. Para que desse certo, eles calcularam que precisariam de 50.000 assinantes que pagassem US$ 4,99 por mês. O conteúdo do InDenverTimes.com é irrestritamente aberto: os pagantes teriam o privilégio de “fazer parte” do produto, participando de ferramentas de criação de comunidades e, o que mais me chamou a atenção, tendo acesso direto aos jornalistas.

Apesar de criativo, questionei no post anterior que talvez isso não fosse o suficiente em um momento em que as pessoas justamente consomem mais conteúdo que nunca, mas que paradoxalmente não querem mais pagar por ele. E foi o que aconteceu: o deadline que o próprio site se deu para arrebanhar os assinantes foi ontem, quando o Rocky completaria 150 anos. E não deu: não atingiram essa meta.

“Nós acreditamos que existe dinheiro no jornalismo local, feito por jornalistas locais, e que há um oportunidade única em Denver com o fim do Rocky Mountain News”, disse David Milstead, jornalista de economia e um dos criadores do inDenverTimes.com. A equipe buscará agora viabilizar a publicação com modelos de negócios alternativos.

E devem mesmo. O jornalismo local é o jornalismo em sua forma mais essencial (em diferentes acepções da palavra). Em um cidade de quase 600 mil habitantes, como Denver, um único jornal local -no caso, o The Denver Post- é muito pouco. E modelos alternativos também existem. Para um veículo que já se mostrou disposto a inovar na parte editorial, há espaço para inovarem também no seu modelo de negócios.