Category Archives: Tecnologia

Deitados em berço esplêndido

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Enquanto nos EUA vemos os próprios jornalistas arregaçando as mangas e queimando os miolos para salvar os veículos onde trabalham ou pelo menos os seus próprios empregos, no Brasil, as coisas aparentam conforto. Isso estará associado à “marolinha”?

Não há dúvida que a situação da mídia, especialmente a impressa, está muito mais confortável aqui que nos EUA, que atravessa a maior crise da sua história. Segundo o Projeto Inter-Meios, do Meio & Mensagem, em outubro de 2008, os jornais abocanharam R$ 304,6 milhões em publicidade, que representam 4% de aumento em relação do outubro de 2007. As revistas levaram R$ 204,5 milhões no mesmo mês, alta de 9% sobre o ano anterior.

Apesar dos números para cima, os investimentos estão congelados e o facão já passou em várias Redações nesse ano. Revistas e jornais estão mais finos e com conteúdo editorial pior, em parte pelo sacrifício de pratas da casa em favor da contratação de focas, mais baratos.

Então por que ninguém se mexe? Será que necessitamos chegar à beira do abismo, a exemplo da Gringolândia, para colocarmos a massa cinzenta para funcionar?

Receio que o problema seja outro: falta coragem para se mexer em time que está “ganhando”. A mídia impressa continua sendo uma máquina bem azeitada, com faturamentos respeitáveis, que mantém vivas suas casas editoriais. Para seus diretores, que receberão seus gordos bônus mantendo o status quo, não importa que suas equipes de conteúdo digital continuem sendo apenas “a turma da Internet”. Mas o que me dá mais medo é que os colegas que estão na linha de frente da Redação pensem o mesmo e façam de tudo para que nada mude. Naturalmente, eles também não são avaliados pela performance do produto online.

É uma pena muito grande. Como falei no post anterior, 35 ex-jornalistas do agora defunto Rocky Mountain News estão tentando criar um veículo totalmente online para ocupar o lugar do finado periódico. Mas estão tentando fazer isso agora, ao invés de ter arriscado quando o Rocky ainda rodava. Quem é o culpado pelo imobilismo anterior?

Citando novamente o Inter-Meios, a única mídia que teve um crescimento expressivo no ano passado foi a Internet, cujo faturamento de outubro de 2008 foi 45,5% superior ao de outubro de 2007. Lamentavelmente, ela representa ainda apenas 3,5% do bolo publicitário, mas isso poderia ser certamente muito maior, se houvesse mais atitude dos envolvidos.

Jornalistas salvando jornais

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O InDenverTimes.com, publicação online criada por ex-jornalistas do Rocky, precisa arrebanhar 50 mil assinantes para que deixe de ser beta

O InDenverTimes.com, publicação online criada por ex-jornalistas do Rocky, precisa arrebanhar 50 mil assinantes para que deixe de ser beta

“A necessidade é a mãe das invenções.” O velho ditado explica bem algo que vem sendo observado nos EUA diante da crise vivida pela mídia, especialmente o jornalismo impresso. Lá, jornalistas estão tentando salvar os veículos onde (ainda) trabalham ou tratando de ressuscitar aqueles que já deixaram de circular. E vêm fazendo isso de maneira mais criativa e mais ousada que os donos do próprio negócio jamais pensaram.

Talvez façam isso porque profissionalmente não correm muitos riscos, pois seus empregos já viraram fumaça ou já estão em chamas no modelo de negócios atual. Mas o fato é que os colegas estão se mexendo, enquanto os moguls ficam se debatendo em torno de formas que garantiriam uma sobrevida a seu negócio, de preferência sem realizar grandes mudanças.

Aí reside o problema: chegamos (especialmente a mídia na Gringolândia) a um ponto em que mudanças de monta se fazem necessárias. Por conta do imobilismo, jornais estão fechando suas portas ou pedindo concordata. Os que sobrevivem -e isso certamente vale para a mídia impressa brasileira- estão cada vez mais finos, previsíveis e rasos em sua qualidade.

Qual a saída? A Redação do Star Tribune, em concordata há três meses, não sabe, mas não teve vergonha de vir a público para perguntar. Lançaram uma campanha pública, o Save the Strib. O objetivo do site é sensibilizar a população e eventuais interessados em comprar o jornal, para que ele não morra. Criou um abaixo-assinado e pede idéias e sugestões aos internautas, além de propostas de aquisição.

A novidade aí está na coragem da iniciativa. Mas há outros casos mais interessantes aparecendo em diversas regiões nos EUA. Em Denver, por exemplo, 35 ex-jornalistas do recém-finado Rocky Mountain News juntaram-se a três investidores e criaram o InDenverTimes.com. Atualmente em beta, o lançamento oficial está marcado para o dia 4 de maio, mas isso só acontecerá se conseguir juntar, até o dia 23 de abril (ou seja, quinta), pelo menos 50 mil assinantes dispostos a pagar US$ 4,99 por mês pelo produto. Longe de ser uma coincidência, essa data marcaria o 150º aniversário do Rocky, caso ele tivesse sobrevivido.

O conteúdo do veículo é completamente livre. O que os assinantes ganham? A possibilidade de conversar em tempo real com os jornalistas e também participar da comunidade em torno do site, como fóruns, comentando notícias e por aí vai. Em resumo, de fazer parte da publicação. O desafio da equipe é criar um produto pelo qual os cidadãos de Denver queiram pagar. E é um tremendo desafio, pois eles não conseguiram fazer isso no finado Rocky, impresso ou online. E, se por um lado US$ 5 parece nada, por outro passamos por um momento em que as pessoas cada vez menos querem pagar pelas notícias que consomem.

Para deixar o pacote mais suculento aos assinantes, a publicação promete a maneira de pensar do mundo ponto-com, afastando-se da arrogância típica da “mídia tradicional”, em que os jornalistas estão “acima de tudo e de todos”, dizendo o que é importante para os seus leitores (para dizer o mínimo). A cobertura passa a ter rosto: os jornalistas são pessoas próximas dos internautas, como eles, ao lado deles.

Honestamente, não sei se isso será suficiente para a turma arrebanhar os seus 50 mil assinantes. Como são nomes conhecidos (e muitos deles queridos) da população de Denver, uma cidade de quase 600 mil habitantes, talvez consigam, nem que seja a título de “colaboração” nesse primeiro ano. Mas como será no segundo ano?

De qualquer forma, é uma aposta válida, no mínimo por demonstrar que jornalistas podem fazer muito mais que aquilo a que costumam ser limitados nas grandes Redações e para deixar claro que o jornalismo ainda é um negócio viável.

Pirataria: questão política ou de mercado?

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Será que os "piratas" do The Pirate Bay são piratas mesmo?

Será que os "piratas" do The Pirate Bay são piratas mesmo?

A Justiça sueca condenou nesta sexta Frederik Neij, Gottfrid Svartholm Warg, Carl Lundstrom e Peter Sunde, ligados ao site The Pirate Bay, a um ano de prisão e ao pagamento de uma multa de US$ 4,5 milhões. Eles eram acusados de violação de direitos autorais pelo site, o mais importante do mundo no quesito troca de arquivos de áudio e de vídeo, a maioria protegidos por direitos autorais.

Os quatro ainda têm direito a recorrer da sentença de primeira instância, mas já declararam que não pagarão a multa. “Mesmo que eu tivesse dinheiro, eu preferiria queimar tudo o que tenho e não lhes daria nem as cinzas”, disse Sunde, que classificou a sentença de “bizarra”. Eles se defendem argumentando que os servidores do site não guardam sequer um arquivo protegido por copyright, apenas os torrents que ajudam os usuários a encontrá-los pela Internet.

Os representantes da indústria fonográfica comemoraram o resultado, como um exemplo para desencorajar a pirataria, uma guerra cada vez mais inglória, que começou com o processo que soterrou o Napster -o primeiro de todos os compartilhadores de arquivos- em 2001. A queda nas vendas de CDs caem abruptamente desde então, abrindo espaço para lojas virtuais, cuja mais famosa é o iTunes, da Apple, e para a pirataria de CDs nos camelôs. Nesse cenário, quem está se tornando obsoletas são as gravadoras e as grandes distribuidoras de discos (isso sem falar das lojas físicas).

Rickard Falkvinge, líder do Piratpartiet, partido político sueco que é contra o copyright, classificou o julgamento como político, e não criminal. “Os eventos de hoje fazem do compartilhamento de arquivos uma questão política quente e nós vamos levar isso ao Parlamento Europeu”, prometeu.

Não estou colocando em questão que produtores de conteúdo de qualquer natureza deixem de ser remunerados: eu mesmo sou produtor de conteúdo e tenho que garantir o leitinho das crianças. O que vem acontecendo -primeiramente com a indústria de entretenimento e mais recentemente com a mídia- é que modelos de negócios consagrado estão morrendo. Está claro que, quanto mais os detentores desses direitos apertam os “piratas” (na verdade, seus consumidores), mais seu controle da situação se esfarela por entre seus dedos.

É o fim dos direitos autorais então? Produzir conteúdo só poderá ser algo feito como hobby? Claro que não! Mas temos que ter coragem de olhar para uma nova realidade, sairmos de nossa zona de conforto e descobrir como nos reposicionarmos, pois os novos modelos já estão por aí.

Só para ficar na indústria do entretenimento, que motivou a prisão da turma do The Pirate Bay, quem já descobriu um modelo alternativo e está se dando muito bem com ele são as bandas do chamado “tecnobrega”, cujo maior expoente é a Calypso. A banda paraense, originária de uma região de alto índice de pirataria, produz e vende diretamente seus CDs a preços popularíssimos, eliminando assim a pirataria de seus álbuns quase completamente. Afinal, por que comprar um CD pirata se o original custa o mesmo? Com seus CDs assolando o mercado, a banda arrasta multidões ensandecidas que lotam seus shows no Brasil inteiro.

Como dizem na música “Chama Guerreira”, “o que eu mais quero dessa vida é ver meu povo feliz cantar”. Eles estão no caminho certo: um caminho mais perto do The PIrate Bay que das grandes gravadoras.

Limites do “uso justo”

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O CEO do Google insiste na queda de braço do "uso justo" contra os executivos da indústria de mídia

O CEO do Google insiste na queda de braço do "uso justo" contra os executivos da indústria de mídia

No último dia 7, Eric Schmidt, CEO do Google, colocou o dedo na ferida: o Google News mais ajudaria que atrapalharia jornais, revistas e outras fontes de informações. Não é bem o que eles pensam. Na verdade, cresce o coro de executivos da mídia que acha que o serviço se apropria indevidamente de seus conteúdos para gerar a sua página de notícias automática. O Google rebate, afirmando que faz apenas “uso justo” (“fair use“) desse material alheio e que os jornais se beneficiam grandemente do tráfego que ele lhes gera, já que usa apenas pequenas porções de textos e imagens, remetendo os internautas aos sites de origem das notícias.

O discurso de Schmidt aconteceu em plena reunião anual da Associação de Jornais da América e foi seguido de perguntas relativamente comedidas da platéia, formada por líderes da indústria. O momento estava cheio de ganchos para a fala do CEO: a mídia -especialmente jornais dos EUA- está atravessando uma crise sem precedentes, com a bancarrota de vários títulos tradicionalíssimos, o Google começou a veicular anúncios no Google News e a Associated Press resolveu endurecer na proteção dos direitos de propriedade intelectual do material que ela distribui.

Essa discussão não é nova: em março de 2005, a France Presse processou o buscador, pedindo US$ 17,5 milhões de indenização pelo uso de seu material no Google News. O processo foi arquivado dois anos depois com um acordo entre as partes. Os detalhes não foram revelados, mas o Google News pôde continuar publicando material da agência francesa. Um ano antes disso, um acordo semelhante já havia sido firmado com a Associated Press (que nem chegou a processar o Google). E essa briga também remete a outro assunto que já rendeu acalorados debates, mas anda em baixa: o “deep linking“, que significa um site apontar diretamente para matérias ou artigos de outros sites, ignorando suas home pages. Exatamente como fazem os links nesse post, por exemplo.

A discussão atual gira em torno do que é “uso justo” do material de terceiros. Assim como no Brasil, nos EUA é legalmente aceitável usar porções limitadas de produtos alheios (até mesmo de concorrentes), dentro de condições específicas. Um exemplo clássico é o uso de até três minutos de imagens esportivas geradas por emissoras de TV nos programas jornalísticos de outros canais.

Porém, como acontece sempre que existe um juízo de valor envolvido, o limite entre “uso justo” e uso indevido é tênue. O próprio Schmidt disse no evento que isso depende da escola que o jurista seguir, mas fez questão de acrescentar que, na dúvida, a balança deve pender para o lado do consumidor. Nas entrelinhas, jogou a batata quente no colo dos donos de jornais: se não concordassem, poderiam ser taxados de anacrônicos e  contrários aos interesses dos internautas.

Os executivos, por outro lado, sentem-se pressionados para manter suas operações -mais que rentáveis- vivas em meio à crise. Muitos pensam em fechar o seu conteúdo, indo na contra-mão da indústria, outros estudam a adoção de micropagamento ou de outros modelos alternativos. Nesse cenário de incertezas, o Google News pode, em suas visões, ameaçar o “controle” dos produtores de conteúdo.

Então vem o Google e argumenta que, qualquer que seja o modelo de negócios adotado, ele é o maior parceiro do produtor de conteúdo, pois nada lhe geraria mais tráfego individualmente que o Google News e sua tradicional busca. E ele tem razão. Estudo realizado pela empresa de pesquisas Hitwise Intelligence mostra que, de todo o tráfego dos sites de notícias em março, 21,69% foi gerado pelo Google e outros buscadores. Os executivos da mídia sabem disse e declaram que não querem perder um “parceiro” tão importante.

Apenas não querem fornecer o conteúdo para que ele crie as páginas que lhes geram esse tráfego…

O botão milagroso

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Clique no botão, assine a revista e salve-a de um destino pior que a morte

Clique no botão, assine a revista e salve-a de um destino pior que a morte

As muitas revistas de uma grande editora onde já trabalhei vêm sofrendo há bastante tempo o mesmo que se observa por aí no mercado: redução nas tiragens, queda na receita publicitária e com assinaturas e diminuição das vendas em bancas. Desde que surgiu, a Internet é apontada internamente como grande vilã desse cenário, o que aliás impede que a empresa invista com seriedade nessa “nova mídia”, temendo que seus próprios sites “canibalizem” (esse é o termo usado) as revistas, roubando-lhes leitores.

Nesse cenário de muita preocupação dos executivos da casa, vira e mexe eles surgem com uma ideia brilhante. Nos últimos dias, foi decretado que os sites de cada publicação deveriam dar destaque ao “botão assine”, aquele que convida o internauta a assinar a revista em papel. E aí vale tudo: jogar o botão para o alto, pintar o bichinho de vermelho e fazê-lo piscar, transformá-lo em uma animação espalhafatosa. Se poluir ainda mais o já complicado layout, azar.

É a típica visão distorcida dos fatos. Não que os sites não devam “ajudar” suas irmãs em couché, mas o buraco é mais embaixo. Conversando com uma gerente de assinaturas da mesma editora, ela confidenciou que, apesar dessa histeria das Redações diante da “ameaça digital”, que já dura anos, até hoje a Web não provocou diferenças significativas nas vendas de assinaturas e em bancas. Sim, é isso mesmo que você leu! Quem está maculando esses números, segundo ela, são o aumento do preço de capa e a redução dos descontos nas assinaturas.

Na verdade, ela tem uma visão parcial da coisa. Esses ex-consumidores de revistas continuam consumindo informação, mas em outro lugar. E esse lugar é justamente a Web. Eles deixam de investir em papel para consumir o mesmo material jornalístico (ou ainda melhor) em outra mídia, que oferece isso de maneira mais cômoda e mais barata, até de graça.

Daí vem o povo com a história do botão milagroso… Como dizia um velho amigo, “o pior cego é o que não quer ouvir”. Quantos títulos deverão ser fechados antes de pararem de enxergar seus sites como meros complementos das revistas e canais de venda de polpa de madeira impressa?

As blogueiras do sexo

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A Internet pode liberar as nossas mentes, mas a sociedade nem sempre está pronta para aceitar o que temos a dizer

A Internet pode liberar as nossas mentes, mas a sociedade nem sempre está pronta para aceitar o que temos a dizer

“Eu penso em sexo constantemente. Aquela coisa de os caras pensarem nisso a cada oito segundos, eu tenho uma pergunta: e quanto aos outros sete? Eu certamente sei no que estou pensando durante esse tempo.”

A declaração está no fim do primeiro post do blog Girl With a One-Track Mind, datado do dia de Ano Novo de 2004. A autora, Abby Lee, acabara de criar sua pequena publicação descompromissadamente, como acontece com a quase totalidade dos blogs. Ela adorava sexo, pensava nisso o tempo todo e achou que, escrevendo sobre seus pensamentos, poderia liberar a sua mente um pouco. Poucos meses depois, Lee tinha um público fiel de 250 mil internautas. Após dois anos, bateu 2 milhões de leitores no mês e foi eleito o melhor blog da ilha da Rainha.

Os posts de Girl With a One-Track Mind rapidamente evoluíram para descrições detalhadas dos encontros sexuais da autora. Mas o que atraiu essa multidão foi o fato de que não se tratava apenas de “mais um blog sobre sexo”. Lee, cujo verdadeiro nome é Zoe Margolis, uma típica balzaquiana londrina com uma vida regrada durante o dia, tinha muito a dizer sobre a sexualidade feminina e masculina, com inteligência e bom humor.

Lee e outras mulheres que deram asas na Web ao que ficou conhecido como “literatura do clitóris” foram as estrelas do documentário “As Blogueiras do Sexo”, que assisti ontem na série Selva Digital, na GNT. Em agosto de 2006, o blog foi transformado em um livro e o tablóide Sunday Times, que tentava incansavelmente “desmascarar” alguma dessas mulheres que falavam despudoradamente sobre sexo protegidas pelo anonimato da Internet, acabou com sua vida, não apenas dizendo quem ela era, mas também expondo publicamente sua família e seus amigos.

Os tablóides britânicos representam o que há de pior no jornalismo. Na verdade, tenho sérias reservas de classificar a maioria de seu material como jornalístico. Claramente há uma notícia ao se falar de uma personagem com Abby Lee, que se tornou uma celebridade sem jamais sair do anonimato, apenas por suas idéias e sua coragem em expô-las. Mas o que foi feito com Zoe Margolis é um crime, que editores, repórteres e fotógrafos do Sunday Times cometeram deliberada e conscientemente. É uma lástima, mas coleguinhas adoram invocar a liberdade de imprensa para cometer barbaridades como essa. Lee era a notícia; Margolis não tinha nada de interessante ao jornal ou ao público.

O documentário deixa a ideia de que ainda não é possível a mulheres -e, convenhamos, em menor escala também aos homens- exporem sua intimidade publicamente. A revolução que a Internet estaria propiciando seria apenas parcial. Claro: ela é apenas reflexo de nossas sociedades, não algo fora ou acima delas. E se expor desse jeito não é aceito.

Quanto a Margolis, felizmente ela sobreviveu, tornou-se articulista do The Guardian e está prestes a lançar o seu segundo livro. Lee também, assim como o seu blog, apesar de ele não ser mais o que já foi. Dez dias depois de ser exposta, ela publicou artigo no The Independent, onde concluiu: “se algo bom saiu de eu ter perdido meu anonimato, foi a esperança de que meus escritos poderiam ajudar no desafio a visões fora de moda e sexistas sobre a sexualidade feminina -uma batalha contínua da qual eu ficaria feliz de fazer parte.”

Vida longa a Margolis e Lee!

A Internet nos embrutece?

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Estamos diante de um cenário tecnológico que nos faz agir como carneiros?

Estamos diante de um cenário tecnológico que nos faz agir como seres de pensamento único?

Neste fim de semana, fui apresentado a duas discussões que, apesar de não relacionadas, me fizeram pensar unicamente sobre o assunto. A primeira aconteceu no LinkedIn, onde alguém questionava se mídias sociais não funcionariam como uma espécie de lavagem cerebral consentida, onde uma grande massa de pessoas gravitaria em torno de assuntos introduzidos por uns poucos. A outra surgiu em um curso de extensão universitária, onde foi questionado se a Internet seria capaz de mudar a maneira de as pessoas pensarem. Foi citado, como exemplo, o caso de pedófilos. Pelo argumento, se a Internet não existisse, talvez não “desenvolvessem” esse seu lado bizarro, pela dificuldade de encontrar pares para compartilhar seu gosto. Como a Grande Rede facilita a identificação dessas pessoas e a troca de informações, essa turma segue adiante.

Achei as duas conversas um tanto perturbadoras, pois elas jogam a culpa sobre a Internet por comportamentos questionáveis nos indivíduos. Nossa personalidade é moldada -sim- pelo nosso convívio social. Inicialmente acontece dentro da nossa família, depois entre amigos da escola, amigos de outros locais que frequentamos e assim sucessivamente, em um círculo cada vez mais amplo e diversificado. Nesse sentido, a Internet surge como uma ferramenta formidável para ampliarmos ainda mais os grupos com os quais nos relacionamos. Ela é particularmente importante para pessoas que, de outra forma, teriam dificuldade de se relacionar socialmente.

Mas ela não torna ninguém pedófilo ou pacifista ou seja lá o que for. Nem tampouco nos limita a capacidade de pensar, de discernir entre o certo e o errado, ou cerceia o nosso livre arbítrio. Somos o que somos com, sem e apesar da Internet. Tanto no mundo real quanto no virtual, buscamos pessoas com as quais nos identificamos, pois é mais fácil sustentar uma ideia quando temos ao nosso lado alguém que pense igual a nós. Isso nos torna humanos.

Apesar de discordar das premissas das duas discussões, gostei delas. Este post são os meus dois cents sobre isso. Penso -livremente- logo existo. O meu uso da Internet está sempre me desafiando a pensar mais. E melhor.

Mais vale um Twitter na mão que dois na concorrência

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O mercado acredita que o passarinho do Twitter pode cair em breve na arapuca do Google

O mercado acredita que o passarinho do Twitter pode cair em breve na arapuca do Google

Esquentam os rumores de que o Google estaria prestes a fazer uma oferta pelo Twitter. O TechCrunch já colocou até um preço: US$ 250 milhões em dinheiro ou equivalente. O mesmo post afirma que o passarinho já recusou uma oferta de US$ 500 milhões feita pelo Facebook há alguns meses, mas havia a diferença de que, naquele caso, boa parte do pagamento seria feito em ações, que poderiam estar com seu valor inflado.

Você usa o Twitter? Se nem sabe o que é, recomendo que veja o vídeo que pode ser disparado da home page do serviço. Não estou sugerindo que, se não usa, você está por fora da revolução tecnológica. Na verdade, o produto é mais um dos sucessos estrondosos da Internet que a mídia explora à exaustão, como aconteceu com o Second Life há uns três anos. Mas há uma pergunta a ser feita aqui: o que faria o Google despejar quarto de milhão de dólares em algo que muita gente acha que não passa de um hype? Por que não compraram também o Second Life então?

A resposta é que o Twitter tem algo que muito interessa ao Google que o Second Life não tem: informações reais sobre pessoas reais, em tempo real. E é justamente organizando quantidades astronômicas de informação que o Google ganha dinheiro. Eles são capazes de extrair dinheiro ao avaliar os movimentos não apenas do mercado, mas do mundo, da vida cotidiana das pessoas e das empresas. Os caras têm a mão no pulso do planeta. E é exatamente o que o Twitter oferece.

Será que o Google vai pegar esse passarinho? Se conseguir, será mais um golpe na sua concorrência direta: Microsoft e Yahoo!

Steve Case volta à AOL

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O co-fundador da AOL voltou à empresa para levantar o moral da tropa... mas só como visitante

O co-fundador da AOL voltou à empresa para levantar o moral da tropa... mas só como visitante

O homem que transformou a AOL no primeiro grande gigante online, Steve Case, voltou, depois de anos, à companhia que ajudou a fundar. Mas apenas como visitante. O objetivo era incentivar os atuais funcionários a manter a confiança em um mercado que a empresa já liderou com enorme folga, mas onde agora vem sangrando por anos a fio, ultrapassada principalmente pelo Google.

O evento também marcou a primeira aparição de Tim Armstrong como novo CEO da AOL, função que ele oficialmente assume no próximo dia 7. Ted Leonsis, vice-presidente emérito da AOL e outra estrela dos tempos de glória da companhia, também estava lá.

Armstrong deixou a posição de vice-presidente justamente no Google (onde também era presidente do Google Americas) para assumir a cadeira que pertencia a Randy Falco, que deixa a companhia. Jeff Bewkes, CEO da Time Warner (que controla a AOL), anunciou a mudança com um discurso otimista, sugerindo que Armstrong é a pessoa certa para resgatar os bons tempos do braço online do grupo.

O mercado, entretanto, acredita cada vez mais em indícios de que a Time Warner deve se livrar logo de toda a AOL ou pelo menos de parte dela. O próprio Google já ventilou que pensa em vender a sua participação de 5% na empresa sediada em Dulles, na Virginia (EUA). Por outro lado, boatos como esses existem há anos, e, até agora, a AOL continua lá, “cambaleante, mas firme”. Há alguns anos, mudou o seu modelo de negócios radicalmente, com resultados positivos (mas insuficientes para lhe devolver seu brilhantismo do passado).

Fica a pergunta, por que Armstrong trocaria a sua posição no Google por essa na AOL?

Quanto a Case, ele sempre foi visto como um ídolo interno na AOL, uma espécie de “irmão mais velho” dos funcionários. Com a fusão de US$ 164 bilhões da AOL e da Time Warner em 2001, ele se transformou em CEO da operação resultante, mas não conseguiu resistir no cargo, diante da turbulência causada pelo estouro da bolha ponto-com e de escândalos financeiros. Deixou o cargo dois anos depois, permanecendo ainda no conselho do grupo por outros três. Após isso, sua participação tanto na AOL quanto na Time Warner terminou.

Pá de cal sobre a Silicon Graphics

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Velociraptor no primeiro "Parque dos Dinossauros": o pior "vilão" que saiu de uma Silicon Graphics

Velociraptor no primeiro "Parque dos Dinossauros": o pior "vilão" que saiu de uma Silicon Graphics

A Rackable Systems, empresa que oferece soluções para call centers de grande porte, anunciou ontem a intenção de comprar a Silicon Graphics (SGI), que já foi sinônimo de computadores tão poderosos quanto “cool”, e estava em concordata desde 2006. O negócio ainda depende da aprovação de órgãos reguladores e, se tudo der certo, deve estar concluído em 60 dias.

O valor oferecido é relativamente uma ninharia: US$ 25 milhões em dinheiro. É bem pouco, se considerarmos a história da SGI, que teve grandes momentos, como o fornecimento das máquinas que criaram os dinossauros digitais do filme “Parque dos Dinossauros”, capazes de tirar o fôlego até hoje pelo seu realismo.

Eu me lembro das poucas máquinas da Silicon na Poli, alguns dos “brinquedos acadêmicos” mais bacanudos da USP na época. É uma pena que a empresa não tenha conseguido se adaptar aos movimentos do mercado. Se quiser ler o anúncio oficial da transação, clique aqui.

“Vou estar utilizando” este serviço. E você?

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Qualquer um agora pode cadastrar telefones fixos e celulares para não serem mais perturbados pelo telemarketing

Qualquer um agora pode cadastrar telefones fixos e celulares para não ser mais perturbado pelo telemarketing

Desde o dia 27 de março, o site da Fundação Procon-SP oferece um serviço que permite a qualquer um cadastrar gratuitamente os números de telefones fixos e celulares que NÃO devem mais receber ligações do telemarketing ativo. Os bloqueios passam a valer 30 dias após o cadastro. Os desbloqueios -assim como reclamações- podem ser feitos no mesmo site.

O sucesso foi imediato: em seis dias, 50 mil pessoas disseram não aos atendentes que falam no gerúndio, capazes de ligar em um domingo de manhã para oferecer os mais obscuros produtos e serviços. A iniciativa atende ao previsto na Lei 13.226/2008, regulamentada pelo Decreto Estadual 53.921/2008, e afeta também empresas de outros Estados.

Mas nem todo mundo gostou desse brilhante uso da tecnologia para facilitar a vida do cidadão. As empresas de telemarketing prometem entrar na Justiça para que o serviço seja declarado inconstitucional. A conferir.

Internet, essa “coisa malvada”

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O Culto do Amador, que sugere que a Internet vai acabar com tudo

O Culto do Amador, que sugere que a Internet vai acabar com tudo

A Veja desta semana publicou uma resenha sobre o livro “O Culto do Amador”, do cientista político britânico Andrew Keen, que passou de empreendedor digital a ferrenho crítico da Internet. Na obra, tenta demonstrar como a Internet e especialmente o que se convencionou chamar de Web 2.0 se transformaram em um Caixa de Pandora do século XXI, capaz de, como diz logo na capa, “destruir nossa economia, cultura e valores”.

Pelo raciocínio de Keen, a possibilidade de qualquer indivíduo ser capaz de publicar conteúdo na Internet é aterrador. Essa liberdade toda destruiria coisas boas que nossas sociedades construíram ao longo da História, colocando um palpiteiro em pé de igualdade com especialistas. E mais: a rede aparece como destruidora do direito autoral e até como responsável pela crise dos jornais nos EUA.

Bem, como diria uma velha professora, “calma com o andor, que o santo é de barro”. A Internet é uma ferramenta que de fato nos dá poder para amplificarmos tudo o que somos. E isso vale para o bem e para o mal. Mas o bem e o mal não foram criados pela Internet: colocamos nela apenas o que somos (toda a sociedade). A Grande Rede funciona apenas como um espelho disso.

Andrew Keen, que passou de empreendedor digital a crítico da Internet

Andrew Keen, que passou de empreendedor digital a crítico da Internet

Keen cita a Wikipedia como o exemplo acabado da vitória da massa ignorante sobre os especialistas. E isso é absolutamente tendencioso! Não quero parecer um deslumbrado que acha que a Wikipedia é a “perfeição pelas mãos de todos”, mas todas as enciclopédias erram. O autor não citou (talvez tenha se esquecido) estudo feito pela Nature, a revista científica mais séria do mundo (e conduzida por especialistas), que concluiu que a Wikipedia e a Enciclopédia Britannica possuem proporcionalmente a mesma incidência de erros e imprecisões. Também conta meias verdades quando diz que as pessoas navegam completamente anônimas, livres para cometer todo tipo de crime e barbaridade.

Qual seria a “solução” para isso? Aceitar a idéia que Elton John teve em 2007, propondo o fim da Internet, pois ela estaria “destruindo a indústria musical e as relações interpessoais”? Acho que não. Gosto das músicas dele e lamento que ele esteja vendendo menos CDs, mas sempre temos -todos nós- que nos adaptar a mudanças. A Internet é só mais uma.

Para arrematar, Keen compara a Web 2.0 ao conceito de que, se um grupo de macacos batucasse infinitamente sobre máquinas de escrever, eventualmente comporiam uma obra coerente algum dia. Bom, prefiro 30 obras coerentes de um milhão de macacos que apenas uma feita por cem biólogos do zoológico. É um direito dos macacos e eles têm algo a dizer.

Mas talvez eu seja um pouco suspeito ao defender macacos 😉

Notebook versus lápis

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Tendência aponta que estudantes preferem escrever em notebooks a usar o lápis

Tendência aponta que estudantes preferem escrever em notebooks a usar o lápis

A Folha publicou nesta segunda uma reportagem sobre como escolas já permitem que alunos levem notebooks pessoais para a sala de aula, como parte de seu material escolar. A reportagem me chamou a atenção em dois pontos: primeiramente porque foi a primeira vez que vi isso fora do ensino superior; em segundo lugar, e mais inusitado, porque os alunos começam a questionar o porquê de se escrever à mão.

Esse questionamento pode parecer absurdo -e é, pelo menos enquanto não dispusermos de infra-estrutura tecnológica que nos permita dispensar de vez papel e lápis-, mas é perfeitamente compreensível para alguém que manipula um PC com a mesma naturalidade que a TV. Esses membros da “Geração Z” realizam os seus trabalhos escolares -mesmo os mais prosaicos- em PowerPoint ou em sequências em Flash.

Além disso, a moderna pedagogia prega que as crianças hoje aprendam primeiro a letra bastão (ou, com se costumava dizer, “de forma”) em maiúsculas, passando depois para as minúsculas e apenas então passam à escrita cursiva (as “letras de mão”). Isso parece estar alinhado com o fato de que o mundo não é mais cursivo. Qualquer PC vagabundo com Windows oferece ao usuário dezenas de famílias de fontes para que experimente em seus escritos, e as crianças estão expostas a essa realidade. Dentro desse novo mundo, as pessoas, de todas as faixas etárias, escrevem e lêem mais que nunca. A questão deixa de ser se se deve escrever “à mão ou com letra de forma” e passa a ser se se deve escolher Arial ou Times New Roman para compor o texto.

Não estou advogando pelo fim da escrita à mão: muito pelo contrário. Mas os fatos estão postos. A questão é saber como pais, escolas e editoras lidarão com isso. Todos estão preparados para isso, pedagógica e até psicologicamente? Pais, professores e demais profissionais de educação conseguirão lidar com essa onda inovadora que ganha volume a cada dia, podendo chegar logo à escala de tsunami?

Não estão. Mas essa onda pega!

Estudantes de jornalismo não lêem jornais

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Knight: “isso representa um risco maior para a mídia impressa que a crise econômica global ou a perda de receita publicitária para a Web”

Knight: “isso representa um risco maior para a mídia impressa que a crise econômica global ou a perda de receita publicitária para a Web”

Essa veio de longe, literalmente do outro lado do mundo, mas aposto que se aplicaria aqui também: estudantes de Jornalismo australianos não lêem jornais. Não, você não leu errado: os futuros jornalistas fogem do veículo que dá nome a sua profissão. Para eles, jornais são pouco práticos, desajeitados, não têm uma ferramenta de busca, ficam se “desmontando” e sujam as mãos.

A conclusão é resultado de uma pesquisa realizada pelo professor de Jornalismo e Estudos de Mídia Alan Knight, da Universidade de Tecnologia de Queensland, em Brisbane (Austrália). Ele entrevistou 200 alunos de primeiro ano da graduação de Jornalismo, e 90% deles dizem que não lêem jornais. Mas isso não quer dizer que eles não estão atualizados com os acontecimentos: 95% acompanham o noticiário regularmente, mas a mídia preferida é a TV, seguida por uma Internet que cresce rapidamente na preferência dos entrevistados.

“Se os jornalistas do futuro não querem ler jornais, quem lerá?”, disparou o professor no site da própria universidade. “Isso representa um risco maior para a mídia impressa que a crise econômica global ou a perda de receita publicitária para a Web.”

E agora saboreie a cereja do bolo: eles também não gostam de jornais porque tem que pagar pelas notícias. Essa é de matar: os futuros jornalistas não querem pagar para consumir aquilo que, em pouco tempo, será o seu ganha-pão. Como são mesmo aquelas histórias de micropagamento, Kachingle e afins? Espero que essa turma esteja pensando nisso.

Kindle mais barato que jornal

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A salvação dos jornais pode estar em abandonar o papel

A salvação dos jornais pode estar em abandonar o papel

Nicholas Carlson, do The Business Insider, fez um exercício interessante, calculando grosseiramente qual é o custo anual de impressão de um ano do The New York Times para cada um de seus assinantes e depois comparando com o preço de um Kindle. O resultado é, no mínimo, curioso: o e-book da Amazon custa menos que a metade do necessário para se imprimir um ano do NYT. Como já é possível ler o Times no Kindle, ele ventila a idéia de que a direção do jornal deveria considerar presentear seus assinantes com o gadget e economizar milhões de dólares com impressão todos os anos.

A idéia é extravagante, porém emblemática! Mas nem Carlson nem eu estamos sugerindo que a “velha dama cinzenta” faça isso. Primeiro porque o Kindle é bacana, mas ainda não dá para fazer tudo nele. Depois porque uma ação como essa certamente teria impactos em outras partes do negócio, como publicidade ou vendas em bancas. Mas, em tempos de crise brava na mídia, especialmente na americana, não podemos nos dar ao luxo de tapar os ouvidos a idéias inovadoras. A salvação pode estar no rompimento de paradigmas.