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Quer saber como a Internet nasceu no Brasil? Pergunte a quem estava lá (e o que isso pode lhe ensinar)!

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O personagem Dino da Silva Sauro, de “A Família Dinossauro”: quem chega primeiro pode ter uma visão privilegiada dos fatos – Foto: divulgação

O personagem Dino da Silva Sauro, de “A Família Dinossauro”: quem chega primeiro pode ter uma visão privilegiada dos fatos

Esse é o depoimento de um dinossauro da Internet. Sim, eu estava lá quando o acesso à Grande Rede foi liberado à população em geral. Entretanto, apesar de 1994 parecer tão distante quanto o período Jurássico, algumas coisas que aprendi desbravando aquela atmosfera primitiva podem ser incrivelmente úteis a qualquer negócio hoje, inclusive o seu, em temas como inovação e gestão de negócios.

A primeira grande lição é acreditar e seguir seus instintos, mesmo quando a manada inteira diz não. E aprendi isso graças a uma certa impetuosidade minha. A Internet foi liberada em caráter experimental ao público brasileiro em novembro de 1994. Na época, eu era repórter da Folha de S.Paulo, meu primeiro emprego. Em janeiro de 1995, quem escrevia sobre Internet no jornal era a editoria de Ciência, onde atuava: o assunto estava ainda tão distante do cidadão comum, que nem era ainda domínio do caderno de Informática. Foi quando eu sugeri colocar a Folha na Grande Rede.


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Isso só aconteceu alguns meses depois: a FolhaWeb, primeira experiência da Folha na Internet só foi ao ar no dia 9 de julho de 1995, com a página abaixo, cujo código eu editava em Word (!!!):

Primeira home page da Folha de S.Paulo na Internet - Imagem: reprodução

Depois de um mês fazendo a jornada dupla de fechar o jornal impresso e depois a versão online, decidi ficar só com a segunda. Foi quando uma coisa incrível aconteceu: meus colegas, com as melhores intenções, tentaram me demover da ideia. Ouvi de vários que eu estaria enterrando uma carreira brilhante no jornal, que estava decolando, para abraçar um “modismo”, pois “esse negócio de Internet não vai dar em nada!” Felizmente segui adiante, e construí minha carreira em cima do desenvolvimento de produtos digitais.

Temos que aprender a dar crédito a nós mesmos! Quando muita gente a nossa volta, especialmente pessoas que admiramos, diz não, é comum que abandonemos até mesmo nossos sonhos. E isso é um grande erro!

Primeiramente porque os sonhos dão cor e sabor à vida. Se ficarmos o tempo todo apenas “tocando a obra”, fazendo só “o que tem que ser feito porque sim”, vamos nos tornando cinzas. Enterramos a nossa parte mais nobre, capaz de transformar nossas carreiras e os negócios em que estivermos envolvidos em algo incrível, capaz de se destacar da concorrência.

Portanto, como profissional ou empreendedor, não esmoreça quando as pessoas a sua volta não compartilharem de seus sonhos. E, se você é gestor, incentive seu time a olhar além do óbvio.

 

Olhos abertos e orelhas em pé

Muitas vezes, a grande revolução de nossas vidas pode estar bem diante do nosso nariz e não a vemos. Foi exatamente o que aconteceu com a Internet naquela época.

A coisa estava ali, estava acontecendo e o potencial para mudar o mundo era imenso, como de fato mudou! Se você tiver mais que 30 anos, consegue se lembrar da sua vida antes da Internet? Como conversava, se informava, trabalhava, estudava, se divertia, comprava e até paquerava?

O fato é: o mundo mudou completamente desde 1994, e essa mudança se tornou dramática na última década, depois que o iPhone foi lançado, seguido pelos smartphones Android.

Mesmo assim, quase ninguém conseguia enxergar isso. Até mesmo Bill Gates, quando lançou a MSN em 1995, a concebeu como um serviço fechado, pois afirmava que a Internet era “uma moda passageira”.

Talvez por estar online desde 1987, em um sistema fechado (um BBS) da Telebrás chamado Projeto Ciranda, quando vi a Internet (primeiramente como estudante da USP, depois como repórter da Folha), aquilo me deixou louco! Como as outras pessoas não conseguiam enxergar o mesmo que eu?

É normal que, diante das tarefas do cotidiano, com trabalho, escola, família, a rotina diária, entremos em uma espécie de “modo automático”. Não paramos para olhar o que está a nossa volta. Não nos permitimos pensar de maneira pouco convencional. Ficamos na obviedade, porque não há tempo para olharmos tudo o que o mundo nos oferece.

E ele nos oferece muitas coisas o tempo todo!

Por isso, deixo aqui uma sugestão: se a rotina impede você de dar essa parada, coloque isso na sua agenda. Sim, encare esse momento de reflexão como uma tarefa a cumprir regularmente, se necessário for. Não precisa de muito, umas poucas horas por semana. E, se possível, chame as mentes mais inquietas a sua volta para participar. Coisas incríveis podem surgir desse ato simples.

 

Não pare a inovação

Não é exagero dizer que quem desbravou a Internet no Brasil foi a mídia. Nos primeiros anos da Internet comercial, os grandes nomes do mercado eram o UOL –que surgiu da FolhaWeb, propriedade da Folha e da Abril– e o ZAZ –cujo dono era a RBS, e que depois foi vendido à Telefonica para se tornar o Terra.

Um dos motivadores daquelas empresas era dominar a Internet, porque aquilo poderia “acabar com o impresso algum dia” (sim, ouvi isso incontáveis vezes desde aquela época). Mas curiosamente, apesar de essas operações online terem sido pioneiras nesse mercado, muitas das empresas que eram suas proprietárias não foram contaminadas com esse ímpeto de inovação. E hoje pagam um preço alto por essa imobilidade.

Duas lições que se podem tirar disso. A primeira é que a inovação é um caminho sem volta. A outra é que, uma vez que o público tem acesso à inovação, ele não aceita mais os antigos modelos.

As mesmas empresas de mídia que financiaram a popularização da Internet no Brasil, hoje sofrem por insistir em modelos de negócios que não se sustentam mais. Por exemplo, não adianta querer insistir que seus veículos de comunicação sobrevivam com a dobradinha “assinatura mais publicidade”. O público não quer mais isso e, sem audiência, a publicidade foge. Resultado: infelizmente (mas sem surpresa) vários títulos estão quebrando.

Não se pode ter medo de inovar. É claro que nem sempre dará certo, mas a inovação é o melhor caminho para se chegar lá. E, se já está trilhando esse caminho, não faz o menor sentido voltar para trás. Aliás, rejeitar a inovação, especialmente uma que nasceu dentro de casa, pode ter consequências terríveis.

A Kodak que o diga com a fotografia digital!

 

Aprender fazendo de tudo

Naqueles primórdios de FolhaWeb e UOL, tínhamos que fazer literalmente de tudo. Não havia modelos consolidados, não havia concorrência, não havia formação, não havia literatura, nada! Por isso, lidar profundamente com questões editoriais e técnicas era o básico do dia a dia. Mas também tínhamos que pensar quase tudo! Cheguei até mesmo a apagar de madrugada um incêndio na secretaria administrativa da Folha. E digo isso literalmente: incêndio com labaredas, e não apenas as urgências que apareciam na minha mesa.

Em um primeiro momento, isso pode passar uma sensação de desamparo: afinal, você precisa se desdobrar em coisas que vão muito além da sua formação. Não entre nessa onda! Isso é, na verdade, uma tremenda oportunidade para se desenvolver em áreas distintas da sua, além de permitir que se criem vínculos poderosos com outros profissionais. Além disso, permite que se desenvolva uma visão privilegiada do negócio como um todo. Como resultado, você se torna um profissional muito mais completo.

Além disso, o fato de ter participado de tudo isso no começo me permitiu ajudar da construção de alguns dos alicerces de toda essa indústria. Muita coisa que se vê hoje espalhada por sites e aplicativos em todo lugar surgiu daquela efervescência criativa contínua e incansável.

 

O valor da equipe

Naturalmente eu não fiz nada daquilo sozinho. Ainda que fôssemos poucos (e quase sempre incompreendidos), a turma que iniciou a FolhaWeb e o UOL –e alguns anos depois a AOL, onde também trabalhei e ajudei na sua vinda ao Brasil– era composta de um grupo multidisciplinar incrível. As pessoas ali sabiam realmente o que era trabalhar em equipe, pois –talvez até mesmo pelo descrito acima– todos estavam dispostos a oferecer seu melhor não apenas para suas tarefas pessoais, mas também para ajudar seus companheiros no que tinham que fazer.

Sim, aquilo era trabalho, mas não era “apenas trabalho”. Em maior ou menor grau, sabíamos que algo genial estava nascendo ali. Costumo dizer que, já na America Online, o grupo pioneiro de profissionais não ia ao escritório para trabalhar, mas sim para mudar o mundo um pouco a cada dia, todos os dias.

O fato é que nada daquilo teria acontecido se cada um resolvesse fazer apenas o seu. Nunca temos sozinhos todos os recursos necessários para fazer uma grande ideia alçar voos mais altos. Precisamos do outro e do que ele sabe. Temos que estar dispostos a falar e a ouvir, a dar e a receber.

Se não fosse assim, aquele começo da Internet teria sido muito mais difícil. E, quem sabe, aquilo que meus amigos disseram, que não passava de um “modismo”, ganhasse ares mais verdadeiros.

Ainda bem que escolhemos todos o melhor caminho. E você, que caminho quer escolher?


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Não olhe agora, mas você pode estar financiando um terrorista

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Imagem: montagem sobre reprodução

Há alguns dias, cerca de 250 grandes empresas, como McDonald’s, Volkswagen, L’Oreal, e HSBC, disseram que estavam deixando de anunciar em produtos do Google, como o YouTube. O motivo: seus anúncios estavam aparecendo em vídeos que promoviam terrorismo, racismo e outros conteúdos para lá questionáveis. Você pode estar se perguntando: “e o que eu tenho a ver com tudo isso?”

Muita coisa!

Longe de ser apenas uma questão comercial, essa crise potencialmente pode mudar a Internet como a conhecemos. Em uma situação extrema, muitos serviços comuns em nosso cotidiano, que hoje são gratuitos, poderiam passar a ser pagos. Mas algumas atitudes simples nossas podem evitar isso.


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Para quem não sabe do que se trata tudo isso, uma breve explicação. Pelo método criado pelo Google e largamente adotado é copiado por empresas na Internet, os anunciantes não sabem exatamente em que conteúdo sua publicidade aparecerá. Eles cadastram suas peças e dão diretrizes ao sistema sobre assuntos aos quais as peças devem ser associadas. Mas quem define esse destino, em última instância, são os algoritmos do Google e das outras empresas que vendem publicidade digital, pois se trata de um processo automatizado.

Justamente nisso reside o maior poder do marketing digital. Graças a esses algoritmos, a chance de um anúncio aparecer associado a um conteúdo que tem forte relação com ele aumenta muito. E existem literalmente milhões de páginas e vídeos disponíveis para isso. Consequentemente a probabilidade de o anúncio ser relevante para a pessoa que está vendo tal conteúdo aumenta muito! Logo, as vendas do anunciante tendem a ser muito maiores que as feitas com uma publicidade tradicional.

Mas os algoritmos não são perfeitos. Muitas vezes, o anúncio acaba sendo exibido junto a conteúdos que não têm relação com ele. Pior que isso: pode ser exibido associado a conteúdos que nem deveriam estar na plataforma, como os que estão causando toda essa celeuma.

Mas qual é o real tamanho desse problema?

 

Tempestade em copo d’água

A retirada das campanhas do Google vazou para a imprensa, que botou a boca no trombone. Ao meu ver, a reação desses anunciantes é um tanto exagerada. Pode-se argumentar que é uma questão de princípios: nem um único banner deve ser associado a uma atividade ilícita. Até aí, tudo bem. Mas a repercussão na imprensa deu a entender que o Google é inundado de conteúdos pró-terrorismo e que os banners dos seus anunciantes estariam viabilizando atividades do Estado islâmico e sua turma, o que evidentemente é um despropósito.

Porém isso foi suficiente para criar possivelmente a maior crise de reputação que o Google já teve. E isso pode colocar em risco todo o seu modelo de negócios e a internet como a conhecemos. Afinal, podemos usar gratuitamente os seus diversos produtos justamente porque eles são bancados pela publicidade. E quanto mais os usamos, mais banners são exibidos, gerando mais dinheiro para o Google.

Em outras palavras, ao usar, por exemplo, o YouTube ou o próprio buscador, nós não somos os clientes do Google: somos parte do produto! Os clientes são os anunciantes. E isso vale para todas empresas que vendem publicidade de maneira semelhante, como o Facebook.

Para piorar a confusão, nessas horas sempre aparecem oportunistas.

 

Solução no passado?

No meio da tempestade, o UOL resolveu publicar uma “carta aberta” em que se coloca como a solução para o problema. No documento, o portal joga mais lenha na fogueira, colocando em xeque o modelo da publicidade digital do Google. Pior que isso: usa muita desinformação para confundir ainda mais o público e os anunciantes, como quando sugere que, no marketing digital, o conteúdo deixa de ser relevante. Oras, mas é exatamente o contrário disso! O conteúdo é essencial no processo, pois os algoritmos tentam vincular cada anúncio a um conteúdo semelhante a ele.

Claro que o site se coloca como a solução para o dilema, pois garantiria todo o conteúdo criado por ele e suas centenas de parceiros. Isso é uma falácia, pois o UOL não tem controle editorial sobre nenhum deles, nem pré-aprova o que publicarão. Logo, não pode garantir nada.

Isso me lembra um outro documento, publicado apenas um dia antes pela Folha de S.Paulo, principal acionista do mesmo UOL, em que se coloca como a solução para a crise de notícias falsas que as redes sociais vivem. Segundo a Folha, apenas o jornalismo profissional poderia garantir que tudo o que lemos é confiável e tolerante.

Seria verdade, se o tal jornalismo tradicional praticasse esses valores sempre. Desgraçadamente, vemos, dia após dia, veículos de comunicação tradicionais protagonizando vergonhosos exemplos de imprecisão e distorções causadas por interesses políticos e econômicos. A cobertura da “Operação Carne Fraca”, da Polícia Federal, foi um patético exemplo de como a imprensa profissional pode fazer um péssimo trabalho, desinformando todo o país.

Portanto, muito cuidado com aqueles que promovem soluções oportunistas em algo que estão perdendo feio de concorrentes que estão sob os holofotes no momento.

 

Para onde podemos correr?

É bom que fique claro que esse artigo não pretende defender o Google ou as demais empresas que distribuem grandes volumes de mídia digital de maneira automática, como o Facebook ou a AOL. A ideia aqui é apenas discutir os fatos e propor caminhos para essas empresas, anunciantes e cada um de nós, internautas.

Naturalmente Google e afins têm que dar seus pulos para tentar melhorar dois aspectos essenciais. O primeiro é melhorar os sistemas que varrem automaticamente conteúdos publicados em suas plataformas, como o YouTube, para banir aqueles que são inadequados. Sistemas semelhantes já existem para evitar, por exemplo, que sejam publicados conteúdos que violem direitos autorais, e eles são bastante eficientes.

A outra coisa que precisa ser feita é calibrar os algoritmos que associam os anúncios nele cadastrados a qualquer conteúdo, inclusive àqueles que não estão em suas plataformas (qualquer site pode exibir anúncios vendidos pelo Google e ser remunerado por isso). Dessa forma, o problema seria controlado nas suas duas pontas.

Como se pode ver, existem soluções. É improvável que essa crise se agrave ou mesmo se prolongue por muito tempo. Rapidamente os anunciantes que pularam fora do barco perceberão que esse modelo de publicidade digital é o mais eficiente para que tenham melhor retorno de suas campanhas, resultado de uma evolução contínua de 22 anos de mídia digital.

Portanto, não matemos a vaca para acabar com o carrapato! É claro que banners legítimos não devem ser usados para financiar o terrorismo ou qualquer outra iniciativa moral ou legalmente condenável. Ocorrências assim devem, portanto, ser combatidas, mas não acabando com uma plataforma que redefiniu o mundo da publicidade e do conteúdo, tornando-o um espaço muito mais democrático e eficiente.

Cada um de nós, como usuários, temos o poder e o dever de combater não apenas o mau conteúdo, mas também a má publicidade, que sempre existiram e sempre existirão. Para isso, as próprias plataformas oferecem recursos. Além disso, devemos cobrar que essas mesmas se empenhem para, de seu lado, criar mecanismos ainda mais eficientes para eliminar essas laranjas podres assim que surjam.

Só não podemos cair nessas conversinhas moles de quem está querendo só se promover em cima da crise, propondo uma volta a um passado. Um passado que os próprios usuários já enterraram.


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Para Arianna Huffington, o jornalismo depende cada vez mais da blogosfera

Para Arianna Huffington, o jornalismo depende cada vez mais da blogosfera

Depois de Julian Assange, criador do WikiLeaks, que ontem abriu o Info@Trends 2011, hoje foi a vez de Arianna Huffington iniciar os trabalhos do evento. A grega, criadora do The Huffington Post e presidente do AOL Huffington Post Media Group (desde que a AOL lhe pagou US$ 315 milhões para incorporar seu veículo), veio ao Brasil para participar do congresso e se reunir com jornalistas e executivos de empresas de mídia. Explica-se: ela quer lançar uma versão brasileira do HuffPost, de preferência ainda neste ano.

Distribuindo sorrisos, Arianna reafirmou suas crenças sobre como o jornalismo deve ser feito. E, para ela, a blogosfera é decisiva. O HuffPost, apesar de possuir uma grande equipe de jornalistas profissionais, nasceu e se mantém pela contribuição -não remunerada-, de milhares de blogueiros. Dessa forma, o veículo oferece enorme abrangência em suas coberturas e uma saudável pluralidade de ideias. O resultado é mais que positivo: a rede de blogs de Arianna construiu uma boa reputação e superou até o aclamado The New York Times em audiência.

Apesar disso, seus ideais não são uma unanimidade na indústria. Muita gente, principalmente da mídia tradicional, torce o nariz para o jornalismo produzido na blogosfera, especialmente por pessoas que não são jornalistas. “É tão difícil para tanta gente entender por que tanta gente escreve de graça”, disse Arianna, que emendou uma alfinetada: “então por que tanta gente passa cinco horas assistindo a TV ruim de graça?”

Arianna tem uma explicação na ponta da língua: “a autoexpressão se transformou em um novo tipo de entretenimento.” Foi-se o tempo em que as pessoas queriam apenas consumir notícias. Agora elas querem pautar (inclusive jornalistas profissionais), apurar, escrever, publilcar, promover. “Tem tudo a ver com compartilhamento e tem tudo a ver com engajamento”, completou.

Ela está certíssima! A maioria dos jornais está se esquecendo do que é contar uma boa história. Ficam reféns do jornalismo palaciano, declaratório e demasiadamente dependente de números. Redações, cada vez mais jovens (e baratas), são vítimas de balões de ensaio de fontes sem escrúpulos, propagando versões falsas dos fatos. E fazem isso de uma maneira chata, cansativa.

Não é de se admirar que o HuffPost ganha espaço de seus concorrentes centenários. Seus jornalistas e blogueiros não se limitam apenas a trazer informação: fazem isso com personalidade, sabor. “Nossos editores são preparados para fazer manchetes mais intimas com o leitor, com humor, quase como um amigo.” Além disso, funcionam como “curadores” da enorme massa de material produzido pela comunidade.

A mídia tradicional se defende com a promessa de entregar aos leitores a melhor informação disponível. “Mas é falso”, disparou Arianna. De fato, por mais preparada e equipada que seja uma Redação, sua capacidade de produção é limitada. Isso é um tremendo problema em um mundo em que as pessoas não mais se contentam com um noticiário limitado: querem um noticiário hiperlocal e hiperpersonalizado. Querem um noticiário feito “exclusivamente” para cada um, algo que uma empresa de mídia tradicional simplesmente não consegue entregar. Na aurora desse novo jornalismo, o modelo do The Huffington Post floresceu e já deu frutos.

Em poucos meses, os brasileiros poderão experimentar a proposta de Arianna em bom português. Resta saber se ela repetirá aqui o sucesso que alcançou lá fora. Façam suas apostas!

A joia grega da coroa de Armstrong

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Muitos colaboradores do The Huffington Post querem uma parte dos US$ 315 milhões que a AOL pagará pelo site criado por Arianna Huffington, mas será que eles têm direito de pedir isso?

Muitos colaboradores do The Huffington Post querem uma parte dos US$ 315 milhões que a AOL pagará pelo site criado por Arianna Huffington, mas será que eles têm direito de pedir isso?

Na segunda-feira, a AOL anunciou a compra do The Huffington Post por UR$ 315 milhões, sua maior aquisição desde que se separou da Time Warner, em dezembro de 2009. Representa também o maior movimento para a consolidação de um modelo de negócios que o CEO da AOL, Tim Armstrong, vem implantando desde que assumiu a companhia em março de 2009: sua transformação de uma empresa de tecnologia em uma de mídia.

Para quem não conhece, The Huffington Post é um site noticioso com cerca de 25 milhões de visitantes, e o único veículo online entre os dez maiores que não possui uma grande companhia de mídia por trás. Mas o que o torna realmente único é o seu modelo de produção: ele é mantido por um pequeno grupo de jornalistas e mais de 6.000 contribuintes não-remunerados das mais diferentes áreas, desde completos anônimos até celebridades, como o presidente americano Barack Obama, sua secretária de Estado, Hillary Clinton, e Madonna.

Essa turma contribui com o HuffPost por diferentes motivos, mas principalmente pela fama (para os anônimos, já que não há fortuna). Curiosamente, com o anúncio dessa segunda-feira, muitos deles criaram um coro de descontentamento, reclamando alguma participação nesse bolo. Li até mesmo um artigo revoltado (não por dinheiro) no TechCrunch, um dos melhores sites de notícias de tecnologia, também comprado pela AOL recentemente. Em tempo: Arianna Huffington, criadora do site, deve embolsar US$ 100 milhões em cash, além de ser nomeada editora-chefe do conteúdo de todos os sites sob o guarda-chuva da AOL.

Tudo isso levanta uma questão interessante: qual o lugar hoje do jornalismo profissional? Essa questão não é nova: já existe há uma década e ganhou força com a explosão da blogosfera, quando qualquer um passou a poder publicar, de maneira fácil e barata, o que pensava. Não tardou para surgirem uma infinidade de blogs jornalísticos, alguns muito bons, feitos por pessoas em suas horas vagas, jornalistas ou não. O próprio HuffPost é um filhote disso lançado em 2005.

Para mim, essa cisma para pegar um naco dos milhões investidos por Armstrong não é legítima. Apesar de o HuffPost só ter se tornado lucrativo no ano passado, Arianna já fatura com seu site faz tempo, seja dinheiro, seja prestígio. Além disso, se alguém dá de graça seu trabalho ou produto, tem um tarefa muito difícil para cobrar por ele depois. Esse formato de relacionamento profissional não-remunerado tem a ver com o jornalismo cidadão, que muitos acreditam indicar o futuro (ou parte dele) do jornalismo.

Portanto, deixem Arianna em paz.

Salvação de um negócio multimilionário moribundo?

Chutar a AOL sempre foi um esporte muito praticado por intelectuais da mídia e de TI. Se já era assim há 15 anos, quando a empresa detinha um domínio no mundo online aparentemente inalcançável, que dizer de uns anos para cá, quando ela assumiu ares de cachorro morto?

A despeito das críticas, a empresa chegou a ter mais de 30 milhões de assinantes pagantes. Entretanto, uma série de decisões estratégicas desastrosas –e a maior delas foi a fusão com a Time Warner em janeiro de 2001– transformou a companhia em uma sombra do que já foi.

Armstrong quer mudar isso. Apesar de sua situação atual, a AOL (e a soma de todos os seus sites) ainda é uma das cinco maiores destinos da Internet nos EUA. A entrada do The Huffington Post (e, em menor escala, até do já citado TechCrunch) nesse bolo pode dar à empresa um verniz e até mesmo certa legitimidade de que precisa. Do lado do HuffPost, Arianna pode ver seus visitantes saltarem de 25 milhões por mês para mais de 100 milhões.

Considero essa aquisição interessante para os dois lados. Não creio que a AOL vá enterrar o HuffPost, como alguns acreditam. Apenas não sei se o segundo será suficiente para a primeira voltar aos tempos de glória de outrora.

Como a maior fusão da história fez água

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Enquanto eu descansava nos Andes, a coisa pegava fogo

Enquanto eu curtia a paisagem (merecidamente), a coisa pegava fogo pelo mundo

Voltei de férias pelo interior dos Andes (vide foto), onde pude realmente me desligar do mundo, e me deparei com um clima enlouquecido, Daniel Dantas livre, tentativas de cerceamento da imprensa e ideia loucas de mexer no vespeiro da anistia. É também o momento em que o Google assume que sofreu ataques de hackers chineses, com seu advogado sugerindo que teriam sido patrocinados pelo próprio governo chinês e ameaçando encerrar a operação local (falarei sobre isso mais tarde).

Mas é também o momento em que a maior fusão -e um dos maiores fracassos- da história acaba de completar dez anos: a compra da Time Warner pela America Online. E desde que eu deixei a operação brasileira, poucos meses antes do seu fechamento, ouço recorrentemente duas perguntas: por que o negócio não deu certo no Brasil e como a fusão acima fracassou.

Realmente a coisa tinha tudo para dar certo… mas deu errado. A explicação extra-oficial da época -e ela realmente explica muito- é que o negócio ruiu devido a diferenças culturais entre as duas empresas e seus respectivos funcionários e a uma crescente animosidade entre os grupos, que não só não foi controlada pela direção do grupo, como foi amplificada por ele.

Mas agora, passada uma década, podemos ver com mais facilidade que havia um outro fator decisivo: a Internet, que era quase como uma concorrente da “velha AOL”, que aglutinava seus assinantes em torno de seu gigantesco serviço proprietário, estava começando a virar de pernas para o ar os modelos de negócios vigentes tanto do lado da AOL quanto da Time Warner. Para piorar tudo, a bolha ponto-com estourou justo naquela época e a AOL ainda se viu envolvida em escândalos financeiros.

Aquilo foi praticamente a semente do tsunami que vem varrendo a mídia tradicional nos últimos anos, destruindo empresas de comunicação centenárias. E pode-se dizer que o epicentro disso é o Google, a empresa que soube mover-se com rapidez e habilidade sobre os escombros do gigantesco fracasso.

O The New York Times publicou uma excelente reportagem sobre os motivos do fracasso da fusão, depois de ouvir praticamente todas as pessoas-chave do acordo. Vale a pena a leitura!

Dos escombros, as duas empresas finalmente se separam em dezembro. A AOL tenta se reinventar para recuperar pelo menos parte do brilho que teve no passado. As empresas da Time Warner têm seus próprios problemas. Em ambos os casos, a Internet, que jogou água na festa de Steve Case e Gerald Levin, é quem agora impõe os desafios para que ambos sigam adiante.

Se estivesse “viva”, AOL Brasil completaria hoje dez anos

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Arte sobre foto

AOL Brasil, descanse em paz, até a sua volta (???)

Há exatos dez anos, tinha início uma das maiores empreitadas (e aventuras) da Internet brasileira. No dia 16 de novembro de 1999, a AOL Brasil lançou oficialmente o seu serviço, inaugurando as operações do então maior provedor de acesso do mundo na América Latina.

Seis anos e cerca de US$ 250 milhões depois, a mesma operação fechou melancolicamente as portas, vendendo sua base restante (cerca de 130 mil usuários pagantes) ao Terra.

Até hoje, diferentes pessoas me perguntam como aquilo pode ter dado errado. Afinal, dinheiro e vontade de investir não faltavam. A empresa era “o lugar para se estar” naqueles anos, algo semelhante ao que o Google representa hoje, portanto também contava com um seleto grupo de profissionais de primeira linha. A AOL trazia ainda para o país uma tecnologia inédita (a despeito de mancadas da primeira versão de seu navegador proprietário, que andou bagunçando protocolos de rede do computador de algumas pessoas).

Minha resposta a quem me pergunta isso é sempre: falta de foco nos negócios e uso irresponsável do dinheiro. Apenas como exemplo, quem em sã consciência investiria US$ 24 milhões em uma única iniciativa de marketing? A AOL Brasil investiu essa soma ultrajante no vaporware Rock in Rio 3, que lhe rendeu residual zero após seis meses.

No começo desse ano, começaram a surgir rumores que a AOL estaria se preparando para voltar ao país, contrariando os prognósticos dos usuários saudosistas mais otimistas. Mas é fato que vários produtos atuais da gigante online de Dulles já têm sua versão localizada para o Brasil. A nossa bandeira inclusive já figura de novo na página de sites internacionais do serviço americano. O que vai sair disso, só o tempo dirá.

De quando é o primeiro jornal online? Que tal 1981?

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Algumas pessoas realmente estão à frente de seu tempo. Quando você acha que surgiu o jornalismo online? Em 1994, com o advento da Internet comercial? Talvez alguns anos antes disso, no serviço proprietário (pré-Web) da AOL ou nas BBSs?

Nada disso! O vídeo acima é emblemático e mostra a experiência de oito jornais americanos, entre eles o The San Francisco Examiner, que publicavam online o conteúdo de suas edições impressas… em 1981, carregados pela Compuserve! Claro, nada comparado ao que temos hoje na Web: sem imagens e, só para baixar os textos da edição pelo telefone (que era tudo o que era oferecido), eram necessárias duas horas. Mas essa turma de pioneiros estava lá!

“Isso é um experimento. Estamos tentando entender o que isso representará para nós, editores e repórteres, e para o usuário em casa”, dizia David Cole, responsável pelo projeto no Examiner. “Nós não estamos aqui para ganhar dinheiro: não vamos perder muito, nem tampouco ganhar.”

Ok, o cara não tinha como saber naquela época. Já foi bastante arrojado em se lançar na iniciativa. Mas a declaração é, no mínimo, pitoresca, especialmente diante da crise que os jornais vêm enfrentando hoje, particularmente nos EUA, e em parte graças à competição que o jornalismo online representa. Pelo menos o The San Francisco Examiner, que roda desde 1863, continua sendo impresso, a despeito de vários concorrentes pelo país, que passaram a existir apenas na Web ou simplesmente fecharam as portas.

A reportagem continua: “engenheiros agora predizem que chegará um dia em que receberemos todos os nossos jornais e revistas pelo computador.” E termina dizendo que o trabalho do jornaleiro ainda não estava ameaçado.

Em tempo: o San Jose Mercury News é considerado o primeiro jornal na Web, lançado em 1994. No Brasil, o primeiro foi o Jornal do Commercio (não, não foi o Jornal do Brasil), também em 1994.

De quando é o primeiro jornal online? Que tal 1981?

Enfim separados

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AOL e Time Warner, uma das fusões mais festejadas e catastróficas do mundo dos negócios, anunciaram a separação formal para que a primeira tente retomar o brilho perdido

AOL e Time Warner, uma das fusões mais festejadas e catastróficas do mundo dos negócios, anunciaram a separação formal para que a primeira tente retomar o brilho perdido

Hoje foi oficialmente anunciado o fim de um dos mais conturbados casamentos do mundo dos negócios: a America Online e a Time Warner irão oficialmente se separar. No processo, que deve ser concluído até o fim do ano, a segunda, já dona de 95% da AOL, comprará do Google os 5% restantes, convertendo tudo em ações da “nova” companhia online, que volta a ser negociada na Nasdaq.

A união durou quase uma década. Ela foi celebrada pouco antes do estouro da “bolha ponto-com”, que fez o valor dos papéis da então recém-criada AOL-Time Warner despencar, provocando a ira dos acionistas vindos do centenário grupo de mídia. Mas, muito além disso, o que tinha tudo para ser uma fusão de interesses empresariais brilhante demonstrou-se uma catástrofe corporativa por diversos motivos que não cabem aqui nesse post.

Pelo discurso oficial, a cisão dará a AOL a chance de tentar retomar pelo menos parte do seu brilho do passado. A empresa já foi maior que toda a Internet, criadora de conceitos que permeiam o nosso dia-a-dia, como mensagens instantâneas, e abriu a porta do mundo online para uma multidão em vários países. Ainda hoje, seus diferentes sites acolhem mais de 100 milhões de usuários únicos por mês, atingindo, de alguma forma, 91% da audiência online doméstica e representando o quarto destino na Internet mais visitado nos EUA. E, acreditem se quiser, ainda têm uns 10 milhões de usuários pagantes pelo serviço de acesso (!!).

Por outro lado, sua imagem ficou totalmente arranhada depois da fusão. A empresa é vista como um dinossauro digital, grande e lento, incapaz de inovar e que, por isso, come poeira dos concorrentes, mais notadamente do Google. A idéia é que, livre das amarras da Time Warner, um pessoal também não exatamente conhecido pela inovação ou arrojo em seus produtos, a empresa consiga ser mais ágil.

Algumas coisas já vêm acontecendo nesse sentido. O modelo de negócios, que à época da fusão privilegiava a assinatura de acesso, hoje migrou para a publicidade online dirigida. Por isso a empresa não pára de comprar sites e abrir outros tantos. Paralelamente, muitas cabeças estão sendo trocadas, e algumas das mais importantes vieram justamente do Google, inclusive o novo diretor de publicidade e estratégia, Jeff Levick, e o novo CEO, Tim Armstrong.

Se Armstrong, que tem nome de astronauta, conseguir reverter a espiral para baixo, ganha as estrelas merecidamente. A questão é saber se o divórcio  não veio tarde demais.

AOL prepara a sua volta ao Brasil

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Diversos produtos da AOL, como seu e-mail, já foram localizados (de novo) para o Brasil

Diversos produtos da AOL, como seu e-mail, já foram localizados (de novo) para o Brasil

Ainda estamos em abril, mas essa não é uma notícia do dia 1º. A AOL está mesmo com planos de desembarcar novamente em território brasileiro ainda nesse ano, assim como em outros países da América Latina. Na verdade, a coisa já está correndo na miúda, mas não exatamente em segredo, uma vez que páginas e serviços em português (do Brasil) já estão publicados na Internet.

Para quem não se lembra, a AOL encerrou suas atividades no Brasil em março de 2006, seis anos e estimados US$ 250 milhões de dólares depois de desembarcar por aqui com a promessa de repetir localmente a sua então fórmula vencedora. Uma série de decisões desastradas enterraram os planos da empresa, cuja base final de 130 mil assinantes pagantes foi vendida ao Terra por um valor relativamente baixo.

O inusitado movimento de volta acontece embalado pela mudança do modelo de negócios da companhia, que ainda funciona como provedor de acesso para 6,9 milhões de assinantes nos EUA, mas que vem gradativamente se tornando um portal de notícias e serviços desde 2007. No início deste ano, a empresa lançou uma nova unidade, batizada de MediaGlow, que concentra essas iniciativas e promete lançar mais de 30 sites ainda neste ano. Sua tarefa inglória é reverter a queda nas receitas: no último trimestre de 2008, elas somaram US$ 968 milhões, ainda respeitáveis, mas que representaram uma retração de 23% frente ao mesmo período de 2007.

“Se você for aos sites do México, Argentina e agora Chile, Colômbia, Venezuela e Porto Rico, já encontrará uma boa oferta de conteúdo e versões recentes dos produtos”, contou-me um executivo envolvido com o processo, mas que não se identifica por não estar autorizado a dar declarações. “A idéia era ter esforços comerciais locais, mas a crise brecou todas essas boas intenções. Mas estou certo que elas serão revisadas no fim desse ano ou no começo de 2010”, concluiu.

A bandeira brasileira já é uma das 38 que aparecem na página da AOL Internacional. O principal serviço já liberado em português é seu e-mail, que oferece espaço ilimitado e outros recursos interessantes. Para criar a conta -gratuita- é só ir para webmail.aol.com.br, já em português. O AOL Busca (empurrado pelo Google) e o agregador My AOL (semelhante ao iGoogle) também já ganharam versões brasileiras, em páginas cobranded com a HP (outra coisa pitoresca, a se apurar). O domínio aol.com.br foi revalidado no Registro.br no último dia 22, sob responsabilidade de Jobelino Locateli, executivo especializado em dar consultoria a empresas internacionais que atuam no Brasil.

O que agora eu quero saber é qual será o resultado de tudo isso, ou pelo menos o que a AOL espera dessa sua segunda investida no mercado brasileiro. Na primeira, ela saiu bastante chamuscada pelas labaredas da grana que queimou por aqui.

Steve Case volta à AOL

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O co-fundador da AOL voltou à empresa para levantar o moral da tropa... mas só como visitante

O co-fundador da AOL voltou à empresa para levantar o moral da tropa... mas só como visitante

O homem que transformou a AOL no primeiro grande gigante online, Steve Case, voltou, depois de anos, à companhia que ajudou a fundar. Mas apenas como visitante. O objetivo era incentivar os atuais funcionários a manter a confiança em um mercado que a empresa já liderou com enorme folga, mas onde agora vem sangrando por anos a fio, ultrapassada principalmente pelo Google.

O evento também marcou a primeira aparição de Tim Armstrong como novo CEO da AOL, função que ele oficialmente assume no próximo dia 7. Ted Leonsis, vice-presidente emérito da AOL e outra estrela dos tempos de glória da companhia, também estava lá.

Armstrong deixou a posição de vice-presidente justamente no Google (onde também era presidente do Google Americas) para assumir a cadeira que pertencia a Randy Falco, que deixa a companhia. Jeff Bewkes, CEO da Time Warner (que controla a AOL), anunciou a mudança com um discurso otimista, sugerindo que Armstrong é a pessoa certa para resgatar os bons tempos do braço online do grupo.

O mercado, entretanto, acredita cada vez mais em indícios de que a Time Warner deve se livrar logo de toda a AOL ou pelo menos de parte dela. O próprio Google já ventilou que pensa em vender a sua participação de 5% na empresa sediada em Dulles, na Virginia (EUA). Por outro lado, boatos como esses existem há anos, e, até agora, a AOL continua lá, “cambaleante, mas firme”. Há alguns anos, mudou o seu modelo de negócios radicalmente, com resultados positivos (mas insuficientes para lhe devolver seu brilhantismo do passado).

Fica a pergunta, por que Armstrong trocaria a sua posição no Google por essa na AOL?

Quanto a Case, ele sempre foi visto como um ídolo interno na AOL, uma espécie de “irmão mais velho” dos funcionários. Com a fusão de US$ 164 bilhões da AOL e da Time Warner em 2001, ele se transformou em CEO da operação resultante, mas não conseguiu resistir no cargo, diante da turbulência causada pelo estouro da bolha ponto-com e de escândalos financeiros. Deixou o cargo dois anos depois, permanecendo ainda no conselho do grupo por outros três. Após isso, sua participação tanto na AOL quanto na Time Warner terminou.