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As maiores inovações podem surgir de cópias do que já existe

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De onde vêm as grandes ideias?

Em muitas ocasiões, algo que muda o mundo surge inspirado por um produto já existente -isso quando não acontece uma cópia.

Isso não tem nada a ver com falta de criatividade ou roubo intelectual. De certa forma, é exatamente o contrário disso: criamos produtos a partir da modificação de outros. Nessa linha, os anos 1970 viram o nascimento da Cultura Remix na música, quando novas obras surgiam pela mescla, ainda com equipamentos analógicos, de trechos de outras.

Isso se espalhou para outras formas de arte, mais notoriamente o cinema, e até a indústria de tecnologia. Alguns exemplos notórios da Cultura Remix são Star Wars e o Macintosh, da Apple.

Os meios digitais potencializaram essa nossa natureza, para incrível facilidade de se copiar, transformar e combinar seja lá o que for. Tanto que o conceito se popularizou completamente, tendo nos “memes” um exemplo prosaico e cotidiano disso.

É inevitável pensar em direitos autorais e patentes nessa hora. A Cultura Remix bate de frente com essas proteções, e os advogados andam com bastante trabalho. Entretanto, essa mudança cultural não tem volta. Precisamos aprender a conviver construtivamente com ela, sem coibir a criatividade ou infringir direitos de terceiros.

Entenda melhor a Cultura Remix e seu impacto no nosso cotidiano assistindo ao meu vídeo abaixo. E depois compartilhe conosco como ela faz parte da sua vida.



Ficou com vontade de assistir a “George Lucas Apaixonado”? É só clicar em https://www.youtube.com/watch?v=BDHTUETSLwM

Veja o trecho do filme “Piratas do Vale do Silício”, que ilustra como Steve Jobs usou as inovações da Xerox para criar o Macintosh (e o Lisa, antes dele): https://www.youtube.com/watch?v=0Rvn71r_Oic

Quer ouvir as minhas pílulas de cultura digital no formato de podcast? Basta procurar por “O Macaco Elétrico” no Spotify, no Deezer ou no Soundcloud. Se preferir, pode usar seu aplicativo preferido: é só incluir o endereço http://feeds.soundcloud.com/users/soundcloud:users:640617936/sounds.rss

“Vc tc” assim? Seu português pode melhorar!

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A Dra. Clare Wood, da Coventry University - Foto: divulgação

Para Clare Wood, o "internetês" não só não corrompe o idioma, como funciona como um poderoso instrumento para desenvolver habilidades ligadas à leitura e à escrita

A agilidade típica de conversas pela Internet (como em mensagens instantâneas) e em SMS popularizou de vez o uso de abreviaturas, acrônimos, siglas, neologismos embutidas nas frases, o que deixa educadores e pais de cabelo em pé. Para eles, expressões como “vc”, “tc”, “LOL” distorcem o idioma, produzindo uma geração de semianalfabetos.

Essa preocupação não existe apenas no Brasil. Tanto que pesquisa realizada por Clare Wood, na Coventry University (Reino Unido), procurou avaliar o que há de verdade nesses temores. E o resultado foi incrível: o uso de “texting” -como essa prática é conhecida em inglês- não apenas não representa uma ameaça, como paradoxal e surpreendentemente auxilia as crianças a desenvolver habilidades necessárias para a leitura e a escrita.

Segundo as conclusões da pesquisadora, a prática ajuda o “conhecimento fonológico”, que permite a uma pessoa detectar, isolar e manipular padrões sonoros na fala. Esse mecanismo é necessário, por exemplo, para saber se uma palavra rima com outra, ou o que sobra dela se removermos uma de suas letras. Para Wood, o “texting”, na verdade, ajuda as crianças a aumentar o seu contato com o idioma escrito.

“Esperamos instigar uma mudança na atitude de professores e pais, reconhecendo o potencial de exercícios baseados em texto para envolver crianças em atividades de conhecimento fonológico”, diz Wood. E vai mais longe: “se estamos vendo um declínio nos padrões literários de nossas crianças, isso acontece apesar de mensagens de texto, e não devido a elas.”

Por mais que isso possa se chocar com o senso comum, a pesquisadora está correta. E, se não for por qualquer outro motivo, já bastaria dizer que a língua é uma coisa viva, sempre disposta a ampliar os limites rígidos impostos pela norma culta. Peguemos o exemplo de “vc”, provavelmente o neologismo derivado dos chats mais popular em português. Ele significa “você”, palavra dicionarizada há muito, muito tempo. Mas alguém se lembra que “você” é uma evolução de “vosmicê”, que, por sua vez, derivou-se de “vossa mercê”? Não por acaso é um pronome de tratamento. Pois é, “vc” vem de “vossa mercê”, e isso está em linha com o que Wood afirma.

Por isso, apoio a sugestão dada dois parágrafos acima. Mas cabe a pergunta: quem vai capacitar os professores para isso? Sim, pois infelizmente lhes falta muito para abraçar uma causa linguística-tecnológica desse porte. Inicialmente porque precisam se despir de alguns preconceitos pedagógicos que há muito já deveriam estar enterrados. Depois porque precisam entender (no sentido amplo da palavra) que a tecnologia é uma enorme aliada pedagógica que eles possuem, e não uma ameaça. E finalmente eles precisam aprender a criar as tais atividades valendo-se da tecnologia e do que dela deriva, como o próprio “texting”.

Mas fica a pergunta: quem vai cumprir esse papel de educar os educadores? As editoras? Os governos? Os sindicatos? Honestamente, esse é um trabalho que toda a sociedade precisa abraçar. Nossos mestres estão tomando uma surra de inovação de seus discípulos, que acabam sendo as grandes vítimas desse processo, pois todo esse seu potencial acaba sendo desperdiçado em escolas que ainda estão no século passado (e não nas suas últimas décadas). Basta ver os exemplos da pequena Abbey e das crianças da Robin Hood School, nos posts anteriores.

As crianças podem ser muito mais (e elas querem isso), se forem adequadamente conduzidas. E esse é justamente o trabalho do professor moderno. Flw?