Monthly Archives: janeiro 2020

Não há atalho nas redes sociais

By | Educação | No Comments

Se tem uma coisa que muita gente quer saber e outro tanto tenta vender é a “fórmula mágica” de como se dar bem nas redes sociais. Afinal, criar uma boa imagem nas redes é um excelente marketing para qualquer profissional e qualquer empresa.

Pena que isso não existe!

Existem, sim, boas práticas que ajudam, mas elas precisam ser usadas com trabalho duro, consistente e ético. Mas pouca gente está disposta a se dedicar dessa forma


Saiba mais sobre esse assunto no vídeo abaixo:


Na quinta passada, entreguei a minha dissertação de mestrado na PUC de são Paulo, que trata exatamente desse tema. Hoje eu quero compartilhar com vocês o resumo das conclusões desse estudo de dois anos.

Primeiramente, a melhor ferramenta para construir uma comunidade virtual em torno da sua marca, seja um profissional autônomo, seja uma multinacional, é a produção consistente de conteúdo e o relacionamento de qualidade com seu público. As duas coisas são essenciais!



Mas talvez a coisa mais importante de todas é que, para se dar bem nas redes sociais, você precisa construir reputação, e não só ficar fazendo barulho.

E o que eu mais vejo nas redes é gente fazendo barulho!

Entendam: não há nada de errado em vender seu produto, seu serviço na rede. Só que, apenas com isso, enquanto você estiver aparecendo, as pessoas eventualmente comprarão. Quando o barulho acabar, não sobra nada! Em meio a um oceano de ofertas, você não vai ser lembrado.

Outra coisa comum nas redes –e isso é péssimo– são essas “histórias fajutas”, normalmente com uma suposta superação, na tentativa de inspirar as pessoas e mostrar como os autores são “pessoas maravilhosas”.

Muitas dessas “historinhas” usam o conceito da Jornada do Herói, criado pelo grande mitólogo Joseph Campbell em 1949. Ela está associada a um processo de “superação” do autor do conteúdo, que vence suas dificuldades com a ajuda de um mentor e, ao final, regressa triunfante. Mas o próprio Campbell advertia que “o escritor deve ser verdadeiro para com a verdade”.

Infelizmente o que vemos é um abuso desse recurso, pois ele fisga muita gente mesmo! E como muitas pessoas curtem, comentam e compartilham aquela bobagem, os algoritmos das redes a espalham para ainda mais gente.

Essas histórias pioram o nível médio das discussões das redes e atrapalham as visualizações daqueles que realmente estão contribuindo com conteúdos relevantes. Além disso, chega uma hora em que as pessoas percebem o truque, e o autor acaba ficando queimado na rede.

Para a pesquisa, foram analisadas quase mil publicações, de sessenta usuários. O foco foi o LinkedIn, por ser a rede que melhor serve à construção de propósito. Para cada uma delas, foram vistas dez variáveis, incluindo diversas métricas de engajamento, a facilidade de entendimento do conteúdo e se a publicação abordava algo que estava “na moda”, ou seja, um tema sobre o que muita gente estava falando no momento. Houve ainda 35 entrevistas qualitativas com autores.

O estudo demonstrou que existem algumas boas práticas para aparecer bem na rede.

Primeiramente, o autor deve entrar regularmente na plataforma, realizar diversas ações e adotar comportamentos construtivos. Fomentar conversas e participar delas é essencial. O melhor assunto é aquele que o autor domina e que agrada o seu público, e temas “da moda” tendem a trazer melhores resultados, especialmente quando o autor consegue aplicar isso aos assuntos de seu domínio.

A linguagem das publicações deve ser simples de ser entendida, e posts tendem a trazer melhores resultados que textos muito longos. E o melhor dia e horário para publicação é aquele que o público do autor está on line.

Por fim, a presença de imagens é fundamental e vídeos são o formato que mais agrada o público, apesar de não ser garantia de mais engajamento.

É fundamental entender que esse resumo traz apenas sugestões que são observações estatísticas. Nas redes sociais, assim como na vida, não há verdade absoluta.

Uma outra coisa importante que o estudo demonstrou é que uma reputação sólida na rede traz benefícios bem palpáveis no cotidiano dos autores, até mesmo profissionais e comerciais. Ou seja, não é necessário ficar se preocupando em vender explicitamente seu produto. As pessoas compram de quem lembram como uma autoridade no assunto e está sempre presente construtivamente em suas vidas.

Afinal, redes sociais são espaços privilegiados de relacionamento. A construção de uma boa reputação passa, portanto, por ser verdadeiro e humano.

Ainda vale a pena publicar nas redes sociais?

By | Educação | No Comments
Imagem: Universo Produções / Creative Commons

Publicar bom conteúdo nas redes sociais se tornou um excelente negócio para profissionais e empresas. Graças a técnicas cada vez mais refinadas, “transformar-se em um veículo de comunicação” abriu um eficiente canal de relacionamento com clientes. Entretanto, de um ano para cá, muitos bons produtores de conteúdo começam a se questionar se ainda vale a pena investir nisso, o que é uma lástima!

Há dois principais motivos para isso. O primeiro é a enxurrada de conteúdo ruim que invadiu todas as redes. Empurrados por “fórmulas mágicas”, um exército de usuários despeja diariamente milhares de posts de qualidade no mínimo questionável, mas com grande apelo. O objetivo é angariar o máximo possível de curtidas e cliques, ganhando visibilidade para vender algo depois.


Vídeo relacionado:


Os autores desse conteúdo até conseguem atingir esse objetivo, mas ele é fugaz e arriscado. Faz-se muito barulho, mas não se constrói nada com isso. Quando o barulho acaba, não sobra nada! Pior que isso: pela baixa qualidade e até pela “malandragem” embutida na metodologia, muitos já criaram uma má fama nas redes.

Mas o principal problema é que os bons conteúdos acabam se diluindo nessa imensidão de porcaria! Como as pessoas acabam sendo seduzidos pela fórmula e clicando nos posts ruins, os algoritmos de relevância os exibem ainda mais, fazendo com que os diamantes se percam no meio de uma montanha de carvão. E aí os produtores desse bom conteúdo começam a achar que o trabalho fica muito grande para pouco retorno.

O outro problema que está afastando aqueles que criam posts, artigos e vídeos que realmente contribuem com a sociedade são as patrulhas ideológicas, que tomaram as plataformas digitais de assalto. Para esses grupos, quem pensa diferentemente deles merece ser combatido e até mesmo destruído! Para isso, são organizados e violentos.

Esses grupos fazem um barulho enorme, parecendo ser muito mais numerosos, poderosos e inteligentes que o que realmente são. E são sempre os mesmos grupos, tanto de um lado, quanto do outro. Os bons produtores de conteúdo precisam ficar se desviando deles, e aí deixam de falar tudo que poderiam. Ou simplesmente não falam mais.

Isso não acontece só nas redes sociais. As patrulhas ideológicas combatem a boa imprensa, a arte, a educação. Tudo aquilo que faz com que as pessoas pensem mais livremente e tenham uma visão mais plural do mundo.

E é nessa hora que as redes pioram.

É nessa hora que toda a sociedade perde!

Como resolver o problema

As redes sociais são o reflexo da sociedade. Se elas estão ficando piores, é porque a sociedade está ficando pior.

Toda rede social começa com um “clubinho”, um grupo de pessoas mais ou menos homogêneo, que estão ali com o propósito de publicar algo que ensine, inspire ou divirta os demais participantes.

Com o tempo, se a rede fizer sucesso, ela vai se tornando mais e mais popular. Isso significa que pessoas muito diferentes garantirão a entrada no “clube”. A princípio, não há nenhum problema nisso: o convívio saudável com as diferenças é benéfico, pois evoluímos assim. O problema é que, em tempos de polarização ideológica e intolerância, o convívio está cada vez menos saudável! E aí a rede perde seu propósito, sendo destruída de dentro para fora.

Foi assim com o Orkut, com o Facebook… Será que o LinkedIn chegará nisso também?

Espero que não! O LinkedIn sempre foi, de longe, um palco para discussões de alto nível e plurais. De um ano para cá, também foi invadido pelos “malandros”, que querem só se promover, pelas “patrulhas”, que estão tentando fazer a sua tradicional “faxina ideológica” nele também. Felizmente, não estão tendo o mesmo sucesso que o visto em outras redes, especialmente o Facebook e o Twitter.

Espero sinceramente que não consigam, porque ali é lugar de gente mais civilizada. E que o espaço se destina conteúdos de boa qualidade e conversas de alto nível.

Os bons conteudistas não devem, portanto, desanimar com o que está acontecendo. Muito pelo contrário: devem produzir ainda mais! A balança entre o material ruim e o bom está pendendo muito para o primeiro lado. Precisamos equilibrar esses pratos!

Todo mundo tem algo bom para contribuir, para ensinar e para aprender. Você tem: diga! Diga com propriedade e respeito. E faça isso com foco no público, não só para se promover!

Temos que parar de dar audiência para quem não merece, esse pessoal que fica publicando historinhas rasas para vender qualquer coisa depois. As redes sociais não são apenas algoritmos. Elas são feitas, antes de mais nada, de pessoas, e são elas que vão dizer, no final, o que realmente vale a pena aparecer mais.

Produza conteúdo, bom conteúdo! E inspire outras pessoas e empresas a fazerem o mesmo.


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A busca pela verdade

By | Jornalismo | No Comments

Como você se informa? Será que a fonte é confiável ou você está sendo enrolado?

A verdade é essencial para a manutenção da vida e para que possamos nos desenvolver como pessoas e como profissionais. Entretanto, muitas pessoas preferem encontrar mentiras confortáveis para pautar suas decisões.

A busca pela verdade passa pela escolha de nossas fontes de informação. Estudo da Universidade de Oxford (Reino Unido) e do Reuters Institute for the Study of Journalism indica que o brasileiro é o povo que mais se preocupa com as “fake news” no mundo (85%). Paradoxalmente, é um dos que mais se “informa” com fontes pouco confiáveis, como WhatsApp e Facebook (53%). O estudo também indica que a imprensa é a fonte preferida por pessoas com mais escolaridade e em ambientes menos polarizados política ou ideologicamente.

E isso faz todo o sentido! Em países com governos autoritários, como os Estados Unidos, a Venezuela e o Brasil, a imprensa vem sendo fortemente combatida e desacreditada pelos governantes, que querem terreno livre para fazer o que bem entenderem. Claro: uma das principais funções da imprensa é justamente fiscalizar desmandos dos poderosos.

Muitos podem argumentar que a imprensa não é confiável, por ser falha e até “vendida”. Não se pode generalizar! É verdade que algumas empresas de comunicação fazem um mau trabalho, deixando de servir o público. Mas essas estão quebrando! Em contrapartida, há muitos veículos que buscam a verdade com apurações bem feitas, com ética e com seriedade. Esses representam ótimos caminhos para quem busca a verdade.

Veja no meu vídeo abaixo como identificar fontes confiáveis que podem ajudar você a também buscar a verdade. E depois compartilhe conosco nos comentários suas percepções sobre esse cenário em que vivemos.



Assista ao meu vídeo da semana passada, que explica tudo sobre “deep fake” a tecnologia que está se popularizando e permite a criação de vídeos absolutamente convincentes com pessoas fazendo e falando coisas que nunca fizeram. A tecnologia é impressionante, mas cria uma série de preocupações éticas: https://www.linkedin.com/posts/paulosilvestre_deepfake-fakenews-fraude-activity-6619912426118750209-Qg6Y

Veja o resumo do “Digital News Report 2019”, feito pelo Media Lab Estadão. O estudo é realizado anualmente pela Universidade de Oxford e pelo Reuters Institute for the Study of Journalism, sobre o consumo de notícias digitais nos principais países: https://on24static.akamaized.net/event/20/39/69/5/rt/1/documents/resourceList1562351951904/ebookv61562351865480.pdf

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O ano do “deep fake”

By | Tecnologia | No Comments

Hoje o ano se inicia para valer! E faz isso com o alerta de algo que pode “bagunçar o coreto”, especialmente em um ano eleitoral: o “deep fake”. Trata-se de uma tecnologia capaz de criar vídeos absolutamente convincentes com pessoas agindo ou dizendo coisas que nunca fizeram.

Viabilizada pela inteligência artificial e pelas milhões de imagens nas redes sociais, ela chegou a uma tal sofisticação, que nem especialistas conseguem identificar um vídeo verdadeiro de um falso.

Quer entender como ela é feita e ver alguns exemplos? É só assistir ao meu vídeo abaixo:



As fotos e vídeos nas redes sociais são importantes porque servem como base para “calibrar” o sistema de reconhecimento fácil. Todos os rostos têm pontos específicos que servem para os identificar, quase como se fosse uma impressão digital. É assim que, por exemplo, o Facebook consegue saber instantaneamente quem está conosco nas fotos que subimos na rede social.

A inteligência artificial usa essa informação para que o computador aprenda como o rosto de uma pessoa se comporta, como ele fica em cada pose possível. A partir daí, ele consegue sintetizar, com incrível precisão, a imagem de qualquer pessoa realizando movimentos e falando coisas que outra pessoa -um “modelo”- executou em outro vídeo.

Essa tecnologia já é usada há anos por Hollywood em filmes como “Star Wars”, “O Senhor dos Aneis” ou “King Kong”. Mas lá são sistemas caríssimos e extremamente complexos. A diferença é que o “deep fake” pode ser realizado em um computador doméstico, com software gratuito. E qualquer um pode se tornar vítima disso hoje.

Surge a pergunta: como evitar que isso aconteça?

Tudo isso ganha ainda mais relevância se considerarmos que estamos em um ano eleitoral. É só pensar no estrago que as “fake news” vêm fazendo desde antes das eleições anteriores. E, diante do “deep fake”, as infames notícias falsas parecem brinquedo de criança.

O problema é mais grave que muitos podem perceber a princípio. Várias tentativas estão sendo feitas para “separar o joio do trigo”, mas infelizmente elas têm falhado na tarefa. A própria inteligência artificial que viabiliza o “deep fake” virou ferramenta, mas os resultados são frustrantes. Há ainda iniciativas “malucas”, como obrigar que todas as câmeras criem um “selo de autenticidade digital” nas imagens que produzirem ou que ainda as pessoas registrem continuamente o que fizerem, onde e com quem estiverem.

No final das contas, a solução mais razoável é a mesma que a das “fake news”: educar a população. O problema é que, se falhamos miseravelmente nessa tarefa, que dizer agora com o “deep fake”, muito mais convincente que escandalosos postagens falsas distribuídas pelo Facebook e pelo WhatsApp?

Uma vez mais, a responsabilidade para encontrar a verdade no meio de um mar de mentiras recai sobre a boa imprensa. Somente ela, tem esse poder, fazendo investigações reais, no mundo real, indo atrás da informação real.

Muitos podem dizer: “mas a imprensa é vendida e falha!” Há empresas e veículos que infelizmente são mesmo. Mas há também aqueles -e não são poucos- que, se não são infalíveis (pois isso não existe) buscam fazer um trabalho sério.

Quer saber quem está trabalhando bem? Veja quem é mais vítima dos ataques de governantes. Quanto mais atacados, provavelmente melhor o trabalho jornalístico. E, se o mesmo veículo for atacado por adversários políticos, então o trabalho deve estar sendo bem feito mesmo!

Só assim, teremos mais chance de não sermos feitos de bobo!


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