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Não tem jeito: hoje a vida acontece pelas telas

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Há muito tempo, debato calorosamente com meus amigos sobre o nosso tempo diante de diferentes telas, como a do celular, a do computador ou a da televisão. Não desgrudamos desses dispositivos, e cada vez mais dependemos deles para quase tudo. Você possivelmente até dorme com um deles a seu lado!

Eu sempre fui um defensor de um uso amplo, mas consciente da tecnologia. Alguns amigos torciam o nariz para isso, e diziam que deveria ser limitado. E uns poucos eram bastante críticos ao crescente espaço que a tecnologia digital ocupava em nossas vidas. Mas aí chegou a pandemia de Covid-19 e o distanciamento social, e tudo mudou! Passamos a depender das telas para vivermos nossas vidas, mesmo no que antes fazíamos sem elas.

Estamos exagerando? Existe um limite saudável para essa exposição??


Veja esse artigo em vídeo:


Já se vão quatro meses de regras de distanciamento social por causa do Covid-19. Por mais que a economia esteja reabrindo aos poucos, muita coisa já mudou de uma maneira definitiva.

Comportamentos e aprendizados do tempo da pandemia permanecerão além dela. Por exemplo, você conseguiria dizer quanto tempo você ficava diante de uma tela qualquer antes da pandemia e quanto fica agora?

Até o ato de nos encontrarmos com nossos amigos tem acontecido dessa forma. Chamadas em vídeo por WhatsApp, Zoom, Skype, Hangouts se tornaram comuns. Happy hours agora são à distância, cada um bebendo em sua casa, mas com todos conversando animadamente pelo mosaico do Zoom. Até aniversários agora acontecem assim! E paradoxalmente muitas pessoas que não viriam a nossas festas agora comparecem a esses eventos online (até mesmo porque algumas moram em outras cidades ou até em outros países).

Trabalhar em casa também é outro grande exemplo, do qual já debatemos longamente aqui nesse mesmo espaço. Antes da pandemia, a maioria das empresas torcia o nariz para o home office, dizendo que ele não era produtivo. Agora muitas fazem planos para diminuir o tamanho de seus escritórios, pois farão rodízio entre funcionários trabalhando no local e aqueles que ficarão em casa.

Outra coisa que também já debatemos bastante aqui é o estudo online. Com escolas fechadas, os alunos passaram a ter aulas em casa. Se isso é motivo de grande estresse para alguns pais, para alguns alunos do ensino superior, a nova modalidade é vista com bons olhos e até preferível, pelo menos em alguns casos.

As telas invadiram também nossa maneira de nos divertir, de comprar, até de paquerar! Parece que a vida agora cabe naquele retângulo.

Não tivemos opção! Tivemos que nos adaptar na marra em poucas semanas a isso tudo.

Ninguém esperava por isso. Ninguém planejou isso. Foi tudo muito rápido!

Por isso, algumas pessoas e alguns negócios se adaptaram de maneira melhor que outros. Os que se deram bem são aqueles que já usavam mais o meio digital. Para essas pessoas e essas empresas, a coisa apenas se intensificou.

Ou seja, os recursos do meio digital, representados pelas telas, são uma tremenda oportunidade. Não resolve tudo, mas ajuda muito! Precisamos então de planejamento e uso consciente.

O futuro é agora

Estava pensando nesses dias no desenho animado “Os Jetsons”. Muito de suas vidas acontecia por telas. Isso parecia ser algo trivial para eles, inclusive em muito das coisas que estamos vivendo agora. Mas em 1962, quando a animação foi lançada, tudo era ficção científica.

Todos almejavam aquele futuro brilhante. O que tornava aquilo natural é que, aparentemente, tudo havia sido feito com planejamento, em uma sociedade que teve tempo para absorver bem as novidades.

Aí está a diferença entre eles e o que vivemos hoje. E justamente aí está o caminho que devemos buscar. Apesar de tudo isso estar nos sendo imposto, não devemos ser nem deslumbrados diante da tecnologia, nem reacionários ao seu uso.

A tecnologia é só uma ferramenta! Não existe tempo mínimo e tempo máximo para estarmos nas telas: existe bom uso e bom senso!

Temos que aproveitar todos os recursos que ela nos oferece. Mas ainda há muitas coisas que podemos fazer sem ela, mesmo com as restrições impostas: não devemos abandoná-las!

Peguemos, como exemplo, o home office. Será que precisamos passar o dia em videoconferências? Isso está deixando as pessoas exaustas!

Por outro lado, em uma turma atual em um curso meu na PUC-SP, tenho alunos que há muito queriam participar das minhas aulas, mas que não podiam fazer isso antes, pois as aulas eram apenas presenciais, e eles moram em outras cidades. Agora tenho até uma aluna que mora em Dubai, e que fica online das duas às cinco da manhã, no seu horário, três vezes por semana, para assistir às minhas aulas. Nesse caso, a tecnologia viabilizou o acesso à educação par essas pessoas.

Mesmo quando tudo “voltar ao normal”, será que seremos os mesmos?

Talvez ainda demore um tempo para voltarmos a ser como éramos. Na verdade, acho que nunca voltaremos totalmente a ser como antes!

Isso me faz lembrar de um outro vírus: o HIV, que causa a Aids. Ele mudou a nossa maneira de viver o sexo desde os anos 1980 e 1990, com os preservativos se tornando onipresentes. Talvez o Covid-19 mude muito de nossas vidas, que passarão a ser feitas mais à distância, pelas telas.

Sherry Turkle, professora de Estudos Sociais de Ciência e Tecnologia no prestigioso MIT (Massachusetts Institute of Technology) e autora do livro “Alone Together” (algo como “Sozinhos Juntos”, em uma tradução livre), afirma que, à medida que a conexão digital com as pessoas aumenta, nossas vidas emocionais diminuem. Seu argumento é que, apesar de estarmos constantemente nos comunicando com outras pessoas pelas redes sociais, essas trocas acabam não sendo autênticas e nos levam à solidão.

Recentemente, em uma entrevista à CNET, ela disse que agora quando a falta de contatos presenciais nos é imposta, percebemos quanto eles são importantes. E que quando finalmente começarmos a nos encontrar novamente, isso pode ser uma experiência assustadora. Mas, segundo ela, quando superarmos isso, apreciaremos muito mais a presença do outro.

Até lá, devemos usar as telas com inteligência e critério. Sem exageros, mas aproveitando o que de bom nos oferecem.

Devemos também humanizá-las! Dar a elas e ao que fazemos nelas a nossa cara, o nosso jeito. Afinal, parece que elas se tornaram uma extensão de nós mesmos. E algo disso permanecerá depois da pandemia.

Sua humanidade importa muito!

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Dizem que, nas crises, vemos o melhor e o pior das pessoas.

Bom, estamos passando possivelmente pela pior crise de uma geração inteira, e essa máxima vem se confirmando. Acontecimentos no Brasil e no mundo nos últimos dias reforçam o lado negativo.

Mas há o outro lado, felizmente, e ele também vem se manifestando com força, com pessoas e empresas ajudando quem estiver a sua volta. Exercitar o nosso lado bom pode nos trazer grandes resultados, inclusive profissionais. Em um mundo cada vez mais digital e automatizado, saber aproveitar sua humanidade tornou-se um diferencial.


Veja esse artigo em vídeo:


Eu sou um grande entusiasta do mundo digital! Trabalho com isso desde 1995, quando eu criei o primeiro site da Folha de S.Paulo na Internet, a FolhaWeb, que depois deu lugar ao Universo Online.

De lá para cá, a Web evoluiu absurdamente, assim como a capacidade dos computadores, a inteligência artificial, as telecomunicações. Surgiram as redes sociais, os smartphones, a Internet das Coisas, a Cloud Computing, os assistentes digitais. Isso só para ficar em alguns exemplos mais óbvios de inovação.

Portanto falar que o meio digital mudou nossas vidas é de uma obviedade atroz! E essa mudança vem se acelerando de forma exponencial!

Nesses pouco mais de dois meses de distanciamento social por conta do Covid-19, o digital atingiu um novo patamar de presença em nossas vidas. Muitos negócios só sobreviveram graças ao contato com seus clientes pelo meio online, e alguns daqueles que já estavam bem estabelecidos nas plataformas digitais chegaram mesmo a crescer na crise. Além disso, eu nunca ouvi falar tanto de home office quanto nessas semanas. Que dizer então do e-commerce?

Mas isso também trouxe alguns problemas. A mesma automação e o contato apenas pelas telas vêm nos tornando pessoas mais angustiadas. Empresas observam que algumas equipes estão até mais produtivas ao trabalhar em casa, mas estão menos engajadas. Há menos sensação de pertencimento ao time.

Na área de educação, o ensino à distância salvou o ano letivo. Alguns professores e alunos se adaptaram perfeitamente ao novo formato, e estão conseguindo aprender tão bem quanto em sala de aula. Mas os alunos estão se relacionando menos com os professores. Pior: estão se relacionando menos entre si!

Alguns poderiam dizer que essas são perdas aceitáveis diante dos ganhos que a nova realidade nos proporcionou. Mas poderíamos ter os mesmos ganhos sem ter essas perdas tão grandes.

A nova realidade do e-commerce para se comprar tudo, das videoconferências intermináveis, das aulas presenciais transformadas em ensino à distância reforçam a eficiência de processos. Mas ela prejudica a nossa humanidade.

Estamos em contato com todo mundo e, ao mesmo tempo, com ninguém.

No jornalismo, há um ditado que diz que as melhores pautas surgem no cafezinho. Isso é a mais pura verdade! E não vale só para jornalismo. Quando estamos conversando com outras pessoas de maneira mais leve, mais descontraída, sem ficar preocupados em resultados, em métricas e metas, a nossa humanidade aflora. Criam-se mais conexão entre os interlocutores, olhamos além do nosso horizonte pessoal e construímos algo com o outro, combinando a nossa vivência com a dele.

É aí que a nossa humanidade nos está escapando.

Não tem mais cafezinho com os colegas. Os alunos não ficam jogando conversa fora entre uma aula e outra (ou até mesmo durante a aula). Não há mais vendedor nos atendendo.

Entramos na videoconferência, fazemos o que tem que ser feito e vamos embora. Foco no resultado!

Só no resultado…

Para mantermos os ganhos que estamos tendo e diminuir as perdas temos, portanto, que “resgatar a nossa humanidade”. Quem conseguir fazer isso, atingirá um novo patamar de eficiência nos negócios, na experiência com seu cliente e até diminuirá as suas angústias pessoais.

Não é de se admirar que muitas empresas afirmem que suas equipes até aumentaram a produtividade nesse período de distanciamento social. Afinal, diante de uma crise que surgiu de maneira tão devastadora quanto rápida, os gestores só tiveram tempo de pensar em produtividade ao criar os novos processos. A humanidade ficou para depois.

Mas isso não é sustentável! Como estamos vendo, as pessoas estão se desengajando e até adoecendo. Se o trabalho, o ensino, o comércio à distância ocuparão muito espaço no “novo normal”, isso precisa ser resolvido.

As empresas, as escolas, as instituições precisam criar mecanismos para que as pessoas que estão longe se sintam parte da equipe. Assim como o RH se preocupa em colocar uma máquina de café na empresa, onde as pessoas possam se encontrar e bater um papo durante o expediente, um espaço virtual semelhante precisa ser oferecido. E essa interação precisa ser incentivada! Nas escolas, isso também precisa acontecer para os alunos e até para os professores. Eles não devem se encontrar apenas para ter aula.

Ironicamente, a tecnologia pode nos ajudar muito nessa tarefa.

Já há algum tempo, trabalho com o conceito de humanidade aumentada. Ou seja, quando vamos atender um cliente, a tecnologia deve nos oferecer subsídios, informações sobre ele para que o atendente, o vendedor possa conversar falando coisas que realmente interessam e ajudam o cliente. Coisas do cliente, no contexto dele! É uma venda consultiva supereficiente baseada em informações sobre o consumidor, vindas de todo tipo de fonte, para que o atendente possa justamente exercitar seu lado humano ali.

No final, todo mundo ganha com isso: o cliente e a marca.

Guardadas as devidas proporções, empresas, escolas devem oferecer espaços digitais para que as pessoas se conheçam mais e interajam entre si. A nossa humanidade deve ser resgatada, mesmo em times remotos.

Nessas horas, eu não posso deixar de pensar nos atendentes de telemarketing, que têm que seguir scripts draconianos, que os impedem de ter ideias e até de escolher palavras. Estamos robotizando as pessoas, enquanto tentamos humanizar as máquinas. O primeiro para melhorar o processo; o segundo para melhorar a experiência. Temos que unir o melhor das duas coisas!

Temos tanto medo que as máquinas roubem nossos trabalhos, mas nos comportamos cada vez mais como elas. Esse processo precisa ser revertido.

Só um ser humano consegue extrair resultados e até beleza do inesperado, do ilógico e até da feiura. E a vida é tudo isso também! Nem tudo é belo e certinho.

Vamos usar -sim- a tecnologia a nosso favor, para melhorar nossa carreira, nossos negócios. Mas jamais esqueçamos da nossa humanidade.

Esse sempre será o nosso diferencial!

Pedro Bial entrevista Glória Maria, na estréia da temporada 2020 de "Conversa com Bial" - Foto: reprodução

Não adianta você se preparar para o “novo normal”, porque ele já chegou

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Esse não é mais um artigo sobre o tão falado “novo normal”, que surgirá quando as regras de distanciamento social finalmente forem flexibilizadas. Por um motivo simples: ele não existe! Pelo menos ele não está no futuro: já chegou. Tudo já mudou!

A questão é: você já percebeu isso? E mais: você já mudou para não virar carta fora do baralho?

Não é nenhum papo motivacional vazio. É resultado de diversas observações de mercado. Estamos há cerca de dois meses nesse regime de distanciamento social, que, às vezes, parecem dois anos. Para muita gente, parece que a “vida antiga” tivesse ficado para trás definitivamente, sem tem encontrado um novo caminho para substituir o que se perdeu.

Daí vem o vazio e, em alguns casos, a ansiedade, o desespero, a depressão.

Enquanto isso, o “novo normal” já se instalou entre nós.

Por exemplo, nessa segunda, assisti à reestreia do programa “Conversa com Bial”. A Globo chegou a postergar a volta do talk show, talvez na esperança que fosse possível voltar às gravações nos estúdios, com o arrefecimento do Covid-19.

Como isso não aconteceu (e nem se vê isso acontecendo nas próximas semanas), a emissora teve que tomar uma decisão: reinventar o programa para o “novo normal”. No caso, o talk show virou uma videoconferência transmitida pela TV. Bial estava na sua casa e a convidada -na estreia, Glória Maria- estava na dela. Achei curioso que até os músicos de sua banda estavam em seus respectivos lares, e fizeram aparições breves no início e no final do programa.

O apresentador transformou um canto da sua casa em um miniestúdio, com câmeras, captação de áudio e iluminação profissionais, o que garantiu que sua imagem estivesse ótima. Mas a convidada não tinha nada disso. Na verdade, deu par ver que Gloria usou uma transmissão convencional pela Internet, com direito a borrões e leves travadas. Na Globo pré-pandemia, isso dificilmente seria tolerado. O “novo normal” impôs, entretanto, uma nova realidade à emissora: aquilo não era mais possível.

O mais interessante nisso tudo é que, do ponto de vista do público, isso se tornou irrelevante. Nesses dois meses loucos, assistimos a tantas lives, fizemos tantas videoconferências, assistimos a tantas aulas à distância, que aquela nova linguagem e aquela nova qualidade foram totalmente assimiladas em nosso cotidiano.

Então por que resistir ao novo?

Encontre a sua oportunidade

Tudo nessa vida pode mudar, evoluir. Nas últimas semanas, tenho tratado disso continuamente em meus vídeos e em meus posts.

As lojas, por exemplo, que foram colocadas de joelhos pela pandemia, começam a se reencontrar, ainda longe do que eram antes, no e-commerce. Mas o próprio e-commerce também vem mudando, reforçando o papel dos pequenos e microvarejistas em modelos de marketplace e de fulfillment. Sem falar em outras saídas criativas, como drive thru para pegar produtos comprados pelas redes sociais.

Outro assunto que muito se tem falado é o home office, que sempre foi rejeitado por muitas empresas e gestores, e agora, diante da explosão de seu uso, vem sendo revisto. Muitas empresas já decidiram que, quando os escritórios forem reabertos, pelo menos parte da equipe continuará trabalhando à distância, com ganhos para a própria empresa e também para os funcionários.

Infelizmente nem todos podem aderir a essa modalidade, seja pela natureza do seu trabalho, seja porque não têm condições (boa Internet, computador, sistemas). Isso é lastimável, pois cria mais um fator de segregação na nossa sociedade, já bastante desigual. Mas espero que sirva, pelo menos, para que empresas e governos atentem que essa mudança é real e deve ser incentivada a viabilizada, com apoio aos profissionais que possam e queiram aderir ao trabalho em casa.

Essa realidade, tão incômoda para tanta gente, revela, portanto, uma incrível oportunidade de transformação e de aprendizado. Não que isso seja fácil. Aliás, na maioria das vezes, isso tem acontecido com muita dor, tanto do lado do funcionário quanto da empresa, principalmente porque a mudança foi imposta em velocidade alucinante. Esse foi um dos temas da minha conversa com Cristina Palmaka, presidente da SAP Brasil, nesta terça, que pode ser vista abaixo:


Assista à minha entrevista com Cristina Palmaka:


A própria entrevista aconteceu sob a égide do “novo normal”: assim como Bial agora entrevista de casa, tenho feito várias entrevistas do meu pequeno “estúdio doméstico”. Palmaka, quem já tive o prazer de entrevistar em eventos no Brasil e nos EUA, agora estava em sua casa. E isso, nem de longe, comprometeu nossa ótima conversa.

É preciso entender que as mudanças exigem que todos os envolvidos concordem com ela, e isso inclui o cliente. A Globo entendeu que seu público aceitaria de bom grado que parte de sua programação passasse a ser feita no novo formato, como aconteceu com o Bial. E acertou!

Na minha atividade de professor, as aulas têm acontecido, com grande sucesso e trocas riquíssimas, em diferentes plataformas online. Mas, novamente, isso só está sendo possível pela participação ativa dos alunos, que são os clientes, que abraçaram o “novo normal”, mesmo esses cursos sendo originalmente dados em sala de aula.

Portanto, da mesma forma que não adiante ficar resistindo às mudanças, o tempo de ficar se preparando para mudanças que “um dia chegarão” já passou. O “novo normal” está entre nós, impondo as mudanças de um jeito ou de outro. Quem se mexeu já está colhendo frutos. Quem continua parado pode virar carta fora do baralho muito em breve. Todos precisam se reinventar -às vezes profundamente- dentro de sua realidade.

E você, o que está fazendo?


E aí? Vamos participar do debate? Role até o fim da página e deixe seu comentário. Essa troca é fundamental para a sociedade.


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Mantenha a cabeça no lugar enquanto estiver em casa

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Por conta do isolamento social que todos nós devemos fazer por causa do novo coronavírus, um novo problema surge: manter a cabeça no lugar!

O isolamento mais intenso começou há poucos dias, mas parece que já fosse há muito mais tempo. E essa percepção está ligada à quebra da nossa rotina de maneira tão dramática. Além disso, existe uma incerteza tremenda sobre o que acontecerá com nosso trabalho e os inevitáveis impactos na economia. Há ainda o fator de que nosso trabalho também está se transformando, e, para muita gente, de forma intensa!

Sem falar no medo individual, mais ou menos declarado, da doença em si.

Afinal, o que pode acontecer com cada um de nós?


Saiba mais sobre esse assunto no vídeo abaixo:


A primeira coisa que temos que ter em mente é que, por mais que isso doa, por mais que nos recusemos a aceitar, por mais que isso esteja nos provocando mudanças profundas e até prejuízos, o planeta está se transformando de maneira aceleradíssima nas últimas semanas.

O mundo no qual começamos o ano está sendo substituído por algo novo, que todos nós estamos construindo, de maneira rápida e um tanto dolorosa. Decisões e mudanças que normalmente tomaríamos em meses -talvez anos- estão acontecendo em semanas, dias.

Claro que isso insere uma dose cavalar de risco, incerteza e até medo no processo. Afinal, estamos construindo o avião em pleno voo. E é um voo com fortíssima turbulência.

Em um cenário em que temos que buscar fazer à distância tudo que for possível, o meio digital obviamente se torna crítico. Mas simplesmente dizer isso seria simplista demais e não resolveria muita coisa.

Transformar algo presencial em um equivalente online implica muito mais que a tecnologia. Temos que evoluir nossos modelos de negócios e estarmos dispostos a flexibilizar a maneira como nós trabalhamos. Precisamos ser mais tolerantes e compreensivos com o outro, pois todos nós estamos nessa transformação: muitas coisas não acontecerão como acharíamos o ideal.

Por exemplo, quando falamos em como fazer um home office produtivo, uma das dicas básicas é termos um espaço em casa para o trabalho, onde possamos evitar distrações. Só que, agora, a família inteira está em casa: até as crianças “estão em home office”. Não há como conseguir aquela tranquilidade para trabalhar.

Muita gente pode achar isso inadequado, inaceitável! Em condições normais, daquele mundo que deixou de existir, talvez fosse. Mas não dá mais para ser assim! Temos que demonstrar empatia com o outro, que se esforça para fazer o melhor, mas nem sempre conseguirá!

Ainda assim, os novos formatos podem ser surpreendentemente bons, inovadores e criativos. Mas, para isso acontecer, todos os envolvidos -inclusive clientes- precisam se esforçar e aceitar que fazem parte desse processo. É um tremendo desafio, qualquer que seja a sua área, até mesmo conter a ansiedade que toda essa incerteza nos provoca.

No meio disso tudo, para preservar as faculdades mentais, manter-se ocupado e produtivo é essencial.

Caso você seja o dono de um negócio ou gestor, entenda que possivelmente terá que mudar -e muito- suas entregas. Mas não encare isso com pesar, como o fim do mundo. Talvez seja até uma oportunidade para criar um novo produto ou modelo de negócios.

Se você continua trabalhando na empresa por ser um serviço essencial, concentre-se nas suas tarefas e tome todos os cuidados necessários. Por outro lado, se estiver fazendo home office, procure melhorar a sua produtividade com foco e tecnologia, mas adote também a resiliência e a empatia, como explicado acima. Mas, se estiver simplesmente em casa sem poder trabalhar, ocupe sua mente com coisas prazerosas e produtivas.

Pense positivo! Não se entregue à tristeza, ao medo, à ansiedade. Faça coisas que lhe deem prazer sozinho e com quem estiver com você. Aproveite para estudar, aprender uma nova habilidade profissional, um novo idioma ou qualquer coisa para o seu crescimento pessoal.

Por fim, mas não menos importante, se a coisa estiver muito difícil, não tenha dúvidas: procure ajuda profissional, de psicólogos. Se você já fazia terapia, continue! Ninguém melhor que o seu psicólogo para lhe dar o apoio necessário para passar por esse momento. E, como estamos isolados, o atendimento pode perfeitamente ser feito à distância.

Estamos juntos nisso tudo! Cuidem-se! Continuem produtivos e ocupados. Fiquem em casa o máximo que puderem. E mantenham a cabeça no lugar.

Coronavírus empurra profissionais para trabalhar em casa

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Com o avanço do coronavírus, muitas empresas, inclusive no Brasil, estão incentivando pelo menos parte de seus funcionários a adotar o home office, ou seja, trabalhar em casa e não no escritório. O raciocínio é simples: se a pessoa fica mais em casa, diminui o risco de um eventual contágio entre colegas ou em ambientes externos, como no transporte público.

A tecnologia ajuda nessa tarefa. Internet mais rápida e barata, e sistemas de colaboração avançados permitem um trabalho remoto cada vez mais eficiente. Mas, para o home office dar certo, é preciso muito mais que isso: o profissional deve ter disciplina e estar adaptado a essa modalidade de trabalho, o ambiente na sua casa deve ser favorável a isso e a empresa também precisa estar pronta para sua implantação.


Saiba mais sobre esse assunto no vídeo abaixo:


Nesse domingo, a Itália decretou quarentena no norte do país, afetando inclusive as cidades de Milão e Veneza. Ninguém entra nem sai da região, que é a mais importante para a economia do país, a menos que estritamente necessário.

As pessoas não estão confinadas a suas casas, mas a recomendação é que saiam o mínimo possível. A medida afetou 16 milhões de pessoas, cerca de 30% da população italiana. É a mais extrema tomada fora da China, país onde tudo começou e que concentra 73% dos casos no mundo.

E se amanhã a sua empresa chegasse para você e dissesse: “de agora em diante, você vai trabalhar de casa!” O que você acharia disso?

A verdade é que para que um home office funcione, ele precisa que a empresa, o seu ambiente e você mesmo estejam alinhados com essa proposta.

Tem gente que simplesmente não consegue trabalhar em casa! O home office exige uma certa disciplina. Alguns se esquecem que aquilo é trabalho, só porque estão em casa, e fazem tudo sem comprometimento.

Como qualquer trabalho, o home office deve ter hora para começar e para terminar. Deve ser feito com afinco e seriedade. E em caráter contínuo. Claro que algumas pausas podem -e devem- ser feitas. Assim como acontece no escritório. Mas isso não quer dizer parar o trabalho para ir ao cinema no meio do expediente.

Por outro lado, também é importante sair de casa de vez em quando. De preferência uma vez ao dia. Ver gente é importante! Escolha uma parte do trabalho que possa ser feita, por exemplo, em um café. Uma boa dica é fazer reuniões com clientes presencialmente, fora de casa, que pode ser até no café ou na empresa dele.

Outra grande dica é você se arrumar para o home office. Exatamente como se estivesse indo ao escritório. Nada de ficar trabalhando de pijama! Quando você se veste adequadamente para o home office, você passa uma mensagem ao seu cérebro que você entrou no “modo de trabalho”. E isso faz uma enorme diferença!

Outro item fundamental nessa disciplina é que você deve ter também a hora de parar! Muita gente simplesmente não para de trabalhar. Na verdade, esse comportamento bizarro se observa cada vez mais também nos escritórios, especialmente entre os mais jovens. Não pode! O corpo e a mente precisam de descanso.

O segundo item se refere ao seu ambiente de trabalho em casa.

Primeira coisa: nada de trabalhar na cama! Isso é imperdoável!

Você deve ter um local na casa em que você possa associar ao trabalho. Um lugar só seu, em que você encontra tudo que precisa para realizar suas tarefas. Tem que ser confortável, pois você passará muitas horas ali.

Esse lugar deve ser também livre de distrações. Cuidado com coisas como música e TV. Procure deixar tudo desligado, a menos que precise disso para o desempenho de suas funções.

Evite também interrupções de outras pessoas da casa, especialmente crianças. E até de animais de estimação. Crie um mecanismo para se “blindar” dessas interferências. O ideal seria ter um cômodo dedicado ao home office, onde possa fechar a porta. Tendo isso ou não, combine com as outras pessoas da casa que, no horário de trabalho, você só deve ser interrompido se for absolutamente necessário.

Naturalmente, você também tem que fazer pausas para as refeições durante o home office. Além do almoço, tenha à disposição alguma coisinha para beber ou mastigar de vez em quando, especialmente nos momentos de tensão, que eventualmente aparecem. Mas escolha opções saudáveis!

Por fim, a sua empresa também precisa contribuir para o sucesso do home office de seus funcionários. Primeiramente, ela deve acreditar nessa modalidade de trabalho e querer fazer isso de verdade. Deve ter processos para garantir o sucesso do home office, como garantir a dinâmica do trabalho e que seus funcionários tenham tudo necessário para realizar bem suas funções.

Naturalmente, deve existir apoio da chefia. Claro que a performance deve ser cobrada, de maneira natural e sem diferenciação. O home office não pode ser encarado como um “trabalho de segunda categoria” e nem como um “benefício indevido”, que depois será cobrado do funcionário.

E uma coisa muito importante: seus colegas não podem se “esquecer” de você. E nem você deles! Quando não estamos no escritório, inevitavelmente perdemos informações que chegariam pelo simples burburinho do ambiente. E até a intimidade e confiança pode diminuir pela distância. Use bem os recursos de comunicação para se fazer presente, até mesmo nos momentos informais. E encontre-se com seus colegas quando puder.

O home office pode ser bem bacana e produtivo, seja por causa do coronavírus ou não.

É só fazer direito!