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A inteligência artificial só roubará o seu emprego se você deixar

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“Harry Potter”: fãs traduziram livro em apenas 45 horas há 13 anos; hoje isso poderia ser feito instantaneamente por um software - Foto: divulgação

“Harry Potter”: fãs traduziram livro em apenas 45 horas há 13 anos; hoje isso poderia ser feito instantaneamente por um software

Em julho de 2005, milhares de fãs usaram a Internet para traduzir para o alemão as mais de 600 páginas do livro “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” em apenas 45 horas e 22 minutos após o lançamento do original em inglês. Isso enfureceu a Carlsen, detentora dos direitos dos livros do bruxinho na Alemanha, que precisou de três meses para fazer a mesma coisa para a edição oficial. Hoje, 13 anos depois, a mesma tradução talvez fosse feita quase instantaneamente e sem cansar nenhum fã: um sistema com recursos de “machine learning” se encarregaria da tarefa.

Quer dizer que o trabalho dos tradutores está com os dias contados? E o seu trabalho –qualquer que seja– também está ameaçado pela inteligência artificial?

Calma: não precisa entrar em pânico! Mas não dá para ficar deitado em berço esplêndido.


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O fato é que, em uma janela de três anos, diversas tecnologias emergentes ganharam o mercado em velocidade galopante. Estão incrivelmente poderosas (especialmente quando combinadas) e muito acessíveis. “Machine learning”, “Internet das Coisas”, “big data”, “análises preditivas” saíram dos laboratórios e dos roteiros de ficção científica, graças a enormes avanços nos equipamentos e no software.

Há ainda outro fator absolutamente determinante nessa mudança que vivemos: o público. Graças ao crescente poder de escolha e ao acesso ubíquo à informação, viabilizado pelos smartphones e pelas redes sociais, todos nós estamos nos tornando mais exigentes e, de certa forma, mais ansiosos. Assim queremos que produtos e serviços sejam, cada vez mais, personalizados para nossas necessidades particulares, oferecidos do nosso jeito e no nosso tempo.

Como lidar com esse nível de demanda inédito? Valendo-se justamente das tecnologias acima. Isso nos leva à questão que dá títulos esse artigo: como se manter relevante no mercado profissional, se a tecnologia se faz cada vez mais necessária para as empresas atenderem as novas demandas do público?

Durma com um barulho desse!

 

Substituindo o que uma pessoa pode fazer

Uma verdade é inevitável: o que puder ser automatizado será.

É por isso que algumas profissões correm mais risco que outras: quanto mais mecanizadas e repetitivas as tarefas do profissional, mais delicada é a sua situação em um futuro próximo. É o caso, por exemplo, dos motoristas.

Carros autônomos já vêm sendo desenvolvidos e testados há anos por gigantes como Google e Uber, além da própria indústria automobilística. A tecnologia já está madura e a expectativa é que eles se tornem um produto comercial em apenas cinco anos. O fato é que a tarefa de dirigir, por si só, é bastante automatizável. Com o avanço da capacidade de processamento, do software e dos sensores embarcados nesses veículos, eles acabam ficando mais seguros que um carro dirigido por uma pessoa.

Isso não quer dizer que eles sejam a prova de acidentes. Em março desse ano, um carro autônomo do Uber em testes matou uma mulher nos EUA. Assistindo às imagens do acidente, nota-se que a vítima atravessou em um local escuro e que provavelmente também teria sido atropelada por um motorista. Mas também é verdade que o carro aparentemente não tentou frear nos dois segundos anteriores ao choque, quando a vítima ficou finalmente visível.

A culpa é do carro? Mais que isso: dá para imputar culpa a um carro?

Apesar dessa fatalidade e de uns pouco acidentes, todas as estatísticas demonstram que os carros autônomos são incrivelmente mais seguros que os dirigidos por pessoas. Além disso, a possibilidade de o carro nos levar aonde quisermos, enquanto nos dedicamos a outras tarefas no trajeto, é tentador, especialmente em cidades como São Paulo ou Rio de Janeiro, em que as pessoas perdem muitas horas todas as semanas dirigindo no trajeto de casa ao trabalho.

A inteligência artificial também brilha em atividades mais analíticas, como na avaliação de riscos. É o caso de documentos jurídicos, que já estão sendo automatizados, inclusive no Brasil. Por exemplo, a Urbano Vitalino Advogados, de Recife, contratou o IBM Watson para tarefas repetitivas do escritório a fim de concluir processos com mais eficiência e com maior índice de vitória. Já o banco JPMorgan está usando o sistema COIN (Contract Intelligence) para analisar acordos de empréstimos, que antes sobrecarregavam batalhões de seus advogados.

 

Vamos conversar?

As tecnologias emergentes também estão popularizando outro recurso que, até havia bem pouco tempo, era ficção científica: a linguagem natural, ou seja, a possibilidade de dar comandos e receber respostas como se estivéssemos conversando com uma pessoa.

No ano passado, um homem foi preso no Novo México (EUA) por bater em sua namorada e ameaçar matá-la. O crime só foi descoberto porque o Alexa, um equipamento da Amazon que fica sobre a mesa aguardando comando para tarefas simples, ligou para a polícia durante a agressão. Os policiais ouviram o que estava acontecendo e foram até o local, prendendo o homem.

Acha que estou exagerando? Faça um teste agora mesmo. Fale ao assistente do Google em seu celular o seguinte: “quando é o próximo jogo do Timão”. O sistema entenderá que “jogo” se refere a uma partida de futebol e “Timão” se refere ao Corinthians. E lhe dará a resposta correta, também por voz.

Ah, você é palmeirense? Tudo bem: pergunte ao Google “quando é o próximo jogo do Campeão do Século” e se surpreenda.

Mas a tecnologia de linguagem natural já pode fazer muito mais! Veja o exemplo no vídeo abaixo, do Google Duplex, apresentado em maio na conferência Google I/O, em que o sistema liga para estabelecimentos comerciais e conversa com atendentes humanos para realizar agendamentos. E o outro lado não percebe que está falando com um sistema impulsionado por “machine learning”:


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Ironicamente (e espantosamente), na segunda conversa, o sistema demonstrou mais habilidade na fala que a pessoa com quem estava interagindo!

 

Entregando o que uma pessoa não pode fazer

No começo de junho, estive no Sapphire Now, o maior evento mundial da gigante de software SAP, nos EUA. E lá vi soluções baseadas em inteligência artificial surpreendentes e que estão à disposição de empresas, mesmo pequenas.

Um deles estava em um estande que simulava uma loja de produtos esportivos. Se qualquer pessoa pegasse um tênis ou uma mochila das prateleiras, a loja identificava o produto e mostrava informações sobre ele em uma tela ao lado. Vale dizer que não havia qualquer sensor na mercadoria: a loja estava efetivamente “vendo” o produto na mão do cliente.

Mas a mágica realmente acontecia se a loja também fosse capaz de identificar o cliente, por reconhecimento facial. Nesse caso, a partir de informações de compras anteriores ou até mesmo coletadas do “big data”, a loja poderia inferir se aquele produto era o ideal para aquela pessoa, e, caso contrário, sugerir outro item da loja.

Na conferência, também vi Michael Voegele, CIO da Adidas, demonstrando como a empresa está tomando decisões sobre suas novas coleções a partir de tendências identificadas por “machine learning” em milhares de fotografias de diferentes partes do mundo. O sistema deduz quais as cores, que tipo de roupas, entre outras informações, as pessoas estão preferindo em cada cidade que lhes interessa. Ou seja, a máquina faz a leitura e a análise massiva das informações de maneira totalmente automatizada, em velocidade e volume que pessoas jamais conseguiriam. E com resultados mais eficientes.

Na área da saúde, uma solução da SAP com a gigante farmacêutica Roche monitora continuamente informações médicas, como o nível de glicose, de pessoas diabéticas ou com risco de desenvolver a doença. Esses indicadores são coletados por um “wearable” e transmitidos ao sistema central pelo smartphone do paciente. Isso oferece às equipes médicas análises qualitativas sobre a doença e sobre as populações atendidas, permitindo a criação de programas de saúde mais assertivos. Mas talvez o ganho mais incrível seja o sistema identificar alterações nos indicadores de cada indivíduo para que seus médicos sejam avisados a tempo de agir contra uma eventual crise. O controle da doença fica muito mais eficiente em cada indivíduo e pode até mesmo evitar seu surgimento em quem ainda não a desenvolveu.

 

Quando todos ganham

Tradutores, motoristas, advogados, secretários, vendedores, pesquisadores de mercado, médicos… Todos eles e todos nós, não importa qual seja nossa profissão, já estamos sendo impactados pela tecnologia digital e a inteligência artificial em maior ou menor escala. E a coisa só tende a aumentar! Mas longe de isso ser algo que vai nos tirar o emprego, pode ser uma tremenda oportunidade. Mas temos que sair da nossa zona de conforto.

É… A mudança dói, mas traz evolução.

A tecnologia impacta decisivamente o mundo do trabalho pelo menos desde a Revolução Industrial. Todos nós estudamos como ela provocou, em um primeiro momento, graves problemas sociais, com categorias profissionais inteiras sendo extintas e exploração abusiva de mão de obra. Mas, apesar disso, alguém ousaria dizer que a Revolução Industrial não trouxe avanços inestimáveis para a humanidade?

Voltando à nossa realidade cada vez mais inundada de inteligência artificial, esses sistemas, muito mais que ameaças, são incríveis ferramentas para melhorar o trabalho. Até mesmo em funções que devem ser inteiramente automatizadas, como a dos motoristas, isso pode provocar o surgimento de outras atividades, como a de uma espécie de “comissário de bordo” para melhorar ainda mais a experiência do cliente em um táxi autônomo.

Além disso, a automação de tarefas repetitivas ou a possibilidade de oferecer subsídios inimagináveis de outra forma, para que profissionais realizem bem seus trabalhos, abre possibilidades para que se dediquem a atividades mais nobres e interessantes.

Para profissionais e empresas que estiverem dispostos a usar criativamente tudo isso que a tecnologia já nos oferece, vejo um belo caminho adiante, em que poderão entregar produtos mais adequados às necessidades individuais de cada consumidor superexigente, com um custo de produção menor e resultados mais satisfatórios para todos.

Aqueles que insistirem em fazer as coisas do jeito antigo, receio que –esses sim– serão substituídos pelas máquinas. Como luditas do século 21, perderão seu espaço, não para a tecnologia, mas para sua própria falta de visão.

Em qual grupo você ficará?


E aí? Vamos participar do debate? Role até o fim da página e deixe seu comentário. Essa troca é fundamental para a sociedade.


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Como viver bem -e não se tornar vítima- quando todos sabem nossos dados

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A animação “Os Jetsons”, de 1962: apesar de seus carros voadores, nossa realidade superou largamente a ficção no uso inteligente de dados - Foto: divulgação

A animação “Os Jetsons”, de 1962: apesar de seus carros voadores, nossa realidade superou largamente a ficção no uso inteligente de dados

Não olhe agora, mas tem uma multidão de olho nas suas informações! E provavelmente você nem sabia disso…

Calma! Isso pode parecer assustador em um primeiro momento. Essa é a realidade em que vivemos, e a coisa só vai aumentar nesse sentido. Entretanto, longe de ser um futuro aterrorizante, isso pode trazer benefícios incríveis a todos: pessoas e empresas. Mas precisamos conhecer e entender esse movimento, para nos apropriarmos de todos esses recursos a nosso favor.

Vi uma excelente mostra disso há alguns dias, quando participei do Sapphire Now, o maior evento mundial da gigante alemã de software SAP, que aconteceu em Orlando (EUA). Estive lá a convite da empresa, e pude ver, com um olhar crítico, o que companhias de todo mundo já têm à disposição para melhorar a experiência de seus consumidores.


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Como disse no vídeo acima, gravado ao final do evento, a palavra que, para mim, resume tudo o que vi lá é “dados”. Pois eles estão em todo lugar, sendo produzidos por uma automação crescente e sendo usados de maneiras cada vez mais criativas por empresas, organizações, governos e nós mesmos.

Hoje tudo produz informação que pode ser usada para os mais diferentes fins: empresas, objetos e pessoas. Ficou muito claro também que qualquer ação, mesmo aparentemente sem nenhum vínculo a sistemas informatizados, também pode gerar informação que será usada por algum programa. Mais que isso: geramos e compartilhamos dados até mesmo sem executar qualquer ação aparente.

Como? Aplicativos como o WhatsApp, que rodam o tempo todo em nossos smartphones, identificam continuamente onde estamos. Combinando com a mesma informação de outras pessoas a nossa volta, é possível inferir se há algum relacionamento entre esses indivíduos e até mesmo qual é o seu tipo. Por exemplo, se um grupo de pessoas está sempre junto (pois seus celulares estão sempre juntos) em horário comercial em uma localização que é uma empresa, é razoável supor que elas trabalhem juntas.

E veja que nenhuma ação foi tomada por qualquer uma delas. A menos que o simples fato de estar em um lugar já possa ser considerado uma ação.

Por mais passiva que isso seja.

 

O consumidor no centro

A questão, portanto, não é como se obtém os dados, e sim o que se faz com eles depois. E isso abre questões éticas importantes. Se as empresas têm acesso a tanta informação nossa, é bom que elas não abusem desse poder imenso em suas mãos. Se jogarem limpo, essa é uma troca justa.

Tanto é assim que um dos slogans da SAP no seu megaevento era algo como “tornar o mundo melhor ajudando empresas a entregar melhor”. Não por acaso um de seus principais lançamentos foi a plataforma de experiência do usuário C/4HANA, que permite às empresas tomar decisões muito mais assertivas para oferecer produtos e atendimento adequados às necessidades específicas de cada indivíduo.

Sim, nesse novo mundo inundado de informações, cada consumidor pode esperar que suas necessidades individuais sejam cada vez mais atendidas. E isso é incrível!

Até bem pouco tempo atrás, isso seria ficção científica. Na verdade, é interessante observar que obras de ficção com grande carga de futurologia, como “Star Trek” ou “Os Jetsons”, nunca previram uma sociedade onde tudo e todos estivessem conectados permanentemente, em uma relação quase simbiótica entre pessoas, empresas, organizações e governos.

Entretanto, graças a tecnologias como machine learning (inteligência artificial), big data, análise preditiva, cloud computing, combinadas a uma capacidade brutal de processamento, hoje tudo isso é perfeitamente possível!

Vi uma demonstração de um varejo de produtos esportivos, com prateleiras com tênis e bolsas ao lado de uma TV exibindo informações da loja. Quando um cliente pegava um dos produtos, a loja identificava qual era e mostrava informações sobre o item na tela, para que o cliente tomasse uma decisão de compra melhor para si. Não havia qualquer sensor no produto: a loja “enxergava” o item e o identificava. Da mesma forma, a loja também pode “enxergar” o cliente para sua identificação e, caso já tenha alguma informação sobre ele, pode combinar os dados da pessoa com os do produto, para certificar-se que ele atende às necessidades daquele cliente. Essa ação também pode servir para que vendedores fechem vendas melhores, pois podem automaticamente receber informação adicional em tablets, seja do produto, seja do cliente.

Esse tipo de loja inteligente também pode ajudar a manter as prateleiras organizadas: se o cliente devolver o produto fora do lugar, um vendedor pode ser avisado para que arrume a bagunça. Também serve como um sofisticado sistema de inventário, pois o produto não deixa de estar disponível para outro cliente apenas quando o pagamento é feito, e sim quando é retirado da gôndola, o que faz bastante sentido. O Boticário esteve presente no Sapphire Now demonstrando uma solução nessa linha.

E a única coisa que foi feita foi tirar o tênis da prateleira.

 

Negócios inteligentes

As informações de cada indivíduo também podem ser usadas para tomar grandes decisões, que podem afetar a operação de uma multinacional ou de toda a comunidade.

Foi o que mostrou, por exemplo, Michael Voegele, CIO da Adidas. Segundo ele, para a empresa tomar decisões que serão usadas para criar novas coleções de material esportivo, a empresa hoje se vale de milhares de fotografias de diferentes partes do mundo para tentar identificar, por meio de machine learning, quais as cores, que tipo de roupas, entre outras informações, as pessoas estão preferindo em cada cidade que lhes interessa. Ou seja, a máquina faz a leitura e a análise massiva das informações de maneira totalmente automatizada, em velocidade e volume que pessoas jamais conseguiriam. E com resultados mais eficientes.


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Esse, aliás, é um dos pilares de outro conceito bastante destacado no Sapphire Now, o “intelligent enterprise” (ou “negócio inteligente”). De acordo com esse conceito, as empresas já podem obter grandes vantagens competitivas ao entregar às tecnologias acima tarefas que possam ser automatizadas. Em outras palavras, a combinação de inteligência artificial e análise preditiva de quantidades gigantescas de dados obtidos continuamente das fontes mais diversas permite que as empresas tenham ideias que jamais teriam de outra forma, ou tomem decisões muito mais assertivas e rápidas. Sem falar que, apesar de tanto poder, os sistemas ficam cada vez mais fáceis de se usar, aceitando até comandos de voz em linguagem natural.

Nessa hora, outro medo que surge é a substituição de profissionais por robôs. Essa é uma preocupação legítima: afinal as máquinas conseguem realizar tais tarefas muito mais eficientemente. Então gostaria de mencionar outro termo que ouvi bastante lá: a “humanidade aumentada”.

Esses sistemas não vieram para substituir profissionais, e sim para tornar suas tarefas mais eficientes. Em outras palavras, as máquinas cuidam de tarefas rotineiras, repetitivas e que exijam grande volume de análise, liberando os profissionais para tarefas mais nobres. Além disso, as análises que os sistemas oferecem em tempo real podem ajudar as pessoas a executar tarefas que exijam o melhor de seu lado humano.

Evidentemente que isso exige profissionais cada vez mais capacitados, e empresas cada vez mais inovadoras. Por isso, por mais chocante que isso possa parecer para alguns, é importante que fique claro que a tecnologia nunca eliminou empregos. Quem elimina postos de trabalho e fecha empresas é seu próprio consumidor, quando encontra alternativas mais interessantes. E tais alternativas vêm sempre de empresas que verdadeiramente abraçam a inovação tecnológica e privilegiam profissionais de alto nível.

Não adiante espezinhar nem querer tapar o sol com a peneira: o novo sempre chega. Sim, e muitas vezes, isso significa ter que deixar a nossa zona de conforto e abandonar modelos de negócios e métodos de produção que funcionaram bem por décadas.  Ficar agarrado a eles implica em ser passado para trás por concorrentes capazes de abraçar a mudança.

Do lado do consumidor, cada um de nós também precisamos aceitar que essas mudanças estão aí. Não devemos temê-las, mas devemos estar conscientes do que está acontecendo, inclusive para exigirmos de empresas, organizações e governos um uso ético e claro dos dados que lhes fornecemos continuamente.

Se todos fizerem a sua parte, o futuro certamente será melhor que o de “Os Jetsons”.


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Garanta seu trabalho transformando sua humanidade em um “produto”

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O personagem Theodore (Joaquin Phoenix) do filme "Ela" (2013): é possível se apaixonar por uma máquina e ser correspondido? - Foto: divulgação

O personagem Theodore (Joaquin Phoenix) do filme “Ela” (2013): é possível se apaixonar por uma máquina e ser correspondido?

Nos últimos dias, participei de animadas discussões com profissionais de diversas áreas sobre o futuro do trabalho. Inevitavelmente tocamos no ponto mais sombrio desse tema, que é a extinção de profissões inteiras, potencialmente criando hordas de desempregados. Não compartilho de visões apocalípticas de que as máquinas ficarão com todo o trabalho e as pessoas morrerão de fome. Mas é um fato que muitos ofícios acabarão mesmo, ou pelo menos serão fortemente transformados. Talvez isso já esteja acontecendo no seu segmento. Daí vem a pergunta que não quer calar: o que você está fazendo para se proteger dessa onda?

Naturalmente algumas profissões estão mais em risco que outras. A má notícia é que ninguém está totalmente a salvo.  A BBC criou um infográfico interativo a partir de uma pesquisa da Universidade de Oxford, que, já em 2013, avaliou os riscos de automação de 365 profissões nos próximos 20 anos. Apesar de usar dados do Reino Unido, as conclusões podem ser facilmente extrapoladas para profissionais de todo o mundo. Mais cedo ou mais tarde, a automação impactará todos, mas a pesquisa de Oxford demonstrou que, para algumas profissões, isso já acontece e de uma maneira determinante, forçando categorias inteiras de profissionais a se reinventar.


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Segundo os pesquisadores, as profissões que estão mais em risco são operadores de telemarketing, digitadores, assistentes jurídicos, gerentes financeiros e profissionais de estoque. Já entre as profissões menos ameaçadas estão profissionais de hotelaria, educadores, fonoaudiólogos, profissionais de serviço social e psicólogos.

Analisando a lista completa, surge afinal uma boa notícia!

O que se observa é que os ofícios com um alvo bem no meio da testa executam muitas tarefas repetitivas e que podem ser antecipadas e, portanto, facilmente automatizadas. Por outro lado, o pessoal que pode relaxar um pouco mais caracteriza-se pelo forte uso de relacionamento interpessoal nas suas funções.

Portanto, ser cada vez mais humano é um caminho interessante para não ser substituído por uma máquina.

 

Máquinas humanizadas

Nessas horas, é muito comum ver profissionais se recusando a acreditar que eles podem ser os próximos a ser passados para trás pelas máquinas. Entretanto, fechar os olhos para o problema é a pior coisa a se fazer, pois ele continuará existindo, mesmo que nos recusemos a olha para ele.

Entre os argumentos usados por essa turma para se defender, estão decisões que as máquinas não são capazes de tomar, justamente por lhes faltar “humanidade”. De certa forma, isso está de acordo com as conclusões da pesquisa de Oxford citada acima. Mas não se pode abraçar isso como uma tábua de salvação garantida, pois as máquinas também avançam em tarefas em que se acreditava ser necessário um ser humano para sua realização.

Por exemplo, quem se lembra das partidas de xadrez entre o então campeão mundial Garry Kasparov e o supercomputador da IBM Deep Blue? No primeiro match, realizado em 1996 Kasparov venceu a máquina por 4 a 2. Na revanche, em 1997, com o Deep Blue reprogramado, a máquina venceu o confronto por 3 ½ a 2 ½, fazendo com que Kasparov acusasse a IBM de trapaça, graças a um movimento inusitado do computador na primeira partida do match.

Isso aconteceu há 20 anos!

As máquinas também vêm demonstrando incrível capacidade de compreensão de texto, uma atividade tradicionalmente associada a características humanas. Em janeiro, dois sistemas independentes, um da Microsoft e outro da gigante de e-commerce chinês Alibaba, empataram em primeiro lugar no SQuAD, um sofisticado teste de compreensão de texto da Universidade de Stanford (EUA). O placar do sistema da Microsoft foi de 82,65, enquanto o chinês foi de 82,44. O placar humano foi de 82,30

Além de ler, as máquinas também são capazes de escrever textos. Vários sistemas de “jornalistas robôs” já produzem noticiário a partir de dados que eles coletam de fontes confiáveis, e estão abastecendo redações importantes no mundo todo, inclusive de veículos de comunicação tradicionais, como o francês Le Monde.

Até mesmo materiais jurídicos já estão sendo produzidos por robôs, inclusive no Brasil. A Urbano Vitalino Advogados, de Recife, contratou o IBM Watson (descendente atual do Deep Blue) para realizar as tarefas repetitivas do escritório a fim de concluir processos com mais eficiência e também com um maior índice de vitória. Já no banco JPMorgan, um robô  chamado COIN (Contract Intelligence) analisa acordos de empréstimos, que antes sobrecarregavam equipes jurídicas inteiras.

Ainda assim, todos esses são exemplos da combinação de sistemas cada vez mais incríveis de inteligência artificial com uma capacidade de processamento obscena. Mas as máquinas ainda não conseguem demonstrar emoções.

Ou conseguem?

 

Apaixonado pelo computador

A ficção explora há décadas a ideia de que chegará o dia em que humanos se relacionarão com máquinas, até mesmo amorosamente. Em 2013, o diretor de cinema Spike Jonze criou uma incrível história a partir disso: “Ela” (“Her”), protagonizado por Joaquin Phoenix e pela voz de Scarlett Johansson. Sim, a voz, pois ela dá vida ao sistema operacional do computador do personagem Theodore (Phoenix). Com o desenrolar da história, ele acaba se apaixonando pelo sistema, que parecia ser a mulher perfeita, exceto pelo fato óbvio de que era uma máquina. Mas talvez o mais incrível é ver o sistema também se apaixonar pelo humano.

“Ela” é uma obra-prima porque nos leva a questionar o que é necessário para se apaixonar por alguém (ou algo). Samantha, a assistente pessoal que personifica o sistema, sabe tudo sobre Theodore (afinal, é um computador com acesso irrestrito a seus dados), é inteligente e demonstra uma sensibilidade que as mulheres verdadeiras aparentemente não têm na história.

Como não se apaixonar?

Mas Samantha não tinha um corpo. E, no final das contas, continuava não sendo humana. Por mais que sistemas de todo tipo tornem nossas vidas cada vez mais fáceis, produtivas e até divertidas, o contato humano tem um incrível valor.

Por isso, é uma pena ver como muitas pessoas acabam se comportando como máquinas, abafando sua humanidade em favor de uma suposta “produtividade”, achatados pela nossa vida moderna. Exemplos clássicos desses profissionais: atendentes de telemarketing e de fast food. Não por acaso esse pessoal está na lista do estudo de Oxford para ser substituído pelas máquinas primeiro.

Mas não tem que ser assim!

 

“Fritas para acompanhar?”

Lembro-me de uma experiência pessoal que tive em 1999, em uma Wendy’s nos EUA, mais uma cadeia de fast food inspirada no modelo do McDonald’s. Mas o atendimento foi tão incrível, que me lembro dele depois de quase duas décadas!

O motivo? O atendente demonstrou uma incrível humanidade em uma tarefa em que estamos acostumados a profissionais robotizados.

O atendente já era um senhor de uns 70 anos de idade, que fazia parte de uma iniciativa da Wendy’s de contratar pessoas mais experientes. E eles estavam absolutamente certos! Como o sanduíche acabou demorando um pouco para sair, fui comendo as batatas fritas que já estavam na bandeja, enquanto tinha uma agradável conversa com aquele senhor. Quando o sanduíche finalmente ficou pronto, lembro-me claramente de ele me dizer: “vou trocar suas batatas, pois elas já podem ter esfriado um pouco”.

É uma “bobagem”? Talvez. Mas foi o melhor atendimento que tive em um fast food na vida! Tanto que eu voltei outras vezes àquela lanchonete na mesma viagem. O fator humano foi absolutamente determinante! E ele apareceu em uma atividade cujo diálogo entre o consumidor e o atendente não costuma ir muito além de “fritas para acompanhar”.

Como diz o ditado, “em terra de cego, quem tem um olho é rei”. No nosso caso, em uma sociedade cada vez mais automatizada –e que nos traz muitos benefícios, não nego– os profissionais precisam aprender que sua humanidade tem valor. Temos que resistir aos scripts escravizadores, à pressão insensível por resultados e à indiferença de colegas de trabalho e até mesmo dos clientes.

Se sucumbirmos a essas tentações, caímos em uma vala comum de profissionais indiferenciados, pedindo para serem substituídos por robôs que realizarão nossas funções de maneira igualmente fria, porém muito mais eficientemente.

Um atendimento humanizado não se trata, portanto, de uma visão saudosista de um passado que jamais voltará, nem de um movimento de resistência a máquinas “malvadas”. É a percepção de que isso pode ser um incrível diferencial para qualquer um. Muitas pessoas pagam e continuarão pagando por isso!

A humanidade tem valor! Portanto, não importa qual seja a sua profissão, comece a pensar em como pode realizá-la de maneira cada vez mais eficiente, claro, mas sem jamais esquecer que você não é uma máquina.


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O que a tecnologia do agronegócio pode ensinar ao SEU negócio

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Foto: Ronald Douglas Frazier / Creative Commons

Você sabe o que é “previsibilidade”? É um dos maiores benefícios que a tecnologia pode oferecer ao agronegócio. Ela permite que o produtor consiga antecipar, com boa margem de precisão, a incrível quantidade de variáveis envolvidas no seu cotidiano. Como resultado, consegue produzir mais, melhor e gastando menos, engordando sua margem feito boi. “Mas no que isso me interessa”, você pode estar se perguntando.

Acontece que a previsibilidade é algo que interessa a qualquer negócio, de qualquer porte ou segmento. Cada vez mais, os desenvolvimentos tecnológicos do campo, da indústria e do setor de serviços conversam entre si. E o que se aprende em um se aplica no outro. Portanto, temos que aprender com os nossos amigos do setor Primário. Além disso, para um rapaz conectado da cidade (como eu), descobrir como a tecnologia está revolucionando o agribusiness é incrível e até surpreendente!


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Para começar, se você acha que negócios no campo ainda são só aquelas coisas empíricas, com tratorzinhos, boi solto no pasto sem controle, plantio feito com enxada e o lavrador olhando para o céu, está na hora de repensar seus conceitos. Tratores imensos e automatizados fazem praticamente o trabalho sozinhos, depositando os insumos na quantidade e no lugar certo, sem falhas, com base em informações coletadas por satélites, drones e todo tipo de sensores. Essas informações são combinadas com diferentes bancos de dados e até big data. Tudo isso para maximizar a produtividade por hectare e reduzir perdas.

No HSM Expo, que aconteceu há alguns dias, participei de um painel muito interessante no estande “Futuro Fértil”, com diferentes especialistas do agronegócio e da indústria de tecnologia, lado a lado. Tudo que foi falado acima gera uma quantidade imensa de informação em tempo real, extremamente valiosa para o produtor. O grande desafio apresentado ali foi: como integrar toda essa informação, que vem de fontes desconexas, de fabricantes diferentes, de naturezas distintas, em um sistema capaz de extrair inteligência para o negócio?

Na hora pensei: “mas isso acontece em todo lugar!”

 

Um bando de dados

O problema que o agronegócio –e a maioria das empresas de qualquer segmento que coleta informações de diferentes fontes– enfrenta é justamente transformar esse “bando de dados” em um banco de dados.

Um erro que muitas empresas cometem é sair investindo em tecnologia sem saber exatamente onde querem chegar com aquilo. Tecnologia por si só não resolve nada! Produzem esse monte de dados, que podem ser muito interessantes individualmente, mas eles não falam entre si. “E, se isso não é feito de maneira estruturada e organizada, você tem um aglomerado de dados completamente desconexos, o que não permite que você os correlacione”, explica Luis Cesar Verdi, Chief Customer Officer da SAP América Latina e um dos participante do painel. “É da correlação que você consegue tirar muito valor.”

Quando o produtor rural consegue fazer essa integração com sucesso, ele aumenta a produção. E não porque se aumenta a área plantada, mas porque se produz mais no mesmo espaço. Um exemplo que achei muito interessante é que, graças a isso, os produtores não precisam mais pulverizar herbicidas em toda a plantação: hoje fazem isso em menos de 5% da área, exatamente e apenas onde estão as ervas daninhas. Como resultado, tem-se um produto mais barato e mais saudável.

Transpondo isso para outros negócios, podemos inferir que a transformação do “bando de dados” em um “banco de dados” permite ao empresário racionalizar seus meios para criar produtos e serviços melhores. O que é essencial em uma época em que os consumidores têm, a sua disposição, uma oferta crescente de praticamente tudo.

A diferenciação deixa de ser, portanto, uma produção mais complexa (e normalmente cara) para se tornar uma produção mais inteligente e adequada às necessidades de um consumidor mais e mais exigente.

 

Máquinas que executam e que aprendem

Além da automação de tarefas e do uso eficiente das informações, outra estrela digital chegou ao campo: o ”machine learning”. Essa tecnologia permite que os algoritmos sejam capazes de literalmente aprender com os dados disponíveis. Dessa forma, o sistema começa a decidir de maneira autônoma, melhorando o processo por sua própria conta, em áreas que antes apenas seres humanos conseguiam atuar.

Em um exemplo dado no painel acima, as máquinas foram capazes de realizar escolhas relativas ao crescimento do milho na lavoura a partir de imagens das espigas. Quando entrou o funcionamento, o nível de acerto das decisões era inferior a 50%; apenas três semanas depois, passou de 90%! E o sistema foi melhorando por sua conta, apenas aprendendo quais das suas decisões davam melhores resultados.

Na prática, isso liberar os trabalhadores para realizar tarefas mais nobres, que a máquina (ainda) não consegue fazer. Isso traz para o campo um desafio que já existe nas cidades: qualificar a mão de obra para isso. Não é uma tarefa simples, inclusive porque gera desconfiança nas pessoas, que temem ser substituídas pelas máquinas.

Esse medo é legítimo. Tanto no ambiente rural quanto no urbano, a automação ameaça empregos, especialmente os de menos capacitação. Qualquer tarefa muito repetitiva pode ser facilmente automatizada. E agora isso atinge até mesmo a tomada de decisões, uma seara exclusiva dos humanos até havia bem pouco tempo.

 

O poder da interface

A inteligência artificial também leva ao campo outro benefício cada vez mais comum nos sistemas de negócios urbanos: a integração entre o homem e a máquina está cada vez mais simples. Já não é preciso mais ser um técnico para operar os sistemas, que se relacionam com as pessoas em uma linguagem cada vez mais natural.

Muito da gestão administrativa e de produção hoje pode ser feito pela tela de um celular, um equipamento extremamente difundido, com o qual as pessoas estão acostumadas e que carregam em seu bolso o tempo todo. Diminui-se, assim, a curva de aprendizado e as informações para tomada de decisão ficam disponíveis de maneira simples a qualquer hora e em qualquer lugar.

Isso leva à zona rural um problema velho conhecido dos usuários urbanos: a conectividade ruim. Afinal, no campo, o sinal do celular costuma ser ruim. Mas essa tecnologia se tornou tão essencial ao negócio, que algumas grandes propriedades estão investindo até em torres próprias de comunicação de dados.

Toda essa tecnologia no agribusiness tem provocado um fenômeno social interessante: a reversão do êxodo rural das gerações mais novas. Muitas das famílias proprietárias de fazendas hoje estão na terceira, até mesmo na quarta geração no campo. O que vinha se observando nos últimos anos era a fuga dos mais jovens para as cidades, para estudar carreiras que não tinham nada a ver com o negócio da família, estabelecendo-se no ambiente urbano. Agora, com tanta inovação nas propriedades, muitos deles estão voltando a suas origens.

Como se pode ver, a tecnologia digital aproxima cada vez mais o campo da cidade. Ambos compartilham sistemas, desafios, benefícios e dificuldades. Por isso, o aprendizado de um pode mesmo ajudar o outro.


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Existem algumas ideias equivocadas sobre o mundo de tecnologia digital. Talvez a mais comum seja que os investimentos nessa área são um custo para a empresa. Outra é que apenas grandes companhias têm capacidade de investir e também de ter ganhos com isso. As duas vêm de tempos em que era necessário criar grandes estruturas de equipamentos, software e pessoal de TI. Mas isso é passado! A realidade atual é completamente oposta: qualquer empresa, mesmo as pequenas, consegue investir em tecnologia de ponta e tirar grande proveito disso. E tem mais: longe de ser um custo, é uma ferramenta de produtividade crítica!

Não é papo de vendedor. A tecnologia está mais acessível que nunca. Ela permite que jovens empreendedores sonhem e executem modelos de negócios inovadores, que posicionam suas empresas como concorrentes ferrenhos de corporações centenárias. E muitos deles já estão levando a melhor sobre os modelos tradicionais em segmentos como varejo, comunicação, indústria eletrônica, finanças, transporte, hospedagem, educação, saúde, entre tantos outros. Assistimos a empresas-bebês colocando concorrentes-dinossauros para fora do mercado.


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Presenciei isso muito de perto sendo Mentor de Conteúdo do SAP Forum, na terça e na quarta passada. Para se ter uma dimensão desse evento, é o segundo maior da empresa no mundo, perdendo apenas para o Sapphire, que acontece nos EUA. O Forum reuniu mais de 8.000 profissionais, que puderam acompanhar 452 sessões de conteúdo, showcases e workshops. Apesar de tantos números maiúsculos, uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a diversidade nos expositores e especialmente no público: muita gente buscando jeitos criativos de usar a tecnologia em seus negócios, mesmo os pequenos.

Tanto é verdade que Cristina Palmaka, presidente da SAP Brasil, destacou o tema na entrevista que me concedeu, transmitida ao vivo do Forum e que pode ser vista acima (10 minutos): “falar de inovação não é mais uma vantagem ou um luxo das grandes companhias.” Para a executiva, muitas pequenas empresas veem a tecnologia como seu diferencial. “Se as empresas não estiverem olhando todo esse arcabouço tecnológico, elas terão um problema sério de existência”, explica.

Isso não é ficção científica: está totalmente integrado ao nosso cotidiano, graças a empresas que foram criadas seguindo o que Palmaka disse. Por exemplo, usou o Uber nos últimos dias? Navegou pelo Facebook? Fez uma busca no Google? Comprou no Mercado Livre? Hospedou-se pelo Airnnb? Assistiu a algo no Netflix? Pagou pelo Nubank? Todas essas empresas hoje são colossais, mas surgiram de usos criativos da tecnologia para atender a necessidades ou ideias geniais de seus criadores, às vezes com investimentos mínimos. Se tivessem tentado fazer as coisas do jeito “tradicional”, sem aproveitar a tecnologia que tinham a sua disposição, provavelmente nunca teriam progredido.

Mas então é só sair usando a tecnologia digital para se dar bem?

 

Não deixe a zona de conforto matar você

Claro que a tecnologia digital por si só não resolve nada! Se fosse assim, teríamos muito mais empresas geniais por aí. Só que isso não acontece.

Tudo porque ela é apenas uma ferramenta. Um martelo –que também é tecnologia– pode ser usado para bater pregos ou quebrar pedras. Mas, na mão de um artista, serve para esculpir mármore e criar uma obre de arte.

O grande desafio, portanto, está na cabeça do empreendedor. “As resistências internas são culturais”, diz a presidente da SAP. E essa turma que prefere ficar na sua zona de conforto, mesmo sabendo que ela está com os dias contados, normalmente credita sua inércia a supostos altos custos e à dificuldade de se adotar novas tecnologias.

Nada mais equivocado! Elas estão muita mais baratas, graças a inovações como a “computação na nuvem”, que dispensa pesados investimentos em aquisição e manutenção de equipamentos. Do lado do software, a compra de caras licenças vem sendo substituída pelo conceito de “software as a service”, ou seja, agora se aluga o sistema, ao invés de comprá-lo. Até mesmo o uso e implantação foi simplificado. Empresas como a própria SAP e seus concorrentes ajudam nessa tarefa, agilizando todo o processo.

“Talvez, para começar pequeno, controlar em uma planilha está ok”, sugere Palmaka. “Mas, a partir do momento em que você sai da centralização das informações em pessoas e começa a crescer, você precisa ter a garantia de que os sistemas vão te dar essa robustez”, afirma.

Mas então o que escolher nesse vasto cardápio tecnológico?

 

Use tudo –e apenas– o que você precisa

Não é porque nova tecnologia está disponível, que temos que adotá-la, seja ela nova ou já estabelecida. O sucesso desses investimentos passa também por conhecer todas as opções e escolher tudo –e apenas– aquilo que pode agregar valor ao nosso negócio.

“Empresas diferentes vão ter ideias diferentes para avançar seus negócios e para inovar”, explica Luis Cesar Verdi, Chief Customer Officer da SAP na América Latina, e responsável na região pelo SAP Leonardo, a estrela desse Forum. Verdi também me concedeu uma entrevista ao vivo no evento, que pode ser vista logo abaixo:


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“Inovação significa fazer coisas diferentes agregando valor ao negócio, agregando valor ao cliente”, explica Verdi. “Pequenas empresas também fazem isso; médias também.”

O próprio Leonardo não pode ser caracterizado como um produto convencional. Ele é um conjunto de tecnologias –big data, machine learning, Internet das coisas, blockchain, sistemas analíticos– que funcionam de maneira integrada, mas que podem ser contratadas individualmente, de acordo com as necessidades de cada cliente.

“O cliente não compra, ele assina esses serviços”, diz o executivo. “E ele vai contratar na medida de sua necessidade: empresas pequenas vão contratar menos; empresas maiores vão contratar mais.”

É interessante notar que a SAP ou qualquer outra empresa não produz toda a tecnologia necessária para qualquer cliente. Por exemplo, os equipamentos necessários para o uso do módulo de Internet das coisas do Leonardo necessariamente vêm de outros fabricantes. E isso é uma das belezas dessa nova forma de investir em tecnologia digital: as empresas, qualquer que seja seu porte, não precisam mais ficar atreladas a um único fornecedor. É possível combinar as soluções mais adequadas para cada necessidade.

“O que chegou é justamente a necessidade de inovar e aproveitar as novas tecnologias para criar novas formas de se comunicar com o cliente, novas formas de agregação de valor, desintermediação e comunicação direta com os consumidores”, explica Verdi.

Você pode estar dizendo para si agora: “ah, mas isso não é para mim. Eu sou pequeno demais para qualquer uma dessas coisas!”

É mesmo? Você é menor que os vendedores ambulantes da areia da praia? Pois muitos deles já carregam terminais 4G para aceitar cartões. E assim não perdem mais vendas porque o cliente está sem dinheiro vivo.

E então, qual será a sua postura com relação a investimentos em tecnologia digital?


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Seus clientes estão lhe gritando o que fazer, mas você está ouvindo?

By | Jornalismo | 6 Comments

Imagem: Pixel Pro Photography South Africa / Creative Commons

Nesses tempos de “farinha pouca, meu pirão primeiro”, a concorrência está sempre em nosso encalço, e mesmo as ideias mais inovadoras parecem já estar sendo feitas para um monte de gente quando chegam ao mercado. Sobrevive quem encontra o caminho meio escondido para se destacar de maneira consistente no mar de mesmice. Isso lhe parece familiar?

Apesar de poucos terem sucesso nessa empreitada, todos nós temos excelentes consultores que nos ajudam nessa tarefa, e eles estão cada vez mais poderosos: nossos clientes. Infelizmente poucos são capazes de tirar proveito de suas dicas, porque não sabem, não conseguem ou simplesmente não querem fazer isso. E, por “ouvir o cliente”, não me refiro a se submeter àquela baboseira fundamentalista de “o cliente sempre tem razão” ou “o cliente é o rei”.


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Claro que o cliente deve ser bem tratado, mas isso não quer dizer que tudo o que ele pede deve ser lei, inclusive porque –infelizmente– muitos abusam dessa prerrogativa para todo tipo de exagero. Ao invés disso, devemos lhe oferecer um serviço cada vez mais personalizado e de alto valor agregado.

A boa notícia é que, graças à tecnologia digital onipresente, está cada vez mais fácil fazer essa entrega, fugindo dos eventuais abusos. Os clientes estão o tempo todo gritando o que devemos fazer, graças à enxurrada de informações que nos oferecem, que podem ser usadas para melhorar o nosso contato com eles, e lhes oferecer os produtos acima. O resultado são empresas faturando mais e clientes mais felizes e mais bem atendidos.

No final, é tudo relacionamento.

 

Use a tecnologia, mas seja humano

A ironia -e a beleza- disso tudo é que, apesar de devermos usar cada vez mais a tecnologia digital –Google, Facebook, aplicativos, entre tantos outros– para obtermos informações dos nossos clientes e estreitarmos nossos laços com eles, isso não quer dizer que podemos nos dar ao luxo de ser frios e impessoais. Na verdade, é exatamente o contrário: temos que tratar pessoas como pessoas, e não como números.

Apesar da aparente contradição, isso acontece porque as informações que os clientes nos fornecem permitem que os conheçamos mais que suas próprias mães! Conseguimos saber do que gostam, o que consomem, como, onde e de que forma compram, como se divertem e se informam, com quem se relacionam. Consegue-se saber onde os usuários estão, como no serviço Location History do Google Maps. Pode-se até traçar o perfil psicológico de alguém usando apenas as suas “curtidas” no Facebook, como no serviço Apply Magic Sauce,do Psychometrics Centre da Universidade de Cambridge (Reino Unido).

Nessas horas, muita gente fica de cabelo em pé, pensando nos riscos à privacidade do indivíduo. Sim, é claro que esse risco existe., e isso esbarra em limites éticos seríssimos. Se as empresas têm acesso a tanta informação do usuário, poderiam adotar práticas bastante questionáveis.

Felizmente não é necessário ultrapassar nenhum limite legal ou moral para criar um relacionamento personalizado e próximo com cada consumidor. Primeiramente porque as pessoas compartilham conscientemente (ou quase isso) grande quantidade de informação pessoal na esperança de receber serviços em troca.  Depois, graças ao “machine learning”, a capacidade de os sistemas aprenderem a conhecer melhor cada pessoa de maneira automatizada, pode-se criar e enviar ofertas incríveis e personalizadas sem comprometer a privacidade de ninguém.

Que tipo de ofertas incríveis e personalizadas podemos pensar? Inúmeras!

 

Falando sem abrir a boca

O cliente está indo à praia e seu protetor solar acabou? Envie uma boa oferta a seu celular no dia anterior da viagem, com um botão para compra imediata e entrega no mesmo dia. E, se tiver filhos, inclua também o produto infantil!

Outro exemplo: o casal vai ter um bebê? É menino ou menina? É o primeiro filho? Ajude os pais a montar o enxoval e, se necessário, comprar os móveis do quarto da criança e adaptar a casa para o futuro morador. E, quando estiver chegando o chá de bebê, participe desse momento tão importante fornecendo informações e tudo mais que for necessário.

São apenas dois exemplos simples de uma infinidade de casos associados a literalmente todo tipo de negócio. Entretanto o mais interessante disso tudo é que o cliente não precisaria ter contado isso a nenhuma empresa: as informações poderiam ter sido obtidas de diferentes bancos de dados e postagens públicas espalhadas pela Internet. É apenas uma questão de saber captar e processar todos esses dados.

Ou seja, o cliente pode lhe dizer muitíssimo sem dirigir a você uma mísera palavra. E onde isso pode chegar?

Sabe aquela sensação boa de ser atendido pelo dono da lojinha do bairro, que conhece cada um de seus clientes tão bem, que sempre acerta no que lhes oferece? Com a tecnologia digital, isso pode ser feito para milhares, milhões de consumidores: os sistemas podem indicar a cada um deles algo que realmente lhes seja relevante, no momento que eles precisam, no canal que lhe seja mais conveniente. Busca-se a situação ideal de ter o produto certo, para o cliente certo, no momento certo e no canal certo, o sonho do CRM!

Assim, não podemos ter milhares de vendedores, mas pessoas de verdade podem ensinar a máquina a tratar os clientes com empatia. Chegamos à época dos sistemas capazes de simular o dono da lojinha do bairro, com sua sabedoria e simpatia.

Se fizerem isso direito, podem até despertar emoções genuínas e positivas em pessoas de verdade.

 

Segurando o pulso do cliente

Isso não é ficção científica, nem conversinha mole de guru. Está acontecendo aqui, agora, possivelmente sendo usado pelo seu concorrente.

O excesso de oferta e essa mesma tecnologia criaram pessoas que querem tudo com melhor qualidade, mais barato, mais rapidamente e da maneira mais conveniente para as suas necessidades individuais. Mais que isso, os clientes estão menos tolerantes a falhas, e menos suscetíveis a ofertas que não se encaixem no seu perfil.

E eles fazem isso simplesmente porque podem! Então, se os clientes mudaram dramaticamente, por que as empresas, seus produtos e seu marketing continuariam os mesmos?

E-mail marketing, segmentação e clusterização de clientes, remarketing e outras bossas são ferramentas úteis e que trazer bons resultados. E pareciam tão modernas… até ontem!

A digitalização da nossa sociedade está abrindo enormes portas para que cada interação entre pessoas e pessoas, pessoas e empresas, pessoas e ideias seja valorizada e gere uma informação útil, pronta para ser usada. Hoje fazer as “perguntas certas” pode oferecer, a qualquer um, ideias para conquistar mentes e principalmente corações. Para empresas, isso significa criar ofertas mais assertivas e deixar a concorrência comendo poeira.

Não se trata de substituir pessoas por máquinas: as primeiras continuam comandando o processo. Mas os sistemas lhes permitem ganhar escala e dar a milhares de pessoas a mesma atenção que seriam capazes de dispensar a apenas algumas dezenas.

É um incrível momento em que marcas podem se conectar emocionalmente a pessoas, mantendo contato com elas desde que acordam até quando forem dormir. E isso de uma maneira leve, agradável, ética e útil para todos os envolvidos.

Que tal começar a ouvir os seus clientes agora mesmo?


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